A Hiperactividade vista à lupa

Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016

Até maio de 2013 quando foi lançada a quinta edição do manual de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5) a síndrome de Asperger era entendida como uma condição relacionada, mas distinta do autismo. É importante ressaltar que os diagnósticos em psiquiatria em grande parte seguem as recomendações do DSM e não deve ser diferente com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) que é um novo distúrbio que substitui tanto o antigo Autismo quanto a síndrome de Asperger. Podemos entender que a síndrome de Asperger passou a ser considerada uma forma branda de autismo.

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, essa mudança é benéfica e necessária, já que todas as pessoas com transtornos do espectro autista exibem alguns dos comportamentos típicos, é melhor redefinir o diagnóstico por gravidade do que ter um rótulo completamente separado. Assim os transtornos antes "separados", seriam na verdade um "continuum" dentro do Transtorno do Espectro do Autismo o que é mais apropriado para a compreensão e a orientação terapêutica.

Uma das dúvidas que ainda permeia essa mudança é a conduta frente aos pacientes já diagnosticados pelos critérios anteriores, ou seja, se as pessoas anteriormente diagnosticadas com Síndrome de Asperger devem ser reclassificadas ou se o diagnóstico será mantido. Isso é mais inquietante para os pacientes com Síndrome de Asperger que são representados em por diversos meios na sociedade utilizando essa denominação.

 
 

Houve também mudança nos critérios para o diagnóstico: antes dessa revisão o diagnóstico era baseado em três grupos de sintomas (déficits de interação social, de comunicação/linguagem e padrões repetitivos de comportamento/esteriotipias). No DSM-5, os sintomas de interação social e comunicação social foram agrupados em um só. Agora há dois grupos de sintomas para o diagnóstico, baseado na presença dos critérios abaixo:

  • Déficits de comunicação/interação social: déficit na reciprocidade das interações, déficits nos comportamentos não-verbais, dificuldade de desenvolver/manter relacionamentos
  • Presença de um padrão repetitivo e restritivo de atividades, interesses e comportamentos: estereotipias (ecolalia, p.ex.), insistência no mesmo, adesão estrita a rotinas, interesses restritos/incomuns, hiper/hipo reatividade a estímulos sensoriais.

 

 

 

O meu «miúdo» mais crescido - não aprecia e não procura o contato com os outros, não tem interesses comuns aos miúdos da sua idade, não gosta de desportos de equipa, não tem interesse por «miúdas», rege-se por uma rotina estrita, é um genio com números e fórmulas químicas, não consegue pensar de modo abstrato, tem interesses que viram obsessão (como agora a cultura japonesa - desde o início do ano passado que tudo o que vê são animes japoneses, só fala em língua e ultura japonesa, artes marciais e literatura japonesa, vê os animes uma vez com legendas e depois no orignal durante horas, quer aprender japonês e quer ir viver para o japão, aprende receitas japonesas e tenta que eu as cozinhe), não tem malícia e não sabe usar a mentira, não consegue ler os sinais básicos das emoções, rejeita o toque, tem hiper sensibilidade à dor, não sente o «salgado» mas reage bem ao picante, sente o calor de modo intenso mas não o frio, se lhe mudar um objeto de lugar ele não consegue entender, faz crises terríveis e numa semana podemos ter um dia excelente (em que ele fala comigo, aperta-me a mão ou até me dá um abraço meio sem jeito) mas ter também um dia em que se recusa ir à escola, em que se altera por um motivo que nem percebemos e é agressivo, parte coisas, bate, não ouve ninguém, fica em estado de stress completo. Dorme pouco e tem uma mania de ficar toda a noite sem se deitar. 

Ter um filho com estas caraterísticas é um desafio que assusta mas ao mesmo tempo nos encoraja a ser cada dia melhores Pais - um orgulho por cada vitória, uma celebração por coisas mínimas, um beijo dado sabe a mil estrelas e cada frase reveladora de uma emoção é motivo para celebrar! Que seja feliz!

postado energia-a-mais às 12:40

Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2016

 

fantoches.jpg

 imagem da net

 

sim existem miúdos com muito mais do que «bichos carpinteiros»...mas a maioria deles tem um armário gigante que vai enchendo com esses «bicharocos» e só quando o armário enche os soltam de vez

 

quando isso acontece transformam-se em adultos maus e sem piedade que moem tudo o que está à volta - sejam os relacionamentos, sejam os filhos desses relacionamentos, sejam os amigos, sejam os trabalhos, seja o que for...porque não sabem «dominar» os bichos que sempre esconderam no armário!

