A Hiperactividade vista à lupa

Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016

Até maio de 2013 quando foi lançada a quinta edição do manual de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5) a síndrome de Asperger era entendida como uma condição relacionada, mas distinta do autismo. É importante ressaltar que os diagnósticos em psiquiatria em grande parte seguem as recomendações do DSM e não deve ser diferente com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) que é um novo distúrbio que substitui tanto o antigo Autismo quanto a síndrome de Asperger. Podemos entender que a síndrome de Asperger passou a ser considerada uma forma branda de autismo.

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, essa mudança é benéfica e necessária, já que todas as pessoas com transtornos do espectro autista exibem alguns dos comportamentos típicos, é melhor redefinir o diagnóstico por gravidade do que ter um rótulo completamente separado. Assim os transtornos antes "separados", seriam na verdade um "continuum" dentro do Transtorno do Espectro do Autismo o que é mais apropriado para a compreensão e a orientação terapêutica.

Uma das dúvidas que ainda permeia essa mudança é a conduta frente aos pacientes já diagnosticados pelos critérios anteriores, ou seja, se as pessoas anteriormente diagnosticadas com Síndrome de Asperger devem ser reclassificadas ou se o diagnóstico será mantido. Isso é mais inquietante para os pacientes com Síndrome de Asperger que são representados em por diversos meios na sociedade utilizando essa denominação.

 
 

Houve também mudança nos critérios para o diagnóstico: antes dessa revisão o diagnóstico era baseado em três grupos de sintomas (déficits de interação social, de comunicação/linguagem e padrões repetitivos de comportamento/esteriotipias). No DSM-5, os sintomas de interação social e comunicação social foram agrupados em um só. Agora há dois grupos de sintomas para o diagnóstico, baseado na presença dos critérios abaixo:

  • Déficits de comunicação/interação social: déficit na reciprocidade das interações, déficits nos comportamentos não-verbais, dificuldade de desenvolver/manter relacionamentos
  • Presença de um padrão repetitivo e restritivo de atividades, interesses e comportamentos: estereotipias (ecolalia, p.ex.), insistência no mesmo, adesão estrita a rotinas, interesses restritos/incomuns, hiper/hipo reatividade a estímulos sensoriais.

 

 

 

O meu «miúdo» mais crescido - não aprecia e não procura o contato com os outros, não tem interesses comuns aos miúdos da sua idade, não gosta de desportos de equipa, não tem interesse por «miúdas», rege-se por uma rotina estrita, é um genio com números e fórmulas químicas, não consegue pensar de modo abstrato, tem interesses que viram obsessão (como agora a cultura japonesa - desde o início do ano passado que tudo o que vê são animes japoneses, só fala em língua e ultura japonesa, artes marciais e literatura japonesa, vê os animes uma vez com legendas e depois no orignal durante horas, quer aprender japonês e quer ir viver para o japão, aprende receitas japonesas e tenta que eu as cozinhe), não tem malícia e não sabe usar a mentira, não consegue ler os sinais básicos das emoções, rejeita o toque, tem hiper sensibilidade à dor, não sente o «salgado» mas reage bem ao picante, sente o calor de modo intenso mas não o frio, se lhe mudar um objeto de lugar ele não consegue entender, faz crises terríveis e numa semana podemos ter um dia excelente (em que ele fala comigo, aperta-me a mão ou até me dá um abraço meio sem jeito) mas ter também um dia em que se recusa ir à escola, em que se altera por um motivo que nem percebemos e é agressivo, parte coisas, bate, não ouve ninguém, fica em estado de stress completo. Dorme pouco e tem uma mania de ficar toda a noite sem se deitar. 

Ter um filho com estas caraterísticas é um desafio que assusta mas ao mesmo tempo nos encoraja a ser cada dia melhores Pais - um orgulho por cada vitória, uma celebração por coisas mínimas, um beijo dado sabe a mil estrelas e cada frase reveladora de uma emoção é motivo para celebrar! Que seja feliz!

postado energia-a-mais às 12:40

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

 

Já por cá falei muitas vezes em hiperatividade mas como sabem os que me costumam acompanhar, o meu filho mais velho não tem só PHDA, não tem só agressividade, não tem só distúrbio do sono, não é «só» um adolescente - tem uma mistura de tudo isso e um síndrome dentro do transtorno do espectro do autismo - Asperger. Não é fácil saber lidar com isto e muito tenho a aprender, até porque estas caraterísticas se manifestam cada vez mais. Aqui fica um pequeno texto (resumo) de algumas dicas para famílias com «Aspies»

