A Hiperactividade vista à lupa

Quarta-feira, 09 de Julho de 2008

Abro aqui uma excepção para falar de mim própria. Este não é o objectivo inicial do blog. No entanto, a minha maneira de ser e de enfrentar as situações, tem a ver com um conjunto de factores que moldaram a minha personalidade. É essa personalidade que me faz reagir e por isso se me conhecerem, talvez entendam o porquê de certas reacções.

Num post anterior veio á baila a alimentação. Este é para mim um tema delicado. Tenho uma espécie de guerra comigo mesma com esta questão. Hoje ao visitar o blog de uma amiga, vi que o conflito gerado com a nossa imagem, o que mostramos aos outros e aquilo que fazemos para mudar essa imagem, é muitas vezes difícil. A aparência é muito importante (e ainda bem!) e somos alertados cada vez mais para determinados problemas de saúde que se relacionam com o modo como nos alimentamos.

Conheci ao longo da vida muitas situações diferentes. Aprendi por isso a não julgar. Cada caso é um caso. Este é o meu.

Em criança sempre fui muito magrinha ( com 3 anos tinha 11Kg o que preocupava e de que maneira a minha mãe). Até aos 10 anos fui tendo peso abaixo da média, por isso quando começei a engordar um pouco, por volta dos 11 anos, a minha mãe achou óptimo. O corpo entrou em mudança e menstruei a 1ª vez aos 12 anos. A partir daí foi o grande salto. Passei de senhorinha a senhora em menos de três anos e por volta dos 15 anos tinha engordado realmente! Vestia 38 e tinha tendência para ancas e coxas, típico, não?

Os problemas começaram um pouco mais tarde, quando passou a ser evidente que os outros me viam como gorda, uma «rabo grande» com pouca motivação para sair ou «curtir» com coleguinhas de turma. A auto-estima foi-se e o isolamento passou a ser a única opção.

Depois de uma vida académica recheada de muito Bons e de notas 20, a faculdade era o caminho lógico. Mas o patinho feio queria ser cisne, queria mudar! Penso que os meus pais nem se aperceberam mas propositadamente fiz por concorrer a um curso (direito) para o qual sabia não ter vocação, a uma faculdade que não tinha nota para entrar (podia entrar em Lisboa mas decidi escolher Coimbra e não entrei por décimas). Não quis concorrer á 2ª fase e acabei por parar um ano.

Esse foi o ano da transformação. Tudo na minha vida se alterou. Eu, menina perfeita, princesa dos papás, que nunca tinha vontade de saídas, passei a sair mais e com novas companhias. Passei a mudar a minha forma de vestir e teimei em mudar o meu corpo. Primeiro foram as dietas de verão, aproveitar o tempo fresco para comer saladas e fruta, depois a redução das quantidades que ingeria. Aos 19 anos o meu físico estava muito melhor (tinha 52Kg para 1,56m ). Fiz o priemiro ano de faculdade no curso de gestâo de marketing e publicidade, um meio que tinha muito a ver com aparência, com o físico. 

Deixei a casa dos pais. Viver sozinha foi uma festa. Ninguém podia controlar o que comia e as idas a casa ao fim de semana eram fugazes e sempre evitava perguntas.

Passei a fazer apenas uma refeição, sem carne ou peixe, apenas de legumes e só ao jantar. O almoço não me preocupava porque estava na faculdade e não ia comer. Mas entretanto achei que comer á noite não era bom, depois não gastava energia, então passei a comer um iogurte magro ao almoço e beber chás ao jantar.

Se tivesse de comer em casa dos meus pais, iludia com maçãs ou sumos de cenoura (mas passei a comprar livros de nutricionismo com informação sobre as calorias e antes de pôr na boca confirmava vezes sem fim, o valor energético da maçã média). O que me punham no prato acabava no fundo dos bolsos ou no lixo quando ninguém estava a olhar.

Estava nos 42kg quando apanhei uma pneumonia grave e tive de voltar a casa. Tinha tanta fraqueza que a minha mãe me dava o comer na boca (só sumos e fruta a meu pedido).

Aos 40kg o meu médico deu-me a mim e á família um prazo de 48H para começar a comer ou teria de ser inetrnada. Fiz um esforço sobretudo pela minha mãe, mas lembro o histerismo quando me obrigou a comer sopa com batata, pão e leite. Lembro as insónias (minhas e dela) por ter de me pesar e dizer ao médico que não baixara mais o peso. Lembro as milhentas flexôes matinais porque queria queimar as calorias «a mais» da fatia de queijo.

Quando conheci o meu marido, tinha 42kg. O carinho e a força que me deu, obrigando a ver no espelho tal como ele me via, levou-me a tentar fazer uma refeição de faca e garfo. Ele que tanto aprecia a boa comida, detestava comer sozinho e foi assim aos poucos que dois anos depois, quando casamos (tinha eu 25 anos) estava com 44kg. Tinha, mas depressa voltei aos 40kg! A minha preocupação em que a pílula me fizesse engordar foi a desculpa. Na realidade a aversão aos alimentos mantinha-se. Quando tentei engravidar o médico deu-me um ultimato, ou engorada ou não consegue. Três anos e dois abortos depois, veio o Rafa. O meu peso oscilou muito na gravidez. Uma anoréctica não quer comer mas não é burra.

Sabia que tinha de ganhar peso pela saúde do bébé. Foi por essa altura que uma grande amiga me consegui levar a descobrir outras formas de vida. Mais naturais, menos agressivas, as comidas de estilos vegetarianos ou mesmo macrobióticos, começaram a fazer parte do meu menú.

