A Hiperactividade vista à lupa

Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2015

 

 

para falar da agressividade que tanto assusta!

Este não é um post fácil. Pensei se o deveria editar ou não...acho que o blogue serve principalmente para registar o que mais específico acontece cá em casa, uma forma de manter um certo sentido de tranquilidade, sobretudo quando o caos parece tomar conta de nós! Também não é um blogue que interesse a muita gente, acho que é lido sobretudo por quem é afetado pela PHDA e por isso o pensei como sítio de partilha.

Para mim é óbvio que nem toda a gente gosta de comentar, desde logo porque se expõe...compreendo perfeitamente. Por outro lado, acho mesmo que muitos pais preferem ignorar certas caraterísticas, até mesmo a perturbação em si! Conheço alguns que se recusam mesmo em aceitar que os filhos sofrem de PHDA porque apesar do muito que se tem falado ultimamente, esta continua a ser uma perturbação que não é consensual, nem sequer para a classe médica, nem nas escolas, nem na sociedade (basta ler os inúmeros artigos de opinião sobre o tema que proliferam por aí). 

No entanto, tenho de confessar que uma coisa é aceitar ter uma criança com PHDA que se associa ao lado mais irrequieto, agitado, quando muito, aceitar que tem dificuldades de aprendizagem decorrentes dessa condição, outra coisa bem diferente é aceitar que se tem uma criança (adolescente/jovem) que tem uma PHDA de tipo impulsivo severo, ao qual estão associadas comorbilidades muito mais graves como o transtorno de oposição/desafio, ou mesmo uma agressividade difícil de lidar. 

Eu estou na condição de mãe de uma criança, agora adolescente assim! agressivo ao ponto de pôr em risco a integridade física dele e dos outros. Medicado, é certo, visível para mim a necessitar de nova consulta para que seja feita nova avaliação sobre a medicação e outras estratégias. Eu felizmente tenho retaguarda familiar, por norma não estou muito tempo sozinha com os miúdos (tirando uma parte dos fins de semana e claro a partir do final de cada dia). No entanto, o meu filho não tem comportamento diferente, esteja alguém mais em casa, ou não. Ele simplesmente explode e leva todos à frente. 

Sempre imprevisível! nessas alturas tento manter-me (e aos outros) o mais calma possível. Tento afastar o mais novo e rapidamente separar o mais velho para uma divisão onde não esteja ninguém. Tento que ele olhe para mim e que ele faça por respirar para assentar melhor as ideias. Ele continua a demorar algum tempo até se acalmar e mesmo depois de uma explosão violenta pode ter outros acessos repentinos. Não é fácil para ninguém. E evitar estas situações, sobretudo para que o mais novo não seja o objeto dessa agressividade do irmão, tem sido muito complicado! 

Apesar disto, acredito que falar sem tabus destes temas, pode ser uma ajuda. Acredito que não sou a única a ter um filho com estas patologias e acho que partilhar ideias, saber o que fazer ou pelo menos ter algumas dicas de como lidar com este tipo de situação! Até porque estas explosões, embora ocorram muitas vezes no seio familiar, também podem ocorrer noutros contextos, muitas vezes nas escolas (quem ainda não ouviu histórias de miúdos que «partiram» a sala toda?)

Aqui fica o desafio para pais/educadores comentarem construtivamente!

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:15

De Jorge Soares a 9 de Fevereiro de 2015 às 13:25
Olá

Aqui está um tema do que ando há muito para falar, mas que tem sido difícil pegar, já mais que uma vez comecei um post e depois desisti.

A adolescência é uma fase muito complicada e muito mais complicada quando juntamos PHDA.

Nós verificamos que a medicação aumenta os graus de impulssividade e em conjunto com o médico, optamos por a retirar, curiosamente na escola que antes se queixava da agressividade, agora queixam-se da falta de atenção e concentração e há professores que quase imploram pelo regresso da medicação...

Dificilmente iremos voltar à medicação, até porque como diz a minha meia laranja, ninguém vai preso por estar distraído na aula, mas pode ir por responder mal e com agressividade a um professor.

É evidente que cada caso é um caso e retirar a medicação não é viável em todos os casos, mas vamos vivendo e aprendendo.

