A Hiperactividade vista à lupa

Terça-feira, 01 de Abril de 2014

 

ou as «fórmulas» que ajudam o dia a dia de crianças como as minhas!

 

 

 

 

 

Para miúdos que constantemente são chamados à atenção (exatamente pela falta dela) pode ser penoso, sobretudo em contexto escolar, evitar embaraços perante os amigos (e professores). Muitas vezes, esquecemo-nos que por baixo do rótulo que insistem em colar-lhes à testa, existem crianças que sofrem com graves efeitos a nível de auto-estima, insegurança, ansiedade na hora de mostrar um trabalho ou responder a uma questão.

 

O Quico, agora com 7 anos (continuando a ser muito imaturo) começa a ter plena consciência das suas dificuldades, das reprimendas da professora por não ter atingido o que era suposto com determinda tarefa, da «chacota» dos meninos que nesta idade pode ser tão cruel quanto descabida. Daí que muitas vezes, apesar do reforço da psicóloga que na escola acompanha o seu percurso, tenho em casa de trabalhar com ele a sua «timidez».

 

Por vezes basta estar com atenção às suas atitudes para me aperceber do que se vai passando em sala de aula. Outras tenho mesmo de «puxar» por ele para conseguir adequar as minhas estratégias! Desde o não mostrar os TPC com medo de não estarem bem feitos, a ser menosprezado na sala perante os colegas por ter sido ajudado pela mãe, a não ter trabalhos individuais expostos tal como outros meninos...vou tentando «sacar» dele as possíveis reações. Não quero dizer que seja tudo negativo. Ele evoluiu muito no último período, conseguindo no teste anterior de língua portuguesa (teste adaptado) obter os 100% o que quer dizer que atingiu plenamente os objetivos. Esse trabalho refletiu-se numa melhor classificação nas matérias a que não faz teste diferenciado (matemática e estdo do meio) e melhorou o rendimento de trabalhos de casa e tarefas extra. Isso não foi apenas fruto da medicação, claro! Nitidamente as aulas de apoio e a professora que lhas dá, com uma maior preocupação em elogiar o seu empenho, têm feito muito bem!

 

Quando o Quico sente maior dificuldade, eu aposto em fazê-lo verbalizar. Expressar o que sente e pensa é uma tarefa difícil mas fundamental. Como já referi a sua imaturidade nota-se bastante ainda, pelo que usar métodos mais práticos resulta melho do que apenas «falar» com ele!

Aqui vai o exemplo do lápis da concentração - sempre que tem uma ficha ou outro trabalho que precise de terminar junto com os colegas, o Quico entra na sala a dizer baixinho «concentra-te Quico, concentra-te Quico». É uma espécie de prece para que tudo corra bem...Achei interessante dar ao meu filhote uma ajudinha mais palpável. Peguei num dos lápis do estojo dele e arranjei a fórmula «mágica»: aquele é o lápis da concentração! Tudo o que for escrito com aquele lápis de certeza que vai sair bem, aquele lápis ajuda a concentrar-se. É amigo só do Quico por isso ele não o pode emprestar a ninguém!

 

Depois fizemos a exepriência com os TPC. Ele ficou a fazer uma tarefa enquanto eu saí. Quando regressei o Quico garantiu-me «mãe, tinhas razão, funciona mesmo, já fiz quase tudo olha! porque o lápis me ajudou a concentrar!»

 

E lá foi todo feliz com o novo ajudante na mochila, algo material que pode tocar, sentir, sempre que precisar e injetar aquela dose de confiança!

 

 

postado energia-a-mais às 19:17

Quarta-feira, 06 de Fevereiro de 2013

 

 

que este ano não está a ser nada fácil...percurso acidentado dos meus rapazes e um coração de mãe sempre em alerta máximo

 

Desde o natal que o Rafa está a viver mais uma fase complicada. O meu menino mais velho tem tido estes ciclos assim - ora mais assertivo, mais colaborante e por isso dando a ideia de estar a fazer progressos, ora mais desafiador, mais instável e mostrando porque a PHDA é considerada uma perturbação crónica.

