A Hiperactividade vista à lupa

Quarta-feira, 09 de Julho de 2014

 

 

 

imagem tirada da net

 

 

Primeiro ponto

 

eu não sou a favor de «retenções»! só existem retenções escolares em sistemas pedagógicos arcaicos e métodos baseados na avaliação do aluno, o que desde logo é injusto. Em sistemas mais avançados as «retenções» foram substituídas por medidas de apoio educativo diversas, promovendo a inserção do aluno em áreas do seu interesse, colmatando as suas dificuldades de aprendizagem (caso dos sistemas nórdico, francês e inglês, por exemplo).

Em portugal, no entanto, continuamos a ter muitas dificuldades em arranjar alternativas ao «chumbo». E o «chumbo» é visto, pasme-se como uma verdadeira «medida educativa»!!! 

Enquanto esta mentalidade não mudar, enquanto ela for defendida pelos próprios docentes, enquanto houver quem diga nas escolas que «reprovar vai ser o melhor para esse aluno» não temos como alterar o sistema! e vamos continuar a ter alunos que são repovados «porque é bom» embora nunca ninguém tenha explicado «bom» para quê (ou para quem)

 

Segundo ponto

 

a escola pública está cada vez mais degradada, fruto de uma política de austeridade que retira meios financeiros e humanos e que provoca sentimentos de revolta e desmotivação! Estão pois criadas as condições para as «boas desculpas»! ou seja - não há condições! não há condições de trabalho, segundo os docentes, para implementar estratégias educativas adequadas, especialmente se falamos em crianças com necessidades de apoio, ou dificuldades de aprendizagens, ou claro, de NEE.

Porque para a maioria dos docentes - estratégias diferenciadas, implicam necessáriamente mais recursos, melhores condições de trabalho nas salas de aula (tais como turmais mais reduzidas, mais professores de apoio e do ensino especial...) e outras condições que sabemos, atualmente não estão asseguradas. Sem isso, dizem, nada feito! portanto se nada podem fazer, o melhor é não fazer nada...logo «reprovam-se» os alunos que não acompanham o ritmo padrão imposto (mesmo que o padrão dê provas de não ser o mais adequado) e nada de mudar o que está decidido no sistema! com as reprovações estes alunos passam a integrar turmas de repetentes, criadas novamente nos últimos tempos (depois de já terem sido uma referência retirada do sistema por não resultarem em nada a não ser na marginalização desses alunos). Essas turmas passam a ter uma caraterística comum - são colocados de lado, são a turma dos «burros»...pois! afinal, digam o que disserem, somos um país de preconceitos! e se alguma dúvida eu tivesse sobre esta visão, ela teria sido desfeita durante um ano de integração num CEI na área administrativa, numa escola sede de agrupamento.

 

Terceiro ponto

 

no nosso país, a escola não distingue os alunos, respeitando as suas diferenças (tal como mencionei no meu post anterior - integrar é diferente de incluir) e temos assim, entre os que repetem o ano, miúdos com diferentes percursos, diferentes necessidades, alguns com dificuldades de aprendizagens provocadas por distúrbios crónicos e persistentes pela vida fora (como a PHDA, dislexia, entre outros) que nem sequer são reconhecidos como tal... 

E por isso, as respostas «eficazes» encontradas pelo sistema público escolar para estas crianças passam pelo fazer repetir o ano! tão eficaz como os testes nacionais que servem para avaliar os alunos, quando o que deveria ser avaliado era o sitema pedagógico e quem o representa!

O que acontece a esses alunos que «reprovam» não interessa a ninguém. Não se mostarm estudos que falam na enorme probabilidade de um aluno «repetente» nos primeiros anos de escola, voltar a ter «chumbos» ao longo do percurso académico. Não interessa abordar a questão emocional e afetiva, do aluno que «reprova». Nem importa discutir a validade da retenção em si! 

 

reter um aluno é bom para quê?

