A Hiperactividade vista à lupa

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

 

Já por cá falei muitas vezes em hiperatividade mas como sabem os que me costumam acompanhar, o meu filho mais velho não tem só PHDA, não tem só agressividade, não tem só distúrbio do sono, não é «só» um adolescente - tem uma mistura de tudo isso e um síndrome dentro do transtorno do espectro do autismo - Asperger. Não é fácil saber lidar com isto e muito tenho a aprender, até porque estas caraterísticas se manifestam cada vez mais. Aqui fica um pequeno texto (resumo) de algumas dicas para famílias com «Aspies»

 

Os jovens com Asperger e autismo de alto funcionamento, muitas vezes têm dificuldade entre as idades de 13 e 19. Eles podem ser socialmente excluídos e rejeitados pelos seus pares porque agem de maneira diferente. Eles querem ser aceites mas muitas vezes não sabem como se comportar e  comunicar de forma adequada.  A Escola é exigente e os amigos também - eis as metas a alcançar na adolescência

 

  • manter a auto-estima intacta
  • pelo menos um amigo ou dois
  • conhecimento de que a família o ama
  • obter a escolaridade

 

Há alguns adolescentes que conseguem navegar nestes anos com sucesso, porque eles não se preocupam com a pressão dos colegas e concentram-se num interesse especial - por exemplo, xadrez, ou computadores. Então, incentivar seu filho a desenvolver um interesse especial pode ajudá-lo neste momento da vida. Um interesse especial pode encorajar amizades com outros adolescentes que têm o mesmo interesse, bem como, torna mais fácil as conversas.

 

Um grande problema para os adolescentes Aspergers é que muitas vezes eles não se preocupam com moda, vestuário, celebridades, e dispositivos de comunicação de Adolescentes (por exemplo, telemóveis ou Facebook). Os interesses de seu filho podem ser mais apropriados para crianças mais novas. Os meninos podem ser rejeitados se não se interessarem por desporto. 

 Ajude o seu filho a tornar-se mais consciente das modas entre adolescentes e como falar sobre desporto, celebridades, rituais e eventos escolares. Encoraje-o a deixar mensagens de texto para e organizar compromissos sociais com os pares. 

 O seu filho pode ignorar a higiene pessoal e vestir roupas e um corte de cabelo que não estão em grande estilo. Encontre um amigo do mesmo sexo que vai ajudar o adolescente a escolher as roupas apropriadas para vestir. Monitorize a higiene de seu filho e criar lembretes sobre o banho diário, escovar os dentes, etc..

 

Os adolescentes "Aspie" às vezes não estão muito bem informados sobre sexo e namoro. Os meninos podem ser muito ingênuos ou muito a frente com as meninas. As hormonas causam emoções desenfreadas, que os adolescentes Aspie não podem manipular. Se eles ficarem com raiva, podem atacar fisicamente os outros ou ter um "derreter". 

 Alguns adolescentes Aspie podem desenvolver problemas com drogas e álcool, porque estão ansiosos para fazer o que outros adolescentes fazem. Outros adolescentes podem aproveitar a ansiedade do seu filho para ser amado e convencê-lo a comprar e / ou tomar álcool ou drogas. Fique muito atento e enfatize que as drogas são ilegais e totalmente proibídas para a saúde!

 

Adolescentes Aspergers podem ter problemas na escola por causa da dificuldade em lidar com mais de um professor. Cada sala de aula é um ambiente diferente, que pode ser confuso. Alguns professores podem ser hostis. Algumas tarefas podem ser esmagadoras. Mantenha contato próximo com os professores do seu filho.Verifique se o seu filho tem um "lugar seguro" na escola onde pode compartilhar emoções com um professor, enfermeira, orientador ou psicólogo. Se o seu filho sofre assédio e / ou rejeição na escola e o pessoal não ajuda, uma educação especial ou uma escola terapêutica podem ajudar seu filho adolescente academicamente e socialmente. 

