A Hiperactividade vista à lupa

Quarta-feira, 29 de Abril de 2015

Boa tarde,

Antes de mais, gostaria de deixar bem claro que não tenho como intenção apontar o dedo a ninguém, nem julgar, nem reclamar. Apenas gostaria de partilhar convosco a minha experiência e, quem sabe, talvez um dia possa ajudar alguém para que não aconteça com mais ninguém o que nos aconteceu.

O meu filho, depois de 10 anos de muita luta, foi finalmente diagnosticado com Síndrome de Asperger, em Dezembro passado. Sempre tivemos muitos problemas com ele e, principalmente a escola, devido ás suas dificuldades na interacção social.

O inicio deste ano escolar foi particularmente difícil. Mudou de ciclo e, como tal, de escola e de DT - tudo coisas que por si só já são complicadas. O pior foi o Director de Turma que mudou. O do ano passado era um anjo vindo do Céu para o orientar e ajudar. Ele sentiu muito essa "perda". A nova DT é uma pessoa muito agressiva, fria e sem qualquer paciência para alguém como o meu filho.

Fizemos várias reuniões com a escola, sozinhos e com a presença de uma psicóloga privada que contratámos, já que o SNS achou que ele não carecia de acompanhamento, com o intuito de pedir ajuda para ele - para os consciencializar para as dificuldades dele e a necessidade de uma abordagem um pouco diferente, mas a escola recusou veementemente em aceitar que ele tinha sequer qualquer dificuldade ou problema! Tinha no seu Plano de Educação Individual as adequações que o serviço de Educação Especial achou conveniente e mais nada. No ponto de vista da escola, tratava-se de um miúdo preguiçoso e pouco disciplinado, mas que de resto era tão normal e adaptado como qualquer outro aluno, e a carga negativa foi fulminante desde o primeiro dia.

Pedimos para valorizarem o positivo. A resposta foi um ataque brutal a TUDO de negativo. Implicaram porque não fazia os TPC. Pedimos ajuda para ele os fazer na escola, pois em casa, na cabeça dele, não era lugar para fazer as coisas da escola. A escola recusou. A disgrafia dele mantinha-se acentuada. Pedimos á escola que o deixassem entregar trabalhos em suporte digital (no PC). A escola recusou. Ele, ao abrigo do artigo 3/2008 deveria de estar numa turma de tamanho reduzido. Foi recusado e ele integrou numa turma de quase 30, incluindo alunos repetentes e destabilizadores.

O resultado do primeiro período foi uma desgraça. Teve 3 negas. Fiquei aterrada, pois ele é aluno de inteligência acima da média que nunca tinha tido notas semelhantes a estas. Falámos com ele e resolvemos fazer um acordo e um esforço para melhorar. Sem qualquer ajuda ou envolvimento da escola, ele no final do segundo período tinha subido de 3 negas para apenas 1 e ainda teve 5 quatros! Subimos todos aos céus de felicidade. A resposta da escola foi considerar que ele tinha tido apenas uma "ligeira melhoria" e que iria manter a imposição total do seu cumprimento com todos os projectos propostos.

No inicio do 3º período tudo piorou dramaticamente. O meu filho estava desanimadissimo com a reacção da escola ao seu esforço monumental. Na 6ª Feira passada, depois de mais uma reclamação da escola por ter TPCs inacabados/mal feitos aconteceu o que não desejo a NINGUÉM neste mundo. O meu filho acabou por pôr termo á vida. Tinha 14 anos.

Sabíamos que ele estava sob uma pressão desumana por parte da escola mas nunca, NUNCA em mil vidas nada os levou a pensar que isto seria sequer ponderável.

Portanto, deixo aqui um apelo para TODOS os professores e pais deste país e deste mundo. A vida de uma criança é o nosso maior tesouro. Por favor, NUNCA desvalorizem um pedido de ajuda de uma mãe. Não há NINGUÉM neste mundo que conheça melhor o seu filho do que ela. Se ela acha que precisa de ajuda, ajudem. Mas ajudem de coração. Nem que seja por indulgência, porque a dor que uma mãe sente ao perder um filho por quem pediu ajuda a tantas pessoas, tantas vezes e com toda a força que tem é algo que é indescritível.

