A Hiperactividade vista à lupa

Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2015

 

 

para falar da agressividade que tanto assusta!

Este não é um post fácil. Pensei se o deveria editar ou não...acho que o blogue serve principalmente para registar o que mais específico acontece cá em casa, uma forma de manter um certo sentido de tranquilidade, sobretudo quando o caos parece tomar conta de nós! Também não é um blogue que interesse a muita gente, acho que é lido sobretudo por quem é afetado pela PHDA e por isso o pensei como sítio de partilha.

Para mim é óbvio que nem toda a gente gosta de comentar, desde logo porque se expõe...compreendo perfeitamente. Por outro lado, acho mesmo que muitos pais preferem ignorar certas caraterísticas, até mesmo a perturbação em si! Conheço alguns que se recusam mesmo em aceitar que os filhos sofrem de PHDA porque apesar do muito que se tem falado ultimamente, esta continua a ser uma perturbação que não é consensual, nem sequer para a classe médica, nem nas escolas, nem na sociedade (basta ler os inúmeros artigos de opinião sobre o tema que proliferam por aí). 

No entanto, tenho de confessar que uma coisa é aceitar ter uma criança com PHDA que se associa ao lado mais irrequieto, agitado, quando muito, aceitar que tem dificuldades de aprendizagem decorrentes dessa condição, outra coisa bem diferente é aceitar que se tem uma criança (adolescente/jovem) que tem uma PHDA de tipo impulsivo severo, ao qual estão associadas comorbilidades muito mais graves como o transtorno de oposição/desafio, ou mesmo uma agressividade difícil de lidar. 

Eu estou na condição de mãe de uma criança, agora adolescente assim! agressivo ao ponto de pôr em risco a integridade física dele e dos outros. Medicado, é certo, visível para mim a necessitar de nova consulta para que seja feita nova avaliação sobre a medicação e outras estratégias. Eu felizmente tenho retaguarda familiar, por norma não estou muito tempo sozinha com os miúdos (tirando uma parte dos fins de semana e claro a partir do final de cada dia). No entanto, o meu filho não tem comportamento diferente, esteja alguém mais em casa, ou não. Ele simplesmente explode e leva todos à frente. 

Sempre imprevisível! nessas alturas tento manter-me (e aos outros) o mais calma possível. Tento afastar o mais novo e rapidamente separar o mais velho para uma divisão onde não esteja ninguém. Tento que ele olhe para mim e que ele faça por respirar para assentar melhor as ideias. Ele continua a demorar algum tempo até se acalmar e mesmo depois de uma explosão violenta pode ter outros acessos repentinos. Não é fácil para ninguém. E evitar estas situações, sobretudo para que o mais novo não seja o objeto dessa agressividade do irmão, tem sido muito complicado! 

Apesar disto, acredito que falar sem tabus destes temas, pode ser uma ajuda. Acredito que não sou a única a ter um filho com estas patologias e acho que partilhar ideias, saber o que fazer ou pelo menos ter algumas dicas de como lidar com este tipo de situação! Até porque estas explosões, embora ocorram muitas vezes no seio familiar, também podem ocorrer noutros contextos, muitas vezes nas escolas (quem ainda não ouviu histórias de miúdos que «partiram» a sala toda?)

Aqui fica o desafio para pais/educadores comentarem construtivamente!

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:15

Quarta-feira, 08 de Outubro de 2014

em estilo montanha russa são um hábito cá em casa

 

A PHDA dos miúdos manifesta-se em muitas das nossas rotinas e mau seria se ainda não me tivesse habituado ao longo dos 13 anos do Rafa, a estes solavancos...

