A Hiperactividade vista à lupa

Segunda-feira, 01 de Junho de 2015

um convite à reflexão sobre as chamadas crianças portadoras de necessidades educativas especiais (NEE)

 

Núcleo de Apoio a Pais da Criança Hiperativa (Zona Norte)

 O presente documento demonstra as preocupações, constatações, e algumas propostas, baseadas nos feedbacks que vão chegando ao nosso Núcleo de Apoio a pais da Criança Hiperativa, bem como reflete a opinião de todos os que diretamente colaboram com o nosso trabalho, com questões, dúvidas, desabafos, queixas, por parte de pais, encarregados de educação, professores, técnicos e cidadãos envolvidos na temática

Segundo a Declaração de Salamanca que o Governo Português ratificou e que se rege pelo princípio de Uma Educação para Todos (chamada inclusiva) e que os diferentes delegados reafirmaram em texto:

  1. Nós, delegados à Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, representando noventa e dois países e vinte e cinco organizações internacionais, reunidos aqui em Salamanca, Espanha, de 7 a 10 de Junho de 1994, reafirmamos, por este meio, o nosso compromisso em prol da Educação para Todos, reconhecendo a necessidade e a urgência de garantir a educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educativas especiais no quadro do sistema regular de educação, e sancionamos, também por este meio, o Enquadramento da Açãona área das Necessidades Educativas Especiais, de modo a que os governos e as organizações sejam guiados pelo espírito das suas propostas e recomendações.
  2. Acreditamos e proclamamos que: • cada criança tem o direito fundamental à educação e deve ter a oportunidade de conseguir e manter um nível aceitável de aprendizagem, • cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe são próprias, • os sistemas de educação devem ser planeados e os programas educativos implementados tendo em vista a vasta diversidade destas características e necessidades, • as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, que a elas se devem adequar através duma pedagogia centrada na criança, capaz de ir ao encontro destas necessidades,as escolas regulares, seguindo esta orientação inclusiva, constituem os meios mais capazes para combater as atitudesdiscriminatórias, criando comunidades abertas e solidárias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos; além disso, proporcionam uma educação adequada à maioria das crianças e promovem a eficiência, numa ótima relação custo-qualidade, de todo o sistema educativo.

 

Ora é impossível não olhar à realidade atual e facilmente constatar que todas as diretrizes principais deste valioso documento estão postas em causa. Uma constante redução de meios e a não aplicação dos pressupostos essenciais a uma verdadeira inclusão, fazem com que tenhamos um desfasamento total entre a teoria e a realidade nas escolas do ensino público.

 

Na questão base está a urgente necessidade de revisão do Decreto-Lei nº 3/2008 que regulamenta o Ensino Especial, cuja ambiguidade de interpretações leva à total exclusão de uma larga maioria de alunos com diferentes problemáticas enquadradas nas «dificuldades de aprendizagem» mas que ficam de fora do «ensino especial» no âmbito do critério do artigo 21º, nomeadamente no chamado – Currículo Específico Individual (CEI). Entre estas crianças encontram-se as diagnosticadas com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, patologia de foro neuro-comportamental que está largamente documentada e fundamentada em pressupostos médico-científicos mas mesmo assim, tarda em ser reconhecida pelo enquadramento legal do «Ensino Especial». Tal como já foi claramente recomendado pelo Conselho Nacional de Educação, é urgente rever as falhas apontadas ao Decreto-Lei 3/2008, porquanto «a enfase na dimensão de permanência das necessidades educativas especiais (NEE) poderá significar que a ausência de resposta a alunos conduza à acumulação de necessidades transitórias, que carecendo comprovadamente de uma intervenção especializada, se converta em dificuldades crónicas e, portanto, permanentes» (cit)

Questionamos a legitimidade da parceria entre a DGEST e a Segurança Social que impede o acesso aos apoios educativos baseados numa premissa economicista, sendo óbvia a sujeição dos valores das reais necessidades destes alunos aos valores de contenção e redução de custos, decididos pelas Escolas e não pelas avaliações médicas. 

Além disso é imprescindível fazer passar à prática medidas educativas que permitam responder de modo adequado a esse grupo de alunos (incluindo os portadores de hiperatividade e défice de atenção) que são portadores de necessidades educativas especiais de caráter permanente mas cujo perfil de funcionalidade não se enquadra numa medida tão restritiva como o artigo 21º, CEI mas também não tem sucesso com a aplicação das restantes medidas educativas previstas.

É ainda fundamental rever a situação destes alunos nos exames nacionais, para que estas avaliações externas estejam de acordo com as medidas educativas contempladas pelo programa educativo individual (PEI).

Torna-se ainda clara a necessidade de tratar de forma equitativa estas crianças e jovens que fazem os seus percursos escolares inseridas em medidas contempladas nos PEI e CEI, através duma certificação pedagógica de qualidade, garantindo a sua verdadeira inclusão na transição para a vida pós-escolar.

