A Hiperactividade vista à lupa

Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016

...espera! porque é uma ideia do governo...logo tem de ser má! é assim não é?

...espera! já sei! é mau porque os «especialistas» alertam logo para o que estamos a «criar» - uma geração de «alienados, marginais» que ficam tempo a mais nas escolas

...ou então é mau porque visto assim, pelo lado dos pais, até parece mal dizer que concordo - imagina vinham logo criticar-me por causa da minha aparente negligência de deixar que os meus filhos fiquem muitas horas numa  hnaccc .... escola! e pública ainda por cima...

 

Espera  mas e se for num colégio privado com atividades extra pagas a peso de ouro? ah tá bem - aí podes deixar a criança entre as 07h30 e as 20h que toda a gente vai dizer que estás a investir na sua educação! Ou se for num ATL para terem «explicações» às disciplinas mais difíceis mesmo que isso os faça passar mais de 12 horas a «enfiar» matéria? aí podes, estás a fazer o melhor por ele...

Só não podes «investir» na educação se for numa  hnaccc escola pública...onde é que já se viu uma ideia de um governo ser boa??? 

Isso de não haver correspondência entre a realidade da maioria das famílias portuguesas e a oferta das escolas públicas não interessa nada! pode lá uma escola pública abrir portas para outra coisa que não seja dar matéria?? os pais podem ter cargas horárias pesadas, não terem suporte familiar (está bem que avós ainda existem mas para muitos não são opção) podem não conseguir pagar idas ao teatro, não poderem suportar contas de dança, música (opá o miúdo até tem jeito mas...) e podem nem sequer ter «tempo» para estar em família mas isto das escolas serem um apoio para muitas famílias - só pode ser mau...é que só pode!

tem água no bico

....vão dar mais trabalho aos professores,

....vão custar fortunas ao erário público - muito controlado, diga-se!

....vão ser poços de negligenciados daqueles pais horríveis que se atrevem a viver num país sem apoios laborais, sem leis de proteção de família

 

Isto só pode ser mau!!! muito mau mesmo - bolas!

Agora sem ironia, mais tempo pode não ser «mais do mesmo» não digam só - porque não!! em muitos países onde existe mesmo escola pública existe toda uma articulação entre as várias políticas - as ofertas, a proteção laboral, proteção da família - isso passa necessariamente por respostas adequadas...

E nós temos de exigir melhor escola pública - com mais tempo para os alunos e mais oferta para as famílias 

 

postado energia-a-mais às 21:09

Segunda-feira, 01 de Junho de 2015

um convite à reflexão sobre as chamadas crianças portadoras de necessidades educativas especiais (NEE)

 

Núcleo de Apoio a Pais da Criança Hiperativa (Zona Norte)

 O presente documento demonstra as preocupações, constatações, e algumas propostas, baseadas nos feedbacks que vão chegando ao nosso Núcleo de Apoio a pais da Criança Hiperativa, bem como reflete a opinião de todos os que diretamente colaboram com o nosso trabalho, com questões, dúvidas, desabafos, queixas, por parte de pais, encarregados de educação, professores, técnicos e cidadãos envolvidos na temática

Segundo a Declaração de Salamanca que o Governo Português ratificou e que se rege pelo princípio de Uma Educação para Todos (chamada inclusiva) e que os diferentes delegados reafirmaram em texto:

  1. Nós, delegados à Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, representando noventa e dois países e vinte e cinco organizações internacionais, reunidos aqui em Salamanca, Espanha, de 7 a 10 de Junho de 1994, reafirmamos, por este meio, o nosso compromisso em prol da Educação para Todos, reconhecendo a necessidade e a urgência de garantir a educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educativas especiais no quadro do sistema regular de educação, e sancionamos, também por este meio, o Enquadramento da Açãona área das Necessidades Educativas Especiais, de modo a que os governos e as organizações sejam guiados pelo espírito das suas propostas e recomendações.
  2. Acreditamos e proclamamos que: • cada criança tem o direito fundamental à educação e deve ter a oportunidade de conseguir e manter um nível aceitável de aprendizagem, • cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe são próprias, • os sistemas de educação devem ser planeados e os programas educativos implementados tendo em vista a vasta diversidade destas características e necessidades, • as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, que a elas se devem adequar através duma pedagogia centrada na criança, capaz de ir ao encontro destas necessidades,as escolas regulares, seguindo esta orientação inclusiva, constituem os meios mais capazes para combater as atitudesdiscriminatórias, criando comunidades abertas e solidárias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos; além disso, proporcionam uma educação adequada à maioria das crianças e promovem a eficiência, numa ótima relação custo-qualidade, de todo o sistema educativo.