 

O suicídio pode tornar-se uma possibilidade para alguns poucos adolescentes com Asperger. Se você tem qualquer preocupação com isso, obtenha ajuda imediata de um psicólogo ou psiquiatra.

 

Use o raciocínio e negociação com seu filho, em vez de ordens. Se possível, dar-lhe duas opções, em vez de lhe dizer o que deve fazer numa situação. Ele terá mais controle sobre sua vida e sente-se menos pressionado. Ele irá ouvi-lo menos (como todos os adolescentes!) e pode apresentar raiva e impaciência. Ele pode odiar a escola e resistir a tudo o que você quer que ele faça. A depressão é comum. Se esses problemas ocorrerem, o seu filho pode precisar de aconselhamento. 

 

Fazer algum tipo de trabalho de verão ou uma terapia ocupacional, ajuda o adolescente «Aspie» a preparar-se melhor para os desafios de vida!

 

 

postado energia-a-mais às 14:35

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015

não há uma idade certa para a mudança de idade...

 

Mas os 13-14 marcam sem dúvida alterações importantes na vida de qualquer (pré)adolescente, não só física mas sobretudo a nível emocional e de atitudes, são alterações a que todos os pais devem estar atentos. E quando são portadores de patologias que afetam o seu desenvolvimento comportamental como a PHDA e/ou o autismo, muitos já com terapêutica iniciada na infância, com percursos escolares nem sempre fáceis, então essas alterações exigem na maioria dos casos, novas adaptações!

 

Com o mais velho, desde mais ou menos os 12 anos que notei alterações importantes - certas caraterísticas da PHDA acentuaram-se (impulsividade, agressividade) outras atenuaram (a agitação motora é menos notória), outras ainda parecem estar iguais (distração, falta de atenção) e claro as comorbilidades variam mas tornaram-se mais evidentes.

 As reações à medicação essas, alteraram-se - eu costumava dizer que tinha dois filhos em um, antes do meltefedinato e depois do meltefedinato! Existia uma linha que definia bem quando ele tomava o comprimido - sentia-se na forma como nos falava, como encarava qualquer tarefa, como se concentrava na escola. Apesar de fazer com frequência ajustes à dosagem para que esta se adequasse ao seu ritmo de crescimento e dos próprios horários escolares, essa linha começou entretanto a ficar cada vez mais esbatida.

Ao fim de um período letivo, já o efeito de meltefedinato se tornava menos evidente e sobressaía cada vez mais os efeitos indesejáveis - maior agressividade, menos apetite, menos sono, maior dificuldade em equilibrar atitudes e comportamentos. Aos poucos foi-se retirando o meltefedinato e iniciando terapêutica para estabilizar as variações de humor e de sono. Claro que não foi fácil esta adaptação. Foi necessário ultrapassar certos obstáculos na escola, o ano letivo passado foi bem duro, com as notas a baixarem drasticamente e muitos recados na caderneta. Iniciou acompanhamento psicológico mais frequente e reforçaram-se as estratégias em casa, tanto com terapia comportamental como com apoio para o estudo.

O seu Asperger está presente no modo como encara as relações sociais e também nos seus interesses particulares, temas de obsessão que condicionam o seu mundo. Está cada vez mais irascível e difícil de lidar, no entanto, alterna com momentos de pura infantilidade. Aumentamos entretanto a dose de risperidona e de momento é o único medicamento que toma.

 

Com 14 anos acabados de fazer, o meu filhote está a procurar ajustar-se ele próprio! é bom sentir alguns «tiques» típicos da adolescência, embora saiba que ele nunca irá passar por certas fases padrão, dado que o seu «padrão» é diferente!

 

Como mãe, estou em aprendizagem, procurando não dramatizar nem desvalorizar essas alterações! espero ter capacidade para discernir o que se vai passando, acreditando com fé que como qualquer mãe, nunca irei compreender a «estupidez típica» destas idades!!!