Apesar das diferenças dos meus rapazes, cada um com caraterísticas próprias e a tal mistura genética explosiva, as perturbações que afetam o mais velho são complexas e é com ele que continuo a ter mais dificuldades. A sua instabilidade é grande e tanto estamos a ter um momento feliz e descontraído, como no momento seguinte temos um turbilhão incontrolavel...às vezes noto alguns progressos no seu comportamento, especialmente na questão do autocontrolo e no empenho em terminar tarefas. Mas tanto vejo um passo à frente, como reparo nos passos para trás! sei que isto é mesmo assim e que só com persistência os resultados se tornarão mais consistentes. São perturbações crónicas e irão fazer parte do seu caminho ao longo dos anos, espero que se tornem compatíveis com a sua forma de vida no futuro!!

Se durante uns dias tive um Rafa mais comprometido com o nosso «contrato anual» e disposto a cumprir a sua parte para levar a bom porto os objetivos definidos, nestas duas últimas semanas acabamos por ter muitos momentos aflitivos. Por coisas banais, quase imperceptíveis para os outros, o Rafa teve crises de explosão nervosa assustadora! Continua a ter muita dificuldade em estar em ambientes com muita gente (daí a crise da aula de EF) como piscinas, balneários ou restaurantes...nas nossas mini-férias tantas vezes o Rafa fugiu literalmente para dentro de casa, sempre que havia mais gente na piscina, ou como insistia em sair para tomar café apenas quando não estava ninguém na sala de cafés (e era já um milagre dispôr-se a acompanhar-nos). Ainda não se expande muito em manifestações de carinho, em casa fazemos «terapia do abraço» e instituímos a rotina do «beijo de boa noite», coisas que já consegue fazer, embora às vezes ainda do seu jeito típico (de raspão...) preocupa-me principalmente a sua relação com o Quico. Não são muito próximos e muitas vezes o Rafa nem se lembra do irmão...mas pode ser surpreendente um gesto como o de me acompanhar num dia destes para ir buscar o mais novo à escola - tão surpreendente que o Quico teve uma reação de puro êxtase quando o viu lá!

Lidar com o Rafa é como nunca saber onde colocar os pés! parece que estamos sempre sobre algo frágil, como os ovos...a qualquer momento racham, partem, sabe-se lá...

 

Vamos aos solavancos, um dia de cada vez!

 

 

 

postado energia-a-mais às 11:19

Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014

 

do Rafa e da PHDA, já tive muitas opiniões

 

Nem sempre se manifestaram corretas ou muitos assentes em princípios científicos válidos. Também já escutei outras mais fundamentadas, sobretudo de médicos especialistas que concordam que a sua prevalência na vida adulta é muito significativa! conheço casos concretos que acompanhei ao longo dos anos e que mostram realmente a continuação na vida adulta, das caraterísticas de instabilidade conhecidas desde a infância nos portadores de PHDA.

 

Tendo em conta que cada caso é único e que depende de variáveis distintas (a própria PHDA tem diferentes níveis e subgrupos de tipo) sinto que muitas vezes, só porque a manifestação mais visível em criança (a agitação, irrequietude tantas vezes confundida com traquinice) e que mais «queixas» provoca dos outros, deixa de ser tão visível - não é provável que em adulto continuem a subir móveis, paredes, que empurrem para chegar primeiro - se deixa de dar atenção a outras caraterísticas! e isso faz com que em adulto o próprio descure a sua situação e só procure ajuda médica em casos limite...

 

A minha grande preocupação são as possíveis evoluções desta patologia, desde algumas comorbilidades associadas e que se manifestam cedo (o Rafa tem várias que o acompanham e que agora se acentuam), até outras que só aparecem mais tarde e que muitas vezes ficam escondidas. A chegada da adolescência é uma fase de viragem muito importante, mesmo que sem qualquer «problema» a não ser a típica fase da idade. Juntar a isso toda a instabilidade de uma patologia comportamental, faz uma diferença enorme.

 

Vivo com um menino que está a deixar de o ser em idade - 13 aninhos a fazer já amanhã! a adolescência já não vai bater à porta, vai entrar sem licença. E agora? 

 

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:44

Terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

 

 

que se vê obrigada a resolver de forma prática as mais variadas «impulsividades»

 

Se às vezes me parece que o Rafa vai dando mostras de alguma maturidade, outras tantas mostram-me o oposto - a infantilidade dele raia muitas vezes o impossível...

