A Hiperactividade vista à lupa

Segunda-feira, 29 de Outubro de 2012

 

 

a coisa muda logo de figura...ou por outras palavras, só quando nos toca percebemos o que realmente pensamos

 

 

Aqui na zona muita gente que me conhece sabe, naturalmente da minha (não) situação profissional. Muitos sabem que estou a receber subsídio de desemprego pois estive a trabalhar num local público e portanto muita gente notou o meu desemprego. Obviamente muitos, cedendo ao típico e predileto passatempo nacional de falarem da vida dos outros, ja teceram um ou mais comentários...

Isso nem sequer me aborrece. A minha vida a mim e aos meus, diz respeito, os que estão de fora podem alvitrar o que quiserem e bem entenderem. Mas claro que quando falam diretamente comigo sobre o assunto não me coibo de mostrar o que penso sobre a actual situação de trabalhadora/inserida - desempregada, sem direitos mas com todos os deveres a que me obriga o IEFP para me dar aquilo que por direito tenho a receber - o tal subsídio, ao qual para ter acesso, bastaria em princípio cumprir os requisitos de ter trabalhado e feito os respectivos descontos. 

 

Pois que para muitos, estou a ser mal agradecida. Deveria dar-me por contente por ter sido «inserida». Ao que parece, a maioria concorda que «inserir» sem remuneração uma pessoa só porque ela tem direito ao subsídio de desemprego, é uma ideia maravilhosa do governo para evitar «chulices» dos desempregados ao estado. Já o facto de o estado ter de continuar a pagar o subsídio, mantendo a pessoa desempregada, quando afinal até havia emprego numa instituição, continua a ser um assunto que não interessa aprofundar. Porque na cabecinha da maioria o que é bom é que assim os desempregados não estão em casa, sem fazer nada, a receber o subsídio. Claro que o tipo de trabalho que o mandem fazer, também não interessa a ninguém. Se está ou não preparado, se tem ou não conhecimentos, se deixa de dispor do seu tempo (inclusive para procurar trabalho, pois que a isso está obrigado), se o que lhe dão é uma inserção a termo certo, sem possibilidade de integração no futuro, isso não são motivos de interesse para as tais cabecinhas.

 

Acontece que uma dessas «cabecinhas» que via muitas vantagens nos tais programas do IEFP ficou desempregada. Após anos a trabalhar como administrativa, a cabecinha foi agora «inserida» numa escola. A cabecinha anda agora a limpar vidros e chão, casas de banho e tudo o que faz parte do serviço de uma assistente operacional. Mesmo continuando desempregada, tem de fazer o mesmo que as funcionárias pagas, no horário que foi estipulado, por acaso dificultando a recolha do filho que tem numa outra escola e para o qual tem agora de se socorrer de um ATL (como administrativa trabalhava das 09h00 às 17h30, agora está até às 18h30)

De repente, numa conversa que tivemos num encontro casual no supermercado, percebi que a cabecinha está agora revoltada. Afinal já não vê utilidade alguma nos programas de inserção. E não consegue andar motivada sabendo que nem emprego tem, apesar de estar «obrigada a trabalhar» para não perder o mísero subsídio de 419,22 aos quais ainda terá de descontar os 6% para um dia poder ter reforma {#emotions_dlg.lol} do tempo em que está sem trabalho...estes gajos do governo são uns peritos em ironia!

 

depois da conversa, ainda vim a matutar na tal ideia «engraçado, como tudo muda de figura quando a coisa é pessoal» mas sinceramente, espero que ela consiga ganhar alento, até porque estou a sentir na pele o que é ir todos os dias para um local de trabalho sem qualquer tipo de motivação e sem aquela sensação de recompensa que sentem os que são pagos pelo empenho e tempo que dispendem no serviço que fazem...

 

 

postado energia-a-mais às 09:12

Quinta-feira, 12 de Abril de 2012

 

 

a vida dá umas quantas voltas e deixa-nos de voltas trocadas

 

pensava eu que teria esta semana uma preocupação maior com a reentrada das crianças na escola e com as voltas típicas destes recomeços...mas enganei-me. Foi o avô que nos trouxe uma maior aflição, embora o seu problema de saúde já fosse conhecido - uma úlcera no estômago obriga a cuidados regulares, desta vez um agravamento súbito levou a uma ida às urgencias do hospital, a meio da madrugada de segunda feira. 

 

Como já aqui referi várias vezes, os meus pais fazem parte da nossa vida, são os nossos esteios, suporte familiar mais que querido! a eles recorro com frequência diária e mesmo agora que estou sem trabalho fora de casa (excepto o voluntariado que faço na APCH) e tenho por isso mais disponibilidade de horários, eles permanecem como apoio, quer com as crianças, quer com algumas tarefas caseiras. Por tudo isso este súbito afastamento do avô trouxe muitas quebras na rotina e os miúdos teimam em me fazer perguntas a toda a hora, querem fazer visitas ao meu pai, resistem como podem e sempre com a agitação própria que os carateriza!

 

Agora que as coisas estão a acalmar, não posso deixar de me REvoltar com a situação sentida na pele de quem tem de recorrer a um hospital público e se dá conta da enorme disparidade de valores suportados pelo utente, depois das mexidas deste governo. Fico a pensar nos milhares de portugueses que não tendo posse nem para comer, se deparam com uma situação de doença (que por si só já é debilitante) e acabam por ter de escolher entre comer no dia a seguir ou fazer os tratamentos e exames necessários...o meu pai teve de pagar por exames no hospital mais de 30,00€. Nos bombeiros foram 12,00€ e pelos medicamentos mais de 60,00€...Só para começar...seguem-se consultas no centro de saúde (5,00€) e consequentes exames e seguramente mais medicação. Isto sem contar com as deslocações....

Mas que raio de país é este que caminha para um fundo poço sem fim à vista? como podemos ficar calados perante esta usurpação dos direitos de um estado social? um estado que ainda diz ter proteção social para os mais desprotegidos?!! isto é proteger quem sempre trabalhou, pagou os seus impostos e sempre viveu com o que era seu??!!