Não aceito que qualquer situação politica justifique a falta de humanidade que hoje se vive diariamente nas nossas escolas e na nossa sociedade, sob desculpa de "cortes" e "crises" e afins. Somos humanos. Os nossos filhos são o nosso futuro. Professores e pais deviam de ser uma equipa, não inimigos.

Apelo, de coração destroçado, para que algo ou alguém mude a mentalidade de quem tem o poder de alterar mentalidades para que as nossas crianças deixem de ser consideradas um fardo que têm de ser educadas, e que passem a ser vistas como seres que carecem de orientação de quem já viveu o suficiente para os poder ENSINAR. Respeito, consideração, compaixão - são coisas que se ensinam em casa, é verdade - mas que devem de ser reforçados na escola. Lamento profundamente que hoje em dia isto puro e simplesmente não acontece.

Desejo a todos muita paz e todas as bênçãos do Alto e o meu muito obrigado por me ter sido permito este desabafe.

 

Esta Mãe chama-se Ana Sheila Martins e este foi o relato que partilhou no grupo Asperger Portugal. Podia ser um relato meu, um relato de qualquer outra Mãe que tenha uma criança com este tipo de perturbação...as tais crianças «diferentes» que ninguém sabe como incluir, que a sociedade julga sem ter direitos para isso, as tais crianças que «dão muito trabalho» e «desgastam» um professor...

Tal como diz a querida Gisela do Grupo de Perturbação de Hiperatividade, devemos refletir!!! e nunca, mas NUNCA minimizar o que eles nos contam ou o que sofrem diariamente!! Por favor NÃO IGNOREM!! todos temos responsabilidade nestas situações - é a nossa complacência enquanto cidadãos que permite sistemas desadequados persistirem, como o nosso «sistema educativo»!

 

 

postado energia-a-mais às 11:25

Segunda-feira, 13 de Abril de 2015

estão a descredibilizar cada vez mais a grave perturbação de hiperatividade e défice de atenção!!

 

Este é um assunto polémico, porque tudo o que não é consensual levanta polémica. A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é um dos transtornos mais usuais nos dias de hoje. Parece que uma epidemia grassa por aí e pelos vistos é contagiosa (not) uma vez que se espalha a uma velocidade estonteante e atinge crianças cada vez mais novas!! fico siderada com o número cada vez mais alarmante de casos diagnosticados (e medicados).

Eu, que lido com esta patologia há mais de 10 anos, quer em casa, quer por ser a minha ocupação a tempo inteiro enquanto coordenadora dum grupo de apoio a pais (que trabalha essencialmente os dois contextos - família e escola, dando formação, levando informação a quem a solicita, fazendo o acompanhamento de casos e apostando na correta percepção da PHDA) nunca esperei ter cada vez mais dúvidas, em vez de mais respostas...mas a verdade é que cada vez me sinto mais confusa! 

São pais que me chegam com miúdos cujo diagnóstico foi feito pela escola, são crianças com «défice de atenção» que não demonstram outras manifestações a não ser na escola, são cada vez mais casos de crianças que não «reagem bem» à medicação!!! o meu cérebro fica logo em alerta vermelho!!! será que não está na altura dos «especialistas» atenderem a estes sinais? será que não está em risco uma quantidade cada vez maior de crianças por causa dos chamados falsos diagnósticos? uma vez o Dr. Lobo Antunes considerou que era bem mais grave não diagnosticar uma criança com PHDA, do que diagnosticar em «excesso». Eu reconheço no Dr. Lobo Antunes um grande especialista na matéria e não posso deixar de concordar de que uma criança que não é diagnosticada enfrenta uma batalha para a vida...mas sinceramente os miúdos que são diagnosticados erradamente também estão a sofrer (junto com toda a família) e por vezes até a colocar em risco um futuro bem mais promissor!