Como na manhã de segunda feira em que teimosamente se recusava ir à escola - argumento? o irmão foi autorizado a ficar em casa (dado que se encontrava a recuperar de uma infeção na garganta, facto que para o Rafa era irrelevante!) logo, ele teria de ficar também....e de nada valia contra argumentar porque ele simplesmente nem nos ouve! parece-me nessas alturas absurdo vê-lo tão irredutível na sua teimosia, com quase 13 anos, será que não entende??? mas depois lembro-me que não estamos perante uma questão de vontade...o Rafa não consegue, não porque não queira mas porque não pode. E nem sempre fica fácil aceitar...

 

De qualquer modo, lidar com estas situações é quase o pão-nosso-de-cada-dia! e claro, há coisas que vou aprendendo. Por exemplo, se quiser fazer braço de ferro com o Rafa, tenho de me certificar de que disponho de pelo menos dois recursos inesgotáveis - paciência e tempo! ora nem sempre disponho de ambos, assim, do pé para a mão! então há que encontrar outros recursos...

 

Recuar nem sempre significa perder...por vezes tenho de recuar para ganhar em estratégia! e foi o que fiz, recorrendo a outro recurso de que as mães são peritas - a determinação! Assim, em vez de perder tempo a discutir com ele, simplesmente desisti e parti para o contra golpe. Ignorei a sua teimosia e marquei no relógio o tempo que tinha para se acabar de arranjar de modo a sair de casa, se não estivesse pronto na hora determinda eu, entretanto já pronta, saíria naquele instante e iria ter à comissão de proteção de menores para que alguém ficasse responsável pela sua ida à escola. Como a determinação está escrita no meu olhar, o Rafa começou a dar sinais de ceder. Acabou por, embora relutantemente e sob protesto, terminar a tarefa de se vestir e arranjar. E saiu quase empurrado para o carro onde o avô já o esperava. O problema foi que o Rafa continuou a protestar, desta feita, decidindo que não levava o saco de desporto, argumentando que não iria fazer essa aula...

 

Eu podia deixar a coisa assim e depois tentar resolver com a escola mais esta falta...podia - mas estava determinada a não o deixar levar a dele avante! aliás a lição teria de ser no imediato pois de nada me valeria deixá-lo faltar e só depois o castigar por isso! Montei então o esquema (e daí a figurinha que me sujeitei...)

Ora, confirmada a hora da aula, controlei o tempo e antes da aula anterior terminar, pedi na portaria que me fossem entregar (na sala) um bilhetinho ao Rafa. No bilhete escrevi «Estou na portaria. Vens buscar o saco para fazer a aula de educação física ou queres que peça para falar com a professora? Mãe!). Como o bilhete foi entregue na sala, a professora que estava com ele na altura também o leu...e posso imaginar o que terá passado na cabeça do meu filhote, fervilhando com certeza! a verdade é que logo a seguir no intervalo anterior à dita aula de EF, ele veio buscar o saco...não me deu uma única palavra, nem eu lhe falei.

 

Em casa, foi como se nada de anormal se tivesse passado, coisa a que já me habituei. Apenas após a toma da medicação da noite resolvi voltar ao assunto e sinceramente espero que não me faça nada parecido por uns tempos! 

 

 

postado energia-a-mais às 11:05

Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

 

A doença bipolar da infância é uma questão bastante preocupante e para a qual tenho sido alertada pelo neuropediatra que acompanha o Rafa. Muitas vezes o meu filho apresenta características que podem ser compatíveis com esta manifestação, sendo que já em 2008 o médico lhe prescreveu um estabilizador do humor precisamente para combater esses sintomas e que realmente actua de forma visível, quer no controlo da instabilidade, quer a nível do sono. O Rafa sem este medicamento, dorme apenas umas 4 horas por noite, manifestamente pouco para a sua idade e saúde.