 

Os jovens com Asperger e autismo de alto funcionamento, muitas vezes têm dificuldade entre as idades de 13 e 19. Eles podem ser socialmente excluídos e rejeitados pelos seus pares porque agem de maneira diferente. Eles querem ser aceites mas muitas vezes não sabem como se comportar e  comunicar de forma adequada.  A Escola é exigente e os amigos também - eis as metas a alcançar na adolescência

 

  • manter a auto-estima intacta
  • pelo menos um amigo ou dois
  • conhecimento de que a família o ama
  • obter a escolaridade

 

Há alguns adolescentes que conseguem navegar nestes anos com sucesso, porque eles não se preocupam com a pressão dos colegas e concentram-se num interesse especial - por exemplo, xadrez, ou computadores. Então, incentivar seu filho a desenvolver um interesse especial pode ajudá-lo neste momento da vida. Um interesse especial pode encorajar amizades com outros adolescentes que têm o mesmo interesse, bem como, torna mais fácil as conversas.

 

Um grande problema para os adolescentes Aspergers é que muitas vezes eles não se preocupam com moda, vestuário, celebridades, e dispositivos de comunicação de Adolescentes (por exemplo, telemóveis ou Facebook). Os interesses de seu filho podem ser mais apropriados para crianças mais novas. Os meninos podem ser rejeitados se não se interessarem por desporto. 

 Ajude o seu filho a tornar-se mais consciente das modas entre adolescentes e como falar sobre desporto, celebridades, rituais e eventos escolares. Encoraje-o a deixar mensagens de texto para e organizar compromissos sociais com os pares. 

 O seu filho pode ignorar a higiene pessoal e vestir roupas e um corte de cabelo que não estão em grande estilo. Encontre um amigo do mesmo sexo que vai ajudar o adolescente a escolher as roupas apropriadas para vestir. Monitorize a higiene de seu filho e criar lembretes sobre o banho diário, escovar os dentes, etc..

 

Os adolescentes "Aspie" às vezes não estão muito bem informados sobre sexo e namoro. Os meninos podem ser muito ingênuos ou muito a frente com as meninas. As hormonas causam emoções desenfreadas, que os adolescentes Aspie não podem manipular. Se eles ficarem com raiva, podem atacar fisicamente os outros ou ter um "derreter". 

 Alguns adolescentes Aspie podem desenvolver problemas com drogas e álcool, porque estão ansiosos para fazer o que outros adolescentes fazem. Outros adolescentes podem aproveitar a ansiedade do seu filho para ser amado e convencê-lo a comprar e / ou tomar álcool ou drogas. Fique muito atento e enfatize que as drogas são ilegais e totalmente proibídas para a saúde!

 

Adolescentes Aspergers podem ter problemas na escola por causa da dificuldade em lidar com mais de um professor. Cada sala de aula é um ambiente diferente, que pode ser confuso. Alguns professores podem ser hostis. Algumas tarefas podem ser esmagadoras. Mantenha contato próximo com os professores do seu filho.Verifique se o seu filho tem um "lugar seguro" na escola onde pode compartilhar emoções com um professor, enfermeira, orientador ou psicólogo. Se o seu filho sofre assédio e / ou rejeição na escola e o pessoal não ajuda, uma educação especial ou uma escola terapêutica podem ajudar seu filho adolescente academicamente e socialmente. 

 

O suicídio pode tornar-se uma possibilidade para alguns poucos adolescentes com Asperger. Se você tem qualquer preocupação com isso, obtenha ajuda imediata de um psicólogo ou psiquiatra.

 

Use o raciocínio e negociação com seu filho, em vez de ordens. Se possível, dar-lhe duas opções, em vez de lhe dizer o que deve fazer numa situação. Ele terá mais controle sobre sua vida e sente-se menos pressionado. Ele irá ouvi-lo menos (como todos os adolescentes!) e pode apresentar raiva e impaciência. Ele pode odiar a escola e resistir a tudo o que você quer que ele faça. A depressão é comum. Se esses problemas ocorrerem, o seu filho pode precisar de aconselhamento. 

 

Fazer algum tipo de trabalho de verão ou uma terapia ocupacional, ajuda o adolescente «Aspie» a preparar-se melhor para os desafios de vida!

 

 

postado energia-a-mais às 14:35

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015

não há uma idade certa para a mudança de idade...

