A Hiperactividade vista à lupa

Quarta-feira, 01 de Maio de 2013

 

 

existe uma nova classe no país para quem o 1º Maio tem um significado diferente

 

são os (des) empregados - aqueles que estão sem trabalho, continuam desempregados mas foram contratados pelo estado, trabalhando em instituiçoes públicas a preço de chuva, ou seja pagas pelo subsídio de desemprego.

 

São pessoas sem direitos, sem sindicatos, sem regalias sociais, cujo trabalho não é reconhecido mas que fazem maravilhas em termos estatísticos - sempre que a taxa de desemprego dispara, os centros de emprego colocam logo estes programas em atividade, fintando a realidade, mostrando os números que querem mostrar - daí se explica que a taxa de desemprego tenha «estagnado» apesar de todos conhecermos uma realidade bem diferente!

 

E é assim, nessa classe não reconhecida que me encontro este ano - ouvindo muita gente dizer a propósito da minha situação «mas olha, ainda bem, assim estás distraída, se estivesses em casa seria pior...» ou seja parece que para mim, ou outros como eu a distração passou a ser o nosso sustento...

 

postado energia-a-mais às 09:50

Terça-feira, 23 de Abril de 2013

 

 

no primeiro dia de escola desta semana, o Quico trouxe juntamente com os TPC esta frase para escrever 10 vezes como «castigo»

 

 

«Hoje não tive intervalo porque apertei os pescoços aos outros meninos» -  elucidativo não? {#emotions_dlg.sarcastic}

 

 

motivo mais do que suficiente para eu gostar de pôr o Miguel Gonçalves umas horas frente a frente com o meu filho http://www.ionline.pt/portugal/miguel-goncalves-ha-muita-gente-portugal-nao-trabalha-porque-nao-quer (link)

 

 

eu sei, educar é pelo exemplo! mas há alturas em que nos fazem perder a cabeça e só podemos exemplificar com estupidez....bolas que o tipo ou é imbecil ou tornou-se parvo com a alucinação da importância que lhe atribuem

 

postado energia-a-mais às 12:12

Terça-feira, 16 de Abril de 2013

 

andam como sempre a mil os meus filhos...obrigando-me a andar também, num ritmo que me cansa cada vez mais

 

o Rafa está cada vez menos interessado na escola, vejo-o desmotivar dia após dia, cansado com tantos castigos impostos por coisas que nem eu consigo entender. Ora depois de ter saído das férias de páscoa a coisa tem sido devastadora - recados constantes e uma falta disciplinar (falta uma folha e a caderneta ficará completa) que culminaram num castigo em que tinha de escrever 20 vezes as 22 regras que fazem parte do regulamento interno do aluno. Algumas das regras são frases simples mas a maioria ocupa duas ou mais linhas...e o que faz o Rafa antes de iniciar o castigo? calcula de imediato, mentalmente a quantidade de frases que tem de escrever - 440...«440? achas que vou escrever isso mãe?» e claro não fez...e voltou a ser castigado - fazer 30 vezes...e claro voltou a não fazer e voltou a ser castigado...vai nas 50 vezes. Agora perdeu também os intervalos até escrever todas as frases...o prazo termina no final da semana!

E porque teve uma falta disciplinar? porque na disciplina de EV a professora entendeu que ele (diagnosticado com PHDA de tipo impulsivo) não deveria ter reagido impulsivamente...por uma miúda da turma o ter molhado propositadamente ao lavar os pinceis, o Rafa, limpou o pincel dele ao blusão dela...ele levou falta disciplinar, por não consguir controlar a sua atitude impulsiva...a miúda não, pelos vistos como não sofre de PHDA pode ter atitudes assim! é que já nem sei o que dizer ao próprio Rafa!

 

O Quico tem sido uma dor de cabeça por já não haver ninguém que o segure...faz tanta asneira junta que em breves segundos põe tudo em alvoroço. Se o deixo por um instante sei que assim que chegar junto dele tenho tudo revolvido. Mistura tudo o que pode, trata de mudar móveis e roupas e quadros e fotos, rasga e destroi, monta e desmonta, limpa e desarruma, tudo mas tudo num único período de tempo (por norma quando chega da escola) que não é fisicamente possível a quem quer que seja, controlar todos os seus movimentos. Em casa é um furacão, na escola um furacão igual. Remexe todos os materiais (os dele e os dos colegas), ensaia brincadeiras a todo o instante, mantendo dentro da sala um grau mínimo de atenção para um máximo de energia que nunca esgota. Muitas e muitas vezes nestes últimos dias, a dificuldade para o deixar na escola tem sido imensa...resiste com tanto afinco que nos deixa a todos, esgotados!