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 10:58

Quinta-feira, 07 de Agosto de 2014

 

 

o peso dos meus filhos e sobretudo a alimentação tem sido uma das minha preocupações acrescidas desde que o diagnóstico de PHDA levou a medicação

 

 

 

imagem da net

 

 

Claro que todos os pais devem ter o maior cuidado na alimentação dos miúdos, até porque sabemos que é de pequenos que se criam os bons hábitos alimentares. No entanto patologias como PHDA (e muitas das suas co-morbilidades associadas) são fatores de risco, acrescem um cuidado extra pois interferem e muito no tipo e no peso destas crianças, jovens e pela vida fora...

 

Uma medicação à base de meltefedinato (medicamento usado para a PHDA) como Concerta ou Ritalina (os mais comuns) inibem o apetite, uma das consequências inicias da sua toma é uma redução na ingestão de alimentos, logo uma perda de peso. Por vezes, dependendo do organismo de cada  criança essa perda pode ser acentuada e prolongar-se no tempo, tendo estas crianças um certo «atraso» no seu desenvolvimento, especialmente se iniciam a medicação muito cedo (antes dos 7 anos não é aconselhável mas existem casos que eu conheço). Nestes caso, é indispensável assegurar que as crianças ingerem os nutrientes necessários, por vezes fazer alguns suplementos para ter a certeza do aporte correto de vitaminas e minerais.

No entanto, outras patologias associadas à PHDA podem levar a medicação combinada (ou mista) isto é, um fármaco administrado para outra perturbação - as mais comuns são as de instabilidade de humor, perturbações do sono, TOD ou Asperger. Os mais utilizados fazem um efeito contrário ao meltefedinato, ou seja, trazem como efeito secundário um aumento de apetite, em certos casos muito difíceis de controlar.

 

Em casa, tenho os dois exemplos - o que me deixa à vontade para falar do assunto. O Quico só faz medicação para a PHDA e portanto é necessário «empurrar» a comida pois nunca parece ter fome. O Rafa faz combinação de medicação para PHDA e TOD (as variações de humor são também devido ao asperger) e um dos alertas do médico que o segue foi logo «cuidado com o apetite!». Realmente o meu mais velho parece nunca estar satisfeito e come tão depressa que se torna difícil controlar o que ingere. Assim, devido mais à quantidade do que por causa da (má) qualidade ou má preparação dos pratos principais (a preferência vai para grelhados, assados com pouca utilização de gordura, poucos fritos ou fast-food) depressa se evidencia a tendência para o aumento de peso. Atualmente com 13 anos, o Rafa mede 1,69m e pesa 67kg - muito acima do recomendado para a idade!

 

Um adolescente em dieta - medo!

 

Uma das dicas que segui foi «o que não tenho em casa, ele não pode comer». Parece-me uma boa ideia - se em casa não existem alimentos «maus», como bolachas mais calóricas, bolos, refrigerantes, gomas, etc, mesmo que ele vá à despensa, não tem lá nada que contribua para o excesso de peso. No frigorífico estão lacticínios magros, queijo fresco, frutas, iogurtes, legumes. As carnes das refeições são brancas, o peixe é sempre um dos pratos do dia, saladas e vegetais (ou sopas) estão sempre na mesa.

Outro conselho que segui foi o de «trazer apenas o prato já feito para a mesa». Nada de travessas que aguçam a sensação de fome, o que os olhos não vêem o cérebro não pede!

Há também um outro «truque» que tenho utilizado, uma vez que estamos em casa e eu tenho mais tempo para seguir o que fazer, faço-o repartir ao longo do dia a quantidade de alimentos, comendo mais vezes, não tem tanta fome na horas das refeições. 

