A Hiperactividade vista à lupa

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

 

 

Qualquer pai sabe o «terror» que é levar os miúdos às compras....e os pais de crianças com PHDA, esses então, sabem que é uma tarefa digna de heróis {#emotions_dlg.blink}

 

 

 

  imagem da net

 

 

O que têm de diferente miúdos com PHDA quando colocados em sítios públicos de consumo? tudo!!! são uns furacões imprevisíveis perante as montanhas de solicitações e excitantes prateleiras repletas de óbvias tentações! por norma não vemos um miúdo com PHDA a fazer aquelas irritantes (mas normais) birras de bater com os pés ou punhos no chão, enquanto esperneiam e gritam. Se os vossos filhos são desses que vos fazem corar numa fila de supermercado, estejam descansados que não têm um filho com esta patologia. A diferença, a grande diferença, é que uma criança que tenha PHDA nunca vai esperar na fila {#emotions_dlg.sarcastic}! Ela pega o que quer e simplesmente corre para fora da loja. Ou tenta «despachá-la» logo ali....Nunca me esquecerei das corridas loucas que fiz atrás do Rafa, das caras de reprovação e das desculpas perante os seguranças que acabavam estafados antes de conseguirem pôr a mão num miúdo de 4/5 anos (e quanto mais velho pior, a diferença é que eu aprendi a controlar melhor a situação).

Portanto uma das dicas infalíveis é «evitar levar os miúdos às compras». No entanto há alturas em que simplesmente não se pode evitar e outras, como no regresso à escola em que será até bom para eles (para se aperceberem de custos, de escolhas possíveis e de gestão de necessidades) fazerem parte ativa do processo de compra.

 

Ora como fazer então para conseguir sobreviver a um dia de compras com eles?

Primeira dica - planear! tudo mesmo. Desde o local, o tempo que se prevê demorar em cada loja (optar por comparar percursos entre lojas caso não se escolha tudo num sítio só, até a localização dos produtos nas prateleiras). Lembre-se que uma criança com PHDA não consegue estar muito tempo num mesmo sítio, por isso faça uma gestão acertada das suas compras. Por vezes é preferível dividir por dias diferentes (um dia roupa e calçado por exemplo, noutro material escolar). No plano use todas as estratégias ao dispôr como a escolha atempada dos produtos através de catalogos ou site das lojas. 

 

Segunda dica - faça uma lista e «prepare» antecipadamente a cabecinha dos miúdos «não está na lista não é para ir ver/levar». A lista é uma aliada muito útil. Serve para que a criança tenha uma pré visão do que vai efetivamente comprar (para além de nos guiar a nós), pode ser usada no local como ajuda para manter a atenção da criança no que realmente interessa (é bom que seja a criança a levar a lista e assim fica mais atenta ao que levar, riscando o que é comprado, orientando-se melhor) e claro, evita compras desnecessárias. É um método eficaz sobretudo se for usado de forma persistente. Cá em casa uso listas para quase tudo com os miúdos pois é a única forma que tenho para que não se dispersem!

 

Terceira dica - estabeleça um orçamento e obrigue a que coloquem o preço do que compram à frente do produto. Ajuda a ter sempre as coisas controladas e é mais um método para reforçar a capacidade de atenção dos miúdos.

 

Quarta dica - saia da loja com eles se algo começar a fugir ao seu controlo. Nada de avisos no local «olha que saio já e ficas aqui com as compras, blá, blá blá....». Os avisos devem ser feitos antes de saírem de casa e reforçados à entrada da loja, depois, caso algo corra mal, deve simplesmente encaminhar-se para a saída e fazerem outra tentativa noutro dia.  Garanto que é preferível do que andar um dia inteiro atrás dum miúdo com PHDA, a correr com os sensores das lojas a apitarem quando ele cruza a saída com algo que agarrou ou a ter de se desculpar perante os gerentes....e sei bem do que falo!