Que diabo! uma PHDA para ser diagnosticada não se resume a «défice de atenção» na escola! este é um sinal de que alguma coisa está mal sim - mas na escola!! e vamos lá a assentar isto nas bases médicas e científicas - sendo a PHDA uma perturbação neurológica (o que por si só já diz muito sobre a prevalência) com 3 tipos de especificadores (o desatento, o impulsivo e o misto) a taxa de casos de uma PHDA de tipo desatento é muito menos comum do que a de tipo misto!! quer isto dizer que quando se fala em PHDA, o maior número de casos demonstram sem dúvida que o portador desta patologia tem por norma manifestações tanto de desatenção, como de agitação motora/impulsividade! o que tem toda a lógica, uma vez que se trata de uma «deficiência» na regulação dos neurotransmissores cerebrais e portanto o mais comum é que isso afete todas as áreas do individuo (seja na parte da desatenção, não conseguir manter o foco, seja no falar demais, seja na impulsividade, seja na agitação, não conseguir estar parado)

Sim, existem casos em que a manifestação mais notada é a desatenção - e por isso é que os especialistas entenderam este subtipo, no entanto é mais raro, acontece menos vezes, quase sempre nas raparigas, ainda menos nos rapazes! e sim, existem também casos em que se notam muito mais as questões ligadas à agitação, à impulsividade, sem os critérios de diagnóstico da desatenção - mas são casos ainda mais raros (mesmo assim, mais comuns nos rapazes)

Portanto, pais - não é comum uma PHDA afetar «apenas» a atenção!! desconfiem sempre dum primeiro diagnóstico desse tipo, mesmo que achem que foram feitas as avaliações corretas (por norma questionários aos pais e aos professores) e mesmo que achem que não vale a pena uma segunda opinião - desconfiem! mas desconfiem ainda mais se os sinais que recebem após iniciarem a medicação forem - ele/ela não «reage bem» ao concerta ou ao ritalina, vamos experimentar o rubifen! o que é «não reage bem»??? são raros, muito raros os casos em que a criança (ou jovem ou adulto) não tem melhorias com o metilfenidato (o psicoestimulante usado no tratamento da PHDA) pode acontecer sim, mas por norma já na fase da adolescência e isso porque o organismo sofre alterações decorrentes da idade e da própria patologia. Nos mais pequenos, se estiverem bem diagnosticados o metilfenidato atua sim! Acontece que em muitos casos a medicação não é de facto necessária - não é, porque a criança não tem PHDA! é por isso que não funciona com o ritalina ou concerta...ah mas tem melhorias com o Rubifen que tem o mesmo princípio ativo - sim, porque a dose é muito baixa!! aliás uma criança de 7 ou 8 anos com peso adequado à idade e que sofra de PHDA raramente sente efeitos com o rubifen, exatamente porque a atuação é reduzida, por isso introduz-se um medicamento de ação prolongada - Concerta ou Ritalina (atenção que aqui ressalvo os casos em que existem as chamadas comorbilidades, patologias associadas e em que se poderá ter necessidade de outro tipo de medicação, ou de não usar a tal substância e usar outras mais eficazes, mas isso são excepções)

Este post não vai ser bem recebido por muitos pais! eu sei...vai ser do tipo - mas quem é esta que vem agora dizer que devemos desconfiar dos especialistas??!! na verdade, só eu para ser «atrevida» assim  mas digo, isto de ver cada vez mais e mais crianças com medicação assusta-me mesmo! desconheço todos os motivos para este tipo de «falsos diagnósticos» mas posso apontar alguns, fruto da minha vivência e das experiência de todos estes anos, com diferentes intervenientes no processo:

- as escolas estão cada vez menos adequadas às crianças, as metas curriculares são ridículas, o método pedagógico não é o mais indicado, os programas são demasiado extensos e confusos, as turmas demasiado grandes, demasiadas pressões - tudo isto leva a um número cada vez maior de crianças que não acompanham o ritmo, que sentem dificuldades na aprendizagem (tentem fazer as fichas de TPC do 2º e 4º ano e vejam se vocês pais, não sentem dificuldades...), que se distraem facilmente, que não estão motivados/concentrados  

- existem cada vez mais fatores externos que condicionam as aprendizagens - crianças de famílias em ansiedade por não terem rendimentos suficientes, pais desempregados, pais e professores desmotivados, vida louca de correrias e pressões (distúrbios de ansiedade, «saltar» o pequeno almoço, não ter rotina de sono adequado, certos casos de depressão - tudo isto pode ter manifestações semelhantes às da PHDA, o que confunde os diagnósticos)

- as avaliações «apressadas», feitas com base em relatórios da escola, sem avaliação integral dos diferentes contextos, a necessidade de fazer «poupar» recursos, a interpretação errónea dos comportamentos relatados...