Não consigo esconder que não apoio nenhuma destas medidas a pretexto de uma crise que não foram os comuns dos portugueses que criaram. O que me idigna é que nenhuma destas medidas de austeridade são acompanhadas de um reforço das proteções e do desenvolvimento de políticas sociais. Pelo contrário, assiste-se a uma constante tentativa de privatizar bens essenciais e que deveria ser de acesso gratuito por serem o garante de um serviço para todos (não apenas para os que podem pagar). Quer no contexto da saúde, como na educação e no trabalho estamos a regredir e a ficar ao nível da célebre máxima de Salazar «ao povo basta-lhe pão e vinho» de resto que morram ignorantes e analfabetos e de preferência sem chegar à idade da reforma (muito menos antecipada) que é para não dar muito gasto ao estado!!!! porra de país

 

pronto desabafei!!!

 


postado energia-a-mais às 10:42

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

 

já deveria os que me seguem ter perguntado porque não voltaria eu a este assunto...

 

«Os centros de emprego deverão aumentar a colocação de desempregados em 50%, o que implica mais três mil colocações por mês. Por outro lado, as ofertas de emprego captadas também deverão subir 20% até 2013. As metas já tinham sido discutidas antes com os parceiros sociais e foram ontem confirmadas pelo ministro da Economia. Álvaro Santos Pereira falava no final do Conselho de Ministros que aprovou várias alterações ao funcionamento dos centros de emprego. "O Governo conta aumentar em 50% o número de colocações de trabalhadores de desempregados pelos centros de emprego, mais de três mil por mês e assegurar um aumento em 20% do número de ofertas captadas pelos centros de emprego até ao final de 2013", afirmou o ministro. Entre as alterações conta-se ainda o fim de 150 cargos dirigentes nos centros de emprego e formação profissional, o que permitirá uma poupança superior a um milhão de euros. Estas chefias "passarão a desempenhar tarefas técnicas de apoio directo a desempregados", continuou o ministro. Também neste sentido, avança a figura do gestor de carreira que deve acompanhar de forma próxima o desempregado. Além disto, e como já se sabia, prevê-se ainda a reestruturação da rede de centros de emprego e centros de formação profissional, também através de fusões, para a tornar "mais ágil e capaz", explicou Álvaro Santos Pereira. A ideia de todas estas medidas é "dotar centros de emprego da capacidade de acompanhar mais regularmente e de forma mais eficaz o desempregado para que possa regressar mais rapidamente ao mercado activo de trabalho", explicou o governante. Isto numa situação em que o desemprego atingiu um "nível recorde", atirando o País para uma situação "de emergência nacional", que exige "fazer mais e melhor". O Governo salienta que o serviço público de emprego "tem de ser mais eficiente, ter uma lógica de funcionamento que promova um acompanhamento mais regular, mais próximo e mais eficaz do desemprego", o que exige mais coordenação. "Os técnicos que lá trabalhem têm que estar mais motivados, mais focados no objectivo essencial, que é acompanhar de perto e a fundo a situação de cada desempregado e encontrar colocação dentro das ofertas disponíveis para estas pessoas", afirmou Santos Pereira. Prevê-se ainda a modernização do sistema de informação dos centos de emprego, para "facilitar o procedimento de colocação de ofertas de emprego no portal netemprego" e permitir "a criação de um registo electrónico público de todas as ofertas de emprego captadas pelo IEFP". O Governo recordou outras medidas que incentivam o regresso ao mercado de trabalho, como é o caso do Estímulo 2012, já no terreno, e a possibilidade de acumular o subsídio com parte do salário, já anunciado. Álvaro Santos Pereira confirmou que estas são algumas das medidas que o Governo vai apresentar na Cimeira Europeia, no início de Março.»

 

Esta noticia teve pelo menos o efeito de me fazer rir à gargalhada! não fosse eu ter a noção de que a realidade nada tem a ver com esta propoganda e acharia tudo isto hilariante...mas depois de me passar o ataque de riso de ver um membro do governo a fazer semelhante «figura de urso» não contenho a minha amarga e realista visão da coisa - infelizmente (para quem me lê bem sabe) bem realista!!

Assim que entrei no mercado de trabalho sempre aproveitei os recursos disponibilizados (até porque na altura ainda acreditava...) e logo me inscrevi num centro de emprego - quantas vezes fui chamada em 12 anos? tirando a última vez em que de facto depois de encontrar a vaga na clínica para a qual fui trabalhar, ter ido ao centro de emprego para formalizar a contratação (por desempregado de longa duração, o empregador tem alguns incentivos), fui chamada zero vezes - zero...

Aliás para alguém como o sr. ministro que não sabe da realidade, eu explico - quando nos inscrevemos temos de ser nós a informar o centro de emprego que encontramos trablho ou estágio e que gostariamos de ser chamados a entrevista, para quando coincidir o termos encontrado algum empregador que tenha lançado uma oferta no centro de emprego, conseguir-mos uma oportunidade....na última sessão para estágios profissionais a que assisti (semana passada) a orientadora lá explicou que assim que estagiário encontrar empresa disposta a aceitar o estágio, esta deve formalizar a candidatura para que já proponha o nome do estagiário pretendido - em altura alguma do processo o centro de emprego procura e seleciona um possível estagiário...

Outra coisa interessante da propaganda feita pelo sr. ministro é dizer que serão feitas cerca de 3 000 colocações por mês porque essas foram as metas definidas - será que as metas foram avisadas??? é que fecham mais de 3000 postos de trabalho por mês, não estou a ver bem como e onde é que as metas vão lá colocar outros 3000....

O portal netemprego existe há muito e não passa de um portal desatualizado e com meia dúzia de ofertas que por norma já foram preenchidas....o portal permite por exemplo (em teoria) ver as ofertas colocadas e aceder à gestão de um curriculo para promover a proximidade com as entidades empregadoras - se funciona??? claro que não, portanto essa «novidade» o sr ministro escusava de a dar...