 

Eu, cá ando...no meio das ondas. Às vezes mais inteira, outras nem por isso, tento fazer chegar as coisas a bom porto...mas confesso que fico feliz se pelo menos as mantiver à tona! Ando nervosa com o aproximar de mais um período de incertezas quanto ao futuro (que já deixei de parte o sonho de ter um trabalho que goste e saiba fazer bem, bastando-me algo que me garanta o sustento após o fim do subsídio, assim que terminar o CEI na escola) mas as esperanças são poucas e pioram de dia para dia...

 

O Quico após uma conversa com o psicólogo que o acompanha, tentou explicar as diferenças entre ele e nós (adultos). Diz ele que enquanto dentro dele vive um bichinho que anda muito depressa e o faz andar sempre cheio de energia, nos adultos o bicho é muito lento e é por isso que andamos sempre cansados....Na verdade, ele tem razão - parece que anda tudo entregue aos bichos!







postado energia-a-mais às 09:14

Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013

 

vale quase zero...

 

e no país do FMI , valerá abaixo disso - tal como diz Bagão Felix num artigo da Visão desta semana, muito em breve, já em 2015 «a pobreza passaria a ser um estado e não uma situação transitória». Para o FMI há que cortar em todas as pensões acima de €266 (ou seja a pensão mais baixa) atirando para a miséria 88% de todos os pensionistas nacionais - que vivem com menos de €500...

 

E se o Jorge aqui  dizia que se sentia pobre o que dizer da «refundação» pensada pelo Governo com a ajuda dos técnicos milagreiros do FMI?! 

 

Para muitos portugueses, a perda da dignidade há muito que se nota. Os empregados ganham um salário cada vez mais baixo que não chega para dignificar o trabalho que realizam...e para a maioria dos desempregados o subsídio nem chega para garantir o mínimo de dignidade!

 

Que fique em registo para memória futura que eu, licenciada, tenho o «privilégio» de ser uma desempregada, a desempenhar trabalho de interesse comunitário num CEI e a receber do estado um subsídio que passa a ter, a partir deste mês de janeiro de 2013, o valor absurdo de €393,9!

O peso deste subsídio para as despesas do estado é como se imagina, enoooorme! E portanto à taxa de 6% que aplicaram (desconto para a segurança social, sobre um subsídio pago pela segurança social com os descontos que fiz antes do desemprego, certo?) vão os senhores governantes «refundadores» do estado inspirados pelo FMI cortar ainda mais. Porque afinal os desempregados não podem viver «à pala» do subsídio e devem ser «incentivados» a voltar ao trabalho! Mas no portugal do FMI não existem mais empregos pois não? não é apontada nenhuma medida concreta para a «refundação» da economia - nem para a criação de emprego. Apenas a teoria de que estes cortes vão permitir «desbloquear a economia...com efeitos positivos na confiança dos investidores, no emprego na área privada e na competitividade». E já agora, como vai poupar o país do FMI, se os desempregados aumentarão em catadupa com os cortes na função pública (e com os milhares de professores dispensados), anulando a poupança anunciada com os cortes nos subsídios?! e para onde vão esses desempregados todos? ficarão eles sem direito a subsídio para que a poupança se mantenha afinal?!

Eu não posso ficar indiferente, este é o meu país e a minha vida e a dos meus filhos está em jogo! não podemos ignorar, olhar para o lado, achar que vamos acordar e isto foi só um sonho mau...ou, como ouço ainda muita gente dizer - isto vai melhorar, não pode ser sempre mau. Pois acordem! não vai melhorar, não! vai piorar até um nível insustentável, para lá caminhamos a passos largos...e se nada fizermos, vamos cair no abismo mais cedo do que muitos julgam (ainda).