Enfim! são motivos mais do que muitos para se chegar a um diagnóstico incorreto!! eu insisto que o critério da idade (ter «diferenças» desde muito cedo, ser notório que antes dos 4-5 anos já as manifestações de agitação, descoordenação motora, dificuldades em articular discurso verbal estão presentes) e o critério das manifestações iguais em diferentes contextos (mostar o mesmo tipo de comportamento na escola, em casa, na rua, no parque, no café...) são as grandes bases dum diagnóstico correto!

 

Este texto é de opinião, como tal não obedece a nenhum tipo de motivação extra, seja de lançar mais confusão ou causar mais preocupações, é um exercício pessoal de reflexão - se alguém achar que pode ser importante repensar o assunto, partilhe! 

 

 

 

postado energia-a-mais às 23:14

Domingo, 05 de Abril de 2015

 

 

é tempo de celebrar a Família! 

 

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seja com símbolos de Amor, seja com os tradicionais símbolos da Igreja, seja com a reunião de Família à volta da mesa, Páscoa é sempre símbolo de Vida! 

 

A todos uma Páscoa muito doce!

 

 

 

postado energia-a-mais às 07:46

Quinta-feira, 19 de Março de 2015

deve ser lembrado sim, pois numa sociedade cada vez mais exigente, o papel de Pai tem de ser encarado como um projeto de Vida!!

 

Ao meu Pai, um duplo Obrigada! por ser o pai fantástico que é, pela disponibilidade, pelo Amor incondicional e sobretudo pelo papel de modelo parental que assumiu com os netos!

 

 

pai.jpg 

 

e se é verdade que Pai há só um, o Pai dos meus filhos merece neste dia um beijo especial! não podemos estar juntos mas ser pai não tem que ser necessáriamente estar fisicamente ao lado, muitas vezes a vida obriga a separações forçadas mas importante mesmo é que a distãncia não quebre o Amor, não impeça a presença do coração!

 

A todos os Pais um Dia Feliz!

 

 

 

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postado energia-a-mais às 09:50

Segunda-feira, 02 de Março de 2015

Todos já devem conhecer a história - aquele miúdo que por estar sempre a dizer mentiras, quando falou verdade ninguém se acreditou...

 

Lá vem isto a propósito dum comentário que li aqui e que me fez remeter para o que ouvi dizer na última palestra/debate dinamizada no âmbito do trabalho no Núcleo de Apoio a Pais. A maioria dos professores que me abordou nesse dia,tinha esta ideia «PHDA existe no entanto não existem crianças com PHDA» - o que existem são miúdos preguiçosos, mandriões, mal educados....os pais medicam porque querem, muitos pelos vistos medicam mesmo sem os médicos prescreverem! São esses os mesmos professores que mandam recados para casa, logo no início da escola porque «o aluno não se concentra, está sempre a perturbar a aula, não se consegue trabalhar com ele e prejudica o rendimento da turma»...

 

Não sei o que falha, informação existe, até demais - qualquer pessoa pode consultar na net tudo o que necessita sobre esta perturbação. Pode informar-se ainda através de meios mais pessoais, recorrendo a quem vive essa experiência na pele, falar com profissionais de saúde, etc. Existem cursos para quem precisa de saber lidar mais de perto com a PHDA, seja na qualidade de professor, seja como pai. Existem muitos livros que ajudam a compreender e mostram técnicas e estratégias a utilizar! mas a informação parece estar a passar de forma errada!!

Pergunto, como mãe, sou obrigada a aprender cada vez mais, tenho de ser Mãe - no sentido de educar; tenho de ser professora - porque a escola não sabe ensinar uma criança assim; tenho de ser médica - porque acham que sou eu que decido se dou, quando dou e como dou a medicação; tenho de ser psicóloga - porque afinal ninguém sabe ouvir os miúdos e parece que ninguém se importa com o que eles pensam sobre o que os afeta diretamente! que papel tem então a escola? os médicos? os profissionais de saúde?

