A Hiperactividade vista à lupa

Segunda-feira, 02 de Março de 2015

Todos já devem conhecer a história - aquele miúdo que por estar sempre a dizer mentiras, quando falou verdade ninguém se acreditou...

 

Lá vem isto a propósito dum comentário que li aqui e que me fez remeter para o que ouvi dizer na última palestra/debate dinamizada no âmbito do trabalho no Núcleo de Apoio a Pais. A maioria dos professores que me abordou nesse dia,tinha esta ideia «PHDA existe no entanto não existem crianças com PHDA» - o que existem são miúdos preguiçosos, mandriões, mal educados....os pais medicam porque querem, muitos pelos vistos medicam mesmo sem os médicos prescreverem! São esses os mesmos professores que mandam recados para casa, logo no início da escola porque «o aluno não se concentra, está sempre a perturbar a aula, não se consegue trabalhar com ele e prejudica o rendimento da turma»...

 

Não sei o que falha, informação existe, até demais - qualquer pessoa pode consultar na net tudo o que necessita sobre esta perturbação. Pode informar-se ainda através de meios mais pessoais, recorrendo a quem vive essa experiência na pele, falar com profissionais de saúde, etc. Existem cursos para quem precisa de saber lidar mais de perto com a PHDA, seja na qualidade de professor, seja como pai. Existem muitos livros que ajudam a compreender e mostram técnicas e estratégias a utilizar! mas a informação parece estar a passar de forma errada!!

Pergunto, como mãe, sou obrigada a aprender cada vez mais, tenho de ser Mãe - no sentido de educar; tenho de ser professora - porque a escola não sabe ensinar uma criança assim; tenho de ser médica - porque acham que sou eu que decido se dou, quando dou e como dou a medicação; tenho de ser psicóloga - porque afinal ninguém sabe ouvir os miúdos e parece que ninguém se importa com o que eles pensam sobre o que os afeta diretamente! que papel tem então a escola? os médicos? os profissionais de saúde?

E depois de tudo isto ainda tenho de levar com a dúvida «porque a PHDA existe mas como todos agora são hiperativos ninguém sabe quais são os verdadeiros!!!» Ora tenham dó!!! e não se notam diferenças é isso? não é óbvio que só a falta de vontade leva aos comentários deste tipo?

 

postado energia-a-mais às 13:49

Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014

 

do Rafa e da PHDA, já tive muitas opiniões

 

Nem sempre se manifestaram corretas ou muitos assentes em princípios científicos válidos. Também já escutei outras mais fundamentadas, sobretudo de médicos especialistas que concordam que a sua prevalência na vida adulta é muito significativa! conheço casos concretos que acompanhei ao longo dos anos e que mostram realmente a continuação na vida adulta, das caraterísticas de instabilidade conhecidas desde a infância nos portadores de PHDA.

 

Tendo em conta que cada caso é único e que depende de variáveis distintas (a própria PHDA tem diferentes níveis e subgrupos de tipo) sinto que muitas vezes, só porque a manifestação mais visível em criança (a agitação, irrequietude tantas vezes confundida com traquinice) e que mais «queixas» provoca dos outros, deixa de ser tão visível - não é provável que em adulto continuem a subir móveis, paredes, que empurrem para chegar primeiro - se deixa de dar atenção a outras caraterísticas! e isso faz com que em adulto o próprio descure a sua situação e só procure ajuda médica em casos limite...

 

A minha grande preocupação são as possíveis evoluções desta patologia, desde algumas comorbilidades associadas e que se manifestam cedo (o Rafa tem várias que o acompanham e que agora se acentuam), até outras que só aparecem mais tarde e que muitas vezes ficam escondidas. A chegada da adolescência é uma fase de viragem muito importante, mesmo que sem qualquer «problema» a não ser a típica fase da idade. Juntar a isso toda a instabilidade de uma patologia comportamental, faz uma diferença enorme.