 

olha que sim, existem famílias construídas no meio de bichos horríveis que só sabem encher de medo quem os tentam mandar embora...e sem que ninguém queira, eles (os bichos) é que conduzem a vida dessas famílias

 

E as Vidas assim dominadas acabam destruídas - porque muitos desses horríveis bichos que estavam no armário das gentes pequenas, ganham proporções de «gigantes» quando são libertados anos mais tarde...

 

Sabes o que é preciso? é que se retirem os bichos do armário enquanto são minúsculos...enquanto são apenas «bichos carpinteiros» nas crianças, olha que sim - se conseguires ajudar a soltar os bichinhos quando são inofensivos, eles não chegarão a crescer e nunca farão mossa nos adultos!

 

É por isso que eu digo que temos de saber lidar com esses bichos nas nossas crianças - e que a melhor opção nunca será «escondê-los» - é preciso educar os bichos percebes? olha que sim, as crianças felizes são as que andam a brincar com os «bichos carpinteiros» e não os escondem - e as crianças felizes tornam-se adultos felizes! quando são felizes os adultos não magoam mas amam - amam as famílias, os trabalhos e a Vida!

 

* conversa com o meu filho mais novo sobre os terríveis acontecimentos de violência doméstica, teatro de mini fantoches, abordagem depois da pergunta «porque é que os pais são maus para os filhos?» 

 

 

postado energia-a-mais às 11:32

Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016

...espera! porque é uma ideia do governo...logo tem de ser má! é assim não é?

...espera! já sei! é mau porque os «especialistas» alertam logo para o que estamos a «criar» - uma geração de «alienados, marginais» que ficam tempo a mais nas escolas

...ou então é mau porque visto assim, pelo lado dos pais, até parece mal dizer que concordo - imagina vinham logo criticar-me por causa da minha aparente negligência de deixar que os meus filhos fiquem muitas horas numa  hnaccc .... escola! e pública ainda por cima...

 

Espera  mas e se for num colégio privado com atividades extra pagas a peso de ouro? ah tá bem - aí podes deixar a criança entre as 07h30 e as 20h que toda a gente vai dizer que estás a investir na sua educação! Ou se for num ATL para terem «explicações» às disciplinas mais difíceis mesmo que isso os faça passar mais de 12 horas a «enfiar» matéria? aí podes, estás a fazer o melhor por ele...

Só não podes «investir» na educação se for numa  hnaccc escola pública...onde é que já se viu uma ideia de um governo ser boa??? 

Isso de não haver correspondência entre a realidade da maioria das famílias portuguesas e a oferta das escolas públicas não interessa nada! pode lá uma escola pública abrir portas para outra coisa que não seja dar matéria?? os pais podem ter cargas horárias pesadas, não terem suporte familiar (está bem que avós ainda existem mas para muitos não são opção) podem não conseguir pagar idas ao teatro, não poderem suportar contas de dança, música (opá o miúdo até tem jeito mas...) e podem nem sequer ter «tempo» para estar em família mas isto das escolas serem um apoio para muitas famílias - só pode ser mau...é que só pode!

tem água no bico

....vão dar mais trabalho aos professores,

....vão custar fortunas ao erário público - muito controlado, diga-se!

....vão ser poços de negligenciados daqueles pais horríveis que se atrevem a viver num país sem apoios laborais, sem leis de proteção de família

 

Isto só pode ser mau!!! muito mau mesmo - bolas!

Agora sem ironia, mais tempo pode não ser «mais do mesmo» não digam só - porque não!! em muitos países onde existe mesmo escola pública existe toda uma articulação entre as várias políticas - as ofertas, a proteção laboral, proteção da família - isso passa necessariamente por respostas adequadas...

