A Hiperactividade vista à lupa

Terça-feira, 01 de Abril de 2014

 

ou as «fórmulas» que ajudam o dia a dia de crianças como as minhas!

 

 

 

 

 

Para miúdos que constantemente são chamados à atenção (exatamente pela falta dela) pode ser penoso, sobretudo em contexto escolar, evitar embaraços perante os amigos (e professores). Muitas vezes, esquecemo-nos que por baixo do rótulo que insistem em colar-lhes à testa, existem crianças que sofrem com graves efeitos a nível de auto-estima, insegurança, ansiedade na hora de mostrar um trabalho ou responder a uma questão.

 

O Quico, agora com 7 anos (continuando a ser muito imaturo) começa a ter plena consciência das suas dificuldades, das reprimendas da professora por não ter atingido o que era suposto com determinda tarefa, da «chacota» dos meninos que nesta idade pode ser tão cruel quanto descabida. Daí que muitas vezes, apesar do reforço da psicóloga que na escola acompanha o seu percurso, tenho em casa de trabalhar com ele a sua «timidez».

 

Por vezes basta estar com atenção às suas atitudes para me aperceber do que se vai passando em sala de aula. Outras tenho mesmo de «puxar» por ele para conseguir adequar as minhas estratégias! Desde o não mostrar os TPC com medo de não estarem bem feitos, a ser menosprezado na sala perante os colegas por ter sido ajudado pela mãe, a não ter trabalhos individuais expostos tal como outros meninos...vou tentando «sacar» dele as possíveis reações. Não quero dizer que seja tudo negativo. Ele evoluiu muito no último período, conseguindo no teste anterior de língua portuguesa (teste adaptado) obter os 100% o que quer dizer que atingiu plenamente os objetivos. Esse trabalho refletiu-se numa melhor classificação nas matérias a que não faz teste diferenciado (matemática e estdo do meio) e melhorou o rendimento de trabalhos de casa e tarefas extra. Isso não foi apenas fruto da medicação, claro! Nitidamente as aulas de apoio e a professora que lhas dá, com uma maior preocupação em elogiar o seu empenho, têm feito muito bem!

 

Quando o Quico sente maior dificuldade, eu aposto em fazê-lo verbalizar. Expressar o que sente e pensa é uma tarefa difícil mas fundamental. Como já referi a sua imaturidade nota-se bastante ainda, pelo que usar métodos mais práticos resulta melho do que apenas «falar» com ele!

Aqui vai o exemplo do lápis da concentração - sempre que tem uma ficha ou outro trabalho que precise de terminar junto com os colegas, o Quico entra na sala a dizer baixinho «concentra-te Quico, concentra-te Quico». É uma espécie de prece para que tudo corra bem...Achei interessante dar ao meu filhote uma ajudinha mais palpável. Peguei num dos lápis do estojo dele e arranjei a fórmula «mágica»: aquele é o lápis da concentração! Tudo o que for escrito com aquele lápis de certeza que vai sair bem, aquele lápis ajuda a concentrar-se. É amigo só do Quico por isso ele não o pode emprestar a ninguém!

 

Depois fizemos a exepriência com os TPC. Ele ficou a fazer uma tarefa enquanto eu saí. Quando regressei o Quico garantiu-me «mãe, tinhas razão, funciona mesmo, já fiz quase tudo olha! porque o lápis me ajudou a concentrar!»

 

E lá foi todo feliz com o novo ajudante na mochila, algo material que pode tocar, sentir, sempre que precisar e injetar aquela dose de confiança!

 

 

postado energia-a-mais às 19:17

De naterradosplatanos a 2 de Abril de 2014 às 11:44
Que maravilhosa mãe há-de ser!
Com certeza que o seu esforço será recompensado!

De energia-a-mais a 2 de Abril de 2014 às 12:36
Obrigada! sou apenas uma mãe esforçada, como acho que todas devem ser! a melhor recompensa seria na verdade, os meus filhos não precisarem de se lembrar desse esforço, seria o sinal que seguiram o seu caminho com as ferramentas necessárias!

Beijinhos
Teresa

De dora a 2 de Abril de 2014 às 12:11
Ainda bem que consegue manter a calma e ter imaginação para o ajudar, quem me dera conseguir agir dessa maneira.
Neste momento não estou a conseguir manter a calma e isso também se reflete nas notas do meu filho, embora estude com ele acho que não lhe consigo transmitir essa paz, porque também eu tenho medo de uma nova retenção e da sua reacção.
Obrigado por ler o meu desabafo, uma vez que preocupações já deve ter que chegue.