E quando ouvimos os números dos que sairam do país (aumento de 85% no último ano) e um primeiro ministro a dizer que no governo «nunca se incentivou» a emigração, não será tempo de mandar o homem para a china? (que me desculpem os chineses...) 

 

Na verdade, é tanto o disparate que já nem sei o que dizer - este governo tem de cair! já! a solução para sair da crise não pode passar por nos matar a todos à fome, quem continua a acreditar que é este o caminho só pode estar doente!


Porque para mim a dignidade continua a não ter preço!




postado energia-a-mais às 09:06

Segunda-feira, 29 de Outubro de 2012

 

 

a coisa muda logo de figura...ou por outras palavras, só quando nos toca percebemos o que realmente pensamos

 

 

Aqui na zona muita gente que me conhece sabe, naturalmente da minha (não) situação profissional. Muitos sabem que estou a receber subsídio de desemprego pois estive a trabalhar num local público e portanto muita gente notou o meu desemprego. Obviamente muitos, cedendo ao típico e predileto passatempo nacional de falarem da vida dos outros, ja teceram um ou mais comentários...

Isso nem sequer me aborrece. A minha vida a mim e aos meus, diz respeito, os que estão de fora podem alvitrar o que quiserem e bem entenderem. Mas claro que quando falam diretamente comigo sobre o assunto não me coibo de mostrar o que penso sobre a actual situação de trabalhadora/inserida - desempregada, sem direitos mas com todos os deveres a que me obriga o IEFP para me dar aquilo que por direito tenho a receber - o tal subsídio, ao qual para ter acesso, bastaria em princípio cumprir os requisitos de ter trabalhado e feito os respectivos descontos. 

 

Pois que para muitos, estou a ser mal agradecida. Deveria dar-me por contente por ter sido «inserida». Ao que parece, a maioria concorda que «inserir» sem remuneração uma pessoa só porque ela tem direito ao subsídio de desemprego, é uma ideia maravilhosa do governo para evitar «chulices» dos desempregados ao estado. Já o facto de o estado ter de continuar a pagar o subsídio, mantendo a pessoa desempregada, quando afinal até havia emprego numa instituição, continua a ser um assunto que não interessa aprofundar. Porque na cabecinha da maioria o que é bom é que assim os desempregados não estão em casa, sem fazer nada, a receber o subsídio. Claro que o tipo de trabalho que o mandem fazer, também não interessa a ninguém. Se está ou não preparado, se tem ou não conhecimentos, se deixa de dispor do seu tempo (inclusive para procurar trabalho, pois que a isso está obrigado), se o que lhe dão é uma inserção a termo certo, sem possibilidade de integração no futuro, isso não são motivos de interesse para as tais cabecinhas.

 

Acontece que uma dessas «cabecinhas» que via muitas vantagens nos tais programas do IEFP ficou desempregada. Após anos a trabalhar como administrativa, a cabecinha foi agora «inserida» numa escola. A cabecinha anda agora a limpar vidros e chão, casas de banho e tudo o que faz parte do serviço de uma assistente operacional. Mesmo continuando desempregada, tem de fazer o mesmo que as funcionárias pagas, no horário que foi estipulado, por acaso dificultando a recolha do filho que tem numa outra escola e para o qual tem agora de se socorrer de um ATL (como administrativa trabalhava das 09h00 às 17h30, agora está até às 18h30)

De repente, numa conversa que tivemos num encontro casual no supermercado, percebi que a cabecinha está agora revoltada. Afinal já não vê utilidade alguma nos programas de inserção. E não consegue andar motivada sabendo que nem emprego tem, apesar de estar «obrigada a trabalhar» para não perder o mísero subsídio de 419,22 aos quais ainda terá de descontar os 6% para um dia poder ter reforma {#emotions_dlg.lol} do tempo em que está sem trabalho...estes gajos do governo são uns peritos em ironia!

 

depois da conversa, ainda vim a matutar na tal ideia «engraçado, como tudo muda de figura quando a coisa é pessoal» mas sinceramente, espero que ela consiga ganhar alento, até porque estou a sentir na pele o que é ir todos os dias para um local de trabalho sem qualquer tipo de motivação e sem aquela sensação de recompensa que sentem os que são pagos pelo empenho e tempo que dispendem no serviço que fazem...

