A Hiperactividade vista à lupa

Quinta-feira, 13 de Março de 2014

 

de estudo a uma criança com PHDA é fundamental!

 

 

Para começar, quem lida com miúdos portadores de PHDA sabe perfeitamente que a escola é um dos contextos onde as caraterísticas da perturbação mais se fazem sentir. E onde é mais difícil ajustar comportamentos e estratégias, pois desse ajustamento resulta o sucesso ou insucesso do percurso académico!

Método de estudo é coisa que basicamente não existe num portador de PHDA! aliado a todas as outras dificuldades - como a concentração, a impulsividade, a desorganização - esta falta de método resulta numa ineficácia da maioria das tentativas de estudo. Desde muito cedo se tornou para mim evidente que o Rafa nunca conseguiria sozinho, orientar-se nas tarefas escolares. TPC, testes e fichas de avaliação são temas de muito debate cá em casa, sobretudo agora que já frequenta o 7º ano de escolaridade!

 

Para o meu filho mais velho, os resultados escolares nunca foram maus, na verdade as notas da pauta refletem a sua capacidade a nível de memorização (especialmente a visual e auditiva) e uma inata facilidade para matérias que a outros provocam mais dificuldades e só pecam porque o comportamento dele em sala de aula, sempre muito falador, impulsivo, inquieto, se confunde (na cabeça dos professores) com falta de respeito e indisciplina - em vez de cincos, leva quatros embora os testes sejam de 90% para cima...enfim! não é no entanto o resultado em si que está em causa. Como qualquer mãe preocupa-me que um dia, a falta de disciplina de estudo o deixe ficar para trás. Não me importo particularmente com o que vem nas pautas, o que quero é que entenda que na vida é necessário esforço e que só o seu empenho significa que está realmente a dar o seu melhor...

 

Explicar esse conceito ao meu rapaz é que já é mais complicado. Com a sua habitual impulsividade costuma responder-me torto, observando que não precisa de estudar para tirar mais porque o que tira é suficiente! além disso, nunca está preparado para encontrar um método que lhe seja adequado, simplesmente porque não se sente motivado para nenhuma matéria, ou disciplina. Imaginam o que isto tem sido em períodos de testes? pois...

 

Estratégias nunca me faltaram, desde adaptar o local de estudo às caraterísticas de um miúdo que se distrai ao mínimo estímulo, a ajustar medicação e hora da toma, a utilizar o sistema de reforço positivo, o uso de recompensa em função dos objetivos (coisas que resultam em tarefas de curta duração e em que os objetivos estão bem definidos) e muita, mesmo muita paciência!

 

Agora optei por mais uma área de intervenção. O Rafa é absolutamente obcecado por jogos de computador. Não é qualquer tipo de jogo que lhe prende a atenção. São jogos de estratégia em que a lógica prevalece e ele se sente o rei da cena. Todos os colegas o admiram e pelo que vejo ele está sempre nos lugares cimeiros dos rankings internacionais, cujas disputas são renhidas e obedecem a um critério de excelência. Tanto que já recebeu prémios e convites para fazer parte de equipas que disputam os tais rankings muito a sério. Eu tento não cortar esse tipo de interesse, até incentivo mas sempre vou vigiando e às vezes tenho mesmo de impor a minha autoridade para impedir que ultrapasse os limites de tempo ao pc. Mas ele acaba por passar muito tempo mesmo!!

 

Decidi então utilizar esse interesse para o pôr a estudar. Como nos jogos ele está por norma ligado com os colegas via skype, quase todos colegas da mesma turma, acabei por achar que podia resultar. Assim, expliquei que podiam utilizar essa ferramenta para estudarem em conjunto, cada um deles tem as suas dificuldades e assim acabariam por se ajudar. O Rafa no início não estava muito interessado, porque estudar é uma seca...mas como falei em ter o apoio dos colegas, poderem tirar dúvidas entre eles, lá se decidiu a experimentar. E assim, munidos dos respetivos cadernos, com alguma vigilância da minha parte reuniram-se três colegas e fizeram uma tarefa de grupo que se revelou gratificante. O Rafa por exemplo é bastante rápido nas tecnologias e sempre que tinham dúvidas lá se punha a pesquisar, enquanto os outros preparavam os resumos. Às tantas perceberam que se estavam a ajudar e que estavam realmente a estudar!

 

Fizeram isso por agora para duas disciplinas e a julgar pelo que contam tencionam continuar pois os testes correram bem, embora ainda não tenham os resultados «oficiais»!

 

Ora, tendo em conta que tantas vezes nós temos a ideia de que os estímulos devem ser banidos para que seja possível uma maior concentração (o que é verdade!) e tendo em conta que para terem o pc ligado, estímulos não faltam, evidente que sempre considerei errado utilizar essa ferramenta. No entanto, se orientado, essa pode ser uma aliada, estas crianças que sofrem de hiperatividade conseguem atingir um bom nível de concentração quando estimulados através de jogos, computadores ou consolas.