 

Por último referimos a urgência de assegurar uma aproximação ao princípio base da nossa missão enquanto profissionais e técnicos dedicados ao trabalho com crianças e jovens portadoras de hiperatividade e défice de atenção «Os alunos com PHDA dão o melhor de si quando trabalham numa atmosfera tranquila, recebem uma atenção individualizada e estão inseridas numa turma reduzida

Como sugestões deixamos à consideração a mudança na responsabilidade das avaliações do Perfil de Funcionalidade dos alunos, funcionando esta como uma orientação para as equipas multidisciplinares fundamentarem os seus relatórios mas sendo de preenchimento por parte do(s) médico(s) competente(s), seguindo as preocupações da equipa do Ensino Especial. Este trabalho em rede permitiria uma articulação entre os serviços de «educação especial» e os recursos especializados, acompanhamentos médicos e terapias, sempre que possível dentro do espaço escolar, numa visão holística do aluno. Ou seja, pretendemos a coordenação das áreas de Educação, Saúde e Segurança Social.

Sugerimos ainda que esta articulação de meios seja monitorizada por equipas verdadeiramente multidisciplinares, funcionando em parceria com os próprios pais/encarregados de educação numa dinâmica efetiva entre as necessidades específicas de cada criança/jovem e os recursos afetados. Sentimos que é possível, seguindo até o exemplo de outros países cuja reforma da Educação Especial está em curso (caso da Inglaterra) integrar as diferentes Necessidades Educativas Especiais num plano único que contemple Educação, Saúde e apoios sociais.

 

 

Sentimos como obrigação garantir a plena realização da criança/jovem com PHDA com vista a uma vida adulta estável, ativa e não dependente, promovendo as suas plenas competências e assumindo com respeito as suas «diferenças», pois só assim asseguramos uma Sociedade Inclusiva.

 

 

São João da Madeira, 29 de maio

 

Pela coordenadora do Núcleo de Apoio a Pais da Criança Hiperativa

Teresa Melo

postado energia-a-mais às 22:09

Sexta-feira, 08 de Maio de 2015

 

das pérolas que retenho deste ministério da Educação, as metas curriculares, propagandeadas por Crato como a sua «Joia da coroa» são sem dúvidas das mais elucidativas do caminho escolhido e da falta de coerência entre a suposta «exigência» e defendida «excelência» das nossas escolas

 

Olhem as ricas pérolas para o ensino básico

 

No primeiro ano do ensino obrigatório, pede-se que as crianças respondam adequadamente a perguntas, recitem e escrevam o alfabeto, leiam corretamente 40 palavras no mínimo por minuto, exprimam sentimentos e emoções provocados pela leitura de textos (reparem na metódica equação entre o número de palavras lidas por minuto e a expressão de emoções...)

No 2.º ano, há mais competências para adquirir. Os alunos devem apropriar-se de novas palavras depois de ouvir uma exposição sobre um tema novo, construir frases com grau de complexidade crescente, ler pequenos textos narrativos, informativos e descritivos, poemas e banda desenhada. Devem também utilizar, com coerência, os tempos verbais, utilizar sinónimos e pronomes para evitar a repetição de nomes. (hã, que tal? utilizar com coerência os tempos verbais...)

No 3.º ano, os alunos devem descobrir pelo contexto o significado de palavras desconhecidas, ler corretamente um mínimo de 80 palavras por minuto e ainda referir, em poucas palavras, o essencial do texto. Há outros assuntos que entram neste ano: discurso persuasivo, notícia, carta, convite, opinião crítica, interpretação de sentidos da linguagem figurada, declamação de poema, dramatização de texto, palavras agudas, graves e esdrúxulas, pronomes pessoais, determinantes possessivos, tipos de frase, discurso direto, expansão e redução de frases. “Escrever um texto, em situação de ditado, quase sem cometer erros” é outras das metas definidas (a expressão de «quase sem cometer erros» é excelente!!)

No 4.º ano, o último do 1.º ciclo, ano de exames nacionais, os alunos devem distinguir informação essencial de acessória, diferenciar facto de opinião, mobilizar vocabulário cada vez mais variado e preciso, formular recados, avisos, perguntas, convites, fazer uma apresentação oral sobre um tema, debater ideias, interpretar pontos de vista diferentes, justificar opiniões e opções, escrever um texto em situação de ditado sem cometer erros, ler poemas em coro, dramatizar textos (reparem - diferenciar facto de opinião, não vá algum querer vir a ser jornalista...e ler poemas em coro parece-me muito a propósito - queremos é rebanhos, certo??)

 

e as pérolas continuam espalhadas pelas 998 metas definidas pelo Ministério para o português entre o 1º e o 9º ano! podem ver mais aqui Metas Curriculares

 

Há metas que nunca deveria ser traçadas e só espero que quem as definiu caia antes de as «cortar»

postado energia-a-mais às 12:41

Quarta-feira, 29 de Abril de 2015

Boa tarde,

Antes de mais, gostaria de deixar bem claro que não tenho como intenção apontar o dedo a ninguém, nem julgar, nem reclamar. Apenas gostaria de partilhar convosco a minha experiência e, quem sabe, talvez um dia possa ajudar alguém para que não aconteça com mais ninguém o que nos aconteceu.