 

Ora é impossível não olhar à realidade atual e facilmente constatar que todas as diretrizes principais deste valioso documento estão postas em causa. Uma constante redução de meios e a não aplicação dos pressupostos essenciais a uma verdadeira inclusão, fazem com que tenhamos um desfasamento total entre a teoria e a realidade nas escolas do ensino público.

 

Na questão base está a urgente necessidade de revisão do Decreto-Lei nº 3/2008 que regulamenta o Ensino Especial, cuja ambiguidade de interpretações leva à total exclusão de uma larga maioria de alunos com diferentes problemáticas enquadradas nas «dificuldades de aprendizagem» mas que ficam de fora do «ensino especial» no âmbito do critério do artigo 21º, nomeadamente no chamado – Currículo Específico Individual (CEI). Entre estas crianças encontram-se as diagnosticadas com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, patologia de foro neuro-comportamental que está largamente documentada e fundamentada em pressupostos médico-científicos mas mesmo assim, tarda em ser reconhecida pelo enquadramento legal do «Ensino Especial». Tal como já foi claramente recomendado pelo Conselho Nacional de Educação, é urgente rever as falhas apontadas ao Decreto-Lei 3/2008, porquanto «a enfase na dimensão de permanência das necessidades educativas especiais (NEE) poderá significar que a ausência de resposta a alunos conduza à acumulação de necessidades transitórias, que carecendo comprovadamente de uma intervenção especializada, se converta em dificuldades crónicas e, portanto, permanentes» (cit)

Questionamos a legitimidade da parceria entre a DGEST e a Segurança Social que impede o acesso aos apoios educativos baseados numa premissa economicista, sendo óbvia a sujeição dos valores das reais necessidades destes alunos aos valores de contenção e redução de custos, decididos pelas Escolas e não pelas avaliações médicas. 

Além disso é imprescindível fazer passar à prática medidas educativas que permitam responder de modo adequado a esse grupo de alunos (incluindo os portadores de hiperatividade e défice de atenção) que são portadores de necessidades educativas especiais de caráter permanente mas cujo perfil de funcionalidade não se enquadra numa medida tão restritiva como o artigo 21º, CEI mas também não tem sucesso com a aplicação das restantes medidas educativas previstas.

É ainda fundamental rever a situação destes alunos nos exames nacionais, para que estas avaliações externas estejam de acordo com as medidas educativas contempladas pelo programa educativo individual (PEI).

Torna-se ainda clara a necessidade de tratar de forma equitativa estas crianças e jovens que fazem os seus percursos escolares inseridas em medidas contempladas nos PEI e CEI, através duma certificação pedagógica de qualidade, garantindo a sua verdadeira inclusão na transição para a vida pós-escolar.

 

Por último referimos a urgência de assegurar uma aproximação ao princípio base da nossa missão enquanto profissionais e técnicos dedicados ao trabalho com crianças e jovens portadoras de hiperatividade e défice de atenção «Os alunos com PHDA dão o melhor de si quando trabalham numa atmosfera tranquila, recebem uma atenção individualizada e estão inseridas numa turma reduzida

Como sugestões deixamos à consideração a mudança na responsabilidade das avaliações do Perfil de Funcionalidade dos alunos, funcionando esta como uma orientação para as equipas multidisciplinares fundamentarem os seus relatórios mas sendo de preenchimento por parte do(s) médico(s) competente(s), seguindo as preocupações da equipa do Ensino Especial. Este trabalho em rede permitiria uma articulação entre os serviços de «educação especial» e os recursos especializados, acompanhamentos médicos e terapias, sempre que possível dentro do espaço escolar, numa visão holística do aluno. Ou seja, pretendemos a coordenação das áreas de Educação, Saúde e Segurança Social.

Sugerimos ainda que esta articulação de meios seja monitorizada por equipas verdadeiramente multidisciplinares, funcionando em parceria com os próprios pais/encarregados de educação numa dinâmica efetiva entre as necessidades específicas de cada criança/jovem e os recursos afetados. Sentimos que é possível, seguindo até o exemplo de outros países cuja reforma da Educação Especial está em curso (caso da Inglaterra) integrar as diferentes Necessidades Educativas Especiais num plano único que contemple Educação, Saúde e apoios sociais.

 

 

Sentimos como obrigação garantir a plena realização da criança/jovem com PHDA com vista a uma vida adulta estável, ativa e não dependente, promovendo as suas plenas competências e assumindo com respeito as suas «diferenças», pois só assim asseguramos uma Sociedade Inclusiva.