 

 

postado energia-a-mais às 09:12

Sexta-feira, 05 de Outubro de 2012

 

 

 

 

 

se dúvidas houvesse de que este seria um 5 de Outubro diferente do habitual, elas seriam desfeitas desde cedo

 

Não foi só e logo porque seria o último a ser comemorado num dia de feriado, nem apenas porque se trocou as voltas ao local onde se costumava celebrar, nem tão pouco porque neste ano nem o presidente quis abrir as portas de Belém...Sabiamos que este iria ser um dia da República diferente porque damos importância ao símbolo, sobretudo se alguém decide matá-lo

 

e porque falamos de símbolo, não se pode ignorar a triste ironia da bandeira ao contrário, ou os «incidentes» de percurso  destas comemorações sem pompa mas com muita circunstância - do discurso da alternativa, à patética saída dos representantes do governo pela porta lateral...

 

mas nada neste 5 de outubro representa melhor o símbolo do que as mulheres que fizeram despertar o país para o verdadeiro significado da república

 

 

A mulher que irrompeu pelo Pátio da Galé enquanto Cavaco Silva discursava na celebração do 5 de Outubro chama-se Luísa Trindade, tem 57 anos, e está «desesperada». Vive com 224 euros mensais e a ajuda do filho.
Ana Maria, cantora lírica, invadiu também o evento e cantou pacificamente enquanto Luísa enfrentava um grupo de seguranças.

 

Cavaco continuou a discursar, numa cena absurda em que muitos dos convidados viravam a cabeça para trás para ouvirem um «Ninguém me ouve, ninguém me acode porquê?» Um desespero que a fez invadir o local dos discursos

 «Não se envergonham de olhar para a minha miséria?» perguntava Luísa.

 

Já a cantora lírica Ana Maria, cantou com voz firme e serena o tema Firmeza, de Fernando Lopes Graça. Uma escolha plena de simbolismo.

«As pessoas estão a sofrer, eu sou uma delas. Eu ainda vou tendo emprego. Penso que era a altura de cantar o Firmeza», disse a cantora.

 

Aqui em casa falou-se do dia de hoje, do significado da comemoração, dos acontecimentos que fazem parte da vida de todos.  Eu acho que quando as pessoas perderem a vergonha de assumirem a sua pobreza, a revolta estala de vez!

 

Quando os miúdos, por entre a sua enérgica forma de verem os assuntos que passam na TV me perguntaram «quem é aquela mulher mamã?» não tive dúvidas em responder «aquela é a República!»

 

 

 

postado energia-a-mais às 23:39

Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012

 

 

pois é! mudei de estatuto - não de estado lol!

 

passei de desempregada para «inserida» através dum programa de emprego-inserção do IEFP. O que realmente muda na minha condição? bem, muda o estatuto - agora sou «ocupada»....desempregada!

 

primeiro ponto a reter e ao qual a técnica do IEFP deu um grande relevo - continuo desempregada, ok? este programa permite apenas que instituições públias ou privadas sem fins lucrativos, insiram pessoas que estejam a receber subsídio de desemprego (condição única) para realizarem tarefas de apoio nessas instituições, durante um período máximo de 12 meses

 

segundo ponto a reter - continuamos a receber o subsídio de desemprego porque continuamos desempregados {#emotions_dlg.lol} e uma vez que vamos desempenhar tarefas (que não são trabalho) temos um valor a receber de 20% do IAS (cerca de 83,00€) e um subsídio de alimentação diário de cerca de 4,00€

 

mantemos ainda todas as obrigações a que estamos sujeitos pelo IEFP, nomeadamente a procura activa de emprego e a ter de aceitar eventuais ofertas, mesmo que isso implique sair repentinamente do sítio para onde nos haviam enviado antes

 

também temos duas certezas - terminado o período de «contrato de inserção», não existe qualquer vínculo (nem podemos contar com esse período para eventuais vagas a concurso) e nunca poderemos voltar a inserir a mesma instituição, mesmo que estejamos ainda na condição de subsidiados

 

...e também não temos como recusar uma inserção, caso sejamos selecionados, uma vez que a recusa implica de imediato a perda do subsídio de desemprego (falte o que faltar para o seu término)

 