E depois de tudo isto ainda tenho de levar com a dúvida «porque a PHDA existe mas como todos agora são hiperativos ninguém sabe quais são os verdadeiros!!!» Ora tenham dó!!! e não se notam diferenças é isso? não é óbvio que só a falta de vontade leva aos comentários deste tipo?

 

postado energia-a-mais às 13:49

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2015

 

 

Bom, mesmo que esta não seja uma data muito significativa cá em casa (palhaçadas temos todos os dias do ano) para quem gostar da folia e diversão, que aproveite!

 

 

carnaval.jpg

 

postado energia-a-mais às 09:17

Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2015

 

 

para falar da agressividade que tanto assusta!

Este não é um post fácil. Pensei se o deveria editar ou não...acho que o blogue serve principalmente para registar o que mais específico acontece cá em casa, uma forma de manter um certo sentido de tranquilidade, sobretudo quando o caos parece tomar conta de nós! Também não é um blogue que interesse a muita gente, acho que é lido sobretudo por quem é afetado pela PHDA e por isso o pensei como sítio de partilha.

Para mim é óbvio que nem toda a gente gosta de comentar, desde logo porque se expõe...compreendo perfeitamente. Por outro lado, acho mesmo que muitos pais preferem ignorar certas caraterísticas, até mesmo a perturbação em si! Conheço alguns que se recusam mesmo em aceitar que os filhos sofrem de PHDA porque apesar do muito que se tem falado ultimamente, esta continua a ser uma perturbação que não é consensual, nem sequer para a classe médica, nem nas escolas, nem na sociedade (basta ler os inúmeros artigos de opinião sobre o tema que proliferam por aí). 

No entanto, tenho de confessar que uma coisa é aceitar ter uma criança com PHDA que se associa ao lado mais irrequieto, agitado, quando muito, aceitar que tem dificuldades de aprendizagem decorrentes dessa condição, outra coisa bem diferente é aceitar que se tem uma criança (adolescente/jovem) que tem uma PHDA de tipo impulsivo severo, ao qual estão associadas comorbilidades muito mais graves como o transtorno de oposição/desafio, ou mesmo uma agressividade difícil de lidar. 

Eu estou na condição de mãe de uma criança, agora adolescente assim! agressivo ao ponto de pôr em risco a integridade física dele e dos outros. Medicado, é certo, visível para mim a necessitar de nova consulta para que seja feita nova avaliação sobre a medicação e outras estratégias. Eu felizmente tenho retaguarda familiar, por norma não estou muito tempo sozinha com os miúdos (tirando uma parte dos fins de semana e claro a partir do final de cada dia). No entanto, o meu filho não tem comportamento diferente, esteja alguém mais em casa, ou não. Ele simplesmente explode e leva todos à frente. 

Sempre imprevisível! nessas alturas tento manter-me (e aos outros) o mais calma possível. Tento afastar o mais novo e rapidamente separar o mais velho para uma divisão onde não esteja ninguém. Tento que ele olhe para mim e que ele faça por respirar para assentar melhor as ideias. Ele continua a demorar algum tempo até se acalmar e mesmo depois de uma explosão violenta pode ter outros acessos repentinos. Não é fácil para ninguém. E evitar estas situações, sobretudo para que o mais novo não seja o objeto dessa agressividade do irmão, tem sido muito complicado! 

Apesar disto, acredito que falar sem tabus destes temas, pode ser uma ajuda. Acredito que não sou a única a ter um filho com estas patologias e acho que partilhar ideias, saber o que fazer ou pelo menos ter algumas dicas de como lidar com este tipo de situação! Até porque estas explosões, embora ocorram muitas vezes no seio familiar, também podem ocorrer noutros contextos, muitas vezes nas escolas (quem ainda não ouviu histórias de miúdos que «partiram» a sala toda?)

Aqui fica o desafio para pais/educadores comentarem construtivamente!

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:15

Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2015

 

Inspirada pela leitura dum artigo de opinião que li aqui e dos comentários que me enviaram pelo facebook, decidi que este fim de semana iria pertencer ao grupo de pais que decidem simplesmente «não fazer nada o dia todo» a ver se os meus miúdos me seguiam o exemplo...