 

Mas os 13-14 marcam sem dúvida alterações importantes na vida de qualquer (pré)adolescente, não só física mas sobretudo a nível emocional e de atitudes, são alterações a que todos os pais devem estar atentos. E quando são portadores de patologias que afetam o seu desenvolvimento comportamental como a PHDA e/ou o autismo, muitos já com terapêutica iniciada na infância, com percursos escolares nem sempre fáceis, então essas alterações exigem na maioria dos casos, novas adaptações!

 

Com o mais velho, desde mais ou menos os 12 anos que notei alterações importantes - certas caraterísticas da PHDA acentuaram-se (impulsividade, agressividade) outras atenuaram (a agitação motora é menos notória), outras ainda parecem estar iguais (distração, falta de atenção) e claro as comorbilidades variam mas tornaram-se mais evidentes.

 As reações à medicação essas, alteraram-se - eu costumava dizer que tinha dois filhos em um, antes do meltefedinato e depois do meltefedinato! Existia uma linha que definia bem quando ele tomava o comprimido - sentia-se na forma como nos falava, como encarava qualquer tarefa, como se concentrava na escola. Apesar de fazer com frequência ajustes à dosagem para que esta se adequasse ao seu ritmo de crescimento e dos próprios horários escolares, essa linha começou entretanto a ficar cada vez mais esbatida.

Ao fim de um período letivo, já o efeito de meltefedinato se tornava menos evidente e sobressaía cada vez mais os efeitos indesejáveis - maior agressividade, menos apetite, menos sono, maior dificuldade em equilibrar atitudes e comportamentos. Aos poucos foi-se retirando o meltefedinato e iniciando terapêutica para estabilizar as variações de humor e de sono. Claro que não foi fácil esta adaptação. Foi necessário ultrapassar certos obstáculos na escola, o ano letivo passado foi bem duro, com as notas a baixarem drasticamente e muitos recados na caderneta. Iniciou acompanhamento psicológico mais frequente e reforçaram-se as estratégias em casa, tanto com terapia comportamental como com apoio para o estudo.

O seu Asperger está presente no modo como encara as relações sociais e também nos seus interesses particulares, temas de obsessão que condicionam o seu mundo. Está cada vez mais irascível e difícil de lidar, no entanto, alterna com momentos de pura infantilidade. Aumentamos entretanto a dose de risperidona e de momento é o único medicamento que toma.

 

Com 14 anos acabados de fazer, o meu filhote está a procurar ajustar-se ele próprio! é bom sentir alguns «tiques» típicos da adolescência, embora saiba que ele nunca irá passar por certas fases padrão, dado que o seu «padrão» é diferente!

 

Como mãe, estou em aprendizagem, procurando não dramatizar nem desvalorizar essas alterações! espero ter capacidade para discernir o que se vai passando, acreditando com fé que como qualquer mãe, nunca irei compreender a «estupidez típica» destas idades!!!

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 10:58

Quarta-feira, 03 de Dezembro de 2014

entre irmãos são uma norma?

 

muitas vezes assisto a histórias de irmãos que se adoram, se sentem completos na presença uns dos outros e vivem uma relação de perfeita harmonia...mas quando falo dos ciúmes entre os meus rapazes, sobretudo com pessoas com filhos em idades similares, o que ouço é quase sempre «ó os meus são assim também, os meus sentem uns ciúmes, estão sempre pegados, não se dão bem...»

 

Será normal haver aquela «pontinha» de ciúme, aquela competição(zinha) o querer ser o centro? claro que cada irmão tem a sua personalidade e numa casa onde existam mais filhos, muitas diferenças deve haver...eu tenho dois e as diferenças são tantas!! mas onde existe aquela linha que define o normal ciúme, do que é já algo mais? quando sabemos que essa linha foi quebrada? 

 

Os meus rapazes são fogo! ambos conjugam as tais diferenças de personalidade com patologias cujas caraterísticas interferem no comportamento e desenvolvimento das relações. Nada há de normal no relacionamento entre eles...o mais evidente é o confronto - na maioria das vezes, físico. Mas também o verbal com muito palavrão à mistura. A impulsividade do Rafa é simplesmente incontrolável, com ele a explosão é imediata. Se resolve atacar, não olha ao que (ou a quem) está à sua volta. Não mede a força, não mede as palavras, atira com tudo e não consegue parar...é desesperante!