 

 

São João da Madeira, 29 de maio

 

Pela coordenadora do Núcleo de Apoio a Pais da Criança Hiperativa

Teresa Melo

postado energia-a-mais às 22:09

Sexta-feira, 08 de Maio de 2015

 

das pérolas que retenho deste ministério da Educação, as metas curriculares, propagandeadas por Crato como a sua «Joia da coroa» são sem dúvidas das mais elucidativas do caminho escolhido e da falta de coerência entre a suposta «exigência» e defendida «excelência» das nossas escolas

 

Olhem as ricas pérolas para o ensino básico

 

No primeiro ano do ensino obrigatório, pede-se que as crianças respondam adequadamente a perguntas, recitem e escrevam o alfabeto, leiam corretamente 40 palavras no mínimo por minuto, exprimam sentimentos e emoções provocados pela leitura de textos (reparem na metódica equação entre o número de palavras lidas por minuto e a expressão de emoções...)

No 2.º ano, há mais competências para adquirir. Os alunos devem apropriar-se de novas palavras depois de ouvir uma exposição sobre um tema novo, construir frases com grau de complexidade crescente, ler pequenos textos narrativos, informativos e descritivos, poemas e banda desenhada. Devem também utilizar, com coerência, os tempos verbais, utilizar sinónimos e pronomes para evitar a repetição de nomes. (hã, que tal? utilizar com coerência os tempos verbais...)

No 3.º ano, os alunos devem descobrir pelo contexto o significado de palavras desconhecidas, ler corretamente um mínimo de 80 palavras por minuto e ainda referir, em poucas palavras, o essencial do texto. Há outros assuntos que entram neste ano: discurso persuasivo, notícia, carta, convite, opinião crítica, interpretação de sentidos da linguagem figurada, declamação de poema, dramatização de texto, palavras agudas, graves e esdrúxulas, pronomes pessoais, determinantes possessivos, tipos de frase, discurso direto, expansão e redução de frases. “Escrever um texto, em situação de ditado, quase sem cometer erros” é outras das metas definidas (a expressão de «quase sem cometer erros» é excelente!!)

No 4.º ano, o último do 1.º ciclo, ano de exames nacionais, os alunos devem distinguir informação essencial de acessória, diferenciar facto de opinião, mobilizar vocabulário cada vez mais variado e preciso, formular recados, avisos, perguntas, convites, fazer uma apresentação oral sobre um tema, debater ideias, interpretar pontos de vista diferentes, justificar opiniões e opções, escrever um texto em situação de ditado sem cometer erros, ler poemas em coro, dramatizar textos (reparem - diferenciar facto de opinião, não vá algum querer vir a ser jornalista...e ler poemas em coro parece-me muito a propósito - queremos é rebanhos, certo??)

 

e as pérolas continuam espalhadas pelas 998 metas definidas pelo Ministério para o português entre o 1º e o 9º ano! podem ver mais aqui Metas Curriculares

 

Há metas que nunca deveria ser traçadas e só espero que quem as definiu caia antes de as «cortar»

postado energia-a-mais às 12:41

Quarta-feira, 29 de Abril de 2015

Boa tarde,

Antes de mais, gostaria de deixar bem claro que não tenho como intenção apontar o dedo a ninguém, nem julgar, nem reclamar. Apenas gostaria de partilhar convosco a minha experiência e, quem sabe, talvez um dia possa ajudar alguém para que não aconteça com mais ninguém o que nos aconteceu.

O meu filho, depois de 10 anos de muita luta, foi finalmente diagnosticado com Síndrome de Asperger, em Dezembro passado. Sempre tivemos muitos problemas com ele e, principalmente a escola, devido ás suas dificuldades na interacção social.

O inicio deste ano escolar foi particularmente difícil. Mudou de ciclo e, como tal, de escola e de DT - tudo coisas que por si só já são complicadas. O pior foi o Director de Turma que mudou. O do ano passado era um anjo vindo do Céu para o orientar e ajudar. Ele sentiu muito essa "perda". A nova DT é uma pessoa muito agressiva, fria e sem qualquer paciência para alguém como o meu filho.

Fizemos várias reuniões com a escola, sozinhos e com a presença de uma psicóloga privada que contratámos, já que o SNS achou que ele não carecia de acompanhamento, com o intuito de pedir ajuda para ele - para os consciencializar para as dificuldades dele e a necessidade de uma abordagem um pouco diferente, mas a escola recusou veementemente em aceitar que ele tinha sequer qualquer dificuldade ou problema! Tinha no seu Plano de Educação Individual as adequações que o serviço de Educação Especial achou conveniente e mais nada. No ponto de vista da escola, tratava-se de um miúdo preguiçoso e pouco disciplinado, mas que de resto era tão normal e adaptado como qualquer outro aluno, e a carga negativa foi fulminante desde o primeiro dia.