 

artigo do blog Arrastão

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 13:18

De Dora a 9 de Julho de 2014 às 14:33
Como eu concordo consigo Teresa e ainda é pior quando dizer que vai ser bom para o aluno porque ele é muito novo e precisa de crescer ( isto quando é a segunda retenção do aluno ) e mudar o seu comportamento ( isto quando ele tem PHDA confirmado pela pedopsiquiatra com relatório médico onde diz que não pode aumentar a dose de medicação porque já lhe está a causar crises de ansiedade). Mas no final, nós pais que reclama-mos e que nos importamos, não passamos de pobres coitados que querem que os filhos tenham regalias a mais que os outros e que não os sabemos educar. Eu neste momento tenho uma revolta tão grande com todos os professores porque eu acho que eles ou não tem filhos ou todos eles tem filhos perfeitos o que não é o meu caso.

De energia-a-mais a 11 de Julho de 2014 às 10:47
Dora, este sistema de ensino não é realmente o adequado. Infelizmente parece que os responsáveis não estão interessados em mudanças! Talvez se lhes tocar diretamente...

Beijos
Teresa

De pc a 10 de Julho de 2014 às 16:12
Olá Teresa, tudo bem?
Tenho andado um pouco desaparecida porque o tempo é sempre pouco mas vou passando para ver as "novidades". Infelizmente acabei de passar por isto. O meu filho ficou retido. Devo confessar que me senti muito triste e que acho que foi injusto para ele.
Mas os professores ou o sistema não quiseram saber. A média não deu... não passou... Apesar de lhe reconhecerem todo o esforço que fez e todas as melhorias que apresentou.
Falei com a DT e expliquei-lhe o efeito que teria nele, a desmotivação, a idade, pois já é a 2ª retenção, apesar de nao serem seguidas... NAO DEU ...
É uma pena a falta de sensibilidade que alguns professores apresentam...
Lamento mas não posso dizer muito mais, ainda estou a tentar digerir isto... de qualquer forma, só para finalizar... tbem tenho muitas duvidas quanto às retenções... mas enfim.... são os critério ...
Abraço
pc

De energia-a-mais a 11 de Julho de 2014 às 10:50
Olá querida. Pois e quem vai trabalhar com o seu menino essa falta de motivação, esse desinteresse provocado por mais uma retenção? quem dá o apoio necessário? quem vai ter de lhe explicar que todo o esforço dele afinal não chegou??? se não for em casa, onde podem estes meninos encontrar confiança e suporte? na escola não é, de certeza!

Beijinhos e muita força
Teresa

De C. a 12 de Julho de 2014 às 22:32
Bem eu sou da opinião de que cada caso é um caso.Sem falar de crianças com necessidade de educação especial ( ou de apoio, ou seja as ditas " normais"), conheço 3 casos de reprovação 2 deles a pedido dos pais! E o quie posso dizer é :
1º - foi uma colega minha de escola, na altura ainda em França. lembro-me dela me vir dizer que a mãe tinha pedido ao diretor para repetir o ano e assim foi. Era uma aluna de 3 mas que tinha de se esforçar imenso para atingir os objectivos. Reprovou e tudo ficou melhor e mais fácil!!! Afinal o problema estava mesmo nas bases, ao repetir deu-lhe tempo de as ganhar.
2º - filho de um colega meu, repetiu o 4º ano ( agora em 2013/2014) pois ia fraco para o 2º ciclo e também foi a pedido dos pais. Nem se apresentou aos exames. Neste caso também houve muitas melhorias e o miudo está muito mais seguro de si agora na passagem para o 5º. O repetir foi na altura complicada, até porque foi a pedido dos pais...e não pelas notas em si. Tinha sempre um satisfaz pouco e raramente passava disso. Acabou o 4º ano com notas de Bom.
3º- Passou sempre até ao 7º, e repetiu 3 vezes o 7º. Isto porque na primaria quiseram ret~e-lo mas os pais acharam melhor não. Se teve haver com o fato de ir com poucas bases ou não...ninguem sabe nem saberá.

Conclusão que tiro pelas pessoas próximas que repetiram é que foi produtivo porque foi ainda no 1º ciclo. mas atenção, são crianças " normais". Cada criança é única, e tudo influencia, sejam professores, sejam pais e familiares , ou até mesmo as amizades! É um conjunto de fatores. Se repetem para poder perceberem as coisas para depois dar seguimento, sou completamente a favor. Se o repetir o ano não vai ajudar em nada, entao não vale a pena fazer a criança repetir...isso não faz sentido.