 

Vivo com um menino que está a deixar de o ser em idade - 13 aninhos a fazer já amanhã! a adolescência já não vai bater à porta, vai entrar sem licença. E agora? 

 

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:44

Domingo, 29 de Julho de 2012

 

 

afinal o que são medidas drásticas quando falamos de atitudes nossas (pais) perante determinado comportamento deles (filhos)

 

 

para muitos pais uma medida tomada no limite, nem sempre racional, muitas vezes com o objetivo de marcar uma posição, certamente alguns já se sentiram «obrigados» a ela - mas o que é realmente uma medida drástica? o que já fizeram vocês em relação a um comportamento menos adequado do(s) vosso(s) filho(s)?

 

vá lá! digam-me por favor o que já tiveram «coragem» de fazer a ver se me convenço a mim própria que não fui tão drástica assim... 





postado energia-a-mais às 09:14

Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

 

 

 

sobre a minha capacidade de educar?

 

muitas...

 

 

hoje estou a cinzento (que é como quem diz - nem branco nem preto...)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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postado energia-a-mais às 10:37

Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

no tratamento do TDAH

 

este é um post mais sério, que poderá ser mais interessante para quem tem filhos diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperactividade. Decidi partilhar aqui este tratamento que conheci em 2005, por ver que existem muitos pais que ainda o desconhecem e por saber que está hoje mais fundamentado do que quando o discuti a primeira vez com o neuropsicólogo que mo apresentou.

 

Em verdade eu não considero que este seja um tratamento alternativo à medicação, mas antes um método que permite obter um reforço dos resultados, principalmente em crianças que tendo já sido medicadas, passam aquela fase da mudança de idades em que se coloca a hipótese de retirar ou manter a medicação.

 

Em que consiste

 

Na aplicação de eléctrodos através do couro cabeludo. É um método natural e não invasivo. O paciente não recebe descargas eléctricas ou magnéticas.

Os eléctrodos captam as ondas magneticas emitidas pelos neurônios. Essas ondas são enviadas a um computador que as descodifica e as transforma em imagens reais do funcionamento do cerebro. Num cerebro afectado pelo TDAH, as ondas em maior quantidade são as lentas (daí usar-mos estimulantes para os acalmar...) e tenta-se por isso reduzir as ondas lentas e aumentar as mais rápidas.

Assim criou-se uma espécie de jogo de vídeo em que o jogador (paciente) tem de começar a dominar a quantidade de ondas emitidas, segundo um processo comportamental chamado reforço condicionado. Ele pode identificar e alterar voluntáriamente o modo como  seu cerebro responde a várias situações, sendo então possível obter maior controlo sob as suas acções.

 

O tratamento requer várias sessões, dependendo do tipo e do grau diagnosticado. Normalmente varia entre as 30-45 até 60 sessões. Parar antes das 30 não garante (pelos estudos existentes) continuidade nos resultados.

Também se verificou que as crianças medicadas e que em simultâneo fizeram este tratamento obtiveram melhores resultados do que as que receberam apenas o tratamento, embora os resultados positivos perdurassem mais tempo após deixarem o medicamento, quando tivessem recebido tratamento por neurofeedback.

 

Na minha opinião é um tratamento que pode ajudar a estabilizar a criança e proporcionar maior capacidade de auto controlo, auto planeamento e auto gestão.

Pode ser uma mais valia quando usado em conjunto com a medicação e eventualmente outros métodos terapêuticos e psicológicos.

 

Gostava de saber a vossa opinião e partilhar experiências nesta área!

 

 

sinto-me: a querer saber mais!
postado energia-a-mais às 23:43

Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Recentemente respondi a um inquérito, enviado pela APDCH, com a finalidade de contribuir para um estudo internacional, do qual fazem parte países como Portugal, Roménia, Turquia, Reino Unido e Itália e que visa promover acções específicas para educadores e pais de crianças com distúrbio de Hiperactividade e Déficit de Atenção.