E nós temos de exigir melhor escola pública - com mais tempo para os alunos e mais oferta para as famílias 

 

postado energia-a-mais às 21:09

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

 

Já por cá falei muitas vezes em hiperatividade mas como sabem os que me costumam acompanhar, o meu filho mais velho não tem só PHDA, não tem só agressividade, não tem só distúrbio do sono, não é «só» um adolescente - tem uma mistura de tudo isso e um síndrome dentro do transtorno do espectro do autismo - Asperger. Não é fácil saber lidar com isto e muito tenho a aprender, até porque estas caraterísticas se manifestam cada vez mais. Aqui fica um pequeno texto (resumo) de algumas dicas para famílias com «Aspies»

 

Os jovens com Asperger e autismo de alto funcionamento, muitas vezes têm dificuldade entre as idades de 13 e 19. Eles podem ser socialmente excluídos e rejeitados pelos seus pares porque agem de maneira diferente. Eles querem ser aceites mas muitas vezes não sabem como se comportar e  comunicar de forma adequada.  A Escola é exigente e os amigos também - eis as metas a alcançar na adolescência

 

  • manter a auto-estima intacta
  • pelo menos um amigo ou dois
  • conhecimento de que a família o ama
  • obter a escolaridade

 

Há alguns adolescentes que conseguem navegar nestes anos com sucesso, porque eles não se preocupam com a pressão dos colegas e concentram-se num interesse especial - por exemplo, xadrez, ou computadores. Então, incentivar seu filho a desenvolver um interesse especial pode ajudá-lo neste momento da vida. Um interesse especial pode encorajar amizades com outros adolescentes que têm o mesmo interesse, bem como, torna mais fácil as conversas.

 

Um grande problema para os adolescentes Aspergers é que muitas vezes eles não se preocupam com moda, vestuário, celebridades, e dispositivos de comunicação de Adolescentes (por exemplo, telemóveis ou Facebook). Os interesses de seu filho podem ser mais apropriados para crianças mais novas. Os meninos podem ser rejeitados se não se interessarem por desporto. 

 Ajude o seu filho a tornar-se mais consciente das modas entre adolescentes e como falar sobre desporto, celebridades, rituais e eventos escolares. Encoraje-o a deixar mensagens de texto para e organizar compromissos sociais com os pares. 

 O seu filho pode ignorar a higiene pessoal e vestir roupas e um corte de cabelo que não estão em grande estilo. Encontre um amigo do mesmo sexo que vai ajudar o adolescente a escolher as roupas apropriadas para vestir. Monitorize a higiene de seu filho e criar lembretes sobre o banho diário, escovar os dentes, etc..

 

Os adolescentes "Aspie" às vezes não estão muito bem informados sobre sexo e namoro. Os meninos podem ser muito ingênuos ou muito a frente com as meninas. As hormonas causam emoções desenfreadas, que os adolescentes Aspie não podem manipular. Se eles ficarem com raiva, podem atacar fisicamente os outros ou ter um "derreter". 

 Alguns adolescentes Aspie podem desenvolver problemas com drogas e álcool, porque estão ansiosos para fazer o que outros adolescentes fazem. Outros adolescentes podem aproveitar a ansiedade do seu filho para ser amado e convencê-lo a comprar e / ou tomar álcool ou drogas. Fique muito atento e enfatize que as drogas são ilegais e totalmente proibídas para a saúde!

 

Adolescentes Aspergers podem ter problemas na escola por causa da dificuldade em lidar com mais de um professor. Cada sala de aula é um ambiente diferente, que pode ser confuso. Alguns professores podem ser hostis. Algumas tarefas podem ser esmagadoras. Mantenha contato próximo com os professores do seu filho.Verifique se o seu filho tem um "lugar seguro" na escola onde pode compartilhar emoções com um professor, enfermeira, orientador ou psicólogo. Se o seu filho sofre assédio e / ou rejeição na escola e o pessoal não ajuda, uma educação especial ou uma escola terapêutica podem ajudar seu filho adolescente academicamente e socialmente. 

 

O suicídio pode tornar-se uma possibilidade para alguns poucos adolescentes com Asperger. Se você tem qualquer preocupação com isso, obtenha ajuda imediata de um psicólogo ou psiquiatra.