O Quico dá luta, não se fica mas a sua força não é a mesma (por agora). Também não consegue prever as explosões do irmão atempadamente! mas a agressividade verbal, já a usa com toda a sua potência...aplicar palavrões é uma das armas. 

Na última consulta com a psicóloga (na semana passada) o Rafa voltou a dizer que não queria ter o mais novo na vida dele...que ficaria muito melhor sem irmãos, naquela atitude entre a infantilidade e a típica fase de adolescente...

Usar estratégias pedagógicas por agora de nada tem servido! quem passa por isto com os filhotes e como fazem para resolver o dia a dia? separam-os ou obrigam a que façam atividades em conjunto? confesso que ando em constante sobressalto porque não posso deixá-los sem supervisão por um período maior do que uns 30 minutos...já aconteceram tantas cenas a roçar a tragédia que tenho medo de um dia não chegar a tempo...quem me dá umas luzes? 

 

 

 

postado energia-a-mais às 11:55

Quarta-feira, 08 de Outubro de 2014

em estilo montanha russa são um hábito cá em casa

 

A PHDA dos miúdos manifesta-se em muitas das nossas rotinas e mau seria se ainda não me tivesse habituado ao longo dos 13 anos do Rafa, a estes solavancos...

Apesar das diferenças dos meus rapazes, cada um com caraterísticas próprias e a tal mistura genética explosiva, as perturbações que afetam o mais velho são complexas e é com ele que continuo a ter mais dificuldades. A sua instabilidade é grande e tanto estamos a ter um momento feliz e descontraído, como no momento seguinte temos um turbilhão incontrolavel...às vezes noto alguns progressos no seu comportamento, especialmente na questão do autocontrolo e no empenho em terminar tarefas. Mas tanto vejo um passo à frente, como reparo nos passos para trás! sei que isto é mesmo assim e que só com persistência os resultados se tornarão mais consistentes. São perturbações crónicas e irão fazer parte do seu caminho ao longo dos anos, espero que se tornem compatíveis com a sua forma de vida no futuro!!

Se durante uns dias tive um Rafa mais comprometido com o nosso «contrato anual» e disposto a cumprir a sua parte para levar a bom porto os objetivos definidos, nestas duas últimas semanas acabamos por ter muitos momentos aflitivos. Por coisas banais, quase imperceptíveis para os outros, o Rafa teve crises de explosão nervosa assustadora! Continua a ter muita dificuldade em estar em ambientes com muita gente (daí a crise da aula de EF) como piscinas, balneários ou restaurantes...nas nossas mini-férias tantas vezes o Rafa fugiu literalmente para dentro de casa, sempre que havia mais gente na piscina, ou como insistia em sair para tomar café apenas quando não estava ninguém na sala de cafés (e era já um milagre dispôr-se a acompanhar-nos). Ainda não se expande muito em manifestações de carinho, em casa fazemos «terapia do abraço» e instituímos a rotina do «beijo de boa noite», coisas que já consegue fazer, embora às vezes ainda do seu jeito típico (de raspão...) preocupa-me principalmente a sua relação com o Quico. Não são muito próximos e muitas vezes o Rafa nem se lembra do irmão...mas pode ser surpreendente um gesto como o de me acompanhar num dia destes para ir buscar o mais novo à escola - tão surpreendente que o Quico teve uma reação de puro êxtase quando o viu lá!

Lidar com o Rafa é como nunca saber onde colocar os pés! parece que estamos sempre sobre algo frágil, como os ovos...a qualquer momento racham, partem, sabe-se lá...

 

Vamos aos solavancos, um dia de cada vez!

 

 

 

postado energia-a-mais às 11:19

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

 

 

em miúdos com PHDA, tranquilidade no regresso às aulas é algo que demora tempo e muita paciência (de pais e educadores)

 

Se para todos as outras crianças ditas «normais» já é complicado por vezes lidar com este retorno depois de tantas férias, imagine-se o que se passará numa cabecinha sempre a mil! o grau de ansiedade, o aumento das instabiliadde de humor, a dificuldade em regressar às rotinas e tudo o que faz parte desta época!

 

Para pais como eu, que tenho de lidar com este acréscimo de atenção e stress, algumas dicas (e por favor, quem tiver outras para partilhar, agradeço que as deixem por cá também {#emotions_dlg.smile})

 

 

Se a criança está a fazer medicação mas interrompeu no período de férias, não esquecer de introduzir novamente antes uma semana do início das aulas para que o organismo se habitue gradualmente. 