O meu filho, depois de 10 anos de muita luta, foi finalmente diagnosticado com Síndrome de Asperger, em Dezembro passado. Sempre tivemos muitos problemas com ele e, principalmente a escola, devido ás suas dificuldades na interacção social.

O inicio deste ano escolar foi particularmente difícil. Mudou de ciclo e, como tal, de escola e de DT - tudo coisas que por si só já são complicadas. O pior foi o Director de Turma que mudou. O do ano passado era um anjo vindo do Céu para o orientar e ajudar. Ele sentiu muito essa "perda". A nova DT é uma pessoa muito agressiva, fria e sem qualquer paciência para alguém como o meu filho.

Fizemos várias reuniões com a escola, sozinhos e com a presença de uma psicóloga privada que contratámos, já que o SNS achou que ele não carecia de acompanhamento, com o intuito de pedir ajuda para ele - para os consciencializar para as dificuldades dele e a necessidade de uma abordagem um pouco diferente, mas a escola recusou veementemente em aceitar que ele tinha sequer qualquer dificuldade ou problema! Tinha no seu Plano de Educação Individual as adequações que o serviço de Educação Especial achou conveniente e mais nada. No ponto de vista da escola, tratava-se de um miúdo preguiçoso e pouco disciplinado, mas que de resto era tão normal e adaptado como qualquer outro aluno, e a carga negativa foi fulminante desde o primeiro dia.

Pedimos para valorizarem o positivo. A resposta foi um ataque brutal a TUDO de negativo. Implicaram porque não fazia os TPC. Pedimos ajuda para ele os fazer na escola, pois em casa, na cabeça dele, não era lugar para fazer as coisas da escola. A escola recusou. A disgrafia dele mantinha-se acentuada. Pedimos á escola que o deixassem entregar trabalhos em suporte digital (no PC). A escola recusou. Ele, ao abrigo do artigo 3/2008 deveria de estar numa turma de tamanho reduzido. Foi recusado e ele integrou numa turma de quase 30, incluindo alunos repetentes e destabilizadores.

O resultado do primeiro período foi uma desgraça. Teve 3 negas. Fiquei aterrada, pois ele é aluno de inteligência acima da média que nunca tinha tido notas semelhantes a estas. Falámos com ele e resolvemos fazer um acordo e um esforço para melhorar. Sem qualquer ajuda ou envolvimento da escola, ele no final do segundo período tinha subido de 3 negas para apenas 1 e ainda teve 5 quatros! Subimos todos aos céus de felicidade. A resposta da escola foi considerar que ele tinha tido apenas uma "ligeira melhoria" e que iria manter a imposição total do seu cumprimento com todos os projectos propostos.

No inicio do 3º período tudo piorou dramaticamente. O meu filho estava desanimadissimo com a reacção da escola ao seu esforço monumental. Na 6ª Feira passada, depois de mais uma reclamação da escola por ter TPCs inacabados/mal feitos aconteceu o que não desejo a NINGUÉM neste mundo. O meu filho acabou por pôr termo á vida. Tinha 14 anos.

Sabíamos que ele estava sob uma pressão desumana por parte da escola mas nunca, NUNCA em mil vidas nada os levou a pensar que isto seria sequer ponderável.

Portanto, deixo aqui um apelo para TODOS os professores e pais deste país e deste mundo. A vida de uma criança é o nosso maior tesouro. Por favor, NUNCA desvalorizem um pedido de ajuda de uma mãe. Não há NINGUÉM neste mundo que conheça melhor o seu filho do que ela. Se ela acha que precisa de ajuda, ajudem. Mas ajudem de coração. Nem que seja por indulgência, porque a dor que uma mãe sente ao perder um filho por quem pediu ajuda a tantas pessoas, tantas vezes e com toda a força que tem é algo que é indescritível.

Não aceito que qualquer situação politica justifique a falta de humanidade que hoje se vive diariamente nas nossas escolas e na nossa sociedade, sob desculpa de "cortes" e "crises" e afins. Somos humanos. Os nossos filhos são o nosso futuro. Professores e pais deviam de ser uma equipa, não inimigos.

Apelo, de coração destroçado, para que algo ou alguém mude a mentalidade de quem tem o poder de alterar mentalidades para que as nossas crianças deixem de ser consideradas um fardo que têm de ser educadas, e que passem a ser vistas como seres que carecem de orientação de quem já viveu o suficiente para os poder ENSINAR. Respeito, consideração, compaixão - são coisas que se ensinam em casa, é verdade - mas que devem de ser reforçados na escola. Lamento profundamente que hoje em dia isto puro e simplesmente não acontece.

Desejo a todos muita paz e todas as bênçãos do Alto e o meu muito obrigado por me ter sido permito este desabafe.