Pedimos para valorizarem o positivo. A resposta foi um ataque brutal a TUDO de negativo. Implicaram porque não fazia os TPC. Pedimos ajuda para ele os fazer na escola, pois em casa, na cabeça dele, não era lugar para fazer as coisas da escola. A escola recusou. A disgrafia dele mantinha-se acentuada. Pedimos á escola que o deixassem entregar trabalhos em suporte digital (no PC). A escola recusou. Ele, ao abrigo do artigo 3/2008 deveria de estar numa turma de tamanho reduzido. Foi recusado e ele integrou numa turma de quase 30, incluindo alunos repetentes e destabilizadores.

O resultado do primeiro período foi uma desgraça. Teve 3 negas. Fiquei aterrada, pois ele é aluno de inteligência acima da média que nunca tinha tido notas semelhantes a estas. Falámos com ele e resolvemos fazer um acordo e um esforço para melhorar. Sem qualquer ajuda ou envolvimento da escola, ele no final do segundo período tinha subido de 3 negas para apenas 1 e ainda teve 5 quatros! Subimos todos aos céus de felicidade. A resposta da escola foi considerar que ele tinha tido apenas uma "ligeira melhoria" e que iria manter a imposição total do seu cumprimento com todos os projectos propostos.

No inicio do 3º período tudo piorou dramaticamente. O meu filho estava desanimadissimo com a reacção da escola ao seu esforço monumental. Na 6ª Feira passada, depois de mais uma reclamação da escola por ter TPCs inacabados/mal feitos aconteceu o que não desejo a NINGUÉM neste mundo. O meu filho acabou por pôr termo á vida. Tinha 14 anos.

Sabíamos que ele estava sob uma pressão desumana por parte da escola mas nunca, NUNCA em mil vidas nada os levou a pensar que isto seria sequer ponderável.

Portanto, deixo aqui um apelo para TODOS os professores e pais deste país e deste mundo. A vida de uma criança é o nosso maior tesouro. Por favor, NUNCA desvalorizem um pedido de ajuda de uma mãe. Não há NINGUÉM neste mundo que conheça melhor o seu filho do que ela. Se ela acha que precisa de ajuda, ajudem. Mas ajudem de coração. Nem que seja por indulgência, porque a dor que uma mãe sente ao perder um filho por quem pediu ajuda a tantas pessoas, tantas vezes e com toda a força que tem é algo que é indescritível.

Não aceito que qualquer situação politica justifique a falta de humanidade que hoje se vive diariamente nas nossas escolas e na nossa sociedade, sob desculpa de "cortes" e "crises" e afins. Somos humanos. Os nossos filhos são o nosso futuro. Professores e pais deviam de ser uma equipa, não inimigos.

Apelo, de coração destroçado, para que algo ou alguém mude a mentalidade de quem tem o poder de alterar mentalidades para que as nossas crianças deixem de ser consideradas um fardo que têm de ser educadas, e que passem a ser vistas como seres que carecem de orientação de quem já viveu o suficiente para os poder ENSINAR. Respeito, consideração, compaixão - são coisas que se ensinam em casa, é verdade - mas que devem de ser reforçados na escola. Lamento profundamente que hoje em dia isto puro e simplesmente não acontece.

Desejo a todos muita paz e todas as bênçãos do Alto e o meu muito obrigado por me ter sido permito este desabafe.

 

Esta Mãe chama-se Ana Sheila Martins e este foi o relato que partilhou no grupo Asperger Portugal. Podia ser um relato meu, um relato de qualquer outra Mãe que tenha uma criança com este tipo de perturbação...as tais crianças «diferentes» que ninguém sabe como incluir, que a sociedade julga sem ter direitos para isso, as tais crianças que «dão muito trabalho» e «desgastam» um professor...

Tal como diz a querida Gisela do Grupo de Perturbação de Hiperatividade, devemos refletir!!! e nunca, mas NUNCA minimizar o que eles nos contam ou o que sofrem diariamente!! Por favor NÃO IGNOREM!! todos temos responsabilidade nestas situações - é a nossa complacência enquanto cidadãos que permite sistemas desadequados persistirem, como o nosso «sistema educativo»!

 

 

postado energia-a-mais às 11:25

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015

 

 

porque é que certos professores acham tão difícil concretizar em sala de aula, o que chamam de «estratégias diferenciadas» para alunos com caraterísticas especiais?