Insisto na ajuda preciosa das listas e de como a preparação diária das tarefas simplificam e evitam muitas das crises (birras) comuns a estes dias. Faça listas com a ajuda da criança e seja persistente na sua utilização!

A regulação do sono é fundamental, o horário de dormir deve ser cumprido rigorosamente! muitos pais acham que deitar cedo é ir para a cama à meia noite (!).  Em tempo de escola cá em casa nunca ultrapassamos as 22h30, mesmo com dois miúdos com PHDA e um deles com perturbação do sono diagnosticada aos 4 anos - esse é ajudado com medicação mas as rotinas de deitar são sempre a principal ajuda! Ter rotinas definidas e mesmo certos rituais a cumprir faz com que a hora de ir para a cama seja encarada com mais naturalidade - demora tempo a implementar (garanto) mas consegue-se! e a saúde de todos agradece!

Uma coisa que deve tentar sempre é antecipar as escolhas de roupas e lanches para a noite anterior. Deixar tudo pronto para na manhã seguinte ser mais fácil e mais cómodo para todos. No meu caso, foi preciso ajuda extra para que a hora de vestir não fosse um tormento sem fim (e posso garantir que quando digo tormento, é porque não encontro melhor palavra....durante muito tempo!). Fazer o Rafa obedecer à simples regra de vestir as peças de roupa ordenadamente obrigou-me a procurar estratégias mais originais. Os bonecos de feltro com roupa que se pode colar com velcro ajudaram imenso! são uma espécie de treino para estas crianças - saber que peça de roupa vestir, por que ordem e não esquecer nenhuma parte fundamental! garanto que funcionam.

Outra ajuda são os relógios de tarefas como este que desenhei para o Quico (obrigada Mafalda Queiroz pela dica e pela ajuda na construção). Uso imagens porque para ele é muito mais simples de entender (dado as suas dificuldades na leitura - aqui o importante é simplificar!). Um relógio que tem como função mostrar as mais importantes tarefas do dia (em casa) e cujos ponteiros é ele que vai mudando

 

  

 

Para crianças mais velhas (como no caso do Rafa) podem usar-se chek lists que se podem atualizar sempre que necessário (por exemplo para introduzir tarefas de responsabilidades - caso de arrumar o quarto, limpar a mesa, levar o lixo lá fora, etc.)

Não se esqueça também de reorganizar o espaço para estudo (se necessário) limpando tudo o que se foi acumulando em férias e proporcionando um ambiente acolhedor e mais favorável aos trabalhos de escola. Coloque um quadro de cortiça para anotar recados, datas de exames (testes) TPC, tarefas e recompensas. Ajuda a criança com PHDA a manter o foco!

E não abdique do tempo de brincadeiras com o seu filho! o tempo que passa com ele quando está em casa é precioso e pode mudar a atitude com a escola para melhor! seja proativo e tome a iniciativa de participar nas brincadeiras. Não massacre com perguntas de «como foi a escola» mas guie as conversas de forma a saber o que por lá se passou sem ser estilo interrogatório! e se os primeiros dias não correrem assim tão bem, não desista! vai ter um ano inteiro para implementar estratégias diferentes, lembre-se que a persistência é a chave do sucesso com estes miúdos!

 

Bom regresso à escola!

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:06

Segunda-feira, 02 de Junho de 2014

 

 

Conquistas!

 

São sempre motivo para assinalar, ainda mais com crianças especiais. Um pequeno passo deles e percebemos que vale a pena insistir, que desistir não é opção, mesmo que o tempo nos desgaste 

 

Uma das caraterísticas mais constantes ao longo das etapas de desenvolvimento do Rafa, sempre foi a sua grande resistência às mudanças. Desde as mais simples, como alterar a taça onde come os cereais, à fronha da almofada, passando por mudanças de visual, tipo corte de cabelo...quem o conhece sabe bem a dificuldade de mudar um tapete de casa, mudar a disposição de móvel ou até de mudar os pratos onde se costuma comer! 

 

Os locais que frequenta também são sempre os mesmos - o primeiro local onde o levei para tentar cortar o cabelo, acabou por se manter até hoje, as tentativas também! desde o saltitar do início dos primeiros tempos, em que nada ficava no lugar depois da sua saída (excepto o cabelo que permanecia praticamente sem alterações, as poucas tesouradas conseguidas serviam apenas para «aparar» as pontas). Resultado de toda a sua impetuosidade e impulsividade, as nossas visistas à M. tornaram-se um ritual, onde alternava vómitos com sérias tentativas de se manter no sítio o tempo suficiente para umas breves espontadelas.