 

Esta Mãe chama-se Ana Sheila Martins e este foi o relato que partilhou no grupo Asperger Portugal. Podia ser um relato meu, um relato de qualquer outra Mãe que tenha uma criança com este tipo de perturbação...as tais crianças «diferentes» que ninguém sabe como incluir, que a sociedade julga sem ter direitos para isso, as tais crianças que «dão muito trabalho» e «desgastam» um professor...

Tal como diz a querida Gisela do Grupo de Perturbação de Hiperatividade, devemos refletir!!! e nunca, mas NUNCA minimizar o que eles nos contam ou o que sofrem diariamente!! Por favor NÃO IGNOREM!! todos temos responsabilidade nestas situações - é a nossa complacência enquanto cidadãos que permite sistemas desadequados persistirem, como o nosso «sistema educativo»!

 

 

postado energia-a-mais às 11:25

Terça-feira, 04 de Novembro de 2014

 

 

Estás feliz? em vez da sacramental pergunta «como correu a escola?»

 

Numa palestra sobre Educação em que também participei, dizia Eduardo Sá «temos a mania de dar demasiada importância à escola na vida da criança, como se após a escola não houvesse mais nada! Basta perceber que a pergunta que fazemos aos nossos filhos, sobrinhos, afilhados, mesmo os que não vemos todos os dias é - então como vai a escola?». Em vez disso afirmou o psicólogo, que tal perguntar «estás feliz?»

 

Concordo! e reconheço que também eu tenho de fazer mais vezes a última e não tantas a primeira! temos de repensar a importância que damos e que queremos dar à escola. O percurso académico é sem dúvida uma etapa necessária à aprendizagem e ao amadurecimento de cada criança mas não pode ser o mais importante, não deve ser o que define o futuro - esse pilar tem de ser a família e por consequência o Ser como indivíduo único!

O que me leva a pensar nas dificuldades dos meus próprios filhos (e de outros como eles) e nas limitações que um rótulo como a PHDA lhes coloca no percurso escolar. O tema da minha apresentação nesse encontro, como mãe de uma criança «diferente» era precisamente este «Sou mais do que as minhas limitações!». E realmente só quem olha para o diagnóstico como uma «prisão» considera que estes miúdos são «limitados». Há todo um mundo para além da escola e o que importa na verdade ter excelentes notas e não conseguir depois enfrentar o mundo?

Muitos pais (e claro o sistema educativo que temos) preocupam-se excessivamente com as notas, com o valor quantitativo dos testes e da avaliação, fazem depender uma série de coisas daquilo que aparece nas pautas - mas estarão preocupados com o que realmente importa? será que é o valor atribuído por uma nota escolar que vai definir a felicidade ou infelicidade daquele Ser, que vai definir o seu futuro, até onde pode chegar?

O mais novo mudou este ano de escola - como sabem os que por aqui passam, saiu do sistema público de ensino e passou para uma escola privada, depois de ter sido reprovado no 2º ano, por não ter notas para transitar para o 3º. Mudei-o porque sabia que não era feliz na anterior escola - lá, faziam-lhe sentir a cada momento, que tinha «limitações» e que não conseguia os mesmos resultados dos outros meninos.

Chegaram-me agora as avaliações dos primeiros testes deste período. O Quico teve um Bom a Português (79%), um Suficiente a Matemática (67%), um Bom a Estudo do Meio (96%) e um Bom a Expressão Plástica. O Quico está radiante, estaria de qualquer modo porque entretanto, em vez de lhe perguntarem as notas, passaram a perguntar-lhe se está feliz - SIM!!!! Ele é feliz, isso é que importa, as notas são o reflexo dessa felicidade - isso sim, já me importa!

 

 

postado energia-a-mais às 10:36

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

contra a falta de sensibilidade de um dos piores ministérios da educação de que tenho memória!

 

e a minha memória anda boa, felizmente - ainda consegue recuar uns valentes anos...

 

Não, melhor dizendo, protesto contra a falta de competência de quem insiste em enxovalhar um ministério que devia ser um dos mais exemplares de qualquer país que se diz desenvolvido. Protesto contra os repetidos e inconsequentes pedidos de desculpa proferidos com ar de arrogância (própria de quem sabe que está protegido contra erros) pelo ministro Crato e seus acompanhantes...

 

Protesto contra a falta de escrúpulos na hora de fazer cortes cegos que tiram o essencial (sim porque a escola é essencial) a miúdos sem alternativa e a famílias que lutam pela dignidade... 

Protesto contra a falta de bom senso que impera quando se fala de escola «inclusiva», quando se olha para as NEE como um fardo que é preciso eliminar da escola e da sociedade...

Protesto contra um país que remete sempre para os «outros» a responsabilidade do que corre mal, como se os «outros» não tivessem rostos, não tivessem nomes, não tivessem culpa...

 

e já agora protesto por ter um filho no 8º ano que continua sem ter aulas de francês, sem aulas de EV e que mesmo diagnosticado com perturbações que afetam o seu desempenho escolar vai ter a mesma avaliação, os mesmos critérios e as mesmas estratégias de ensino de todos os outros ditos «normais»....protesto! 