E a ideia do gestor de carreira do desempregado??? bem confesso que até as lágrimas me saltaram de tanto rir - tou mesmo a imaginar-me de manhãzinha a acordar e a ligar para o meu gestor de carreira «bom dia sr gestor então que ofertas tem para mim hoje?»

 

Ora tirando a parte da estupidez, estou desempregada desde 31 de dezembro e desde erros por causa dos quais (sem culpa alguma) continuo sem receber qualquer subsidio até à saga das apresentações, continuo na mesma - sem perspetivas. Dos oito curriculos e três anúncios de emprego a que me candidatei (nunca nenhum através do centro de emprego mas por por procura minha) tive esta semana duas respostas - uma para me dizerem que a minha idade (mais de 35 anos) já não me permite a candidatura...a outra para me dizerem que agradeciam o envio do currículo mas que de momento não estavam a precisar de ninguém (foram educados ao mandarem-me o email).

Resta-me o envolvimento a 100% nas atividades da APCH para não me deixar abater muito e confesso que o poder ter net gratuita (isto porque vivo numa zona de rede aberta, frente a um edificio público) me ajuda, pois pelo menos não estou a pensar nos custos de teclar mais tempo....

 

postado energia-a-mais às 08:58

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

 

 

Pois então lá continuo eu dando provas da minha via direta para o IEFP

 

Depois de uma manhã perdida em que me acabaram por dizer que tinha de entregar em papel um modelo tal, tal...regressei ao centro de emprego e enfrentei a mesmíssima fila de gente. Estive até às 09h45 para obter a senha de acesso, para, por volta das 10h00 uma funcionária avisar o pessoal de que estavam «sem sistema» informático. Portanto a tal funcionária que não podia garantir um regresso à normalidade, aconselhava as pessoas a aguardarem mais algum tempo antes de decidirem o que fazer....A maior parte das pessoas acabou por ficar à espera e com muita paciência (receando certamente ter de voltar noutro dia) e foram sendo atendidos em conta gotas (agora temos sistema - opss, já não temos outra vez...isto toda a manhã!!!) Para cúmulo, quando chega a minha senha, o sistema colapsa novamente e dessa vez pediram-nos para regressar-mos apenas depois das 14h00...

 

Munida da minha mais santa resignação voltei então depois de almoço. Confesso que a lógica do atendimento me escapa completamente. Alguem percebe porque é que para um único assunto (requerimento subsídio) é necessário passar por três mesas diferentes?! ainda por cima na primeira mesa parece que apenas se destina a confirmar que ali estamos, para fazer um requerimento de subsidio....na segunda somos atendidos por um técnico de emprego que nos pede informação sobre experiência profissional e atualiza a nossa inscrição, colocando os nossos interesses em termos de trabalho, supostamente para depois sermos orientados da melhor forma, na procura de emprego.

A terceira mesa destina-se a preenchimento de papelada para a segurança social e tambem nos é fornecida uma data para uma sessão de esclarecimento e entrega de documentos do IEFP, nomeadamente a nossa obrigação em procurar emprego e aceitação das condições de acesso.

 

Agora tenho de me começar a apresentar periodicamente na junta de freguesia, sendo que estou também obrigada a fazer pelo menos a entrega de um currículo semanal, como prova de que estou ativamente à procura de trabalho....

 

Por enquanto aguardo que me dêm resposta sobre se vou ter ou não direito a receber prestações de subsídio de desemprego, coisa que deve demorar aí uns dez dias (segundo me disseram pode ser mais...) e que deverá acontecer por carta ou via e-mail dado que tenho senha da segurança social direta. 

 

postado energia-a-mais às 10:28

Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

 

 

tal como prometido cá vou relatando a minha saga no duro percurso de desempregada recente

 

Comecei a tratar da papelada junto do IEFP para poder requerer o subsídio de desemprego, uma vez que é precisamente para isso que existe um sistema social de proteção....ainda existe, certo? é que não ouvi os noticiários da noite....todos os dias regras novas....

Bom, pelo menos parece que tenho direito a algum tempo de ajuda que permite estabilizar financeiramente o desiquilíbrio que a minha condição de desempregada gerou...No entanto para poder iniciar esse processo é obrigatória a inscrição no centro de emprego, apresentar os documentos comprovativos da minha situação e estabelecer um compromisso de «procura activa de emprego» - juro! é que não podiam ter escolhido melhor frase!!!

 

Cá vou eu então, dia 1 da minha aventura, decidida a «aguentar» com os obstáculos habituais, os que ouvimos falar todos os dias - looooongas filas e muuuuita burocracia!

Confesso - não pensei que as filas fossem tão loooooongas e quanto à burocracia - é de gritos!!!!

Então primeira constatação: as pessoas vão pela madrugada para a porta do IEFP - tipo 6H00 da matina....Qualquer dia fazem direta com sacos cama e termos com café...Quer isto dizer que pelas 8h30 já a fila ia bem longa e o centro só abre às 9H00. Portanto até chegar à fase de triagem das senhas cedidas pelo segurança (tendo em conta o assunto) tive de aguentar mais hora e meia...

Segunda constatação: a unica forma de «fintar» a fila é ser-se cigano/romeno ou de outra etnia que implique muita criançada aos berros, roupas a cheirar mal e tosse cavernosa - esses foram chegando já bem mais perto das 10h e sem qualquer pudor, foram atendidos com prioridade....acreditam que entravam aos pares com um bando de putos e quando saiam esses, entravam outros com os mesmos putos a reboque?! 

Terceira constatação: nunca se deve confiar na triagem - a maior parte das vezes ela é enganadora e a primeira senha que nos dão não serve para nada a não ser esperar mais um par de horas....

 

Depois de me terem dado a senha correspondente ao assunto a tratar e me terem garantido que tinha os documentos necessários (comprovativo da cessação de contrato feito pela entidade patronal e entregue através da net no sítio da segurança social, bem como documentação pessoal) lá fico entre as mais de quinhentas pessoas do dia (a minha senha: 510) e aguardo...e aguardo...e aguardo...a manhã inteira. Até que passa a manhã e continuo a aguardar...e mais um bocado...até às 13h00. Finalmente a senha 510 pode dirigir-se à mesa 2.