 

Para contrariar esse sua inflexibilidade nas mudanças, muitas vezes o faço ver os nossos exemplos «a mãe muda de corte e até cor de cabelo e continua a ser a mesma! o mano corta e o cabelo volta a crescer! a mudança traz coisas positivas como o refrescar da pele do rosto e um novo look que toda a gente precisa de vez em quando!»

 

E, de repente o meu rapaz acede a um corte de cabelo à séria! daqueles em que o cabelo é mesmo cortado! por decisão sua, sem alaridos, sem imposição, lá vai ele confiante para a cadeira da M. E sai de lá com um corte bem diferente do habitual! Foi tão fixe!

 

E mesmo que isso o tenha afetado ao ponto de se notar o nervosismo dele nos gestos e olhares ao espelho, do acordar cedíssimo para ver se tudo estava bem e do tempo que demorou a olhar para a cabeça, valeu a pena ver o seu contentamento por ter conseguido algo que outros meninos da sua idade conseguem sem dificuldade - a mudança!

 

 

 

postado energia-a-mais às 14:22

Segunda-feira, 19 de Maio de 2014

 

 

 

imagem da net

 

 

O tempo voa! quando damos por ele, constatamos que o deixamos escapar de repente e muita coisa se passou sem que o tenhamos feito parar!

 

A nossa vida cá por casa, tem sido um carrocel por vezes desgovernado. A falta de tempo para o essencial (tempo para apreciar as pequenas coisas que fazem a diferença) tem sido o maior obstáculo. Bem sei que ser mãe de dois miúdos já é para muitas mulheres, sinónimo de pouco tempo para tudo o resto...ser mãe de dois, cada um com patologia de PHDA, com necessidades específicas e diferentes dos outros miúdos, não ter o pai a dividir as tarefas básicas, manter tudo o resto dentro do funcional, é tarefa mais do que exigente, sendo evidente que fico cada vez mais com o tempo contado! Já não me lembro de quando foi a última vez que tirei um pouco de tempo para simplesmente «não fazer nada»....as migalhas que aproveito são para espreitar o blog, tentar manter um registo que me dê, anos mais tarde uma perspectiva das coisas.

 

Coincidência, ou não, este é um período em que revivo com grande intensidade, através do meu filho mais novo, o ciclo mais difícil que vivi com o mais velho! nada me preparou, com o Rafa, para a imprevisibilidade de ter um verdadeiro «furacão» em casa. Desenganem-se os pais que acham que os seus filhos são «traquinas», «agitados» ou mesmo os que usam o termo «hiperativo» para os descrever. Na sua grande maioria, esses pais estão equivocados! De todos os casos que conheço, pouco, mesmo poucos, se podem comparar ao trajecto tempestuoso do meu filho mais velho! acreditem que se tivessem de viver os momentos que eu vivi, teriam muita dificuldade em descrever as crianças usando os adjectivos que atrás mencionei....aliás, ainda hoje, quando olho para certas cenas, tenho dificuldade em encontrar as palavras certas para o descrever! 

Felizmente demorei algum tempo a perceber, até por não ter comparação possível, que esses momentos alucinados, não eram o comum entre as crianças...nem todas eram assim! digo felizmente porque assim consegui separar as águas e quando o Quico nasceu a minha visão era já bem diferente!

 

Ao longo dos anos fui contornando as dificuldades, mantendo a minha atenção nos detalhes e não me deixando influenciar por pré-conceitos. Quase que por instinto separei os comportamentos do mais novo em «cópia do ambiente em que nasceu» e «aquilo que lhe pertençe pelos genes». Nem sempre a linha foi fácil de delimitar porque é impossível dissociar o que se vive do que faz parte de nós à nascença! mas acabei por entender que muito do que vivo com o meu mais novo, já antes o vivi (com diferença de faixa etária em que ocorre) com o mais velho.

 

O autêntico «el niño» que o Rafa era aos 4 anos, vibra agora em toda a força nos 7 anos do Quico! a turbulência é a mesma. O Quico não para um segundo, está sempre ligado à corrente, não deixa nada quieto no sítio, nunca percebe quando o dia acaba, não consegue comer sem estar a mexer-se (ou a saltar, ou a correr, ou a mexer noutra coisa qualquer), fala sem parar, nunca consegue ouvir nada até final, não olha para a TV mais de 5 minutos sem saltar ou dar pinotes, não consegue acertar o traço de um desenho, pintar sem borratar tudo, escrever é um conceito que continua a ser um desafio....imaginem o que é na escola! mesmo com a ajuda da medicação (que se faz notar na sala de aula, sobretudo durante a manhã e início da tarde) em casa tenho um autêntico ciclone!