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:24

Quarta-feira, 09 de Julho de 2014

 

 

 

imagem tirada da net

 

 

Primeiro ponto

 

eu não sou a favor de «retenções»! só existem retenções escolares em sistemas pedagógicos arcaicos e métodos baseados na avaliação do aluno, o que desde logo é injusto. Em sistemas mais avançados as «retenções» foram substituídas por medidas de apoio educativo diversas, promovendo a inserção do aluno em áreas do seu interesse, colmatando as suas dificuldades de aprendizagem (caso dos sistemas nórdico, francês e inglês, por exemplo).

Em portugal, no entanto, continuamos a ter muitas dificuldades em arranjar alternativas ao «chumbo». E o «chumbo» é visto, pasme-se como uma verdadeira «medida educativa»!!! 

Enquanto esta mentalidade não mudar, enquanto ela for defendida pelos próprios docentes, enquanto houver quem diga nas escolas que «reprovar vai ser o melhor para esse aluno» não temos como alterar o sistema! e vamos continuar a ter alunos que são repovados «porque é bom» embora nunca ninguém tenha explicado «bom» para quê (ou para quem)

 

Segundo ponto

 

a escola pública está cada vez mais degradada, fruto de uma política de austeridade que retira meios financeiros e humanos e que provoca sentimentos de revolta e desmotivação! Estão pois criadas as condições para as «boas desculpas»! ou seja - não há condições! não há condições de trabalho, segundo os docentes, para implementar estratégias educativas adequadas, especialmente se falamos em crianças com necessidades de apoio, ou dificuldades de aprendizagens, ou claro, de NEE.

Porque para a maioria dos docentes - estratégias diferenciadas, implicam necessáriamente mais recursos, melhores condições de trabalho nas salas de aula (tais como turmais mais reduzidas, mais professores de apoio e do ensino especial...) e outras condições que sabemos, atualmente não estão asseguradas. Sem isso, dizem, nada feito! portanto se nada podem fazer, o melhor é não fazer nada...logo «reprovam-se» os alunos que não acompanham o ritmo padrão imposto (mesmo que o padrão dê provas de não ser o mais adequado) e nada de mudar o que está decidido no sistema! com as reprovações estes alunos passam a integrar turmas de repetentes, criadas novamente nos últimos tempos (depois de já terem sido uma referência retirada do sistema por não resultarem em nada a não ser na marginalização desses alunos). Essas turmas passam a ter uma caraterística comum - são colocados de lado, são a turma dos «burros»...pois! afinal, digam o que disserem, somos um país de preconceitos! e se alguma dúvida eu tivesse sobre esta visão, ela teria sido desfeita durante um ano de integração num CEI na área administrativa, numa escola sede de agrupamento.

 

Terceiro ponto

 

no nosso país, a escola não distingue os alunos, respeitando as suas diferenças (tal como mencionei no meu post anterior - integrar é diferente de incluir) e temos assim, entre os que repetem o ano, miúdos com diferentes percursos, diferentes necessidades, alguns com dificuldades de aprendizagens provocadas por distúrbios crónicos e persistentes pela vida fora (como a PHDA, dislexia, entre outros) que nem sequer são reconhecidos como tal... 

E por isso, as respostas «eficazes» encontradas pelo sistema público escolar para estas crianças passam pelo fazer repetir o ano! tão eficaz como os testes nacionais que servem para avaliar os alunos, quando o que deveria ser avaliado era o sitema pedagógico e quem o representa!

O que acontece a esses alunos que «reprovam» não interessa a ninguém. Não se mostarm estudos que falam na enorme probabilidade de um aluno «repetente» nos primeiros anos de escola, voltar a ter «chumbos» ao longo do percurso académico. Não interessa abordar a questão emocional e afetiva, do aluno que «reprova». Nem importa discutir a validade da retenção em si! 

 

reter um aluno é bom para quê?

 

artigo do blog Arrastão

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 13:18

Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014

 

 

eu posso mandar castigos para serem feitos na escola?

 

O Quico tem trazido os famigerados castigos escolares, quase todos os dias. Para além de obrigarem o miúdo a escreverem a mesma frase as vezes que a professora entende, eu não reconheço qualquer eficácia na medida - caso fosse eficaz, já teriam dado resultado se nos baseramos na ideia de que servem para punir e evitar repetir a ação. Ora, por mais vezes que escreva «não posso brincar durante as aulas» (a últma das quais foi ontem e foram 50 vezes) ele continua a não entender «porquê», quais as razões pelo qual o castigo é esse, muitas vezes nem entende bem porque foi castigado, dado que na opinião dele não fez nada diferente dos outros colegas...explicar então o critério utilizado é ainda mais difícil - que posso eu explicar quando ele me pergunta «mãe, se a professora disse que com bolinha vermelha nós temos de escrever a frase 20 vezes e bola amarela 10 vezes, então porquê eu tenho de escrever 50?»