 

Ando nesta luta com as escolas há muito tempo para perceber que para muitos, as palavras saem fáceis da boca para fora, mas dificilmente são concretizadas!! Dizer que se utilizam «estratégias adaptadas» não é o mesmo que as utilizar de facto. Sempre que algum encarregado de educação questiona quais, como e de que modo os professores utilizam as tais «estratégias» para trabalhar com um aluno com caraterísticas específicas, é certo que vai receber um «relatório» vago, cheio de boas intenções mas que de real, nada tem! e vem-me à cabeça um certo dia, numa certa reunião, em que questionei frontalmente a então professora do meu mais novo sobre como lidava com ele, para atenuar os tais momentos em que a sua perturbação de hiperatividade, impedia o normal funcionamento da aula e ela só dizia «então, o que acha? uso estratégias diferenciadas» e perante a minha insistência para que me traduzisse as tais estratégias, a resposta já gritada foi «olhe mando-o para fora da sala»

 

Estratégias adequadas não podem ser teoria! devem ser experimentadas (até para verificar se realmente resultam) e devem ser fléxiveis para permitir um trabalho em conjunto quando o aluno tem mais do que um professor (não é por acaso que existem ainda mais problemas, logo a partir do primeiro ciclo)

Existem muitos estudos, muitas dicas, muitos cursos de formação que apontam estratégias eficazes. Os professores só precisam de as aplicar! não é pedir muito pois não?

 

No caso das que funcionam mesmo e das quais posso falar por experiência própria realço: lista de tarefas, relógio de tarefas, sentar o aluno ao lado de um colega mais atento, na fila da frente e longe da janela, utilizar uma parede em branco para colar um papel onde a única coisa que está anotada são as regras da sala - permitir que o aluno com PHDA se levante e as leia várias vezes durante a aula. Diariamente usar um mapa de rotinas, para que saiba o que vai acontecer ao longo do dia (o esquema é o mesmo usado nas salas teacch no trabalho com crianças autistas).

Utilizar o sistema de pontos para o incentivar a cumprir as tarefas. Permitir que se retire para um local mais sossegado e que faça uma tarefa alternativa, sempre que esteja a perder o foco da atenção, utilizar esquemas simples para que siga os passos de uma tarefa até ao fim. 

Nos testes usar uma capa aberta para separar o aluno e impedir que se distraia, separar bem as questões e dividir o tempo que tem para cada uma, se necessário ler o enunciado (individualmente) para ter a certeza que compreendeu o que lhe é pedido. 

Incentivar os trabalhos práticos, valorizar o que o aluno consegue terminar em sala de aula e não colocar o enfase nos TPC (um aluno com PHDA é sempre penalizado por raramente conseguir fazer os TPC quando na realidade, o esforço desse aluno é infinitamente maior do que o esforço dum aluno sem essa perturbação, neurologicamente explicado)

E existem mais, muitas mais, consoante o aluno, o ano em que se encontra, a disciplina ou disciplinas a que tem mais dificuldades, as tarefas que se pretendem trabalhar. Treinar comportamentos em sala de aula começa logo que o aluno inicia o seu percurso escolar - numa criança com PHDA essa necessidade mantém-se ao longo da sua vida académica.  

 

Motivar, adaptar e recompensar - assim se trabalha com um aluno com PHDA!

 

 

postado energia-a-mais às 13:59

Terça-feira, 04 de Novembro de 2014

 

 

Estás feliz? em vez da sacramental pergunta «como correu a escola?»

 

Numa palestra sobre Educação em que também participei, dizia Eduardo Sá «temos a mania de dar demasiada importância à escola na vida da criança, como se após a escola não houvesse mais nada! Basta perceber que a pergunta que fazemos aos nossos filhos, sobrinhos, afilhados, mesmo os que não vemos todos os dias é - então como vai a escola?». Em vez disso afirmou o psicólogo, que tal perguntar «estás feliz?»

 

Concordo! e reconheço que também eu tenho de fazer mais vezes a última e não tantas a primeira! temos de repensar a importância que damos e que queremos dar à escola. O percurso académico é sem dúvida uma etapa necessária à aprendizagem e ao amadurecimento de cada criança mas não pode ser o mais importante, não deve ser o que define o futuro - esse pilar tem de ser a família e por consequência o Ser como indivíduo único!

O que me leva a pensar nas dificuldades dos meus próprios filhos (e de outros como eles) e nas limitações que um rótulo como a PHDA lhes coloca no percurso escolar. O tema da minha apresentação nesse encontro, como mãe de uma criança «diferente» era precisamente este «Sou mais do que as minhas limitações!». E realmente só quem olha para o diagnóstico como uma «prisão» considera que estes miúdos são «limitados». Há todo um mundo para além da escola e o que importa na verdade ter excelentes notas e não conseguir depois enfrentar o mundo?

Muitos pais (e claro o sistema educativo que temos) preocupam-se excessivamente com as notas, com o valor quantitativo dos testes e da avaliação, fazem depender uma série de coisas daquilo que aparece nas pautas - mas estarão preocupados com o que realmente importa? será que é o valor atribuído por uma nota escolar que vai definir a felicidade ou infelicidade daquele Ser, que vai definir o seu futuro, até onde pode chegar?