Na ultima consulta deram-me alguns textos sobre o tema e alguns sites onde consultei opiniões de especialistas em saúde mental infantil

Aqui deixo a partilha

 

Paula Cristina Correia 
Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Centro Hospitalar Cova da Beira 
paula.correia@chcbeira.min-saude.pt  

«A doença bipolar na criança é mais difícil de diagnosticar e de tratar que no adulto, sendo um problema de saúde pública devido à severidade e cronicidade da doença. A dificuldade do diagnóstico prende-se com a diferente expressão da doença nas fases de desenvolvimento precoces, comparadas com o adulto associado a frequente comorbilidade (Pavuluri et al., 2005). A apresentação dominante da doença bipolar na criança é atípica, sendo predominante a irritabilidade severa, frequente o curso crónico e a apresentação mista de sintomas de depressão e mania.  

É importante avaliar a comorbilidade nas crianças com doença bipolar, a comorbilidade pode implicar desde uma dificuldade diagnóstica até uma estratégia terapêutica diferente com necessidade de um tratamento combinado. 

Como sequelas da comorbilidade temos ainda uma maior persistência da doença, um pior prognóstico, maior resistência ao tratamento com maiores custos da doença. 

É o diagnóstico diferencial versus comorbilidade com a Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) que se revela mais complicado, uma vez que a doença bipolar e a PHDA têm aspectos comuns como o défice de atenção, a impulsividade, a hiperactividade motora e a pressão para falar (Wozniak J, et al, 1995). 

No sentido de clarificar esta questão, Faraone et al (1997) estudaram 140 crianças com PHDA. Após estratificarem a amostra de crianças com PHDA, em crianças com e sem doença bipolar, verificaram que havia um risco aumentado de PHDA nos familiares, em ambos os subgrupos. Mas apenas nas crianças com as duas patologias (PHDA e doença bipolar) o risco de doença bipolar nos parentes de primeiro grau era cinco vezes superior. Este autor sugere que a perturbação de hiperactividade com défice de atenção comórbida com a doença bipolar é familiarmente distinto de outras formas de PHDA e pode ter relação com a doença bipolar prépubere (Faraone et al (1997), Wozniak J, 1995). 

Ainda está por esclarecer se a doença bipolar de instalação precoce ou prépubere é um subtipo distinto da doença bipolar de instalação após a puberdade ou apenas uma manifestação mais precoce da mesma doença (Weller EB, 2004). Como a doença bipolar de instalação precoce apresenta aspectos clínicos e risco familiar diferentes, alguns autores pensam tratar-se de um subtipo de doença bipolar. 

Geller, ao estudar crianças bipolares comparando-as com crianças hiperactivas, realça que certos sintomas característicos da mania como a elação, ideias de grandeza, diminuição do sono e desinibição sexual foram quase só observados nas crianças bipolares. Os sintomas encontrados, tanto nas crianças bipolares como nas crianças com PHDA, foram a irritabilidade, a logorreia, a distractilidade e o aumento de energia (Charfi, Cohen, 2005). 

Hunt comparou 3 grupos de crianças, com doença bipolar, dos 7 aos 17 anos de idade. Um grupo manifestava irritabilidade sem elação, outro grupo apresentava predominantemente elação e o terceiro grupo era caracterizado por apresentar ambas (elação e irritabilidade). Verificou que o grupo caracterizado por irritabilidade sem elação era constituído por indivíduos mais jovens que os outros dois grupos, não havendo outras diferenças entre os subgrupos, nomeadamente a nível de severidade da doença, comorbilidade, duração da doença e história familiar da mania (Hunt e tal, 2009). Como o subgrupo que apresentava predominantemente irritabilidade tinha características semelhantes e história familiar de doença bipolar, tal como os subgrupos com elação, continuamos a considerar a irritabilidade episódica no diagnóstico da doença bipolar pediátrica. 