 

Nova constatação - a burocracia existe mesmo! A funcionária olha para o tal comprovativo e diz «isto está mal» quê??? será que ouvi mesmo isso??? estarei a alucinar depois de tanta hora de espera?? Não, não ouvi mal. Ela diz que aquele papel não tem as informações necessarias - data de fim de contrato (?) mesmo que esteja lá mencionada...porque não pode ser aquele papel...tem de ser o modelo 4055. Que tem as mesmas informações mas é um papel...não é um comprovativo de entrega pela net....Mas e então porque é que no Guia fornecido pelo IEFP diz que a entidade patronal pode entregar através da net o comprovativo da cessação de contrato se depois o IEFP não aceita esse comprovativo???!!! A funcionária não sabe...a funcionária só sabe que tem de ser o modelo 4055 em papel, com a assinatura e carimbo da entidade patronal e com a tal data que comprova que já lá não trabalho desde....

Mas então porque é que no modelo 4055 vem a informação de que aquele documento pode ser entregue pela entidade patronal através da net, sendo dado ao trabalhador uma cópia comprovativa? ou seja, aquilo que eu levava...A funcionária não sabe mas acha que o tal comprovativo não comprova nada...por isso tenho de levar à antiga entidade patronal o tal modelo para eles assinarem e carimbarem e só depois poderei ser atendida. Para o que terei de tirar nova senha...e a saga continuará assim que lá voltar!!!

 

 

postado energia-a-mais às 09:09

Segunda-feira, 07 de Novembro de 2011

 

 

cá estamos nós, na epoca dos bombardeamentos publicitários a apelar ao consumismo infantil....

 

Mesmo com a Dª Crise a pairar agoirenta sobre os papás tugas, a verdade é que me parece que ela não os conseguiu afastar das compras de mais esta e aquela «bugiganga» imprescindível ao bem estar dos tuguinhas mais novos...e aos anúncios cada vez mais (im)pressionantes, respondem os papás com mais e mais pressa - que afinal para quê esperar já que o subsídio não vem - atarefadíssimos na procura do tal e único objeto que irá regalar o natal dos miúdos (ainda que o tal seja sempre o que não se tem e portanto a satisfação irá durar pouco...)

 

Este fim de semana - mais um daqueles em que tivemos a visita relâmpago do papá e por isso aproveitamos para dar aos miúdos enérgicos da casa, o tempo e atenção que tanto precisam, notou-se uma azáfama tão grande no ar que até o Quico perguntou se já era natal...Isto porque passamos por casa dos avós e como eles vivem mesmo ao lado duma grande superfície, quase que tinhamos de deixar o carro em nossa casa pois não tinhamos lugar para estacionar, tal era a movimentação ao redor do centro comercial. A Dª Crise? bem, não a vi por lá...pelo menos a julgar pelos sacos cheios e já com embrulhos que muitos dos que de lá saíam levavam nas mãos.

 

talvez os meus miúdos estivessem distraídos com o papá e com as infinitas aventuras que assim podemos viver a quatro, a verdade é que nem sequer colocaram a hipotese de espreitarem o tal cc. Ainda bem, pois a resposta teria sido um redondo não. Passar um domingo a escolher brinquedos e ofertas de natal com os miúdos ao lado é impensável...

 

Mas claro que em casa, os anúncios também se notam - por entre cabriolas e piruetas, conseguem reter coisas como «as pistas da hot weels», o jogo dos «caça fantasmas», os novos jogos para as consolas e milhentos outros que invariavelmente acham incríveis, bué de fxes, muito... tipo, sei lá! fabulosos... desde que de rapazes, embora os de «meninas» tenham alguma piada (não para eles mas para a mãe, dizem eles...)

 

Gerir todo este entusiasmo não é nada fácil. Para os miudos impulsivos como o Rafa que quando quer alguma coisa, não pede, não espera, mas corre porta fora com ela, é um autêntico martírio tentar passar esta fase sem crises...como é que alguém consegue aguentar mais de um mês de intenso bombardeamento sem ficar com cabeça à roda?! porque é que as empresas de brinquedos começam o natal cada vez mais cedo? irra!

E tentar com que eles (principalmente o Rafa) se decidam? sim porque apenas uma prenda poder ser escolhida (outros familiares oferecem sempre alguma coisa, não acho necessário encher os miúdos de prendas). Uma prenda que depois o Pai Natal em conferência com os pais, verifica se podem mesmo receber (esta versão só resulta com o Quico claro...e nem podemos falar disto em conjunto pois o Rafa logicamente estraga toda a magia com um pragmático «dahh! o Pai Natal não existe...se existisse estava tão velho que teria morrido, ninguém tem 2000 anos!!!»)

Este ano mais ainda, já avisei que tem de haver muito juizo nas escolhas, evitar comprar por comprar, não desperdicar. Sempre tive o habito de os levar a um centro de acolhimento para deixarem alguns brinquedos para esses meninos e este ano já lhes disse que temos de ser ainda mais solidários.

 

se bem que juízo foi coisa que não vi este domingo, sobretudo nos adultos...por isso vou arriscar dizer que afinal esta 

 

 

já levou a melhor sobre a Dª Crise!!!

 

imagem tirada da net

 


postado energia-a-mais às 09:07

Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

 

fico atordoada quando leio notícias destas, cada vez mais «correntes» e que parecem querer justificar o estado a que se está a chegar no nosso país...

 

Jovem encontrado morto em lar depois de conhecer castigo

Tragédia ocorreu no dia em que soube o castigo que iria ser-lhe aplicado pela escola

 

«A Câmara de Peniche vai pagar o funeral de Mauro António, o jovem de 16 anos que morreu, anteontem à noite, no lar de acolhimento de Fafe onde estava institucionalizado, e pouco depois de ter conhecido o castigo a ser-lhe aplicado pela escola que frequentava.