O mais novo mudou este ano de escola - como sabem os que por aqui passam, saiu do sistema público de ensino e passou para uma escola privada, depois de ter sido reprovado no 2º ano, por não ter notas para transitar para o 3º. Mudei-o porque sabia que não era feliz na anterior escola - lá, faziam-lhe sentir a cada momento, que tinha «limitações» e que não conseguia os mesmos resultados dos outros meninos.

Chegaram-me agora as avaliações dos primeiros testes deste período. O Quico teve um Bom a Português (79%), um Suficiente a Matemática (67%), um Bom a Estudo do Meio (96%) e um Bom a Expressão Plástica. O Quico está radiante, estaria de qualquer modo porque entretanto, em vez de lhe perguntarem as notas, passaram a perguntar-lhe se está feliz - SIM!!!! Ele é feliz, isso é que importa, as notas são o reflexo dessa felicidade - isso sim, já me importa!

 

 

postado energia-a-mais às 10:36

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

contra a falta de sensibilidade de um dos piores ministérios da educação de que tenho memória!

 

e a minha memória anda boa, felizmente - ainda consegue recuar uns valentes anos...

 

Não, melhor dizendo, protesto contra a falta de competência de quem insiste em enxovalhar um ministério que devia ser um dos mais exemplares de qualquer país que se diz desenvolvido. Protesto contra os repetidos e inconsequentes pedidos de desculpa proferidos com ar de arrogância (própria de quem sabe que está protegido contra erros) pelo ministro Crato e seus acompanhantes...

 

Protesto contra a falta de escrúpulos na hora de fazer cortes cegos que tiram o essencial (sim porque a escola é essencial) a miúdos sem alternativa e a famílias que lutam pela dignidade... 

Protesto contra a falta de bom senso que impera quando se fala de escola «inclusiva», quando se olha para as NEE como um fardo que é preciso eliminar da escola e da sociedade...

Protesto contra um país que remete sempre para os «outros» a responsabilidade do que corre mal, como se os «outros» não tivessem rostos, não tivessem nomes, não tivessem culpa...

 

e já agora protesto por ter um filho no 8º ano que continua sem ter aulas de francês, sem aulas de EV e que mesmo diagnosticado com perturbações que afetam o seu desempenho escolar vai ter a mesma avaliação, os mesmos critérios e as mesmas estratégias de ensino de todos os outros ditos «normais»....protesto! 

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:24

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

 

 

Qualquer pai sabe o «terror» que é levar os miúdos às compras....e os pais de crianças com PHDA, esses então, sabem que é uma tarefa digna de heróis {#emotions_dlg.blink}

 

 

 

  imagem da net

 

 

O que têm de diferente miúdos com PHDA quando colocados em sítios públicos de consumo? tudo!!! são uns furacões imprevisíveis perante as montanhas de solicitações e excitantes prateleiras repletas de óbvias tentações! por norma não vemos um miúdo com PHDA a fazer aquelas irritantes (mas normais) birras de bater com os pés ou punhos no chão, enquanto esperneiam e gritam. Se os vossos filhos são desses que vos fazem corar numa fila de supermercado, estejam descansados que não têm um filho com esta patologia. A diferença, a grande diferença, é que uma criança que tenha PHDA nunca vai esperar na fila {#emotions_dlg.sarcastic}! Ela pega o que quer e simplesmente corre para fora da loja. Ou tenta «despachá-la» logo ali....Nunca me esquecerei das corridas loucas que fiz atrás do Rafa, das caras de reprovação e das desculpas perante os seguranças que acabavam estafados antes de conseguirem pôr a mão num miúdo de 4/5 anos (e quanto mais velho pior, a diferença é que eu aprendi a controlar melhor a situação).

Portanto uma das dicas infalíveis é «evitar levar os miúdos às compras». No entanto há alturas em que simplesmente não se pode evitar e outras, como no regresso à escola em que será até bom para eles (para se aperceberem de custos, de escolhas possíveis e de gestão de necessidades) fazerem parte ativa do processo de compra.

 

Ora como fazer então para conseguir sobreviver a um dia de compras com eles?

Primeira dica - planear! tudo mesmo. Desde o local, o tempo que se prevê demorar em cada loja (optar por comparar percursos entre lojas caso não se escolha tudo num sítio só, até a localização dos produtos nas prateleiras). Lembre-se que uma criança com PHDA não consegue estar muito tempo num mesmo sítio, por isso faça uma gestão acertada das suas compras. Por vezes é preferível dividir por dias diferentes (um dia roupa e calçado por exemplo, noutro material escolar). No plano use todas as estratégias ao dispôr como a escolha atempada dos produtos através de catalogos ou site das lojas. 