Para tentar perceber melhor o peso da irritabilidade e hiperactividade na doença bipolar na infância vamos usar a divisão desta patologia em fenótipo restrito e lato. O fenótipo restrito corresponde a crianças que preenchem, na totalidade, os critérios de diagnóstico do DSM-IV para hipomania ou mania, incluindo os critérios de duração e a presença de sintomas nucleares de humor elevado e grandiosidade. Ao fenótipo lato corresponde a doença crónica não episódica, que não inclui os sintomas nucleares, mas sim irritabilidade severa, labilidade emocional, hiperactividade, impulsividade, défice de atenção e explosões coléricas com agressividade dirigida aos pais, pares e professores (“affective storms”). Este é um fenótipo central na controvérsia, uma vez que são necessários mais estudos para se determinar se se trata verdadeiramente de uma perturbação bipolar de aparecimento na infância ou de sintomas prodrómicos de perturbação bipolar, de outra doença psiquiátrica que cursa com instabilidade e alteração de humor (Pavuluri et al., 2005). 

A controvérsia sobre a relação entre a doença bipolar e a PHDA continua. A doença bipolar de instalação precoce tem uma percentagem elevada de comorbilidade, sendo assim necessários estudos longitudinais para avaliar a continuidade dos sintomas bipolares da infância à idade adulta e determinar o peso da comorbilidade nesta patologia (Diler, 2009).»

 

De referir que muitas vezes existem diagnósticos errados e que levam a uma terapêutica desadequada. Aconselho todos os pais a ficarem atentos e não esquecerem que cada caso é único mas que poucas crianças efectivamente hiperactivas, apresentam apenas PHDA.

O Rafa por exemplo apresenta um conjunto de patologias associadas, tal como outras crianças que conheço. 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 11:39

Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

 

 

vira obsessão....

 

Há muito que notamos no Rafa, uma incapacidade de desviar a atenção de certos interesses. Começou ainda muito pequenino, quando mostrou interesse pelos livros - desde bebé que lia para ele e muito cedo quis ver a sua reacção quando folheava as páginas. Assim que iniciou sozinho essa exploração, logo marcou o seu interesse - dinossauros. Desde os dois anos que todods os livros têm como tema os dinossauros e pouco mais, ou isso, ou o início dos mundos, ou do conhecimento do corpo humano.

 

Mas sem dúvida que o seu interesse de eleição são mesmo os tais senhores do universo da época pré Humana. Sabe várias das suas características, a que grupo pertencem, os seus gostos alimentares, o que os distingue, etc....

 

No entanto, outra característica do Rafa que sempre demonstrou, tem a ver com o facto de permanecer obcecado por determinado assunto - normalmente cujo campo se situa nas tecnologias ou informática, jogos ou algo que nunca tenha feito e considere gostar. Pode passar horas a tentar equilibrar uma bola na cabeça, ou a fazer pinos até se conseguir endireitar totalmente ou dar cambalhotas sem tocar com as mãos no chão...sempre que o consegue, deixa de lado e raramente volta a fazer o mesmo...

 

Nestes dias, o interesse do meu filho está em tentar descarregar para o pc, um jogo que quer muito ter mas que parece mais bem guardado que os ficheiros do pentágono...GTA! ele já tentou de tudo mas nunca resulta o que o faz estar permantentemente a falar sobre o assunto, a viver o assunto, a respirar o assunto...não larga o computador para NADA! se vai comer, fâ-lo em dois minutos, casa de banho só no limite, dormir - o menos possível. Desde terça feira que não o arrasto para mais nada...e ele nada faz! a não ser tentar descarregar o dito jogo...

 

E se julgam que é fácil ver isto acontecer, fiquem a saber que não é! é do mais angustiante para mim..vê-lo desperdiçar horas diante do monitor, gritando por não conseguir, mas sem sair dali...vê-lo deixar o campo de férias, a bola, o skate...não ir comer um gelado, beber um sumo ou simplesmente viver!

 

Sei que este assunto entretanto será substituído por outro...mas só quando ele se der por satisfeito...enquanto isso resta-me esperar que lhe passe a onda e fazer de tudo para que esta obsessão não lhe retire outros prazeres, ou que pelo menos não interfira em demasia no normal seguimento do dia....