O jovem, natural de Angola, residia em Peniche com a mãe, o padrasto e três irmãos, até a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) local ter optado pelo seu "acolhimento institucional" no Lar de Jovens do Centro Social de Revelhe, em Fafe. Cláudia Oliveira, directora técnica do lar onde vivem cerca de 30 jovens, confirma a morte, no interior do lar, "em condições trágicas ainda a serem apuradas". Também Clara Abrantes, presidente da CPCJ de Peniche, diz que a causa da morte não está ainda explicada. Fonte próxima do processo indicou ao JN, porém, que o jovem se terá enforcado com um cachecol.»

 

esta, noticiada pelo JN de hoje, na mesma edição em que se dava conta de que as crianças «em risco» institucionalizadas, irão ficar sem educadores e passarão a ser tratados apenas por auxiliares...porque não há dinheiro para manter esse projeto, estes profissionais contratados por instituições a trabalhar com crianças em risco e que não dispunham nos seus quadros efetivos de técnicos especializados (ou não os tinham em número suficiente) estão a ser despedidos e as crianças passam a contar com muito menos apoio e em alguns casos deixam de ter alguém especializado nessa delicada área da educação....

Estamos a falar de crianças retiradas às famílias e que já sofreram todo o tipo de abusos e que são deixadas em instituições ao cuidado de funcionárias sem preparação para lidar com os traumas e problemas inerentes a este tipo de criança...

 

isto é REVOLTANTE! é assim que este país prepara os futuros adultos?  corta-se a torto e a direito para agradar à «troika» e cumprir os requesitos exigidos...para quê? é que segundo especialistas da área nós estamos ficar em riscos ainda maiores...

 

 

«O risco de conflitualidade está a aumentar em Portugal com o agravamento das medidas de austeridade e a surdez dos governos perante os protestos das populações, defendeu, esta quarta-feira, o sociólogo Paulo Pereira de Almeida. (...)

Os governos assumem que as pessoas têm o direito de protestar, mas mantêm as políticas. O que adianta sair à rua se não somos ouvidos", questionou o sociólogo, manifestando-se preocupado com o agravamento de medidas de austeridade previstas para o próximo Orçamento de Estado (OE) que vai ser apresentado ao parlamento até segunda-feira, dia 17.»

 

não me admira nada que a conclusão seja esta

 

Portugal está em risco de deixar de existir como país....

 

O sociólogo António Barreto admite que Portugal deixe de existir como estado independente dentro de algumas décadas e esteja integrado noutro modelo europeu.


«É possível que Portugal, daqui a 30, 50, 100 anos não seja um país independente como é hoje», disse o investigador à agência Lusa, admitindo que o país surja integrado «numa outra Europa», com outra configuração, com outro desenho institucional e político que não tem hoje. sic/ SOL

 

 

Coisas que mexem com as minhas «entranhas»....bolas!!!

 

 

postado energia-a-mais às 11:12

Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

 

 

porque vou aproveitar este post para falar de dois assuntos do dia

 

O Rafa tem teste de língua portuguesa. Como sempre fez uma daquelas crises de ansiedade e durante o final do dia de ontem, segunda feira, noite e manhã de terça, esteve em «alta pressão»

 

penso que já vivi momentos de difícil controlo, que à maioria dos pais podem parecer até «impossíveis»...mas sempre que acontece um episódio desses, continuo a ficar surpreendida com a intempestividade, com a impetuosidade e com a impulsividade do meu rapaz. Quando estava a tentar ajudá-lo a sintetizar o estudo, de modo a fazê-lo rever a matéria, tive muita dificuldade em conseguir prender a sua atenção. Estava disperso, ainda cheio de genica, querendo como sempre fazer muita coisa ao mesmo tempo, chegando ao cúmulo de sacudir o irmão para se sentar ao pc, com a psp ligada, mudando ao mesmo tempo de canal de tv e com todo o material escolar espalhado. Ora estímulos a mais, atenção a menos, toca de o chamar à atenção «que não queria estudar mais, que não podia estudar a noite toda, que estudava como queria, eu não o podia obrigar...» ainda tentei levar a coisa na calma, brincado com ele, usando exemplos da matéria para lhe dizer que «estudar dez minutos com atenção pode ser o mesmo que para outros meninos, estudar uma hora..» continuou a fazer orelhas moucas e não me ligava absolutamente nada...

Acontece que no escritório estava uma viola (que lhe pertence) e que o Quico de repente, talvez porque previa tempestade, se lembrou de ir buscar...a reacção do Rafa foi - tempestuosa!

 

Brutal, sem lógica, como se da viola dependesse a continuidade do mundo...De repente nada mais importava, tudo era secundário! tive de usar força claro, não se consegue pará-lo ao soco e pontapé mas também não se pode deixar que ele use a força descontroladamente. Por norma costumo pegar-lhe por um braço até o obrigar a olhar para mim, desviando-o de quem (ou do que) ele esteja a esmurrar. Ainda saíram algumas palmadas mas a fúria foi morrendo aos poucos e depois de uma crise de choro, foi acalmando. Tirei-lhe a psp e desliguei-lhe o pc, deitei o Quico, fiz-lhe chá para «acalmar» as dores de barriga e fizemos uma revisão da matéria, não como precisava mas deu para esclarecer algumas dúvidas.

Ainda se queixou de muitas dores de cabeça e apesar da medicação da noite, o sono foi tardando. Mas fiquei com a ideia de que estava mais aflito do que o normal, talvez porque tenha percebido que não estudou grande coisa...pelo menos espero que assim o entenda e que pense bem da próxima vez...

 

 

...e mudando de assunto aproveito este post para deixar um beijo especial ao meu querido sobrinho Salvador que hoje faz dois aninhos

 

Parabéns meu lindo

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:12

Terça-feira, 07 de Setembro de 2010

 

 

ser sucinta! mas se de repente aparecer um post assim para o extenso....

 

não se assustem!

 

para contar o que se passou connosco no fds passado, mesmo com boa vontade, tenho de fazer um texto longo!

 

Conhecem o conceito da tragi-comédia?

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A tragicomédiaé um subgênero teatral que alterna ou mistura comédia, tragédia, farsa, melodrama, etc...