Durante esta fase mais difícil, todas as caraterísticas se acentuam e passamos a viver com um furacão dentro de portas. O seu modo torna-se (ainda) mais brusco, as suas maneiras mais impetuosas, tem mais dificuldade em cumprir ordens e em realizar tarefas de rotina. Sente-se mais frustrado e basta um «empurrão» para que se descontrole. Não é fácil manter o equilíbrio.

O dia do aniversário foi do pior de que tenho memória, ao ponto de tapar os ouvidos para não ouvir cantar «parabéns», boicotar o soprar das velas (foi o Quico que o fez e se encarregou de pedir os desejos da praxe), não aceitar os presentes que delicadamente os familiares quiserem oferecer, enfim, um dia que acabou com ele a descarregar a sua fúria (frustração) e comigo em lágrimas (cuidadosamente escondidas). Os fins de semana de pouco servem para atenuar esta tensão e cada dia de escola é uma tortura. Ao ponto de se ter começado novamente a recusar sair de casa, o que provoca discussões matinais intensas que desgastam qualquer um - houve mesmo um dia em que não o consegui fazer ir à escola.

Ressente-se em casa e obviamente na escola.Como tal, tem vindo a ser cada vez mais chamado à atenção, traz montes de recados na caderneta, especialmente por questões de comportamento. Mas também as notas refletem este momento conturbado. Pela primeira vez o Rafa trouxe um teste negativo - a uma das disciplinas a que nunca demonstrou dificuldades e de nota 5, matemática. Na verdade, este teste foi um desafio, não acatando a ordem da professora o Rafa insistiu em fazer os exercícios ao contrário do esperado, utilizando uma lógica só dele. A professora avisou que não queria aquela via para a resolução mas ele teimou e acabou por não dar ouvidos, chegando a dizer que fazia como queria...assim fez no teste o que deu mau resultado.

Embora não sendo novidade esta é uma situação preocupante, o que me leva a procurar ajudas. Quer com o neuropediatra, pois a medicação talvez necessite de um ajustamento, quer da parte do psicólogo, pois estará na hora de experimentar novas estratégias. Estamos a ponderar também uma intervenção da psicóloga da escola, algo que o Rafa tem dificuldade em aceitar.

 

Por outro lado temos a jornada do Quico. O meu menino mais novo está agora diagnosticado. Acentuadamente déficite de atenção, embora sem problemas «adicionais» que travem a sua aprendizagem. Ou seja, não tem problemas cognitivos mas não consegue atingir o nível esperado porque simplesmente não se concentra por períodos suficientes para conseguir executar as suas tarefas escolares.

O Quico tem sempre muita agitação mas dentro da sala de aula está muitas vezes «ausente». Perde-se no seu mundo e fica na lua até ser chamado à terra pela professora. Quando está com supervisão cerrada consegue fazer algum trabalho mas apenas por pouco tempo e com muita facilidade se distrai, pelo que pouco aproveita. Além disso parece ficar muito nervoso, pois começa a ganhar consciência de que não sabe o que lhe pergunta a professora. Embora não tenha a ansiedade extrema de que sofre o irmão, o que para mim já é motivo de menos angústia.

Agora vamos iniciar um plano por etapas, proposto pelo psicólogo que envolve trabalho em casa e na escola para que se reforce as suas capacidades e se consiga alcançar um maior nível de desenvolvimento.

 

Esta jornada está muito longe do fim, a ver vamos, um passo de cada vez, quanto mais teremos de percorrer!

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:00

Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013

 

 

o meu rapaz mais velho é mesmo muito à frente - na verdade acho que ser portador de PHDA tem um significado diferente quando lemos notícias destas

 

 

Estudantes suecos aprendem com videojogo

15.Jan.2013 11:43

Uma escola na Suécia decidiu pôr os alunos a jogar Minecraft para os formar no sentido do planeamento e construção.

De forma a educar de maneira inovadora, a escola Viktor Rydberg na Suécia decidiu pôr os seus alunos de 13 anos a jogar o jogo indie Minecraft.

O objetivo parece ser educar os mais novos no sentido de planeamento e construção ao mesmo tempo que os incentivam a cumprir metas. A notícia,avançada pelo site sueco The Local, afirma que já cerca de 180 alunos tiveram lições com o jogo, tendo aprendido a construir mundos virtuais completos com sistemas de eletricidade e água incorporados, entre outras coisas, dependendo do contexto da atividade a realizar.