 

 

postado energia-a-mais às 12:44

Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

 

Uma criança desafiadora não é fácil....

 

Na terceira consulta que fizemos com o neuropediatra, o relatório clínico do Rafa traçava um diagnóstico de hiperactividade de tipo impulsivo em grau severo, inserido num comportamento disruptivo de oposição/desafio

A mim só me apetecia perguntar ao médico «tá a brincar, certo doutor?»


É comum que crianças com transtorno de hiperactividade e défice de atenção (THDA) apresentem também outros problemas. As patologias que surgem habitualmente associadas ao THDA são os comportamentos de desafio e oposição, ansiedade, transtornos de conduta, tiques e perturbações do humor. Assim, os comportamentos de oposição constituem a maior percentagem de casos.

O que é e como se manifesta
O transtorno de oposição e desafio (TOD) pode ser definido como um padrão persistente de comportamentos negativistas, hostis, desafiadores e desobedientes observados nas interacções sociais da criança com adultos e figuras de autoridade de uma forma geral, sejam pais, tios, avós ou professores. As crianças com TOD facilmente perdem a paciência, discutem com os adultos, desafiam e recusam obedecer a solicitações ou regras, incomodam deliberadamente os outros, não assumem os seus erros e estão quase sempre irritadas.
Devido aos sintomas mencionados, existe nestas crianças ou adolescentes um prejuízo significativo no funcionamento social e académico. Estão constantemente envolvidas em discussões e são muitas vezes rejeitadas pelos colegas de escola, o que lhes traz problemas ao nível da auto-estima.
Os sintomas iniciam-se antes dos oito anos de idade e esta perturbação apresenta-se, em número significativo de casos, como um precursor do transtorno de conduta, forma mais grave de perturbação disruptiva do comportamento.

A importância das regras
Russell Barkley, um dos mais conceituados especialistas na área da hiperactividade, considera que o comportamento de oposição se encontra associado ao transtorno de hiperactividade, sendo este o responsável pelas dificuldades da criança na regulação das emoções. Por outro lado, as famílias de hiperactivos parecem ter elas próprias dificuldade em gerir as emoções, pelo que não conseguem ensinar às crianças como fazê-lo adequadamente. Estas crianças precisam, então, de ser educadas com alguma firmeza, temperada de afecto.
Segundo Barkley, sempre que os pais queiram dar uma ordem devem posicionar-se perto da criança, com voz firme, sem deixarem de ser amorosos, usando o verbo na forma imperativa. De preferência há que olhar directamente nos olhos da criança e, se houver resistência, socorrerem-se de uma discreta pressão física (segurar-lhe no braço, por exemplo). Há que evitar retardar ou desistir de uma ordem quando esta já foi proferida.

Um aspecto de enorme importância prende-se com a consistência entre o casal, ou seja, o pai e a mãe devem esforçar-se por ter a mesma atitude, caso contrário essa desarmonia será facilmente detectada pela criança e até usada para manipular os progenitores. Face a este quadro, torna-se muitas vezes necessário um acompanhamento psicológico. O psicólogo pode ajudar a criança a lidar com a frustração e a encontrar canais mais saudáveis de escoamento dos sentimentos de hostilidade, ao mesmo tempo que se torna necessário ajudar os pais a lidar por essa difícil e desgastante tarefa.