Jorge Soares

De energia-a-mais a 10 de Fevereiro de 2015 às 10:49
Pois Jorge, realmente não é nada fácil! lidar com a agressividade e impulsividade do meu mais velho tem sido o maior desafio da minha vida...neste momento ele faz uma toma diária de risperidona, essa substância é utilizada para estabilizar os níveis de agressividade, para atenuar a instabilidade de humor, quanto ao meltefedinato (ele tomava o concerta) acabamos por retirar, pois já não fazia o efeito mais visível que era aumentar os níveis de concentração. Claro que na escola se queixaram que ele passa o tempo no mundo dele, muitas vezes nem se apercebe dos conteúdos e não responde aos professores...mas apesar de estar «alheado» ele tem uma memória auditiva e visual muito boa, o que «apanha» é suficiente para os testes e até consegue notas muito altas (acima dos 90%) nas áreas da matemática, ciências, tudo o que é lógico. Mas o que mais me afeta é que a sociedade não está preparada para incluir estes miúdos, eles são chutados para canto, e então, se nem sabem como discutir abertamente estratégias para lidar com a sua impulsividade, como é que os vão incluir mais tarde?
Nós pais é que vamos aprendendo, como dizes mas o esforço é só nosso...

Teresa

De Diana Silva a 9 de Fevereiro de 2015 às 14:17
Antes de mais agradeço a abordagem de uma questão que parece fazer cada vez mais parte da vida de muitas famílias. O meu filho tem 8 anos, desafiador/opositor constante, tem demonstrado essa agressividade regularmente com particular incidência ao fim‑de‑semana,altura em que não toma medicação. Confesso que não sei lidar bem com a situação é raras são as vezes que não perco a cabeça. Agradeço a partilha de experiências que nos possam ajudar de alg forma a lidar com a situação.

De energia-a-mais a 10 de Fevereiro de 2015 às 10:58
Olá Diana, obrigada pelo comentário! de facto não é fácil entender, aceitar e muito menos lidar com miúdos assim. O meu sempre teve associada à sua PHDA de tipo impulsivo, doses elevadas de agressividade, até porque ele tem uma impulsividade tão grande que nunca pensa antes de agir/falar! Enquanto foi mais novo, eu conseguia controlar um pouco melhor essas crises, embora as coisas fossem mais difíceis quando se passavam fora de casa (e tive muitas em público). A minha estratégia era sempre tentar manter-me calma, não gritar, tocar-lhe no braço na zona do cotovelo para que olhasse para os meus olhos e retirá-lo o mais depressa possível da zona onde acontecia a crise. Nunca o recriminei em público, nunca deixei que alguém de fora se metesse, muitas pessoas tinham logo aquelas atitudes de crítica e a frase «se fosse meu filho, ele não fazia isso». Quando muito eu respondia «pois mas não é pois não, então não se meta». Nunca expliquei nada até para não prolongar o que se passava. Mas agora com ele já adolescente é ainda mais difícil. Agora ele confronta-nos fisicamente e ele é muito maior e mais pesado que eu. Também tenho receio do que possa acontecer num confronto com outras pessoas, enfim! estou a aprender uma nova etapa Diana, um dia de cada vez. Mas acho que o principal é nunca mostrar que perdemos o controle...

Beijinhos
Teresa

De dora a 11 de Fevereiro de 2015 às 22:16
Olá Teresa realmente é um tema difícil de lidar, mas pelo que me apercebo o seu filho tem muita sorte em a ter como mãe. Nao sei como, mas a Teresa consegue manter-se calma, aqui em casa nao é assim o meu filho sempre que está agitado e tem que estudar arranja mil e um motivos para pegar com tudo e com todos e eu nao consigo evitar e grito e resmungo e só me apetece desaparecer porque estou cansada que a escola e a sociedade nao aceite o que estes miúdos e suas famílias passam para eles terem um percurso escolar o mais normal possivel.
Por isso admiro - a muito mesmo sem a conhecer, preciso de aprender consigo a manter a calma para levar as coisas a bom porto.

De Patricia a 12 de Fevereiro de 2015 às 11:12
Cá em casa a experiencia vai reafirmando a correlação entre a toma de metilfenedato e a agressividade.

Com 7 testes em 2 semanas, optei, por dar-lhe rubifen de manha (os teste tem sido de manhã). E pronto já tive a 1ª participação (de ter respondido impropriamente a um funcionaria da escola), após a retirada do metilfenedato.

Cá em casa uma participação por mau comportamento tem efeitos mesmo nefasto no equilíbrio e paz familiar. Por isso vou optar pelas negativas!!

Patricia


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