 

Use o raciocínio e negociação com seu filho, em vez de ordens. Se possível, dar-lhe duas opções, em vez de lhe dizer o que deve fazer numa situação. Ele terá mais controle sobre sua vida e sente-se menos pressionado. Ele irá ouvi-lo menos (como todos os adolescentes!) e pode apresentar raiva e impaciência. Ele pode odiar a escola e resistir a tudo o que você quer que ele faça. A depressão é comum. Se esses problemas ocorrerem, o seu filho pode precisar de aconselhamento. 

 

Fazer algum tipo de trabalho de verão ou uma terapia ocupacional, ajuda o adolescente «Aspie» a preparar-se melhor para os desafios de vida!

 

 

postado energia-a-mais às 14:35

Quarta-feira, 29 de Abril de 2015

Boa tarde,

Antes de mais, gostaria de deixar bem claro que não tenho como intenção apontar o dedo a ninguém, nem julgar, nem reclamar. Apenas gostaria de partilhar convosco a minha experiência e, quem sabe, talvez um dia possa ajudar alguém para que não aconteça com mais ninguém o que nos aconteceu.

O meu filho, depois de 10 anos de muita luta, foi finalmente diagnosticado com Síndrome de Asperger, em Dezembro passado. Sempre tivemos muitos problemas com ele e, principalmente a escola, devido ás suas dificuldades na interacção social.

O inicio deste ano escolar foi particularmente difícil. Mudou de ciclo e, como tal, de escola e de DT - tudo coisas que por si só já são complicadas. O pior foi o Director de Turma que mudou. O do ano passado era um anjo vindo do Céu para o orientar e ajudar. Ele sentiu muito essa "perda". A nova DT é uma pessoa muito agressiva, fria e sem qualquer paciência para alguém como o meu filho.

Fizemos várias reuniões com a escola, sozinhos e com a presença de uma psicóloga privada que contratámos, já que o SNS achou que ele não carecia de acompanhamento, com o intuito de pedir ajuda para ele - para os consciencializar para as dificuldades dele e a necessidade de uma abordagem um pouco diferente, mas a escola recusou veementemente em aceitar que ele tinha sequer qualquer dificuldade ou problema! Tinha no seu Plano de Educação Individual as adequações que o serviço de Educação Especial achou conveniente e mais nada. No ponto de vista da escola, tratava-se de um miúdo preguiçoso e pouco disciplinado, mas que de resto era tão normal e adaptado como qualquer outro aluno, e a carga negativa foi fulminante desde o primeiro dia.

Pedimos para valorizarem o positivo. A resposta foi um ataque brutal a TUDO de negativo. Implicaram porque não fazia os TPC. Pedimos ajuda para ele os fazer na escola, pois em casa, na cabeça dele, não era lugar para fazer as coisas da escola. A escola recusou. A disgrafia dele mantinha-se acentuada. Pedimos á escola que o deixassem entregar trabalhos em suporte digital (no PC). A escola recusou. Ele, ao abrigo do artigo 3/2008 deveria de estar numa turma de tamanho reduzido. Foi recusado e ele integrou numa turma de quase 30, incluindo alunos repetentes e destabilizadores.

O resultado do primeiro período foi uma desgraça. Teve 3 negas. Fiquei aterrada, pois ele é aluno de inteligência acima da média que nunca tinha tido notas semelhantes a estas. Falámos com ele e resolvemos fazer um acordo e um esforço para melhorar. Sem qualquer ajuda ou envolvimento da escola, ele no final do segundo período tinha subido de 3 negas para apenas 1 e ainda teve 5 quatros! Subimos todos aos céus de felicidade. A resposta da escola foi considerar que ele tinha tido apenas uma "ligeira melhoria" e que iria manter a imposição total do seu cumprimento com todos os projectos propostos.

No inicio do 3º período tudo piorou dramaticamente. O meu filho estava desanimadissimo com a reacção da escola ao seu esforço monumental. Na 6ª Feira passada, depois de mais uma reclamação da escola por ter TPCs inacabados/mal feitos aconteceu o que não desejo a NINGUÉM neste mundo. O meu filho acabou por pôr termo á vida. Tinha 14 anos.

Sabíamos que ele estava sob uma pressão desumana por parte da escola mas nunca, NUNCA em mil vidas nada os levou a pensar que isto seria sequer ponderável.