O que os pais não devem fazer
O conhecimento de certas estratégias comportamentais pode ajudar muitos pais a corrigirem hábitos que, de uma maneira ou de outra, acabam por contribuir para o aumento da tensão familiar. Vamos referir alguns aspectos que devem ser evitados porque estimulam a desobediência.
• Dar ordens à distância - Falar de um quarto para o outro (onde está a criança) é algo completamente ineficaz pois ela irá manter-se desatenta e sem cumprir a ordem. As ordens têm de ser dadas presencialmente, assegurando-se que ela as compreendeu.
• Dar ordens vagas - Pedir à criança que se comporte "como um bom menino" não clarifica o que se espera e o que não se espera que ela faça. Há que ser o mais concreto possível!
• Dar ordens complexas - Havendo de antemão dificuldade em fixar na memória de curto prazo as actividades a fazer, solicitar a execução de várias tarefas só servirá para tornar a sua realização menos provável.
• Dar ordens com antecedência - Ordenar a uma criança com TOD que, quando acabar de brincar, tem de arrumar os brinquedos, só serve para interromper o prazer que ela está a ter, já que as ordens serão esquecidas.
• Dar ordens acompanhadas de muitas explicações - Muitos pais, de modo a evitar parecer autoritários, perdem-se em argumentações sobre as necessidades do cumprimento das ordens. Como a criança náo consegue estar atenta durante muito tempo, é bastante provável que no final da explanação do progenitor ela já não se lembre da maior parte do que foi dito.
• Dar ordens sob a forma de pergunta - Perguntar "podes ir agora fazer os trabalhos de casa ?" deixa um espaço livre para que a criança diga que não. As ordens devem ser claras e assertivas.
• Dar ordens em tom ameaçador - É frequente que, antevendo a batalha que vai ser travada após uma solicitação, os pais dêem a ordem já em tom de ameaça, como se a recusa já tivesse ocorrido. Assim, a criança vai tender a imitar o progenitor e a reagir no mesmo tom, uma vez que o clima de hostilidade já está instalado.

 

Tudo o que é transcrito acima coincide com o diagnóstico e todas as estratégias defendidas são realmente eficazes (nem sempre as consigo pôr em prática mas por norma e de modo preseverante, se o faço resulta em 99,9%) - um testemunho real do meu dia a dia!

Aconselho todos os pais com crianças assim diagnosticadas a usarem estas dicas, pois só assim conseguem manter um bom ambiente familiar!

 

 

 

 

sinto-me: mãe desafiada!
postado energia-a-mais às 07:55

Sábado, 30 de Agosto de 2008

Já aqui falei muitas vezes sobre as reacções violentas do Rafa, da forma agressiva como nos enfrenta, da linguagem abusiva, etc. Acabo por passar a ideia que o meu filhote é um bruto, insensível e vazio de emoções...Em verdade isto não podia ser mais falso.

O Rafael sempre mostrou, desde bébé uma extrema sensibilidade aos mais variados temas. Sejam de carácter  social, ecológico, ou até menos comuns em crianças como as dúvidas e angústias sobre a Morte. Como muitas crianças hiperactivas o meu filho tem sempre reacções extremas a tudo - ás tristezas e ás alegrias. Emociona-se se o seu clube preferido ganha, manifesta profundo pesar quando perde e fica sempre perturbado com qualquer comentário, qualquer chamada de atenção ou qualquer elogio!

Ser assim tão sensível traz é claro dificuldades em muitas situações. Por vezes nem nós (mais atentos) nos apercebemos da sua tentativa em esconder essa sensibilidade á flôr da pele. Quando há tempos estivemos num programa de televisão, a apresentadora pediu uma salva de palmas por ele se ter aguentado tão bem, pelo esforço que fez em ficar ali sentado, de imediato os olhos encheram-se de lágrimas! E quando á noite, mais calmo eu lhe faço ver o que de mal aconteceu nesse dia, o que ele poderia ter feito para evitar alguma cena sei que aquele olhar de desculpa que lança não é fita...

Só com muita atenção nos vamos apercebendo de muitas características que a hiperactividade revela. Nem sempre é fácil conseguir entender porque reagem de determinada maneira...temos de ler nas entrelinhas., procurar o motivo. Uma criança hiperactiva tem normalmente outras patologias associadas - as chamadas cormobilidades, muitas vezes mais difíceis e complexas do que a hiperactividade em si.

 

Este post é especialmente para  a P. e a C. que ainda hoje tiveram uma discussão no café sobre o porquê de certa reacções do Rafa...não sei se vêm visitar (sei que não comentam) mas mesmo que não venham, deixo o meu raciocínio

postado energia-a-mais às 00:28

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