 

Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), no primeiro capítulo da Poética (1,6), faz uma aproximação entre a tragédia e a comédia, mostrando que ambas se servem dos mesmos meios - mesmos ritmos, cantos e metros. Mas é provável que Plauto (254 a.C.-184 a.C.) tenha sido o primeiro a empregar a palavra "tragicomédia" definindo-a como um gênero híbrido de comédia e tragédia, conforme explica através do personagem Mercúrio, no prólogo, de sua peça Amphitryon:

"O que é isso? Vocês franziram a testa porque eu disse que ia ser uma tragédia? Sou um deus, e posso mudá-la; se vocês quiserem farei da tragédia uma comédia, com os mesmos versos, todos eles. Querem que seja assim ou não? Mas que bobo que eu sou! Como se eu não soubesse o que vocês querem, eu que sou um deus! Sei o que existe na cabeça de vocês a respeito disso. Vou fazer com que seja uma peça mista: com que seja uma tragicomédia porque não acho certo que seja uma comédia uma peça em que aparecem reis e deuses. O que vou fazer, então? Como também um escravo toma parte nela farei que seja, como já disse, uma trágico-comédia." (PLAUTO, Amphitryon, 52-63).[1]

Essa mistura ou alternância de estilos ocorre em várias peças gregas e romanas, como o Alceste [2] de Eurípides (c. 485 a.C.-406 a.C.), que, em razão do seu "final feliz" e pelo tom levemente humorístico de algumas passagens, é vista por alguns eruditos como um drama satírico ou uma tragicomédia - mais do que como uma tragédia.

 

 

Esta é a minha visão do fim de semana, depois do relato deixem a vossa...

 

Durante todo o dia de sábado, tive de aturar um Rafa cada vez mais saltitante, diria euforicamente saltitante, com a perspectiva do novo ano escolar. Ele por norma é sempre «saltitante»  mas desta vez, ele juntou todo o novo material escolar para companhia! passou a andar de mochila às costas para todo o lado e mesmo com ela cheia, dava saltos, fazia piruetas, jogava psp, salti-comeu, salti-lavou cara e dentes, etc...

 

Entre a azáfama de tentar manter a casa funcional e os bruscos modos do Rafa para com o mano, andei num rodopio, atenta contudo ao mais novo que consegue cada vez mais proezas em menos tempo. Deixo exemplos - minutos: não mais de 3; local: casa de banho; estragos: vários cremes e pinturas abertos e espalhados pelo corpo, chão e espelho, sabonete na sanita, papel higiénico desenrolado...

 

Estive muitas vezes em exercício de respiração a fim de acalmar o meu estado de nervos, alternando com inúmeros «ataques» de limpeza frenética a tudo o que eles iam sujando...a meio da tarde reparei que cada vez que o Rafa ia à janela da sala, fazia caras de horror, ao que aliava gritos estridentes, muitos gestos e uma série de corridas pela casa, seguido pelo Quico que não sabendo o que se passava, também gritava, gesticulava e corria mas sempre perguntando «que é mano? que é?»

 

Ora quando dei conta de que a coisa estava descontrolada e o Rafa ameaçava vomitar no chão da sala, resolvi investigar. Olhei para baixo, para o terraço e deparei-me com uma visão macabra...

Já vos falei aqui de uns vizinhos do terraço que mantinham dois cães negligentemente, sem qualquer assistência...pois o alvoroço do Rafa era porque viu duas enormes poças de sangue, no chão junto a um dos cães...Verificamos que o cãozinho mais novo estava em agonia, deixando sair sangue em vez de fezes...um terror! Ora segurar os meus rapazes foi um suplício, o Quico porque queria ir salvar o cãozinho, o Rafa porque tem tanto pavor de sangue que não parava de gritar histericamente!

 

Ainda fui a casa da vizinha de cima para que fosse comigo ver o que se passava, cada vez havia mais sangue...por onde o cão se arrastava. Tocamos imensas vezes à porta mas ninguém nos atendeu, fiz umas chamadas para contactos da protecção animal aqui da zona mas pelos vistos, ao fds não funciona... Assistimos à agonia do pobre bichinho sem poder fazer mais nada a não se deixar uma nota escrita por baixo da porta, avisando os donos que tinhamos conhecimento e ou tomavam medidas ou tomávamos nós (isto ainda não acabou, o cão foi retirado pelo senhor da limpeza na segunda feira de manhã, o chão foi limpo também nessa altura, dos donos nem sinal, nem esclarecimentos alguns...)

 

Claro que foi um martírio acalmar os miúdos e a hora do jantar e do deitar, por norma sempre agitadas, foram ainda mais «doidas». O Rafa quando está muito nervoso, tem hábitos característicos de algumas patologias de que sofre e costuma bater com a cabeça nas paredes, arranhar-se ou mandar murros na barriga, assobiar, correr e tem ataques de riso descontrolado, prolongados. Ora estão a ver o filme? O Quico acaba quase sempre por imitar o irmão na maior parte das coisas...portanto! casa «caotica», noite daquelas!

 

Domingo, tinha jurado a mim própria (depois do alucinante domingo anterior) que jamais ficaria em casa. Mas sabem quando o instinto nos diz uma coisa e nós teimamos em fazer outra?

Combinei com os meus pais sair no fim de almoço e pensei num local, não muito longe, onde existem uns museus abertos ao domingo - Arouca. Onde também se comem unsdoces maravilhosos! Mas de manhã o meu instinto dizia-me para me deixar ficar por ali mesmo, talvez apenas almoçar no shopping, antes do horário de «enchente», evitando confusões, optando por voltar a casa depois e tentar levar os dois até aos escorregas. E porque é que não segui o meu «sexto sentido?»...poisssss! devia...mas acabamos por fazer como estava programado.