 

Faça das compras um motivo de divertimento e encare-o como mais uma estratégia para ajudar a sua criança com PHDA a orientar-se melhor. Ao longo do tempo ele vai começar a ter mais noções de como usar estas ferramentas de controlo, será sempre um comprador impulsivo mas terá mais hipóteses de não se meter em «alhadas» quando adulto, se desde criança começar a controlar essa tendência com alguns truques como estes {#emotions_dlg.happy}

 

 

Boas compras!

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 07:36

Domingo, 24 de Agosto de 2014

 

 

as «diferenças» de um filho obrigam-nos principalmente a aceitar

 

 

quando uma criança nasce é sempre um turbilhão de emoções - desde logo porque projetamos. As nossas expetativas como pais, levam-nos a projetar (antes mesmos do nascimento) o que queremos para o nosso filho. E o que queremos que seja, como queremos que corram as coisas, projetamos sonhos, ideais, valores...e quando percebemos que nem sempre as expetativas estão de acordo com a Vida que ali temos, é difícil aceitar.

 

Lido com muitos pais de crianças com PHDA e alguns com outras patologias. Reconheço em todos eles, numa primeira fase, aquilo que eu própria senti. Antes da aceitação vem sempre uma fase de maior dor, revolta, culpa, frustração. Tentamos mudar as regras do jogo, tentamos mudar o diagnóstico, tentamos contrariar as evidências, fazemos de tudo para adaptar as situações. No entanto na fase da aceitação, reconhecemos que a única coisa que realmente importa é saber respeitar.

 

O Rafa não pode ter muita gente à sua volta, entra em stress. Fica agoniado, com vómitos e anda de um lado para o outro sem parar. Sempre que temos visitas em casa ele refugia-se no seu canto. Permito-lhe essa «diferença». Não o pressiono para que se junte aos outros (mesmo que sejam familiares) e antes que cheguem pessoas de fora (muito raramente aparecem sem avisar) planeio com ele o que fazer para que não esteja ansiosamente à espera.

No aniversário do irmão tivemos cá em casa alguns familiares. Ele programou o tempo para estar no quarto, discretamente levamos as suas coisas para lá antes de estar toda a gente. 

Hoje veio um primo brincar com o mais novo. Uma das coisas que mais enerva o Rafa é o barulho (dos outros). Ficou na sala, à vontade de porta fechada para  evitar as correrias dos mais novos. Claro que isto é apenas uma das coisas que faz parte e que nem é a mais complicada para nós de aceitar!

Podia falar da forma como disponho os alimentos no prato (nunca misturar a comida - o arroz não fica a tocar na carne, a salada não toca no arroz....) ou da fronha de almofada que tem de ser sempre colocada de uma certa forma, ou da sua recusa em aparecer nas fotos, mesmo quando pede para ser fotografado

 

 

 

autorizado por ele {#emotions_dlg.smile}

 

temos é de saber respeitar!

 

 

 

postado energia-a-mais às 21:15

Quinta-feira, 07 de Agosto de 2014

 

 

o peso dos meus filhos e sobretudo a alimentação tem sido uma das minha preocupações acrescidas desde que o diagnóstico de PHDA levou a medicação

 

 

 

imagem da net

 

 

Claro que todos os pais devem ter o maior cuidado na alimentação dos miúdos, até porque sabemos que é de pequenos que se criam os bons hábitos alimentares. No entanto patologias como PHDA (e muitas das suas co-morbilidades associadas) são fatores de risco, acrescem um cuidado extra pois interferem e muito no tipo e no peso destas crianças, jovens e pela vida fora...

 

Uma medicação à base de meltefedinato (medicamento usado para a PHDA) como Concerta ou Ritalina (os mais comuns) inibem o apetite, uma das consequências inicias da sua toma é uma redução na ingestão de alimentos, logo uma perda de peso. Por vezes, dependendo do organismo de cada  criança essa perda pode ser acentuada e prolongar-se no tempo, tendo estas crianças um certo «atraso» no seu desenvolvimento, especialmente se iniciam a medicação muito cedo (antes dos 7 anos não é aconselhável mas existem casos que eu conheço). Nestes caso, é indispensável assegurar que as crianças ingerem os nutrientes necessários, por vezes fazer alguns suplementos para ter a certeza do aporte correto de vitaminas e minerais.