Este estudo insere-se num projecto mais amplo cujo objectivo é desenvolver a Unidade de Apoio á Escola Inclusiva.

 

Sempre que participo nestes projectos/estudos ou iniciativas, fico um pouco «frustrada» por verificar que, apesar da promoção de certos mecanismos teóricos, na prática estas (e outras crianças com necessidades educativas especiais) acabam por não beneficiarem de qualquer tipo de apoio verdadeiramente estruturado.

Dou alguns exemplos:

 

  • no passado ano lectivo ( e ao abrigo de um artigo, entretanto extinto...) era suposto o meu filho ter recebido apoio psicológico, garantido pela escola. Não criei grandes expectativas, na medida em que reconheço os parcos recursos (materiais e humanos) nesta matéria. Mas foi essa a informação dada pelo agrupamento e assim fui esperando até meados do 1º período. Nessa altura foi-me dito que não existindo a possibilidade de contratar um(a) psicólogo(a) educacional, iriam passar o caso á psicóloga contratada pela autarquia e que já dava apoio noutras escolas do agrupamento. O tempo foi passando e, mesmo fazendo várias tentativas para perceber a razão da demora, acabamos o ano lectivo sem uma única sessão de apoio!
  • quando percebemos as dificuldades do Rafael e procuramos ajuda, recorremos ao pediatra e depois de algumas consultas no privado, acabamos por concluir que a ajuda necessária, obrigava a recursos de que não dispunhamos. Fomos então informados pelo médico de família sobre as consultas de desenvolvimento. Estas consultas são garantidas nos hospitais públicos (alguns) da nossa área de residência. Pedimos para ser encaminhados e ficamos a saber que a lista de espera para estas crianças pode chegar a um ano (ou mesmo dois!). Ora como só aceitam crianças em idade escolar, presume-se que tenhamos de aguardar por um diagnóstico e acompanhamento, durante uma fase crucial para a rápida integração da criança. Por outro lado, este tipo de consulta deixa muito a desejar na maioria dos hospitais - muitos não fazem o diagnóstico tendo em conta o tal estudo «multicritérios» supostamente usado para despiste de outras patologias. Alguns nem sequer têm  as valências necessárias, a criança pode ser diagnosticada por um pediatra (quando o deveria ser por um pediatra do desenvolvimento, um neuropediatra ou pedopsiquiatra), a observação da criança ocorre sempre em meio hospitalar (quando deveria ser feita em diferentes contextos, como casa, escola e consultório) e a ligação com a escola resume-se a um papel que os pais levam para a/o  professora/o que serve apenas para resumir o ponto de vista daquele profissional, na maioria das vezes sem preparação...resta o privado, onde uma consulta da especialidade ronda os 100 euros para diagnóstico e, sendo necessário acompanhamento terapêutico (o que acontece sempre que se confirma a hiperactividade) ronda os 90 euros por consulta...
  • a medicação, apesar de ser tomada por um longo período de tempo não é comparticipada na totalidade, custando uma caixa de Ritalina com 30 comprimidos (que dá para um mês) uns 25 euros (o Concerta é muito mais caro). Muitos meninos tomam ainda medicação combinada o que pode oscilar a uma média de 40/50 euros mensais...
  • apesar de estar cientificamente comprovado que a hiperactividade prevalece na vida adulta, esta não é considerada uma «doença crónica» não estando por isso contemplada com alguns benefícios

Por isso e embora apoie cada esforço no sentido de melhorar as condições de trabalho, de resposta e de conhecimento sobre este distúrbio, tenho sempre uma sensação de vazio no final. Vamos ver se será mesmo desta que se começa a pensar a sério no problema destas crianças e suas famílias...

É que na minha (modesta) opinião não vejo um esforço concreto de mudança que me permita visualizar a tal Escola Inclusiva...é que o modelo até já existe mas isso fica para outro post!

postado energia-a-mais às 23:21

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