Não tenho tido tempo de cá vir...Um abraço para ti ( mamã dos enérgicos!!) :D

De energia-a-mais a 15 de Julho de 2014 às 13:43
Olá Cris! que bom ter-te por cá! em relação ao tema, eu nem sequer coloco em causa as opções de cada um, pois é claro que vai existir sempre quem considere ter sido bom reter o aluno (ou o filho) e que foi por causa da retenção que ele superou as dificuldades...eu coloco em causa é o próprio sistema educativo. Porque é que temos de ter este sistema como se fosse o único possível? o Rafa pergunta-me muitas vezes «mas quem é que inventou que a escola tinha de ser assim mãe?» e realmente quem disse que é este o melhor método? porque é que não se ouve ninguém questionar o sistema? Eu sempre me questiono sobre tudo o que me rodeia e tudo o que influencia a minha vida. O sistema educativo é para mim o reflexo da mentalidade do país. É o que sustenta o futuro de um povo e o que determina a qualidade de vida das gerações futuras! Basta olhar à nossa volta e para o que se passa nos diferentes modelos educativos por esse mundo fora!
Eu não consigo entender um sistema baseado exclusivamente no desempenho dos alunos, através dos resultados obtidos em testes. O que garante este tipo de modelo? só porque um aluno não obtém uma determinada nota (numa escala discutível) já é mau aluno?
se cada vez mais se reconhece o direito às especificidades na aprendizagem com a integração de crianças «diferentes» porque é que o padrão tem de ser este? Somos o único país da OCDE que voltou a introduzir exames nacionais no quarto ano...isto não quererá dizer alguma coisa? porque é que vemos a escolaridade como a padronização a um certo nível quando devíamos estar a debater a aquisição de competências para a vida??
Porque não olhamos o exemplo de sociedades onde a alfabetização é de 100% e onde os níveis de desempenho da comunidade estudantil são dos melhores do mundo? por acaso está errado olhar para os bons exemplos e copiá-los?
Olha o exemplo da Finlândia, para quem acha que lá o sucesso «só» existe porque as condições de trabalho são outras (claro que também foram eles que criaram essas condições) nem sempre é necessário partir do princípio que cá não seria exequível...Cada sala de aula tem cerca de 30 alunos, de acordo com a faixa etária, sendo que no caso de crianças mais jovens, as salas são menores. Durante os seis primeiros anos do ensino fundamental, uma professora é responsável por cada classe. Nos últimos três anos do ensino médio, cada matéria é de responsabilidade de um professor. Caso necessário, os alunos também recebem assistência especial para problemas de fala, de leitura e escrita, ou outras necessidades especiais.
A força do sistema escolar finlandês é que ele garante oportunidades iguais de aprendizado, independentemente do meio social. Ao invés de comparar o desempenho de alunos, o foco é dirigido para o apoio e acompanhamento de alunos com necessidades especiais, sendo poucas as crianças que precisam repetir o ano.
O corpo docente nas escolas finlandesas possui um currículo de alto nível. Todos os níveis de ensino exigem um Mestrado, incluindo estudos extensos em pedagogia e habilitações em matérias especiais.
A sensação de segurança e motivação das crianças menores é reforçada pelo fato de terem um único professor. Além disso, embora os alunos mais jovens sejam avaliados quanto ao avanço, a avaliação por notas só é introduzida no quinto ano escolar. A meta das escolas finlandesas é estabelecer um relacionamento natural e harmonioso entre professores e alunos.
Repara nas bases. E no que isso vai representar em termos de individualidade! Mas cá, quando o Sócrates levantou os olhos e quis ir buscar algumas ideias e introduzir certas alterações ao nosso sistema, baseadas no sistema finlandês, aconteceu o quê? logo uma chusma de críticas, porque retirar os exames dos alunos era facilitismo, porque os professores não deviam ser avaliados, porque não haveria uma «seleção dos melhores....». Aí é que está o cerne da questão amiga! em portugal, este sistema interessa porque é bom para alguns! porque outros interesses se levantam...