 

O que dizer da viagem? hummmm, bem pois, sabem aqueles anúncios tipo «alucinante viagem pelo mundo de...»? Foi uma alucinante viagem, pelo mundo da hiperactividade...O Rafa estava tão eléctrico que não consigo descrever a quantidade e tipo dos disparates. Para além de ir em acrobacias impressionantes dentro do carro...Quando começou a fazer da avó uma vítima, puxando-lhe os cabelos, beliscando, empurrando o banco com os pés, já não havia condições para seguir viagem. Entramos então na espiral «ele diz, nós dizemos o contrário, ele diz novamente o contrário de nós, nós dizemos o mesmo que ele, ele contraria-nos...» Assim: ele «vamos embora!» nós «agora não, prometemos ao Quico ir passear, vamos até Arouca!» ele «não quero, quero ir embora, para casa!» nós «está bem, então vamos virar» e viramos mesmo, ao que ele grita «não, vamos até Arouca!». Percebem?A coisa resulta, o problema é que fizemos isso quatro vezes....até Arouca! De uma das vezes tive de usar a táctica de recurso, quando digo «ou páras de mudar de ideias, ou eu saio do carro...» ao que tive de juntar ao discurso, a prática! e sim, demoramos uma «eternidade» a chegar ao local...

 

depois lá veio o instinto avisar - não entres aí com eles! Ora não sei explicar porque me lembrei de visitar o Museu de Arte Sacra de Arouca! Pois, Arte Sacra...

que dizer da visita? bem, foi uma visita guiada, com «guia» mesmo - uma senhora já não muito nova, daquelas com discurso decorado e treinado por muitas visitas a guiar turistas de alguma idade, estudantes interessados ou profissionais da matéria...A senhora não estava preparada para dois putos como os meus...nem ela, nem ninguém!

Enquanto ela enumerava os valiosos objectos expostos (alguns peças únicas dos séc. XVI, XVII ...) eu só pedia a Santa Mafalda, padroeira lá do sítio que não me fizesse cair em desgraça...

Ora eles é que não queriam saber de preces! num grupo pequeno (além de nós, três casais e uma senhora, todos acima dos 50...) não havia maneira de não serem notados. Ainda mais porque durante o percurso guiado e enquanto a senhora, parando e apontado, debitava «este é um valioso tapete, peça única da Índia, datado do séc. XV, oferta ao rei tal, tal....»o Rafa ia gritando «dás-me este tapete?»enquanto saltava à frente dela...e o Quico ora gatinhava aos pés da senhora, imitando gatos e cães, ora corria esbaforido para se lançar para cima de uma cadeira do séc. XVII, gritando «vou dormir uma sesta!».

Foram várias as vezes em que tentamos desviá-los das atenções mas as emendas eram sempre piores...tipo «olha Quico, vês esta estátua, é um santinho, o S.Tiago» ele«é um bombeiro mãe?» porque achou semelhança entre uma lança do santo e uma mangueira (!) além de que avistou um quadro que retratava o incêndio que destruiu o antigo mosteiro...e embora eu lhe diga «não é bombeiro mas ajudou a apagar fogos...» ele continua a gritar por cima da voz da mulher «é bombeiro, sim! é um bombeiro, sua vaca!» Ou quando a minha mãe dizia ao Rafa «olha querido, vês a santa Mafalda? pede-lhe uma coisa boa...» e ele «olha pede tu, isto não presta para nada...»

 

para cúmulo, a certa altura, os dois começaram a empurrar a senhora, com frases do tipo «ai...isto não acaba?» e «vá, lá despacha-te, não precisas explicar tudo!»

Penso eu que a visita terá demorado menos do que o normal, pois quase corríamos atrás da senhora, enquanto ela só apontava, já sem parar  «ali eram os claustros, onde as noviças....»

 

Quando a visita acabou, eu só me imaginava sentada numa esplanada, bebendo algo fresco para arrefecer as ideias, só que o Rafa iniciou o «round» dois! Quando fiz a pesquisa na net, tentando pormenores do dito museu, ele, em cima de mim, apercebeu-se de outro museu na zona. Segundo a descrição, um museu de trilobites, animais pré-históricos do tempo dos dinossauros, descobertos naquela área e que acolhe os fósseis dos ditos...E o que é que o Rafa reteve desta informação? Fosséis, dinossauros...bem lá no meio, andava a tal trilobite...que ele julgava ser assim um nome, técnico! e a possibilidade de escavar...

 

Ora, trata de perguntar  à senhora da bilheteira da Arte Sacra, o local, trata de «birrar» que temos de ir e nem o instinto me valeu! Dez quilómetros e muita curva depois, lá estávamos a parar no Museu das Trilobites de Canelas (Arouca).

Primeira desilusão - era uma minúscula casa de ardósia, no meio de uma escarpa de ardósia, algures nas ardósias da serra...Segunda desilusão, não era permitido ver as escavações...

 

Sempre imitado pelo irmão, o Rafa desata a disparatar sob o olhar recriminador da senhora na entrada que só dizia «haaaa, não podes falar alto, então isso são maneiras? olha, tens de ficar quieto!»

Finalmente quando saiu o grupo (família) que estava a fazer a visita antes de nós, iniciamos por uma salinha onde era suposto ver-mos um filme para perceber quem eram as Trilobites, como foram encontradas e a importância da recolha dos seus fósseis...Completamente descontrolado pela frustração de nada daquilo ter a ver com dinossauros, o Rafa limitou-se a estragar qualquer possibilidade de visualizar o filme, pelo que passamos rapidamente pela mini exposição dos bichos fossilizados (onde se inclui a maior espécie do mundo encontrada até agora...) e saímos em passo de corrida,perante o olhar agora de absoluto espanto da tal senhora que referi...tempo total da visita - 10 minutos...

 

A parte pior ainda estava para vir...totalmente inconsolável e caindo na típica agressividade pela qual descarrega a energia-a-mais, o Rafa insistia que tínhamos de ir lanchar, o que se tornava difícil dado que só na povoação principal existiam sítios para isso...como não conseguia satisfazer essa necessidade no imediato vingava-se, rasgando o tecido do banco do carro com um pedaço de ardósia que trouxera, batendo com os pés em toda a gente, gritando e berrando tanto que nem era possível ouvir-mos os próprios pensamentos...