 

Segunda dica - faça uma lista e «prepare» antecipadamente a cabecinha dos miúdos «não está na lista não é para ir ver/levar». A lista é uma aliada muito útil. Serve para que a criança tenha uma pré visão do que vai efetivamente comprar (para além de nos guiar a nós), pode ser usada no local como ajuda para manter a atenção da criança no que realmente interessa (é bom que seja a criança a levar a lista e assim fica mais atenta ao que levar, riscando o que é comprado, orientando-se melhor) e claro, evita compras desnecessárias. É um método eficaz sobretudo se for usado de forma persistente. Cá em casa uso listas para quase tudo com os miúdos pois é a única forma que tenho para que não se dispersem!

 

Terceira dica - estabeleça um orçamento e obrigue a que coloquem o preço do que compram à frente do produto. Ajuda a ter sempre as coisas controladas e é mais um método para reforçar a capacidade de atenção dos miúdos.

 

Quarta dica - saia da loja com eles se algo começar a fugir ao seu controlo. Nada de avisos no local «olha que saio já e ficas aqui com as compras, blá, blá blá....». Os avisos devem ser feitos antes de saírem de casa e reforçados à entrada da loja, depois, caso algo corra mal, deve simplesmente encaminhar-se para a saída e fazerem outra tentativa noutro dia.  Garanto que é preferível do que andar um dia inteiro atrás dum miúdo com PHDA, a correr com os sensores das lojas a apitarem quando ele cruza a saída com algo que agarrou ou a ter de se desculpar perante os gerentes....e sei bem do que falo!

 

Faça das compras um motivo de divertimento e encare-o como mais uma estratégia para ajudar a sua criança com PHDA a orientar-se melhor. Ao longo do tempo ele vai começar a ter mais noções de como usar estas ferramentas de controlo, será sempre um comprador impulsivo mas terá mais hipóteses de não se meter em «alhadas» quando adulto, se desde criança começar a controlar essa tendência com alguns truques como estes {#emotions_dlg.happy}

 

 

Boas compras!

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 07:36

Quarta-feira, 09 de Julho de 2014

 

 

 

imagem tirada da net

 

 

Primeiro ponto

 

eu não sou a favor de «retenções»! só existem retenções escolares em sistemas pedagógicos arcaicos e métodos baseados na avaliação do aluno, o que desde logo é injusto. Em sistemas mais avançados as «retenções» foram substituídas por medidas de apoio educativo diversas, promovendo a inserção do aluno em áreas do seu interesse, colmatando as suas dificuldades de aprendizagem (caso dos sistemas nórdico, francês e inglês, por exemplo).

Em portugal, no entanto, continuamos a ter muitas dificuldades em arranjar alternativas ao «chumbo». E o «chumbo» é visto, pasme-se como uma verdadeira «medida educativa»!!! 

Enquanto esta mentalidade não mudar, enquanto ela for defendida pelos próprios docentes, enquanto houver quem diga nas escolas que «reprovar vai ser o melhor para esse aluno» não temos como alterar o sistema! e vamos continuar a ter alunos que são repovados «porque é bom» embora nunca ninguém tenha explicado «bom» para quê (ou para quem)

 

Segundo ponto

 

a escola pública está cada vez mais degradada, fruto de uma política de austeridade que retira meios financeiros e humanos e que provoca sentimentos de revolta e desmotivação! Estão pois criadas as condições para as «boas desculpas»! ou seja - não há condições! não há condições de trabalho, segundo os docentes, para implementar estratégias educativas adequadas, especialmente se falamos em crianças com necessidades de apoio, ou dificuldades de aprendizagens, ou claro, de NEE.

Porque para a maioria dos docentes - estratégias diferenciadas, implicam necessáriamente mais recursos, melhores condições de trabalho nas salas de aula (tais como turmais mais reduzidas, mais professores de apoio e do ensino especial...) e outras condições que sabemos, atualmente não estão asseguradas. Sem isso, dizem, nada feito! portanto se nada podem fazer, o melhor é não fazer nada...logo «reprovam-se» os alunos que não acompanham o ritmo padrão imposto (mesmo que o padrão dê provas de não ser o mais adequado) e nada de mudar o que está decidido no sistema! com as reprovações estes alunos passam a integrar turmas de repetentes, criadas novamente nos últimos tempos (depois de já terem sido uma referência retirada do sistema por não resultarem em nada a não ser na marginalização desses alunos). Essas turmas passam a ter uma caraterística comum - são colocados de lado, são a turma dos «burros»...pois! afinal, digam o que disserem, somos um país de preconceitos! e se alguma dúvida eu tivesse sobre esta visão, ela teria sido desfeita durante um ano de integração num CEI na área administrativa, numa escola sede de agrupamento.