 

Ora acontece que demorei pouco tempo a constatar de que nada me serviu ser «lesma», a única coisa que consegui foi pôr a roupa um monte mais acima, ter as casas de banho menos limpas e a cozinha com mais louça suja do que o habitual...Os miúdos pouco copiaram de mim, a não ser quando vieram saltar para cima da cama para me fazerem companhia!

Acabei por optar por uma solução mais estratégica e fazer o que realmente deve ser feito quando temos em casa miúdos com hiperatividade - orientar os exercícios e usar técnicas adequadas para que as brincadeiras não descarrilem 

 

 

E aqui ficam algumas dicas sérias para quem as queira pôr em prática (quem quiser pode entrar em contato para ir a uma sessão do núcleo de apoio a pais em são joão da madeira, onde damos exemplos de atividades e jogos para serem postos em prática em casa ou na escola)

 

Exercícios para desenvolver as capacidades físicas condicionais

  • Força
  • Rapidez
  • Resistência

Exercícios para desenvolver as capacidades físicas coordenativas

  • Equilibrio
  • Coordenação
  • Ritmo
  • Orientação espacial

Exercícios para o desenvolvimento da motricidade fina

Exercícios Respiratórios

Exercícios para desenvolver a capacidade de concentração e atenção

Exercícios de relaxamento

Exercícios de agilidade mental

 

E não se preocupem que este aparente «excesso» de exercícios são conduzidos para que a criança «treine» sem sequer se aperceber, tornando-se por isso colaborativa e fazendo destes momentos boas experiências em família! Além de não se cansarem, estas crianças necessitam de atividades estruturadas, detestam a confusão e facilmente entram em rutura quando lhes gritamos uma ordem do tipo «não corras mais à volta da mesa!!!». Portanto, junte-se a eles porque a hiperatividade não se pega e não é por você não se mexer que ela desaparece dos miúdos, garanto!

 

 

postado energia-a-mais às 13:21

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015

não há uma idade certa para a mudança de idade...

 

Mas os 13-14 marcam sem dúvida alterações importantes na vida de qualquer (pré)adolescente, não só física mas sobretudo a nível emocional e de atitudes, são alterações a que todos os pais devem estar atentos. E quando são portadores de patologias que afetam o seu desenvolvimento comportamental como a PHDA e/ou o autismo, muitos já com terapêutica iniciada na infância, com percursos escolares nem sempre fáceis, então essas alterações exigem na maioria dos casos, novas adaptações!

 

Com o mais velho, desde mais ou menos os 12 anos que notei alterações importantes - certas caraterísticas da PHDA acentuaram-se (impulsividade, agressividade) outras atenuaram (a agitação motora é menos notória), outras ainda parecem estar iguais (distração, falta de atenção) e claro as comorbilidades variam mas tornaram-se mais evidentes.

 As reações à medicação essas, alteraram-se - eu costumava dizer que tinha dois filhos em um, antes do meltefedinato e depois do meltefedinato! Existia uma linha que definia bem quando ele tomava o comprimido - sentia-se na forma como nos falava, como encarava qualquer tarefa, como se concentrava na escola. Apesar de fazer com frequência ajustes à dosagem para que esta se adequasse ao seu ritmo de crescimento e dos próprios horários escolares, essa linha começou entretanto a ficar cada vez mais esbatida.

Ao fim de um período letivo, já o efeito de meltefedinato se tornava menos evidente e sobressaía cada vez mais os efeitos indesejáveis - maior agressividade, menos apetite, menos sono, maior dificuldade em equilibrar atitudes e comportamentos. Aos poucos foi-se retirando o meltefedinato e iniciando terapêutica para estabilizar as variações de humor e de sono. Claro que não foi fácil esta adaptação. Foi necessário ultrapassar certos obstáculos na escola, o ano letivo passado foi bem duro, com as notas a baixarem drasticamente e muitos recados na caderneta. Iniciou acompanhamento psicológico mais frequente e reforçaram-se as estratégias em casa, tanto com terapia comportamental como com apoio para o estudo.

O seu Asperger está presente no modo como encara as relações sociais e também nos seus interesses particulares, temas de obsessão que condicionam o seu mundo. Está cada vez mais irascível e difícil de lidar, no entanto, alterna com momentos de pura infantilidade. Aumentamos entretanto a dose de risperidona e de momento é o único medicamento que toma.