No entanto, outras patologias associadas à PHDA podem levar a medicação combinada (ou mista) isto é, um fármaco administrado para outra perturbação - as mais comuns são as de instabilidade de humor, perturbações do sono, TOD ou Asperger. Os mais utilizados fazem um efeito contrário ao meltefedinato, ou seja, trazem como efeito secundário um aumento de apetite, em certos casos muito difíceis de controlar.

 

Em casa, tenho os dois exemplos - o que me deixa à vontade para falar do assunto. O Quico só faz medicação para a PHDA e portanto é necessário «empurrar» a comida pois nunca parece ter fome. O Rafa faz combinação de medicação para PHDA e TOD (as variações de humor são também devido ao asperger) e um dos alertas do médico que o segue foi logo «cuidado com o apetite!». Realmente o meu mais velho parece nunca estar satisfeito e come tão depressa que se torna difícil controlar o que ingere. Assim, devido mais à quantidade do que por causa da (má) qualidade ou má preparação dos pratos principais (a preferência vai para grelhados, assados com pouca utilização de gordura, poucos fritos ou fast-food) depressa se evidencia a tendência para o aumento de peso. Atualmente com 13 anos, o Rafa mede 1,69m e pesa 67kg - muito acima do recomendado para a idade!

 

Um adolescente em dieta - medo!

 

Uma das dicas que segui foi «o que não tenho em casa, ele não pode comer». Parece-me uma boa ideia - se em casa não existem alimentos «maus», como bolachas mais calóricas, bolos, refrigerantes, gomas, etc, mesmo que ele vá à despensa, não tem lá nada que contribua para o excesso de peso. No frigorífico estão lacticínios magros, queijo fresco, frutas, iogurtes, legumes. As carnes das refeições são brancas, o peixe é sempre um dos pratos do dia, saladas e vegetais (ou sopas) estão sempre na mesa.

Outro conselho que segui foi o de «trazer apenas o prato já feito para a mesa». Nada de travessas que aguçam a sensação de fome, o que os olhos não vêem o cérebro não pede!

Há também um outro «truque» que tenho utilizado, uma vez que estamos em casa e eu tenho mais tempo para seguir o que fazer, faço-o repartir ao longo do dia a quantidade de alimentos, comendo mais vezes, não tem tanta fome na horas das refeições. 

Para que não deixe de comer aquelas «tentações» tão do agrado dos adolescentes e para que não fique ansioso pela «regra» mais apertada em controlar o que come, estabeleci com ele um dia por semana de «comer o que mais gosta» em que são permitidos uns quantos «pecados». Mesmo assim não quero que coma de tudo por isso batata frita é restrita a uma vez de 15 em 15 dias e fast-food apenas a uma vez por mês. Além disso uma das regras que existiam já cá em casa é a das bebidas (as coca-colas e afins) que só entram um dos dias do fim de semana (escolhem ou sábado ou domingos e apenas bebem enquanto dura). E claro, se há um dia especial, o que estiver na ementa pode ser consumido sem reservas (dias especiais são dias especiais, certo?)

Como não quero que pense que tem de andar sempre a verificar o peso, a balança é apenas um elemento cá de casa que se usa uma vez por semana.

 

Acho que tendo em conta a preparação das comidas, controlando a quantidade de comida, é possível ele comer de tudo, isto é, fazer uma alimentação variada, incluindo coisas que tipicamente os miúdos desta idade preferem. Até porque, com as alternativas ao dispor no mercado, preparando a comida em casa,  usando a imaginação, isto da dieta pode não ser tão mau assim!

 

claro que estamos a falar de um adolescente (ainda por cima de um que não tem propriamente um controlo muito bom sobre os seus impulsos)...e tudo pode correr ao contrário!  

 

 

 

postado energia-a-mais às 13:08

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