 

A minha esperança é que este padrão se mantenha - ou seja, aguentando mais uns 3 anos de turbulência física com todas as suas consequências para o funcionamento de uma casa, terei depois uma fase de desgaste psicológico cerrado (que acontece entretanto com o Rafa) mas poderei dedicar-me a esse período sem andar de gatas pelo chão...não digo que o grau de exigência não seja ainda maior, simplesmente esta fase em que nada fica no sítio onde deixo por mais de dois segundos desde que o mais novo chega da escola, bule com os meus nervos! opá na verdade, bom mesmo era ter tempo para tudo!

 

 

postado energia-a-mais às 10:34

Segunda-feira, 05 de Maio de 2014

 

 

Não seria a mesma coisa sem elas!

 

Os meus filhos tentaram fazer deste dia da Mãe, um dia único! e claro, conseguiram {#emotions_dlg.sarcastic} 

 

cá em casa não há como evitar as loucuras de dois miúdos portadores de uma PHDA, nem eu esperaria qualquer outra coisa. As minhas expectativas perante um dia de festa, é sempre muito contida! sei que vamos viver esse dia com muita emoção, sendo no entanto uma emoção muitas vezes «escondida» por entre as aventuras físicas e psicológicas que sempre vivemos!

 

O dia anterior tinha terminado de forma «carregada» por uma atribulada briga entre os meus dois rapazes, com o Rafa bastante mal humorado, naquela inconstância característica das suas patologias, agora ainda mais evidentes por força da sua entrada na idade conturbada da adolescência. Foi portanto com agrado que recebi, ainda deitada, um beijo dele - um beijo à sua maneira, fugidio, quase de raspão, um tanto desajeitado mas que sabe a mel!

 

Já na sexta feira, logo depois de chegar da escola o Quico me tinha oferecido as suas «prendas», orgulhosamente feitas (com ajuda) por ele e com a euforia que lhe é típica. Por isso não me esqueci de as colocar em destaque na mesa, logo na manhã de domingo. O pequeno almoço deveria ser para desfrutar em conjunto mas eles, sempre saltitantes acabaram por andar às voltas e por entre fatias de pão que iam sendo atiradas ao ar, facas que já andavam por muitas mãos, fruta, iogurtes e muita confusão, achei melhor optar pelo mais prático e não permitir que fizessem coisas como panquecas com mel, papas de aveia ou sumos energéticos...ou teria a cozinha desfeita!

 

Ao almoço já tinham acalmado o suficiente mas a ideia de não quererem que fosse a mãe a cozinhar nesse dia implicou necessariamente comer fora de casa. Como não se entenderam quanto ao sítio ou mesmo ao tipo de comida, a alternativa que ambos aprovaram passou pelo fast-food daqueles que de vez em quando até sabe bem e que para eles sabe sempre a dia de festa! não quiseram ir lá almoçar, fui eu buscar...

 

A tarde, como já é habitual mete sempre muito mais confusão, quer seja porque ambos se aborrecem, quer seja porque a chegada dos avós traz sempre mais agitação, até mesmo porque começam a olhar para o dia que passa e sentem a ansiedade do dia de escola que se aproxima...tentamos fazer algumas brincadeiras mais calmas, como jogos, mímicas, coisas assim mas acabamos por entre saltos e correrias com hemorragia nasal do mais novo à mistura.

 

O lanche teve de ser em ritmo de corrida, sem tempo para saborear por muito tempo as «iguarias», desta vez sem bolo caseiro (porque acabei por me esquecer que o forno falhou e nem tive tempo de o mandar arranjar) mas com uma mesa que tinha em atenção os gostos de cada um. Nessa altura já o Rafa dava mostras de mudança de humor e o Quico estava mais interessado em chamar a atenção de uma vizinha que via pela janela...

 

Distribuídos mais uns miminhos pela bisa e pela avó, as outras Mães da casa, foi tempo de os preparar para a fase mais difícil, a hora de arrumar mochilas, roupas para o dia seguinte e iniciar a rotina de fim de dia!