 

Com 14 anos acabados de fazer, o meu filhote está a procurar ajustar-se ele próprio! é bom sentir alguns «tiques» típicos da adolescência, embora saiba que ele nunca irá passar por certas fases padrão, dado que o seu «padrão» é diferente!

 

Como mãe, estou em aprendizagem, procurando não dramatizar nem desvalorizar essas alterações! espero ter capacidade para discernir o que se vai passando, acreditando com fé que como qualquer mãe, nunca irei compreender a «estupidez típica» destas idades!!!

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 10:58

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015

 

 

porque é que certos professores acham tão difícil concretizar em sala de aula, o que chamam de «estratégias diferenciadas» para alunos com caraterísticas especiais?

 

Ando nesta luta com as escolas há muito tempo para perceber que para muitos, as palavras saem fáceis da boca para fora, mas dificilmente são concretizadas!! Dizer que se utilizam «estratégias adaptadas» não é o mesmo que as utilizar de facto. Sempre que algum encarregado de educação questiona quais, como e de que modo os professores utilizam as tais «estratégias» para trabalhar com um aluno com caraterísticas específicas, é certo que vai receber um «relatório» vago, cheio de boas intenções mas que de real, nada tem! e vem-me à cabeça um certo dia, numa certa reunião, em que questionei frontalmente a então professora do meu mais novo sobre como lidava com ele, para atenuar os tais momentos em que a sua perturbação de hiperatividade, impedia o normal funcionamento da aula e ela só dizia «então, o que acha? uso estratégias diferenciadas» e perante a minha insistência para que me traduzisse as tais estratégias, a resposta já gritada foi «olhe mando-o para fora da sala»

 

Estratégias adequadas não podem ser teoria! devem ser experimentadas (até para verificar se realmente resultam) e devem ser fléxiveis para permitir um trabalho em conjunto quando o aluno tem mais do que um professor (não é por acaso que existem ainda mais problemas, logo a partir do primeiro ciclo)

Existem muitos estudos, muitas dicas, muitos cursos de formação que apontam estratégias eficazes. Os professores só precisam de as aplicar! não é pedir muito pois não?

 

No caso das que funcionam mesmo e das quais posso falar por experiência própria realço: lista de tarefas, relógio de tarefas, sentar o aluno ao lado de um colega mais atento, na fila da frente e longe da janela, utilizar uma parede em branco para colar um papel onde a única coisa que está anotada são as regras da sala - permitir que o aluno com PHDA se levante e as leia várias vezes durante a aula. Diariamente usar um mapa de rotinas, para que saiba o que vai acontecer ao longo do dia (o esquema é o mesmo usado nas salas teacch no trabalho com crianças autistas).

Utilizar o sistema de pontos para o incentivar a cumprir as tarefas. Permitir que se retire para um local mais sossegado e que faça uma tarefa alternativa, sempre que esteja a perder o foco da atenção, utilizar esquemas simples para que siga os passos de uma tarefa até ao fim. 

Nos testes usar uma capa aberta para separar o aluno e impedir que se distraia, separar bem as questões e dividir o tempo que tem para cada uma, se necessário ler o enunciado (individualmente) para ter a certeza que compreendeu o que lhe é pedido. 

Incentivar os trabalhos práticos, valorizar o que o aluno consegue terminar em sala de aula e não colocar o enfase nos TPC (um aluno com PHDA é sempre penalizado por raramente conseguir fazer os TPC quando na realidade, o esforço desse aluno é infinitamente maior do que o esforço dum aluno sem essa perturbação, neurologicamente explicado)

E existem mais, muitas mais, consoante o aluno, o ano em que se encontra, a disciplina ou disciplinas a que tem mais dificuldades, as tarefas que se pretendem trabalhar. Treinar comportamentos em sala de aula começa logo que o aluno inicia o seu percurso escolar - numa criança com PHDA essa necessidade mantém-se ao longo da sua vida académica.  

 

Motivar, adaptar e recompensar - assim se trabalha com um aluno com PHDA!

 

 

postado energia-a-mais às 13:59

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