 

A questão que coloco muitas vezes a mim mesma é simples «o castigo é realmente útil para quê?». Penso que com crianças ditas «normais» punir neste contexto de escola, sobretudo quando o castigo é para chamar a atenção por um comportamento desadequado pode ter um efeito disuasor, pode servir para que a criança não repita o dito comportamento, pelo menos que o faça pensar as suas atitudes numa próxima vez. No entanto, quando se trata apenas de punir, nem nesses casos eu considero essa a melhor opção. Se estamos a falar de crianças como as minhas, dado que é a minha experiência, diagnosticadas com PHDA e para um contexto de caraterísticas distintas das crianças ditas «normais» então não tenho mesmo dúvidas de que um castigo destes nunca vai alterar nada!

 

No início do ano escolar, na primeira reunião da sala do Quico, os pais foram convidados a «discutir» com a professora, quais os castigos adequados, segundo o tal critério utilizado com as bolinhas (vermelho - mau comportamento, amarelo - comportamento algo desajustado, verde - bom comportamento). A ideia foi a de mandar para casa uma frase para escrever um certo número de vezes, a juntar aos TPC. Pelos vistos eu fui a única que achou a ideia absurda. Não me incomoda que haja «castigo» para que as regras e limites sejam bem definidos, numa sala com vários miúdos muitas vezes não se consegue evitar balbúrdia e os miúdos devem perceber que ultrapassaram o limite e que serão castigados por isso. Só não entendo é porque é o castigo tem de ser feito em casa - afinal se se portam mal na escola a punição não deveria ser lá? e no imediato? não seria mais útil por exemplo deixar de mandar frases para escrever e pôr os miúdos a ajudarem a limpar a sala, colocar livros em ordem na biblioteca ou arrumar materiais da sala, dando o exemplo de responsabilidade para com os colegas?

 

Se como mãe tenho de resolver a aplicação dos castigos em casa, porque é que a escola não faz o mesmo? Aliás em todas as palestras a que vou, fazem questão de nos repetir que os problemas de casa, são resolvidos em casa...parece que o mesmo teria de ser aplicado à escola - a eficácia seria outra tenho a certeza! Já imaginaram como era se eu na tentativa de «castigar» o Quico por uma das suas caraterísticas patológicas, que é não conseguir ficar quieto, mandasse a frase «não posso saltar no sofá» 50 vezes para ele escrever na escola, sob supervisão da professora?!

É que sinto este tipo de castigo como uma total falta de compreensão desta perturbação, diagnosticada por mais do que um médico diferente, há mais de um ano. No caso do meu filho, para além de ter de fazer um esforço extra para conseguir fazer um miúdo com PHDA, repetir tantas vezes a mesma frase, ainda tenho de lidar depois com a dificuldade dele em fazer os TPC...o tempo que tenho de disponibilizar para o castigo, interfere e muito na rentabilidade das tarefas seguintes (e se fizer o contrário, o mesmo também acontece pelo que o castigo fica por fazer...)

 

Assim sendo e porque de nada valem os meus «protestos» o Quico tem estado até mais tarde a tentar fazer os trabalhos o que acaba por não conseguir, tendo por isso de terminar as tarefas no dia seguinte pela manhã - algo que obviamente, tendo em conta as rotinas cá de casa, é uma exigência quase impossível de cumprir!

 

Fico cada vez mais desapontada com este sistema que continua a apostar na punição em vez de reforçar a medida educativa pela positiva, um dia destes faço um post com um exemplo prático da aplicação desta estratégia na sala de aula, só para verem o que quero dizer...pois a verdade é que parece que ninguém entende como isto funciona na prática! 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 13:52

Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

 

ou a tal escola «inclusiva»

 

no nosso país o sistema educativo tem muito que se lhe diga - vem do tempo da «outra senhora» e as sucessivas «reformas», têm sido feitas apenas com base em ideologias políticas, ao sabor portanto da dança governativa. Nos últimos tempos, com a entrada em cena do atual governo, voltamos a ter as tais «reformas». Sempre que isto acontece o que muda realmente? e muda-se para melhor?

 

Também gostava que me explicassem o conceito de escola «inclusiva». Incluir crianças com «diferenças» numa escola cujo sistema de ensino assenta no comportamento padrão, significa o quê? que essas crianças são tratadas tendo em conta as suas especificidades ou que simplesmente são incluídas numa padronização que não quebre rotas/metas pré-estabelecidas?

 

supostamente: 


«Uma escola inclusiva é aquela onde todos os alunos são aceites e educados em
salas regulares e recebem oportunidades adequadas às suas habilidades e necessidades.
O princípio orientador da declaração de Salamanca de 1994 é de que todas as escolas
deveriam receber todas as crianças independentemente das suas condições físicas, sociais,
emocionais ou intelectuais (Carvalho, 1998).
Segundo Ainscow e Wang (1997), a escola inclusiva não exclui aqueles que
possuem dificuldades severas, mas mostra-se aberta à diversidade e apresenta propostas
curriculares adaptadas às necessidades dos alunos.»