“Eles aprendem sobre planeamento de cidades, questões ambientais, como deixar as coisas feitas e até como planear para o futuro. Não é nada diferente de artes ou esculpir madeira”, afirma Monika Ekman, uma professora da escola.

A ideia surgiu de um concurso que teve lugar na Suécia, chamado de “Future City”, para o qual várias turmas do país contribuíram com ideias de como melhorar a educação no futuro. E apesar de alguns pais se terem sentido desconfortáveis com a ideia inicialmente, talvez por lhes ser algo pouco famíliar, Monika crê que a escola irá continuar a usar o videojogo como ferramenta.

“Tem sido um grande sucesso e com certeza iremos fazê-lo de novo.”

O que pensam da ideia em causa? Acham que Minecraft pode de facto contribuir para a aprendizagem dos mais novos?

 

Fonte: http://gameover.sapo.pt/artigo/estudantes-suecos-aprendem-com-videojogo

 

Ora é precisamente por causa deste jogo em particular que o Rafa tem passado horas ao PC...e esta hein? Pena que em portugal, as escolas em vez de incentivarem os jovens a utilizarem certos jogos como ferramenta, continuem a usar o método repetitivo e enfadonho dos TPC à velha maneira....

Até o Quico adora jogar Minecraft e é a única altura em que fica quieto (por isso tem permissão para estar ao PC durante a última fase da noite antes de ir dormir para ver se acalma)

 

 

Nota: eu supervisiono o jogo e garanto que é mesmo um método excelente para miúdos com PHDA, pois funciona como um estimulador dos neuro transmissores cerebrais, precisamente obrigando o cérebro do hiperativo a produzir a substância que está em falta. Deste modo pode ser um aliado para elevar o poder de concentração, além das potencialidades de trabalhar áreas como a criatividade, construção e planeamento...claro que, tal como frisei no post anterior tudo tem de ter «conta, peso e medida», ou seja, é no equilíbrio que se encontra a chave do sucesso, coisa que ainda está longe de acontecer no caso do meu filhote!

 

 

postado energia-a-mais às 09:08

Segunda-feira, 07 de Janeiro de 2013

 

 

para mais um evento do núcleo norte de apoio a pais de crianças com PHDA

 

...amanhã, ao final do dia, estarei no Agrupamento de Escolas de Alpendurada - Marco de Canaveses, onde o Dr. Ivo Pinto, psicólogo que nos acompanha fará uma ação de formação para docentes

 

 Um bom exemplo de que existem muitos professores empenhados em melhor compreenderem como lidar com estes miúdos em contexto escolar

postado energia-a-mais às 23:10

Quinta-feira, 18 de Outubro de 2012

 

 

nem sei o que pensar...será o deficit dos meus rapazes a causa dos «problemas» na escola ou será o excesso de «zelo» dos professores o verdadeiro motivo de tanto recado?

 

Já aqui falei de como está a ser penoso este ano letivo. Não há um dia em que não cheguem queixas da escola, ora de um, ora de outro, frequentemente dos dois...já deixei de contabilizar os recados do Rafa e as tabelas do comportamento do Quico andam a vermelho mais vezes que o desejável. E o dia de ontem então fica para o registo «oficial».

 

Os dois estiveram na «mira» dos professores e o resultado foi catastrófico - o Rafa trouxe um dos recados mais duros de sempre (que me faz responder através da mesma via) e o Quico trouxe vários itens a vermelho, o item do comportamento a preto (cor que a professora dizia no início do ano ser quase impossível algum menino vir a ter) e recado escrito para explicar as razões de tal avaliação....

 

Ora confesso que me sinto angustiada, desmotivada e sobretudo preocupada com o futuro. Mas também tenho algum sentido crítico sobre os «tais motivos» e admito que por vezes os acho um «exagero». Eu andei na escola, fiz todos os ciclos escolares até à licenciatura. Não fui das mais irrequietas é verdade mas tive vários colegas que o eram. No entanto não havia tanto dramatismo assim quado alguém se virava para trás ou falava para o do lado. Também não me lembro de nenhum professor que tivesse aconselhado os pais a levaram um miúdo ao psicólogo porque este corria demais, nos intervalos fazia pinos ou era agitado na cadeira....