Portanto, deixo aqui um apelo para TODOS os professores e pais deste país e deste mundo. A vida de uma criança é o nosso maior tesouro. Por favor, NUNCA desvalorizem um pedido de ajuda de uma mãe. Não há NINGUÉM neste mundo que conheça melhor o seu filho do que ela. Se ela acha que precisa de ajuda, ajudem. Mas ajudem de coração. Nem que seja por indulgência, porque a dor que uma mãe sente ao perder um filho por quem pediu ajuda a tantas pessoas, tantas vezes e com toda a força que tem é algo que é indescritível.

Não aceito que qualquer situação politica justifique a falta de humanidade que hoje se vive diariamente nas nossas escolas e na nossa sociedade, sob desculpa de "cortes" e "crises" e afins. Somos humanos. Os nossos filhos são o nosso futuro. Professores e pais deviam de ser uma equipa, não inimigos.

Apelo, de coração destroçado, para que algo ou alguém mude a mentalidade de quem tem o poder de alterar mentalidades para que as nossas crianças deixem de ser consideradas um fardo que têm de ser educadas, e que passem a ser vistas como seres que carecem de orientação de quem já viveu o suficiente para os poder ENSINAR. Respeito, consideração, compaixão - são coisas que se ensinam em casa, é verdade - mas que devem de ser reforçados na escola. Lamento profundamente que hoje em dia isto puro e simplesmente não acontece.

Desejo a todos muita paz e todas as bênçãos do Alto e o meu muito obrigado por me ter sido permito este desabafe.

 

Esta Mãe chama-se Ana Sheila Martins e este foi o relato que partilhou no grupo Asperger Portugal. Podia ser um relato meu, um relato de qualquer outra Mãe que tenha uma criança com este tipo de perturbação...as tais crianças «diferentes» que ninguém sabe como incluir, que a sociedade julga sem ter direitos para isso, as tais crianças que «dão muito trabalho» e «desgastam» um professor...

Tal como diz a querida Gisela do Grupo de Perturbação de Hiperatividade, devemos refletir!!! e nunca, mas NUNCA minimizar o que eles nos contam ou o que sofrem diariamente!! Por favor NÃO IGNOREM!! todos temos responsabilidade nestas situações - é a nossa complacência enquanto cidadãos que permite sistemas desadequados persistirem, como o nosso «sistema educativo»!

 

 

postado energia-a-mais às 11:25

Quinta-feira, 19 de Março de 2015

deve ser lembrado sim, pois numa sociedade cada vez mais exigente, o papel de Pai tem de ser encarado como um projeto de Vida!!

 

Ao meu Pai, um duplo Obrigada! por ser o pai fantástico que é, pela disponibilidade, pelo Amor incondicional e sobretudo pelo papel de modelo parental que assumiu com os netos!

 

 

pai.jpg 

 

e se é verdade que Pai há só um, o Pai dos meus filhos merece neste dia um beijo especial! não podemos estar juntos mas ser pai não tem que ser necessáriamente estar fisicamente ao lado, muitas vezes a vida obriga a separações forçadas mas importante mesmo é que a distãncia não quebre o Amor, não impeça a presença do coração!

 

A todos os Pais um Dia Feliz!

 

 

 

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postado energia-a-mais às 09:50

Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2015

 

 

para falar da agressividade que tanto assusta!

Este não é um post fácil. Pensei se o deveria editar ou não...acho que o blogue serve principalmente para registar o que mais específico acontece cá em casa, uma forma de manter um certo sentido de tranquilidade, sobretudo quando o caos parece tomar conta de nós! Também não é um blogue que interesse a muita gente, acho que é lido sobretudo por quem é afetado pela PHDA e por isso o pensei como sítio de partilha.

Para mim é óbvio que nem toda a gente gosta de comentar, desde logo porque se expõe...compreendo perfeitamente. Por outro lado, acho mesmo que muitos pais preferem ignorar certas caraterísticas, até mesmo a perturbação em si! Conheço alguns que se recusam mesmo em aceitar que os filhos sofrem de PHDA porque apesar do muito que se tem falado ultimamente, esta continua a ser uma perturbação que não é consensual, nem sequer para a classe médica, nem nas escolas, nem na sociedade (basta ler os inúmeros artigos de opinião sobre o tema que proliferam por aí). 