 

assim o diz o Tratado de Salamanca

 

Ora transpondo esta teoria para a realidade das nossas escolas é isto de facto que encontramos? para que as alterações tenham impacto, as leis devem regular e no nosso caso a lei é omissa. E quando falamos de crianças com PHDA nem lei temos...nesse caso como vamos garantir que a estrutura funcione? É por isso que continuamos a ouvir coisas como «o meu filho tem hiperatividade e por acaso tivemos sorte com o professor mas...» sorte? temos de esperar ter «sorte»?

 

Nos EUA as crianças com PHDA podem estar num espaço próprio que os acolhe em momentos de tensão (por exemplo antes de testes, quando o comportamento é mais instável) e onde podem simplesmente relaxar. Um espaço pensado para proporcionar a estes miúdos maior conforto através de métodos e técnicas simples como musicoterapia ou yoga com exercícios de relaxamento que os ajudam a descontrair, eliminar a tensão e regressar à sala de aula com a atenção mais focada para os trabalhos escolares. Na Finlândia, os alunos com PHDA são ajudados com terapia comportamental, em salas próprias, estudadas para que seja trabalhado com estas crianças as suas dificuldades em gerir por exemplo, o local de arrumação dos materiais, a gerir o tempo das tarefas, a eliminar estímulos indesejáveis, etc. É possível por exemplo dividir as tarefas mais complexas em tarefas mais pequenas, intercalando com uma atividade lúdica orientada para o trabalho de memorização/concentração, ou que a criança esteja mais tempo de pé, trabalhando e reforçando rotinas e comportamentos.

 

Por cá a realidade é bem diferente. Ninguém diz que não concorda com a tal ideia de escola «inclusiva». No entanto, os docentes mencionam sempre o facto de terem alunos com comportamentos «perturbadores» como motivo para turmas com menor rentabilidade, garantindo que assim prejudicam o ritmo de aprendizagem dos alunos ditos «normais». E muito frequentemente marginalizam, consciente ou inconscientemente os alunos que demonstram certas dificuldades de aprendizagens, ou melhor dizendo, ritmos diferentes de percurso! Sobretudo, minimizam e rebaixam os problemas desses alunos e com frequência ostracizam as crianças, quer com comentários, quer com atitudes que revelam total falta de competência para o desempenho de funções tão delicadas como as de docente! Frente à turma, e falo por experiência própria fazem coisas como rasgar os desenhos dessas crianças porque não correspondem aos padrões, chamam o aluno de «preguiçoso», «burro», «incapaz» ou simplesmente ignoram o esforço maior que esses alunos fazem só para terem chegado ao fim de uma tarefa ou dos tpc...abundam os recados para os encarregados de educação sobre os comportamentos desadequados como «falar com os colegas, levantar-se constantemente, não terminar os trabalhos» mas nunca um único recado a anunciar «o seu educando conseguiu ler um texto sem ajuda, fez um desenho que está exposto na parede da sala, foi escolhido para tomar conta do animal de estimação da turma...»

E o espaço escolar? Nada de adaptações, o espaço físico das salas de aula não contemplam diferenças (não falo de rampas de acesso a deficientes motores ou casas de banho preparadas para cadeiras de rodas), quanto mais espaços individualizados, salas de auto-relaxamento ou materiais e recursos específicos...espaços que permitam uma atividade alternativa para a criança com PHDA quando está incapaz de acompanhar a turma, materiais que tenham em conta as suas dificuldades de motricidade fina, um local que sirva de refúgio para o relaxamento. Gostava por exemplo que alguém me dissesse qual o espaço utilizado para que a criança, perante um comportamento perturbador, possa efetivamente ser colocada, sem que para isso seja simplesmente expulsa da sala...é que não conheço nenhum caso concreto. Já casos em que a criança é colocada fora da sala (não sendo intervalo, fica simplesmente no corredor sem funcionária a supervisionar), fechada numa casa de banho ou até numa arrecadação (e sim, são casos verídicos, conheço os detalhes, nomes e locais e são muitos, não um ou dois...) isso conheço. Nem sequer vou falar dos espaços de recreio. Negligenciado tão somente é o que tenho a dizer. Como local onde melhor se fazem as aprendizagens a nível das competências sociais - o respeito pelos outros, o espaço social - e tendo as crianças com PHDA mais dificuldades nas relações inter pessoais, cumprimento de regras de conduta em grupo, este é um local onde maior quantidade de «problemas» surgem. Porque não existem estratégias, simplesmente. Não há um plano a ser seguido, ninguém que o implemente e que o monitorize...não se tem em conta sequer!

 

Isto é o que chamam de escola «inclusiva» no nosso país. Bem sei que esta situação de crise, com profundas alterações sociais que se vive em portugal, tem implicações. Que se fala em retrocesso com menos técnicos nas escolas, menos meios e menos recursos. Mas sejamos honestos, a crise não pode servir como desculpa para tudo o que vai mal. Nem o dinheiro é fator único na elaboração de estratégias de intervenção.