Para que não deixe de comer aquelas «tentações» tão do agrado dos adolescentes e para que não fique ansioso pela «regra» mais apertada em controlar o que come, estabeleci com ele um dia por semana de «comer o que mais gosta» em que são permitidos uns quantos «pecados». Mesmo assim não quero que coma de tudo por isso batata frita é restrita a uma vez de 15 em 15 dias e fast-food apenas a uma vez por mês. Além disso uma das regras que existiam já cá em casa é a das bebidas (as coca-colas e afins) que só entram um dos dias do fim de semana (escolhem ou sábado ou domingos e apenas bebem enquanto dura). E claro, se há um dia especial, o que estiver na ementa pode ser consumido sem reservas (dias especiais são dias especiais, certo?)

Como não quero que pense que tem de andar sempre a verificar o peso, a balança é apenas um elemento cá de casa que se usa uma vez por semana.

 

Acho que tendo em conta a preparação das comidas, controlando a quantidade de comida, é possível ele comer de tudo, isto é, fazer uma alimentação variada, incluindo coisas que tipicamente os miúdos desta idade preferem. Até porque, com as alternativas ao dispor no mercado, preparando a comida em casa,  usando a imaginação, isto da dieta pode não ser tão mau assim!

 

claro que estamos a falar de um adolescente (ainda por cima de um que não tem propriamente um controlo muito bom sobre os seus impulsos)...e tudo pode correr ao contrário!  

 

 

 

postado energia-a-mais às 13:08

Terça-feira, 30 de Abril de 2013



Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA) na Adolescência

Na fase da adolescência existe um equilíbrio insuficiente entre os aspetos cognitivos e emocionais

 

Um dos jovens que acompanho diz que "- a adolescência é um caos temporário." A maior parte da nossa vida é construída em autonomia em relação aos nossos pais. Portanto, aquilo que se vai passar na adolescência é algo de extraordinário e que permitiu, em última análise, à nossa espécie a sua sobrevivência e prosperidade. No cérebro adolescente existe uma incompleta conectividade entre várias regiões cerebrais e um equilíbrio insuficiente entre os aspetos cognitivos e emocionais.

 

Assim, por si só, a fase da adolescência, tendo em conta o desenvolvimento do cérebro, as várias tarefas de desenvolvimento e as exigências escolares e sociais que são colocadas ao adolescente suscitam comportamentos de risco que desencadeiam grandes desafios ao próprio jovem, aos pais, professores e profissionais de saúde. Quando adicionamos uma Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA), podemos estar perante comportamentos de risco e logo desafios ainda mais complexos.

 

Num adolescente com PHDA, dependendo do tipo de problemática (se estão presentes dificuldades de atenção juntamente com agitação motora e impulsividade, ou apenas uma destas dimensões), podemos observar dificuldades de atenção/concentração, de autonomia na organização dos métodos e hábitos de estudo, de organização pessoal, dificuldades na gestão do tempo e do dinheiro. Surge muitas vezes uma instabilidade nas relações afetivas, comportamentos de oposição e desafio, problemas emocionais complexos e comportamentos de risco.

 

É fundamental que a intervenção nesta área inclua o jovem, a sua família e o seu contexto escolar e social/comunitário. Enquanto se intervém junto do adolescente no sentido de promover os seus recursos, no desenvolvimento de novas forças, na gestão dos comportamentos de risco, deve orientar-se igualmente a intervenção no sentido de tentar alterar o próprio contexto de vida familiar, escolar, social e de ocupação de tempos livres, para que os ganhos possam ser mais generalizáveis, duradouros e realizáveis. É possível tentar alterar a perceção que o jovem tem acerca do seu insucesso ou promover a capacidade que tem de enfrentar as situações do quotidiano escolar, familiar, ocupacional e social. No entanto, se as condições do contexto que invariavelmente conduzem às dificuldades apresentadas não forem ajustadas, os problemas voltarão mais cedo ou mais tarde, ou não se alterarão de todo.

 

Destes desafios criam-se maiores oportunidades onde amiúde os jovens, suas famílias, os profissionais de educação e de saúde se reinventam permanentemente.

 

Bruno Santo - psicólogo clínico

 

 

texto retirado na íntegra daqui 

 

 

postado energia-a-mais às 09:14

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