Beijos
Teresa (desculpa o testamento, achei que devia reforçar o que tentei expor no post!)

De Patricia a 15 de Julho de 2014 às 14:19
Teresa
Não podia estar mais de acordo!

Um abraço
Patricia

De C. a 17 de Julho de 2014 às 23:02
Eu concordo em muitos pontos contigo. Existem em Portugal outros modelos de ensino mas infelizmente não têm qualquer tipo de apoio financeiro ( como é o caso do ensino Waldorf). Cheguei a ver para o meu puto mas a mensalidade rondava os 320 Euros.
O modelo finlandês é muito diferente do nosso não só no ensino em si mas porque o próprio povo é totalmente diferente! Seria ótimo copiá-lo, mas pelo que vejo...o nosso povo não estaria preparado para tal. na Finlândia os pais trabalham com o professor, não esperam que seja o professor a educar os filhos porque passam lá o dia. Eu, tu e muitos pais educam os seus filhos e sabem que os professores estão cá para ajudar nessa tarefa. mas repito , AJUDAR, pois a maioria espera que os professores eduquem os seus filhos. Posso te dizer que na Finlãnida , os pais QUEREM ser eles próprios a educar os filhos. os professores ensinam, e colaboram na aprendizagem de viver em sociedade. Motivo pelo qual as crianças , por norma, só entram na escola quando vão para o 1º ano e com 7 anos. nas reuniões de escola dos meus filhos tenho visto coisas do piorio...sinto por vezes " pena" dos professores que têm uma tarefa bem mais dura do que por vezes se imagina. Pressionados pelos pais, pelo ministério, pelos alunos, enfim. Já estou a fugir ao tema.
Reter um aluno. Como em tudo, pode ser bom , pode ser mau. Se fosse eu a escolher um método de ensino possivelmente optaria pelo ensino com módulos. O aluno escolhe os módulos. O aluno vai percorrendo o caminho no ensindo com as escolhas dele, mas tem sempre que fazer todos os módulos em 9 anos. Vai ao ritmo dele. Temos um amigo na Holanda cujo filho anda numa escola assim. Chegou a estar no 4º ano e sabia matematica de 9º ! Ahahahah, porque estava a adorar. No fim do módulo há uma prova/teste o que lhe quiseres chamar que pode ser feita oralmente ou por escrito ( escolhe a criança). E pronto. É um modelo.
Existir apenas um modelo de ensino é que está errado. Mas o nosso povo não ajuda. Nas reuniões os pais queixam-se, mas e dar novas ideias? Pois...E quando alguem dá nunca ninguem est
a de acordo. Olha nem digo mais nada.
Os meus filhos são bons alunos ( pelo menos por enquanto), mas confesso que têm tido ótimos professores. Pessoas que colaboram muito, falam e arranjam estratégias para resolver algum problema ou contratempo que surge. na sala da minha filha havia 2 disléxicos que foram sempre muito bem acompanhados. Foram de tal forma bem acompanhados que só soube no fim do ano, a falar com os pais destas crianças ( uma delas ao quie parece até era bastante problematica pois tem défice de atenção).
Já agora...eu ouvi dizer que os pais tinham de autorizar as retenções. Isso é mesmo assim? Ou só no 1º ciclo.

beijocas ;)
( testamento...sorry)


mais sobre mim
que querem saber?
 
Julho 2014
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24

27
28
29
31


disseram agora
Gostaria de saber se conseguiu resultados com este...
Eu recebi pela primeira vez o abono no final do mê...
Boa tarde ,Inscrevi na semana passada a minha filh...
Obrigada. Espero conseguir. Bjs
Deve receber de facto agora em Janeiro os valores ...
Eu em Julho de facto recebi a 27 no entanto apenas...
Olá Marlene, o abono semestral (se a mãe tiver ren...
Boa tarde. O dr. Luís dá consultas em braga, aveir...
Boa tarde, é possível dizer-me onde dá consulta o ...
Olá,Desculpe intrometer-me mas será que me podia f...
links
Passam por cá - desde 18/11/09
Os que me visitam
Passam por cá - desde 18/11/09

blogs SAPO


Universidade de Aveiro