Ora então, depois de uma rápida seleção, estou agora a realizar «trabalho socialmente útil» numa escola, na área administrativa (ou seja secretaria) dando apoio a tarefas que em nada diferem das que são desempenhadas pelas funcionárias que lá estão colocadas. O horário de trabalho também é completo, pelo que na verdade, embora estando desempregada, tenho agora de estar no meu posto às 9h30 e chego a casa perto das 18h00. Portanto, os meus pais estão novamente na condição de «pronto-socorro» para assegurarem as idas e vindas dos miúdos, ou alguns almoços em casa dos pequenos. Curioso ou irónico, sei lá - é que isto começou mesmo na altura em que eu julgava poder respirar um pouco, depois do alucinante mês de agosto, com a entrada deles na escola....

 

entretanto, como sou uma pessoa que tem assim uns pensamentos, digamos, a atirar para o crítico, pergunto: esta medida de emprego-inserção (para além de obviamente beneficiar as instituições que a ela recorrem - ficam com funcionários a preço da chuva) em que é que vai beneficiar o IEFP ou a segurança social? então se continuam a ter de pagar os subsídios e continuam a ter desempregados, como é que a medida pode ser benéfica? isto para não falar que na prática, alguém que esteja nestas condições terá mais dificuldades em continuar a procurar emprego, pois tem o seu tempo limitado e andará certamente mais ocupado...pelo menos eu ando!

 

bem, de tudo o que acontece por cá, uma coisa é certa, há sempre um ponto de certa ironia - e desta vez o Rafa levou por tabela! ora onde fui eu inserida? na escola dele {#emotions_dlg.lol} nem mais!

 

 

«fogo mãe! vais ficar na minha escola? na secretaria? opá! não é justo! jura que não vais andar atrás de mim!»

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:08

Terça-feira, 17 de Julho de 2012

 

 

parece que está na moda mostrar aos portugueses que podem ter umas belas férias mesmo ao lado da porta de casa...

 

e o que eu odeio aqueles anúncios ai e tal, os portugueses vão ter as melhores férias de sempre, explorar a praia mais perto e fazer piqueniques ao lado de casa com quem mais gostam....ora! a malta pode andar tesa mas nem todos perderam os miolos! quem diz que ter férias ao lado de casa é mesmo bom só pode morar num hotel junto a uma praia do sul...

 

então há lá coisa mais deprimente do que ter de acordar cedíssimo para preparar a marmita do dia, fazer a malinha térmica (e se se esquece o gelo fora da geladeira na noite anterior?...), acomodar na carripana a tralha toda, passar as filas para chegar o mais rápido possível a ver se arranja lugar...para no final do dia fazer tudo novamente, chegar a casa estafados, correr a dar banhos, preparar a janta (que ainda por cima tem de compensar as sandocas com que se andou a encher a barriga durante o dia), passar a ferro, preparar as tralhas para o dia seguinte e recomeçar tudo outra vez?!! (sem contar que se viver no norte, no máximo deve ter tido um belo dia de vento, a tentar afastar a areia dos olhos e a enregelar os ossos se se atreveu a ir molhar o pezinho...)

 

além do mais, fazer férias ao lado de casa é ver os mesmos vizinhos todos os dias, ter de aturar a famelga que mora perto, continuar a discutir pelo comando da TV quando se chega a casa, ter de nadar sempre a olhar para o relógio porque há coisas mesmo ao lado para fazer....

 

e depois, meus amigos há coisas que simplesmente não combinam - tipo: «férias perto de casa e gastando pouco dinheiro». O que fazemos nós todos os dias do ano? andamos perto de casa e não gastamos muito...

 

podem dizer o que entenderem mas não venham cá apelar a férias da treta por favor! mais vale logo dizerem que este ano os portugueses não precisam de férias porque a maior parte está desempregada {#emotions_dlg.brrrpt}

 

 

(o meu humor está do melhor, nota-se muito?)

 

postado energia-a-mais às 08:33

Quinta-feira, 05 de Julho de 2012

já há muito que não relatava por cá a minha «saga» no duro percurso do desemprego


na verdade, não tenho tido grande tempo para actualizar o blogue (infelizmente não porque tenha regressado ao mercado de trabalho) sobretudo porque as minhas obrigações diárias são mais que muitas e quando consigo colocar ordem nas coisas, estou literalmente a cair para o lado. Os miúdos em casa, um com PHDA agora sem medicação que nem dorme nem deixa dormir, férias forçadas do pai que teve de parar devido a um acidente, muitas tarefas de rotina que na nossa rotina muito própria desgastam o triplo do normal, imprevistos que nos fazem andar a mil...enfim!