 

Gostava de saber o que acham os pais de crianças com hiperatividade sobre este assunto. Alguém utiliza este recurso? e o que pensam de se tirar partido desta «queda» para as tecnologias como uma possível área de trabalho no futuro? Há muito que me interesso por estudos ligados a programas e software pensados para intervenções com crianças portadoras de certas perturbações, como o autismo, a dislexia, a hiperatividade, etc. Gostava de partilhar algumas experiências nessa área, não só com outros pais/educadores, como com profissionais que trabalhem ou pensem trabalhar esta temática. Aqui fica o desafio, podem contactar pelo blogue ou através do email ludo-teresa@sapo.pt.

 

postado energia-a-mais às 10:38

De Patricia Macedo a 13 de Março de 2014 às 23:00
Para mim com o N., que tem aliado ao PHDA, a fraca memória de trabalho. Logo tem que repetir a mesma coisa vezes sem conta até conseguir memorizar, em que todas as tarefas escolares representam um esforço herculano, quer pela dificuldade de memorização, quer pela falta de motivação, a escola virtual é a minha aliada.
Patricia

De energia-a-mais a 14 de Março de 2014 às 10:13
Sabes Patrícia aqui está mais uma medida que podia/devia ser implementada nas nossas escolas - saberem trabalhar com a tecnologia para dar a estas crianças possibilidades justas de integração! tu estás ligada a essa área mas muitos pais não estão despertos para as diferentes possibilidades de trabalho da escola virtual!

Beijinhos
Teresa

De dora a 31 de Março de 2014 às 15:35
Boa tarde eu sinceramente ainda não encontrei um método de estudo que desse resultado com o meu filho, porque em casa ele consegue responder ao que lhe pergunto chega aos testes não consegue, primeiro se o teste tem 10 perguntas ele responde a metade, dificilmente responde a mais. Por isso este ano está complicado ele conseguir resultados positivos.

De energia-a-mais a 31 de Março de 2014 às 16:56
Olá Dora, boa tarde
É normal o seu filhote conseguir responder às questões em casa, prova de que até sabe a matéria. Por norma estas crianças não sofrem de problemas cognitivos e apenas o défice de atenção associado à hiperatividade é que impede resultados melhores na escola. Só que, como são crianças que sofrem de grande ansiedade e não controlam a impulsividade, devem ter estratégias adequadas, adaptadas às suas dificuldades, em contexto escolar. Por acaso o seu menino faz testes adaptados, ou tem currículo adaptado? tem algum tipo de apoio na escola? e caso tenha, é um apoio a que nível? a Dora tem fácil acesso à escola, tem bom acompanhamento? isso é muito importante e infelizmente nem sempre acontece....

abraço
Teresa

De dora a 31 de Março de 2014 às 17:05
Boa tarde, o meu filho não tem qualquer tipo de apoio na escola e os testes que faz são os normais. Eu vou a escola varias vezes por mês, uma vez que passo a vida a receber queixas de comportamento, onde tento explicar e pedir que é necessário ter mais paciência com ele e que a medicação que ele toma ajuda mas não faz milagres, mas está complicado porque ele está muito em baixo porque tem medo de reprovar como aconteceu no 4º ano, ano em que foi detetado PHDA.
Mas eu não sabia que ele podia ter um acompanhamento diferente na escola, principalmente a nível de testes e avaliaçao.

De energia-a-mais a 31 de Março de 2014 às 17:21
Dora o seu menino tem direito a ser acompanhado na escola e dependendo do tipo e do grau da perturbação pode ser necessário fazer um ajustamento ao currículo. Estas crianças, quando diagnosticadas, devem ser inseridas ao abrigo do decreto nº3/2008 que regula as necessidades educativas especiais. Aconselho a Dora a falar com a responsável na escola do seu filho para chegarem a entendimento quanto a isso. Os pais fazem parte do processo educativo, como tal deve defender esse direito. No entanto informe-se de tudo direitinho antes de ter essa conversa. Os pais não podem apenas ser chamados à escola para «ouvirem» os recados de mau comportamento, nem podem sozinhos fazer um trabalho que compete à escola e a todos. Para lhe dar o exemplo, o meu mais novo anda no 2º ano tem apoio a língua portuguesa e faz testes adaptados a essa matéria, além disso tem apoio com uma psicóloga uma vez por semana para ajudar a trabalhar o comportamento e emoções. Faz medicação desde o final do 1º ano. O mais velho não tem currículo adaptado (porque tem notas excelentes) mas teve apoio da psicóloga o ano passado e está referenciado. Também faz medicação combinada desde o 1º ano, está agora no 7º. No que precisar esteja à vontade, se necessitar de alguma informação extra tentarei ajudar!

Teresa


mais sobre mim
que querem saber?
 
Março 2014
D
S
T
Q
Q
S
S

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
14
15

16
18
19
20
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


disseram agora
Gostaria de saber se conseguiu resultados com este...
Eu recebi pela primeira vez o abono no final do mê...
Boa tarde ,Inscrevi na semana passada a minha filh...
Obrigada. Espero conseguir. Bjs
Deve receber de facto agora em Janeiro os valores ...
Eu em Julho de facto recebi a 27 no entanto apenas...
Olá Marlene, o abono semestral (se a mãe tiver ren...
Boa tarde. O dr. Luís dá consultas em braga, aveir...
Boa tarde, é possível dizer-me onde dá consulta o ...
Olá,Desculpe intrometer-me mas será que me podia f...
links
Passam por cá - desde 18/11/09
Os que me visitam
Passam por cá - desde 18/11/09

blogs SAPO


Universidade de Aveiro