 

Cansado de o mandar parar com aquilo e por causa dos estragos no carro, o meu pai às tantas, parou bruscamente, abriu a porta traseira, agarrando-lhe as pedras para as jogar fora. A cena é indescritível - avô e neto em total momento de pancadaria, a minha mãe aflita com os dois, eu tentando parar os três e o Quico coitado assistindo a tudo...Valeu que estas situações não são desconhecidas para nós e por isso, em vez de continuar até uma qualquer tragédia, resolvemos fazer como no reiki...Deixar a energia fluir, respirar lentamente, manter a cabeça no lugar, fiz o Rafa entrar no carro, pedi desculpa aos meus pais, perguntei ao Quico se estava bem e obrigamo-nos a seguir viagem... 

 

Chegamos mais mortos do que vivos, até porque ainda nos vimos em apuros quando, numa localidade aqui perto a polícia nos apareceu pela frente (o que daria por certo um outro post, caso nos tivessem mandado parar).

Depois de tudo o que se passou e quando a noite já ía «entradota», o meu filhote, por entre lágrimas de arrependido (sinceras mas infelizmente de curta duração) lá me dizia «sabes mamã, eu até me quero portar bem! mas não consigo...não sei porquê...»Pois....mas eu sei, filho, um dia também vais entender e conseguir sozinho dar a volta...e só por isso, a mãe acaba a noite a rir com as aventuras do hilariante «madagascar», entre voçês, mãos entrelaçadas, momentos tão fugazes que temos de aproveitar ao segundo...

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:08

Domingo, 06 de Dezembro de 2009

muitos dos comportamentos do Rafa

 

sei o que os pode despoletar, embora ainda esteja longe de os entender a 100% - acho que ninguém o poderá saber dessa forma...mas pelo menos percebo porque tem certas atitudes que para muitas pessoas são sinónimo de indisciplina ou má educação

 

Eu podia dar explicações absolutamente correctas para que «os outros» vissem os porquês e entendessem as razões de certos momentos que parecem de loucos...e muitas vezes até o faço!

Quase sempre em público, quando as crises são graves e não podem ser «ignoradas» eu lá avanço com os conhecimentos de  causa e explico para que não seja olhado severamente, nem julgado pelas aparências...mas outras vezes, seja pelo desgaste, seja pela raiva da altura ou simplesmente por falta de tempo, acabo por deixar de lado as explicações...

 

não levo os meus filhos muitas vezes para locais propícios ao despropósito da implulsividade - sei da dificuldade em os controlar e entendo que os devo preservar da mesquinhez e da insensibilidade de alguns e mesmo da instabilidade desses locais públicos. Por isso, para nós, ir a restaurantes, shopping ou locais de culto (igrejas e festas por exemplo) só em ocasiões bem planeadas e quando acho que o benefício de uma saída compensa o risco...

Quando o faço, ponho os miudos ao corrente algum tempo antes (mas não demasiado para não fazer subir a ansiedade) e digo-lhes o que é esperado acontecer - isso é muito importante porque o enfrentarem algo fora da rotina sem saberem o que esperar, tem um efeito tremendo. Posso dar o exemplo do café - quando quero ir tomar um simples café e tenho de levar o Rafa (e agora o Quico) necessito de lhe dizer claramente o que pode fazer enquanto eu tomo café, tenho de o verbalizar «a mãe vai tomar café, tu podes tomar um pingo - quando chegar-mos sentas e esperas que nos atendam e pedes o teu pingo» Se o não fizer, arrisco a não o conseguir levar ou então, assim que entra no café é certo que fica desatinado e faz o que lhe passar pela cabeça - vê tanta coisa que quer tudo, mexe em tudo e nunca espera pela sua vez...

 

Disse ao Rafa que ía ao shopping - sim, depois de tantos dias em casa e sem alternativa viável por causa do tempo e da dificuldade em levá-los de carro, tinha de sair para arejar as ideias e deixar gastar alguma energia...

Eles iam entusiasmados para experimentarem as máquinas de jogos que estavam junto aos cinemas e claro, comer no shopping

 

E quando as coisas não acontecem como o esperado? as máquinas não estavam em funcionamento, algo que não foi nada fácil de explicar ao Rafa. Completamente frustrado e sem saber gerir essa frustração de outro modo, ele virou-se a mim. Junto à entrada para as salas de cinema e perante os olhares (e os comentários) de quem lá estava, saíram murros e pontapés e muitos gritos à mistura. Palavrões, chutos ao avô e empurrões a toda a gente...Perante o alarmismo do Quico eu quis levá-los para outra zona e tentar distraí-los mas o Rafa estava tão fora de si que demorou imenso tempo para aceitar ouvir...

Finalmente levei-os para a zona da restauração, ele como sempre foi o primeiro a chegar e quis fazer o pedido. Tão agitado que subiu para o balcão e foi alvo de muitos reparos de adultos esfomeados e tensos ou com alguns complexos, pelo menos a julgar pela forma como falavam para ele. Lá dei algumas (poucas) explicações e consegui que o atendessem. Depois de uma troca de menus e com o empregado baralhado o Rafa trouxe o que não queria - não queria queijo, veio com queijo...Já a reacção destemperada levou os seguranças a virem ao local - pão, alface e tomate pelo ar, gritos, pontapés e muita confusão, ele corre até ao balcão e faz novo pedido... e traz novo pão que acaba por fazer companhia ao primeiro pois a essa altura já nada era importante e o Rafa queria mesmo era dar «conta» de toda a energia que lhe consumia o corpo e o espírito...

Pela escada rolante abaixo, com o Quico ao colo e com vários olhos espetados em mim, só me apetecia sair dali para fora sem dar explicações...

 

Porque às vezes por mais que tente mudar o rumo dos acontecimentos acredito que o facto de os viver, serve para manter intacta a minha capacidade de luta interior. Se tiver de os explicar a todo o instante, perco a expontaneidade que tanto me ajuda...ou, se quiser ser ainda mais sincera comigo própria às vezes estou-me nas tintas para os outros e não explico porque

 

não me apetece!

 

 

 

sinto-me: pouco explicadora!
postado energia-a-mais às 23:46

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