Apesar de tudo continuo a ficar atenta a qualquer oportunidade, tenho alguns contactos que me vão alertando e faço as diligências necessárias na procura activa de emprego. As ofertas são poucas, a maior parte num mercado precário, algumas limitadas a critérios de idade que já não cumpro ou de experiências em áreas técnicas que não tenho. Por isso, quando na minha folha da apresentação quinzenal obrigatória vem uma informação em destaque, referindo que existem ofertas de emprego na minha área que correspondem ao meu perfil de inscrição, é claro que não hesito e tento chegar a elas.


Pois que já não é a primeira, nem a segunda, mas sim a terceira vez que corro para a net e através do portal do governo tento aceder (tal como vem explicado na tal informação) às ditas ofertas e o que acontece??? nada, NADA, nadinha!!! ou seja, as ofertas nem existem ou as páginas a que tentamos aceder não estão activas...Ora isto só pode ser obra de quem gosta de gozar com a situação do desempregado! então e se contacto directamente o centro de emprego para saber das tais ofertas? ora pois fico a saber que elas de facto não constam...provavelmente porque já foram ocupadas (explicação pouco convincente até para quem ma deu...)


e pronto, foi mais um ponto da situação que comprova a balbúrdia e incoerência deste país - uns são fintados pelas instituições, outros fintam as instituições (até canudos conseguem sem nunca terem cursado realmente um curso e coisa assim...)


e porque o tempo é mesmo curto e enquanto escrevo a casa quase vai a baixo com a gritaria e pinotes dos meus miúdos (pai estafado a correr atrás deles) deixo-vos com esta 


Quico: «Mãeeeee!!! as galinhas têm cérebro?»


responde o Rafa: «as galinhas sim, o Coelho é que não!»



no comments {#emotions_dlg.lol}



postado energia-a-mais às 09:09

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

 

já deveria os que me seguem ter perguntado porque não voltaria eu a este assunto...

 

«Os centros de emprego deverão aumentar a colocação de desempregados em 50%, o que implica mais três mil colocações por mês. Por outro lado, as ofertas de emprego captadas também deverão subir 20% até 2013. As metas já tinham sido discutidas antes com os parceiros sociais e foram ontem confirmadas pelo ministro da Economia. Álvaro Santos Pereira falava no final do Conselho de Ministros que aprovou várias alterações ao funcionamento dos centros de emprego. "O Governo conta aumentar em 50% o número de colocações de trabalhadores de desempregados pelos centros de emprego, mais de três mil por mês e assegurar um aumento em 20% do número de ofertas captadas pelos centros de emprego até ao final de 2013", afirmou o ministro. Entre as alterações conta-se ainda o fim de 150 cargos dirigentes nos centros de emprego e formação profissional, o que permitirá uma poupança superior a um milhão de euros. Estas chefias "passarão a desempenhar tarefas técnicas de apoio directo a desempregados", continuou o ministro. Também neste sentido, avança a figura do gestor de carreira que deve acompanhar de forma próxima o desempregado. Além disto, e como já se sabia, prevê-se ainda a reestruturação da rede de centros de emprego e centros de formação profissional, também através de fusões, para a tornar "mais ágil e capaz", explicou Álvaro Santos Pereira. A ideia de todas estas medidas é "dotar centros de emprego da capacidade de acompanhar mais regularmente e de forma mais eficaz o desempregado para que possa regressar mais rapidamente ao mercado activo de trabalho", explicou o governante. Isto numa situação em que o desemprego atingiu um "nível recorde", atirando o País para uma situação "de emergência nacional", que exige "fazer mais e melhor". O Governo salienta que o serviço público de emprego "tem de ser mais eficiente, ter uma lógica de funcionamento que promova um acompanhamento mais regular, mais próximo e mais eficaz do desemprego", o que exige mais coordenação. "Os técnicos que lá trabalhem têm que estar mais motivados, mais focados no objectivo essencial, que é acompanhar de perto e a fundo a situação de cada desempregado e encontrar colocação dentro das ofertas disponíveis para estas pessoas", afirmou Santos Pereira. Prevê-se ainda a modernização do sistema de informação dos centos de emprego, para "facilitar o procedimento de colocação de ofertas de emprego no portal netemprego" e permitir "a criação de um registo electrónico público de todas as ofertas de emprego captadas pelo IEFP". O Governo recordou outras medidas que incentivam o regresso ao mercado de trabalho, como é o caso do Estímulo 2012, já no terreno, e a possibilidade de acumular o subsídio com parte do salário, já anunciado. Álvaro Santos Pereira confirmou que estas são algumas das medidas que o Governo vai apresentar na Cimeira Europeia, no início de Março.»