 

Estava passado mais um Dia da Mãe que afinal é todos os dias, sem excepção

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:08

Segunda-feira, 17 de Março de 2014

 

 

ao reler o blogue dei comigo a pensar que até pode parecer que os meus miúdos entraram numa outra fase, menos atribulada, de certo modo mais calma...«mea culpa» por falta de tempo e confesso, de menos ânimo, tenho deixado de escrever muitas das peripécias cá de casa

 

Até admito que no caso do Rafa, as explosões de raiva, impulsividade, difíceis de controlar, de tão habituais se tornaram para mim tão vulgares que até lhes tirei importância! não no peso das coisas, claro! só acabei por sentir que estaria a descrever sempre as mesmas cenas e que isso seria algo monótono para a estrutura do blogue. Mas agora que penso melhor, este é uma espécie de registo e deveria servir também para relatar esse nosso dia a dia.  

 

Quanto ao Quico, as peripécias são tantas e sucedem-se a tal ritmo que o meu rapaz é talvez o maior responsável pela tal falta de tempo. O que me sobra é para organizar as prioridades de casa, especialmente porque o final de dia não me deixa respirar! Ele é os TPC, ele é as brincadeiras sempre em correria, os banhos alucinantes, as conversas sem fim, as exigências da minha presença, enfim! 

 

Este fim de semana por exemplo, foram vários os episódios, daqueles que alteram por completo a vida de qualquer lar! O almoço de sábado foi um completo desastre pois o Rafa teve uma daquelas crises que surgem do nada, assim sem aviso, crises que sobem tão rapidamente e que se tornam imparáveis! O meu rapaz mais velho é absolutamente incapaz de se auto controlar! sozinho ainda não consegue ter aquele travão, tornando-se por isso demasiado difícil lidar com as situações. Até pode ter esse repentismo por um período relativamente curto no tempo mas aquele momento em que está fora dele, é suficiente para nos pôr a todos a mil! e se tiver «audiência» mesmo que seja o avô, então parece que o descontrolo é ainda maior. Acho que tem a ver com o facto de todos começarem a dar palpites, todos terem reacções diferentes....ele fica simplesmente incontrolável. E responde mal, manda cadeiras pelo ar, berra com todos, diz os maiores disparates sem nexo...quanto mais o forçamos a parar pela via normal, mais ele se descontrola! dado que já «apanhei» o jeito e sei que o melhor é manter a calma até o conseguir acalmar, cortando o foco das atenções, ignorando deliberadamente o motivo pelo qual aquilo começou, consigo por norma dar a volta às coisas. E foi o que aconteceu, no entanto o Quico acaba por ficar também muito alterado e não é fácil ver o alvoroço que se segue a cada crise!

 

Tanto os nervos mexeram com o mais novo que às tantas, aos saltos pela casa, pelo sofá, pelos móveis, acabou por embater no computador e lá se vai um daqueles monitores grandes touchsystem da HP ao chão...Revi mentalmente a cena da TV nova que partiram no calor duma birra...desta vez felizmente as consequências materiais não foram tão más e o pc lá se safou com algumas mossas mas sem danos que impeçam o seu funcionamento. Claro que o mais importante são as consequências a nível de atitudes dos meus miúdos. Isso, a par da tensão que se instala sempre que isto acontece...acabei por ter de passar muito tempo depois a assegurar que o Quico entendeu o que aconteceu mas sem o culpabilizar. 

 

Estas alterações são o pão nosso de cada dia! Assim como as brincadeiras antes das 8h00 para aproveitarem melhor o fim de semana, as diversas habilidades do Quico que insiste em praticar todos os desportos conhecidos, dentro de portas! E as milhentas perguntas sobre os mais variados temas que levantam as mais sérias questões aos sete anos do Quico! coisas como «mãe, onde é que o Passos Coelho guarda o dinheiro que rouba às pessoas?» tal e qual...ou «mãe achas que devo ser militar? os militares são mais importantes que os futebolistas, pois é?». Para além das mais sérias dúvidas existenciais pois ainda não entende muito bem a hierarquia dos nascimentos, pelo que continua a querer pormenores sobre quem nasceu primeiro, mesmo, mesmo primeiro, antes mesmo do mundo, ou seja quem nasceu antes e conseguiu construir o mundo? (claro que, diz ele, foram os trabalhadores, melhor dizendo, os construtores, mas ele gostaria de entender quem foi o primeiro construtor).

 

Ora digam com tanta e tão mirabolante actividade à minha volta, que tempo me sobra para outras coisas? como blogar, por exemplo? 

 

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 14:21

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