No entanto, tenho de confessar que uma coisa é aceitar ter uma criança com PHDA que se associa ao lado mais irrequieto, agitado, quando muito, aceitar que tem dificuldades de aprendizagem decorrentes dessa condição, outra coisa bem diferente é aceitar que se tem uma criança (adolescente/jovem) que tem uma PHDA de tipo impulsivo severo, ao qual estão associadas comorbilidades muito mais graves como o transtorno de oposição/desafio, ou mesmo uma agressividade difícil de lidar. 

Eu estou na condição de mãe de uma criança, agora adolescente assim! agressivo ao ponto de pôr em risco a integridade física dele e dos outros. Medicado, é certo, visível para mim a necessitar de nova consulta para que seja feita nova avaliação sobre a medicação e outras estratégias. Eu felizmente tenho retaguarda familiar, por norma não estou muito tempo sozinha com os miúdos (tirando uma parte dos fins de semana e claro a partir do final de cada dia). No entanto, o meu filho não tem comportamento diferente, esteja alguém mais em casa, ou não. Ele simplesmente explode e leva todos à frente. 

Sempre imprevisível! nessas alturas tento manter-me (e aos outros) o mais calma possível. Tento afastar o mais novo e rapidamente separar o mais velho para uma divisão onde não esteja ninguém. Tento que ele olhe para mim e que ele faça por respirar para assentar melhor as ideias. Ele continua a demorar algum tempo até se acalmar e mesmo depois de uma explosão violenta pode ter outros acessos repentinos. Não é fácil para ninguém. E evitar estas situações, sobretudo para que o mais novo não seja o objeto dessa agressividade do irmão, tem sido muito complicado! 

Apesar disto, acredito que falar sem tabus destes temas, pode ser uma ajuda. Acredito que não sou a única a ter um filho com estas patologias e acho que partilhar ideias, saber o que fazer ou pelo menos ter algumas dicas de como lidar com este tipo de situação! Até porque estas explosões, embora ocorram muitas vezes no seio familiar, também podem ocorrer noutros contextos, muitas vezes nas escolas (quem ainda não ouviu histórias de miúdos que «partiram» a sala toda?)

Aqui fica o desafio para pais/educadores comentarem construtivamente!

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:15

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2015

neste novo Ano, ainda não relatado em post...

 

tanta mas tanta coisa que nem cabe em palavras!! estou a falar de tudo o que se passa à nossa volta nos últimos tempos, primeiros, deste 2015 que nasceu atribulado! o mundo parece girar a alta velocidade, o que mais assusta é a fragilidade do Ser Humano, numa inconsciência de valores que coloca em causa o mais básico - a Vida!

 

Explicar os acontecimentos de atos terroristas aos meus miúdos é uma tarefa de complexidade elevada, a sério! o mais novo delira com tudo o que mete apontamentos de filme, como os terroristas com armas, as forças especiais de segurança, atentados e sequestros...delira no sentido literal! e como qualquer miúdo com atividade energética para dar e vender, passa logo para a ação! tem sido um verdadeiro surto de atividade «terrorista» cá em casa, eu tanto tenho servido de cobaia num assalto, como polícia que tenta travar um grupo armado que sequestrou reféns...

 

E as análises perspicazes dele sobre por exemplo, a lei que no Reino Unido pretende levar avante a ideia de que os professores devem «denunciar» as crianças com «tendência» para virem a ser terroristas!! que ideia mais parva mamã - claro que se um professor perguntar quem quer ser terrorista, os meninos vão ficar caladinhos...mas se o professor disser quem quer ser terrorista diga já senão chamo a polícia, todos vão levantar o dedo!!!

Quanto ao mais velho, embrenhado no mundo dele, não acha que valha a pena sequer, dar atenção a essas coisas dos terroristas e assim...porque afinal isso não interessa nada para o seu dia a dia! 

E no meio disto tudo temos as nossas próprias peripécias! um mundo todo dentro de casa, onde a cada segundo existem novidades, seja porque vivemos a mil a vinda do pai e a sua partida para mais um dolorosa etapa de separação, seja porque apanhamos sustos valentes com as crises do Rafa, seja porque tivemos de lidar com uma fase complicada em termos de saúde do pai, etc....