 

Esta noticia teve pelo menos o efeito de me fazer rir à gargalhada! não fosse eu ter a noção de que a realidade nada tem a ver com esta propoganda e acharia tudo isto hilariante...mas depois de me passar o ataque de riso de ver um membro do governo a fazer semelhante «figura de urso» não contenho a minha amarga e realista visão da coisa - infelizmente (para quem me lê bem sabe) bem realista!!

Assim que entrei no mercado de trabalho sempre aproveitei os recursos disponibilizados (até porque na altura ainda acreditava...) e logo me inscrevi num centro de emprego - quantas vezes fui chamada em 12 anos? tirando a última vez em que de facto depois de encontrar a vaga na clínica para a qual fui trabalhar, ter ido ao centro de emprego para formalizar a contratação (por desempregado de longa duração, o empregador tem alguns incentivos), fui chamada zero vezes - zero...

Aliás para alguém como o sr. ministro que não sabe da realidade, eu explico - quando nos inscrevemos temos de ser nós a informar o centro de emprego que encontramos trablho ou estágio e que gostariamos de ser chamados a entrevista, para quando coincidir o termos encontrado algum empregador que tenha lançado uma oferta no centro de emprego, conseguir-mos uma oportunidade....na última sessão para estágios profissionais a que assisti (semana passada) a orientadora lá explicou que assim que estagiário encontrar empresa disposta a aceitar o estágio, esta deve formalizar a candidatura para que já proponha o nome do estagiário pretendido - em altura alguma do processo o centro de emprego procura e seleciona um possível estagiário...

Outra coisa interessante da propaganda feita pelo sr. ministro é dizer que serão feitas cerca de 3 000 colocações por mês porque essas foram as metas definidas - será que as metas foram avisadas??? é que fecham mais de 3000 postos de trabalho por mês, não estou a ver bem como e onde é que as metas vão lá colocar outros 3000....

O portal netemprego existe há muito e não passa de um portal desatualizado e com meia dúzia de ofertas que por norma já foram preenchidas....o portal permite por exemplo (em teoria) ver as ofertas colocadas e aceder à gestão de um curriculo para promover a proximidade com as entidades empregadoras - se funciona??? claro que não, portanto essa «novidade» o sr ministro escusava de a dar...

E a ideia do gestor de carreira do desempregado??? bem confesso que até as lágrimas me saltaram de tanto rir - tou mesmo a imaginar-me de manhãzinha a acordar e a ligar para o meu gestor de carreira «bom dia sr gestor então que ofertas tem para mim hoje?»

 

Ora tirando a parte da estupidez, estou desempregada desde 31 de dezembro e desde erros por causa dos quais (sem culpa alguma) continuo sem receber qualquer subsidio até à saga das apresentações, continuo na mesma - sem perspetivas. Dos oito curriculos e três anúncios de emprego a que me candidatei (nunca nenhum através do centro de emprego mas por por procura minha) tive esta semana duas respostas - uma para me dizerem que a minha idade (mais de 35 anos) já não me permite a candidatura...a outra para me dizerem que agradeciam o envio do currículo mas que de momento não estavam a precisar de ninguém (foram educados ao mandarem-me o email).

Resta-me o envolvimento a 100% nas atividades da APCH para não me deixar abater muito e confesso que o poder ter net gratuita (isto porque vivo numa zona de rede aberta, frente a um edificio público) me ajuda, pois pelo menos não estou a pensar nos custos de teclar mais tempo....

 

postado energia-a-mais às 08:58

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