 

Terceiro ponto

 

no nosso país, a escola não distingue os alunos, respeitando as suas diferenças (tal como mencionei no meu post anterior - integrar é diferente de incluir) e temos assim, entre os que repetem o ano, miúdos com diferentes percursos, diferentes necessidades, alguns com dificuldades de aprendizagens provocadas por distúrbios crónicos e persistentes pela vida fora (como a PHDA, dislexia, entre outros) que nem sequer são reconhecidos como tal... 

E por isso, as respostas «eficazes» encontradas pelo sistema público escolar para estas crianças passam pelo fazer repetir o ano! tão eficaz como os testes nacionais que servem para avaliar os alunos, quando o que deveria ser avaliado era o sitema pedagógico e quem o representa!

O que acontece a esses alunos que «reprovam» não interessa a ninguém. Não se mostarm estudos que falam na enorme probabilidade de um aluno «repetente» nos primeiros anos de escola, voltar a ter «chumbos» ao longo do percurso académico. Não interessa abordar a questão emocional e afetiva, do aluno que «reprova». Nem importa discutir a validade da retenção em si! 

 

reter um aluno é bom para quê?

 

artigo do blog Arrastão

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 13:18

Terça-feira, 01 de Abril de 2014

 

ou as «fórmulas» que ajudam o dia a dia de crianças como as minhas!

 

 

 

 

 

Para miúdos que constantemente são chamados à atenção (exatamente pela falta dela) pode ser penoso, sobretudo em contexto escolar, evitar embaraços perante os amigos (e professores). Muitas vezes, esquecemo-nos que por baixo do rótulo que insistem em colar-lhes à testa, existem crianças que sofrem com graves efeitos a nível de auto-estima, insegurança, ansiedade na hora de mostrar um trabalho ou responder a uma questão.

 

O Quico, agora com 7 anos (continuando a ser muito imaturo) começa a ter plena consciência das suas dificuldades, das reprimendas da professora por não ter atingido o que era suposto com determinda tarefa, da «chacota» dos meninos que nesta idade pode ser tão cruel quanto descabida. Daí que muitas vezes, apesar do reforço da psicóloga que na escola acompanha o seu percurso, tenho em casa de trabalhar com ele a sua «timidez».

 

Por vezes basta estar com atenção às suas atitudes para me aperceber do que se vai passando em sala de aula. Outras tenho mesmo de «puxar» por ele para conseguir adequar as minhas estratégias! Desde o não mostrar os TPC com medo de não estarem bem feitos, a ser menosprezado na sala perante os colegas por ter sido ajudado pela mãe, a não ter trabalhos individuais expostos tal como outros meninos...vou tentando «sacar» dele as possíveis reações. Não quero dizer que seja tudo negativo. Ele evoluiu muito no último período, conseguindo no teste anterior de língua portuguesa (teste adaptado) obter os 100% o que quer dizer que atingiu plenamente os objetivos. Esse trabalho refletiu-se numa melhor classificação nas matérias a que não faz teste diferenciado (matemática e estdo do meio) e melhorou o rendimento de trabalhos de casa e tarefas extra. Isso não foi apenas fruto da medicação, claro! Nitidamente as aulas de apoio e a professora que lhas dá, com uma maior preocupação em elogiar o seu empenho, têm feito muito bem!

 

Quando o Quico sente maior dificuldade, eu aposto em fazê-lo verbalizar. Expressar o que sente e pensa é uma tarefa difícil mas fundamental. Como já referi a sua imaturidade nota-se bastante ainda, pelo que usar métodos mais práticos resulta melho do que apenas «falar» com ele!

Aqui vai o exemplo do lápis da concentração - sempre que tem uma ficha ou outro trabalho que precise de terminar junto com os colegas, o Quico entra na sala a dizer baixinho «concentra-te Quico, concentra-te Quico». É uma espécie de prece para que tudo corra bem...Achei interessante dar ao meu filhote uma ajudinha mais palpável. Peguei num dos lápis do estojo dele e arranjei a fórmula «mágica»: aquele é o lápis da concentração! Tudo o que for escrito com aquele lápis de certeza que vai sair bem, aquele lápis ajuda a concentrar-se. É amigo só do Quico por isso ele não o pode emprestar a ninguém!

 

Depois fizemos a exepriência com os TPC. Ele ficou a fazer uma tarefa enquanto eu saí. Quando regressei o Quico garantiu-me «mãe, tinhas razão, funciona mesmo, já fiz quase tudo olha! porque o lápis me ajudou a concentrar!»

 

E lá foi todo feliz com o novo ajudante na mochila, algo material que pode tocar, sentir, sempre que precisar e injetar aquela dose de confiança!

 

 

postado energia-a-mais às 19:17

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