De energia-a-mais a 2 de Abril de 2014 às 12:51
Olá Dora! Tenho a certeza de que dá o seu melhor. Só que às de tantas críticas que ouvimos, de tanto desgaste que temos, acabamos por duvidar das nossas capacidades. E é natural sentir-se cansada. Uma boa ajuda é desabafar e partilhar com outros pais que passam pelo mesmo! uma coisa que me ajuda é ter muita calma, aprendi a gerir isso, tive de aprender! a Dora tem arranjar uma maneira de conseguir ter tempo para si e estratégias para se sentir mais calma. Quanto a imaginação, utilize ideias simples adaptadas ao seu menino, confie no seu instinto! e deixe que o seu filho lhe ensine o resto

beijos
Teresa

De dora a 2 de Abril de 2014 às 14:25
Olá e obrigado pela força.
Hoje fui a escola falar com a directora de turma e pedi-lhe ajuda uma vez que eu preciso de fazer tudo para evitar mais uma retenção de ano.
Pedi-lhe se havia alguma hipotese de ele ter uma avaliaçao diferente, ela vai fazer essa proposta aos outros professores (coisa que eu nao acredito que eles aceitem).
Amanhã vou a uma consulta com a pedopsiquiatra para ver se é melhor mudar-lhe a medicaçao e se ela me passa uma declaraçao onde descrimine as dificuldades dele.
Mas sinto me mal porque dá ideia que quero que ele seja priviligiado em relaçao aos outros, porque olhando para ele, ele é igual aos outros porque a thda nao se vê.
O seu menino anda numa escola em portugal?

De energia-a-mais a 2 de Abril de 2014 às 16:35
Boa tarde Dora. Sim os meus filhos frequentam escolas públicas em portugal. Mais precisamente no norte do país. Mas não sinta que o seu menino fica privilegiado por ter um currículo adaptado, pelo contrário, apenas está a garantir que ele tenha as mesmas condições dos outros meninos ditos «normais» porque sem essa adaptação ele parte sempre em desvantagem - a PHDA não se vê fisicamente mas existe e provoca alterações no rendimento escolar e pela vida fora. Procure obter um relatório da pedopsiquiatra para entregar na escola (eu costumo entregar um em cada ano letivo) Se a escola pretender obter uma avaliação interna, tem de sinalizar a criança e pode demorar muito tempo. Se eles concordarem em considerar o relatório da pedopsiquiatra poupa tempo! nem sempre é fácil conseguir um bom entendimento da escola, nem sempre encaminham os processos, temos de ser nós na maioria das vezes a batalhar. Lembre-se que o diagnóstico, a medicação e todo o acompanhamento em casa só valem realmente a pena se a escola colaborar! se quiser pode mandar um email que eu faço-lhe chegar um livrinho da Associação Portuguesa da Criança Hiperativa. É um livro com conselhos, informação e dicas para professores, pode imprimir ou enviar por email para a diretora do seu menino. Diga-lhe que existem métodos específicos que ajudam muito os alunos e os seus professores e que podem obter informação através da associação. A Dora vive em que zona do país? eu tenho um espaço onde faço alguns encontros para pais de crianças com PHDA e em que damos formação (tanto em grupo como individual e em escolas)
Beijinho

Teresa

De DORA a 2 de Abril de 2014 às 16:55
Obrigado pela atenção que tem demonstrado.
Eu moro na zona do Porto mais propriamente na Trofa, que é onde o meu filho frequenta a escola, eu hoje já levei para a professora uma folhas que retirei da net sobre o THDA ela ficou com elas e disse que ia lê-las, mas também me disse que agora já era um bocadinho tarde para pedir ajuda pois o ano lectivo já está acabar. Só que no processo dele deve estar lá relatado os problemas dele, penso eu, e eu desde o inicio do ano lectivo que falo com ela sobre os problemas dele, mas como ele ia conseguindo eu não forcei nada, mas agora ele está a entrar num estado de ansiedade com medo de mais uma reprovação e eu não o estou a conseguir ajudar por isso é que lá fui pedir ajuda porque tenho a certeza que outra reprovação não o vai beneficiar. Será que há mais alguma coisa que eu possa fazer mais perante a escola? O meu mail é dorazitasafontes@sapo.pt.