 

E assim damos por iniciado este ano! 

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:19

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014

mas será que podemos ter férias com miúdos com PHDA? nã....só em sonhos!!!

 

Tenho muito medo do tempo de férias...a sério! nunca nada corre tão mal como quando os miúdos estão em casa, nunca nada é tão difícil de gerir como o tempo de pausa letiva, é só falar em férias que o meu organismo reage logo, qual instinto de sobrevivência, fico logo em estado de «alerta»...para não falar no aumento de trabalho numa casa invariavelmente de pernas para o ar

 

Muitas situações extremas se passam em férias como consequência das pausas na medicação, de rotinas qua acabam por ter sempre alguma alteração, apenas e só pelo facto de os meus rapazes passarem muito mais tempo juntos, o que por si só é complicado! E férias em época do Natal ui, ui...

 

Eles lá sabem aguardar pela data festiva com paciência? eles lá sabem o que é ter de aguardar por alguma coisa?? o Rafa quer que se passe a comemorar a data do nascimento do Menino Jesus logo que entrar de férias da escola (tipo dia 17, porque afinal nem sequer se sabe mesmo com provas de que Jesus nasceu a 25 e não noutro dia qualquer!!). Festejando no início das férias, as prendas seriam também entregues no início das férias, logo teria as férias TODAS para usufruir delas...

O Quico pode não entender nada sobre datas comprovadas mas isso de ter prendas antes do dia 25 parece-lhe muito bem, no calendário o dia 25 ainda vem muito longe!!

 

Estamos a poucos dias da entrada em férias e a tortura já começou - sim, estou a pensar em planos de fuga 

 

 

 

postado energia-a-mais às 11:50

Quarta-feira, 03 de Dezembro de 2014

entre irmãos são uma norma?

 

muitas vezes assisto a histórias de irmãos que se adoram, se sentem completos na presença uns dos outros e vivem uma relação de perfeita harmonia...mas quando falo dos ciúmes entre os meus rapazes, sobretudo com pessoas com filhos em idades similares, o que ouço é quase sempre «ó os meus são assim também, os meus sentem uns ciúmes, estão sempre pegados, não se dão bem...»

 

Será normal haver aquela «pontinha» de ciúme, aquela competição(zinha) o querer ser o centro? claro que cada irmão tem a sua personalidade e numa casa onde existam mais filhos, muitas diferenças deve haver...eu tenho dois e as diferenças são tantas!! mas onde existe aquela linha que define o normal ciúme, do que é já algo mais? quando sabemos que essa linha foi quebrada? 

 

Os meus rapazes são fogo! ambos conjugam as tais diferenças de personalidade com patologias cujas caraterísticas interferem no comportamento e desenvolvimento das relações. Nada há de normal no relacionamento entre eles...o mais evidente é o confronto - na maioria das vezes, físico. Mas também o verbal com muito palavrão à mistura. A impulsividade do Rafa é simplesmente incontrolável, com ele a explosão é imediata. Se resolve atacar, não olha ao que (ou a quem) está à sua volta. Não mede a força, não mede as palavras, atira com tudo e não consegue parar...é desesperante!

O Quico dá luta, não se fica mas a sua força não é a mesma (por agora). Também não consegue prever as explosões do irmão atempadamente! mas a agressividade verbal, já a usa com toda a sua potência...aplicar palavrões é uma das armas. 

Na última consulta com a psicóloga (na semana passada) o Rafa voltou a dizer que não queria ter o mais novo na vida dele...que ficaria muito melhor sem irmãos, naquela atitude entre a infantilidade e a típica fase de adolescente...

Usar estratégias pedagógicas por agora de nada tem servido! quem passa por isto com os filhotes e como fazem para resolver o dia a dia? separam-os ou obrigam a que façam atividades em conjunto? confesso que ando em constante sobressalto porque não posso deixá-los sem supervisão por um período maior do que uns 30 minutos...já aconteceram tantas cenas a roçar a tragédia que tenho medo de um dia não chegar a tempo...quem me dá umas luzes? 

 

 

 

postado energia-a-mais às 11:55

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