Aos pouco fui adaptando. Passei a ingerir mais quantidade de cada vez, passei a ter menos aversão a certos alimentos e começei a gostar muito de cozinhar. Introduzi a carne (só de aves, 2x por semana e peixe 3 a 4x) Não consigo beber leite mas optei pelos derivados da soja. Se me apetecer um doce, como mas não como mais do que 2 por semana e se o fizer num dia de semana, vou cortar noutra coisa qualquer.

Tenho como meta manter os 45/46kg, depois da segunda gravidez (em que engordei apenas 6 Kg) recuperei cheguei aos 48!

Sei que tenho de me alimentar. Tenho uma vida activa e duas crianças pequenas. Numa semana de mais stress, chego a perder três kg.  Por isso luto por comer mesmo que não sinta vontade. Sei que se não fizer o pequeno almoço, posso andar o dia inteiro sem comer nada e não dar por isso!

Posso não ter a imagem ideal mas aprendi a viver comigo tal como sou.  Aceito-me e quero continuar a cuidar de mim.

A  anorexia é uma teia que nos enrola cada vez mais. Não conseguimos parar, queremos ficar sempre mais magras. Tenho medo sempre que ouço miúdas falarem em dietas. Apavora-me que fiquem como eu fui em tempos, pois sei que o bichinho continua lá dentro á espreita.

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postado energia-a-mais às 23:05

De Filipa a 11 de Julho de 2008 às 18:26
Olá Teresa,

Passei por aqui para saber de Vocês e para te desejar um BOM FIM-DE-SEMANA!!

Beijinhos!!

De ANDRE a 4 de Setembro de 2015 às 21:35
14 pessoas antes e depois da anorexia


http://www.mestresabe.com/2015/08/14-pessoas-antes-e-depois-da-anorexia.html (http://www.mestresabe.com/2015/08/14-pessoas-antes-e-depois-da-anorexia.html)



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De MamãdaDiana a 16 de Julho de 2008 às 11:46
Olá teresa!! Então como estás tu e os teus filhotes??

De Filipa a 17 de Julho de 2008 às 19:51
Olá Teresa,

Então como é que estás? ... já não sei de ti a alguns dias. Espero que esteja tudo bem convosco. Nós cá continuamos naquele período a que habitualmente todos chamam férias (lol)!!!

Um grande beijinho

De Filipa a 18 de Julho de 2008 às 17:40
Olá Teresa,

Vim aqui deixar-te um beijinho e desejar que este fim de semana sirva para espaireceres um pouquinho e tentares esquecer as agruras da Vida!!

Beijo

De Filipa a 21 de Julho de 2008 às 15:16
Olá Teresa,

Votos de uma Boa Semana!!

Um grande beijinho para ti!!!

De ex ana a 8 de Maio de 2009 às 11:24
Obrigada pela sua coragem.

De Sofia a 4 de Dezembro de 2009 às 18:57
Parabéns pela batalha vencida!
Sei bem (infelizmente) o quão difícil é "vencer" uma anorexia...

De energia-a-mais a 4 de Dezembro de 2009 às 21:05
escreves «vencer» tal como eu escrevo essa palavra - entre aspas...uma anorexia não se vence...estamos sempre na corda bamba. Mas podemos aprender a viver melhor e a sermos felizes sem estar dependentes da balança (pelo menos a não ter a relação de total submissão perante ela...)
Beijos e boa sorte

De Rita Louro a 9 de Setembro de 2010 às 18:02
Olá Teresa.
Tal como a Teresa, também já estive do lado de lá, da anorexia (Se é que, algum dia, passamos para o lado de cá)...
Paralelamente, tento utilizar a minha profissão de jornalista para tentar expor os poucos casos de pessoas que aceitam dar a cara para passar a mensagem de coragem a quem ainda luta, diariamente, por perder mais um quilo, dois, três... já sabemos como é.
Lendo este post e vendo os actuais, sobre os seus dois filhotes, e numa fase em que, eu própria, estou grávida, queria muito mesmo falar um bocadinho melhor consigo.
Caso esteja interessada, pedia-lhe que entrasse em contacto comigo ou que me enviasse o seu número para o e-mail indicado.
Sem outro assunto de momento, aguardo resposta.
Os melhores cumprimentos.
Rita Louro
925485236

De energia-a-mais a 9 de Setembro de 2010 às 22:49
Olá Rita,
poderei entrar em contacto consigo amanhã, depois falamos então, sem qualquer problema
cumprimentos

De Joana Silva a 10 de Setembro de 2014 às 16:20
Olá, deixo aqui o meu novo blog de uma ex anorexica e futura nutricionista sobre como tratar a anorexia. Espero que ajude http://leaveana.blogspot.pt/

De energia-a-mais a 11 de Setembro de 2014 às 10:26
Obrigada Joana!
Desejo-lhe tudo de bom

Teresa

De Anónimo a 29 de Maio de 2015 às 16:01
Estou a fazer uma peça sobre vitimas de anorexia, e acho que a Dra Cristina me podia ajudar dando me a sua visão sobre o assunto.
Acho que era possível?
Fico a aguardar resposta.

Cumprimentos,
Joana Gorjão

De Anónimo a 29 de Maio de 2015 às 16:03
Estou a fazer uma peça sobre vitimas de anorexia, e acho que a Teresa me podia ajudar e podiamos falar um pouco sobre o assunto.
Acho que era possível?
Fico a aguardar resposta.

Cumprimentos,
Joana Gorjão

De energia-a-mais a 1 de Junho de 2015 às 22:18
Olá Joana, se quiser pode entrar em contato sim, envie email pf para ludo-teresa@sapo.pt

Teresa



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