De dedinho a 2 de Abril de 2014 às 20:38
Olá!
Desculpem intrometer-me (Teresa e Dora), mas sigo com agrado este blog e hoje lembrei-me de espreitar os comentários, pelo que dei com estes ;)
Sou prof. de educação especial e devo dizer que gostava bastante que os pais dos meus alunos fossem tão dedicados como vocês, mas sei que nem sempre é fácil...
No entanto, gostaria de lembrar que nem sempre é má vontade da escola em colaborar: é mesmo as escolas (pelo menos as públicas que conheço) não terem base legal e apoios (vontade política) onde se apoiar para que os alunos com PHDA (cuja perturbação interfira com o rendimento) sejam apoiados como merecem e como seria desejável. O DL 3/2008 de 7 de janeiro veio definir de outra maneira o âmbito da referenciação dos alunos para a educação especial. Se, por um lado, as escolas têm 60 dias para dar uma resposta às refereenciações de alunos para a educação especial, por outro, têm falta de recursos técnico-pedagógicos para dar andamento a essas referenciações que dão entrada! A título de exemplo: na minha escola há um psicólogo a MEIO tempo e são 1200 alunos :(
De sublinhar ainda que não está em lado nenhum no DL 3/2008 que esta altura já é tarde para referenciar as crianças! Se os pais lá chegarem com uma avaliação psicológica feita à luz da CIF, e se o prof. titular de turma (ou DT) ajudarem a preencher o formulário de referenciação, não vejo por que razão um aluno não possa ser avaliado até ao final deste ano!
Tudo de bom para vós :)

De Dora a 3 de Abril de 2014 às 09:31
Bom dia e não faz mal nenhum em se intrometer antes pelo contrario se for para ajudar todas as opiniões são bem recebidas.
Em relação aos meios que a escola dispõe eu sei que são muito poucos, mas será que os professores não podem eles tomar uma atitude e modificarem um bocadinho a avaliação deles sem precisarem de esperar pelo Estado. Em vez de estar sempre a evidenciar o lado negativo do aluno valorizar um pouco o que ele faz de bem?
Vamos esperar que tudo corra pelo melhor, mas está difícil porque se a passagem de ano ficar dependente das provas do 6ºano ele infelizmente não consegue porque as provas são grandes e demoradas (foca no centro das dificuldades dele) embora eu lhe diga que vamos conseguir para ele não desanimar.

De energia-a-mais a 3 de Abril de 2014 às 13:20
Boa tarde! Obrigada pelo seu comentário, é muito bem vinda. Bem sei que a escola pública enfrenta desafios terríveis coma falta de recursos, sobretudo humanos! e também a burocracia do sistema dificulta e atrasa os processos, além da falta de apoios legais!
No entanto, como diz a Dora, muitas vezes há também , especialmente em relação a perturbações como a PHDA, pouco interesse, ou mesmo falta de informação/formação por parte dos professores, em encaminhar devidamente esses alunos. Quantas vezes não ouvi já os professores dizer que hiperatividade é invenção de pais pouco disciplinadores, invenção de médicos que querem receitar....Claro que existem exceções (e também muitos erros de diagnóstico, até por indução de pais pouco disciplinadores).
Muita coisa poderia ser feita, sem necessidade de grandes recursos, bastando boa vontade para mudar certos comportamentos e métodos de trabalho com estes alunos!
Como diz e muito bem, havendo vontade e ajuda, colaboração entre pais e professores, nada impede que seja feita uma referenciação deste menino, mesmo estando nesta fase do ano letivo, até porque isso significaria pelo menos uma preparação adequada para o próximo ano!

Beijinhos
Teresa

De Anónimo a 3 de Abril de 2014 às 11:11
Olá,

sei bem do que falas. O meu teve uma pedrinha mágica que colocava no bolso e que o ajudava a vencer a timidez. Até o ajudava a olhar para as pessoas nos olhos.

Vê bem tudo o que fazemos pelos nossos filhos.

Chama-se amor
Abraço
pc

De energia-a-mais a 3 de Abril de 2014 às 13:22
Mesmo! Amor + respeito = aceitação/sucesso!

Beijinhos
Teresa

De Patricia a 5 de Abril de 2014 às 15:49
Teresa
Essa do lápis parece-me fantastica.
Acho que vou tentar usar com a minha D. Apesar de não haver o diagnostico do PHDA, a verdadede é que este 1º ano não tem sido facil....com muita falta de concentração e inquietude à mistura.
Um beijinho
Patrícia


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