Se, ao invés de estarem absorvidos pelos seus problemas pessoais, os docentes se unissem em torno da chamada «escola pública», exigindo uma mudança sim mas na base - no que realmente importa, se lutassem por um sistema mais equilibrado, mais justo, mais virado para a cidadania, exigindo a revisão das tão proclamadas «metas curriculares» (cujos planos são elaborados por mentes seguramente elitistas e viradas para uma ideologia partidária) e questionassem os programas a que hoje em dia estão sujeitas as nossas crianças do ensino básico (para não falar da idiotice que grassa nos graus de ensino seguintes) então diria que pelo menso alguma coisa estaria a ser feita na defesa do ensino para todos. Infelizmente isso não acontece, mesmo!

 

Isto é apenas a minha reflexão pessoal sobre esta assunto, como mãe de duas crianças portadoras de PHDA e com mais de 10 anos a lidar de perto com casos de falta de acompanhamento nas escolas, como coordenadora de um grupo de apoio a pais da APDCH. Com todas as ressalvas e todas as exceções - que também as há felizmente! 

 

 

postado energia-a-mais às 12:53

Terça-feira, 12 de Novembro de 2013

 

 

enquanto nas escolas públicas portuguesas se passarem coisas como esta, não há classificação coerente ou válida

 

«O Diário do Professor Arnaldo - A fome nas escolas 

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. 
Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos. 
Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. 
Como é óbvio, fiquei chocado. 
Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar. 
De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. 
Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. 
Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude. 
Sabe que pode contar com a escola. 
Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). 
Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche. 
O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas…Sem saber o que dizer, segurei-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. 
Começou por recusar, mas aceitou emocionada. 
Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta. Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».
Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. 
Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado? 

É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. 
É este o Portugal dos nossos filhos. 

CIRCULAR PELOS AMIGOS E CONHECIDOS, COMENTAR, BARAFUSTAR, SÃO ACÇÕES QUE NADA PODERÃO FAZER PARA REPOR OS VALORES DESTE PAÍS. É NECESSÁRIO FAZER MAIS... MUITO MAIS!»


via facebook...


e depois vêem falar em disponibilizar para os colégios privados mais 19,4 milhões de euros???? querem financiar amigos gestores dos privados e favorecer a desigualdade em algo tão precioso como a educação, através dos cheques ensino???

A educação não pode ser privada! o direito à educação é um direito fundamental e só pode ser equitativo se for público e gratuito!! como pode haver ainda quem defenda o «direito» à liberdade de escolha quando não partimos em igualdade?

Para mim não havia ensino privado financiado e ponto final! quem quiser filhos nos colégios privados deve simplesmente pagar por essa opção. O investimento do estado na escola deve ser feito sim! mas na escola pública - investimentos nas infraestruturas, quer a nível material quer sobretudo a nível humano! 


Eu tenho dois filhos a estudarem em escolas públicas. Não me deixo abater pelo «sistema» e sempre luto para que tenham o melhor, para que tenham a educação de qualidade que devem ter. Mas com duas crianças portadoras de PHDA essa luta não é pacífica. No entanto estou convicta que a luta existiria de igual modo se eu optasse por os colocar numa escola privada!

Numa entrevista para um colégio privado que dei na altura da matrícula do mais velho no 2º ciclo, tive uma professora à minha frente que me disse «hiperativo? na minha sala a hiperatividade fica à porta, aqui não entram manias» e numa outra a diretora do colégio perguntou-me «mas ele tem notas baixas não é? porque sabe, aqui não temos maus alunos»...o Rafa tem excelentes notas, acima dos 80%, na maioria das disciplinas mais de 90%. Não é isso que me preocupa! quero que ele seja valorizado pelo que é! que o respeitem na sua diferença.

Existem bons e maus professores tanto no privado como no público. Já vi professores empenhados, tão empenhados que conseguem com o mínimo de recuros, fazer resultados máximos! não falo só de notas, falo principalmente de pegar em alunos e transformá-los em excelentes seres humanos. Porque isso sim, deve ser valorizado, muito mais do que ter um «ranking» onde se classificam (com que critérios?) escolas privadas e públicas na mesma tabela, como se classificar fosse uma mera questão de posição....

 

postado energia-a-mais às 11:02

Terça-feira, 24 de Setembro de 2013

 

 

como hoje diz uma coisa e amanhã diz outra contrária, então diga lá Sr. Crato

 

 

como é possível ter turmas de 25 alunos, tendo uma das crianças com NEE, sendo por lei o número máximo 20 alunos? como se pode ter uma professora cuja especialização é a educação visual, a lecionar uma turma de 2º ano do primeiro ciclo? e como se podem colocar crianças com dificuldades de aprendizagem diagnosticadas em diferentes graus e patologias, a terem apoio de língua portuguesa com professores de educação física?

 

pois...eu sei Sr. Ministro! amanhã vai dizer que os tais professores que hoje podem estar colocados nessas atividades vão ter de prestar provas específicas para estarem à frente desses cargos e até vão ter um professor a avaliar essas competências durante o ano letivo....

 

mesmo que se ouçam outras notícias deste tipo o ministro Crato vai arranjar uma maneira de dizer o contrário!

Pais indignados. Precisam-se professores de educação especial





postado energia-a-mais às 10:42

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