A professora do Quico diz que ele é imaturo, demasiado brincalhão e não dá importância à escola. Justifica a tal bola «preta» com o facto de ele ter passado o dia a fazer palhaçadas, não ter feito os trabalhos e apesar de o ter chamado à atenção ele ter continuado a ignorá-la. Eu sei que dentro de uma sala de aula é suposto as crianças colaborarem mas será que num primeiro ano, ainda no primeiro período, miúdos que acabaram de sair de uma pré, mesmo que já tenham feito 6 anos, terão maturidade suficiente para o entenderem? e mesmo que alguns o tenham, será que todos se desenvolvem ao mesmo tempo? todos revelam a mesma maturidade?! Se eu, em casa, apesar de muito esforço e de ter de o fazer usando certas estratégias (como ter o mínimo de estímulos à volta, falar com calma, levá-lo a fazer por ele, dar-lhe os parabéns efusivamente quando o atinge o objetivo) consigo que faça os trabalhos, não terei legitimidade para questionar porque é que na escola ele não os faz? ok, a professora tem muitos alunos...mas tem preparação para isso, certo? 

 

Quanto ao Rafa, mandarem recados porque ele se vira para trás???? apetece perguntar - e então????? será que todos temos a mesma atenção durante todo o tempo de uma tarefa? nunca viram a pessoa com quem conversam, olhar para o lado durante a conversa?  nesse caso existe muita gente com déficit de atenção! depois, dizer que ele «não sabe estar numa sala de aula», que os seus trabalhos de EV/ET revelam pouco empenho, significa o quê? um miúdo com PHDA tem dificuldades em trabalhos que impliquem maior concentração e destreza manual. Isso não revela pouco empenho, revela antes de mais uma necessidade específica decorrente de uma perturbação que lhe afecta comportamento, atitudes e capacidades. Mas que se pode colmatar e trabalhar de modo distinto que lhe permitam ultrapassar obstáculos. Não saber estar numa aula é faltar ao respeito, não é no meu entender levantar-se da cadeira para afiar os lápis ...ou olhar para o lado, rir para o colega e comentar uma imagem que estava a ser tratada na aula - aliás o Rafa nunca teve confrontos na sala, até porque a medicação o faz ter mais controlo, os recados são sempre pelo facto de ele se distrair facilmente ou elevar a voz na conversa com os colegas...coisa que os professores deviam saber orientar, pois são caraterísticas da patologia dele.

 

Por causa deste desgaste constante é difícil manter-me animada. Sobretudo porque acabo por ter de passar muito mais tempo com eles para que façam algum trabalho em casa. E isso é outra luta... Para além de estar sozinha e ter de dividir o apoio pelos dois, sendo que alguns dos conhecimentos a aplicar exigem já um puxar pela memória (e isso porque os estudei de facto, coisa que para muitos pais se torna ainda mais complicado) tenho todo o trabalho doméstico a meu cargo e obviamente tenho de fazer jantar, dar banhos e manter a casa a funcionar - para dar um exemplo, estive ontem duas horas com o Rafa para que acabasse os trabalhos em falta (8 exercícios de matemática todos com várias alíneas) e conseguisse fazer um trabalho de português de três páginas de exercícios o que para uma criança com PHDA é um autêntico massacre. E uma hora com o Quico para que emendasse o trabalhos das fichas da escola mais o trabalho marcado para casa... ou seja entre as 20h00 e as 23h00 não fizemos mais nada...numa fase em que eles precisavam de acalmar, ter tempo para conversar, ter a minha atenção, para se deitarem a horas aceitáveis, estivemos a barafustar porque um não se calava enquanto o outro estava comigo, ou a ter de deixar um no PC para haver mais sossego! isso não será motivo para um recado aos professores?

 

APOIEM OS ALUNOS NA ESCOLA - REDUZAM OS TPC!

 

postado energia-a-mais às 09:13

Sexta-feira, 12 de Outubro de 2012

 

Eis a conversa retirada do histórico do skype, entre o meu filho e um amigo de turma, após a minha insistência para que se inteirasse atempadamente dos TPC ou teríamos «festa» caso viesse novo recado da escola

 

 

 

[20:49:51] João Pinho: sei la
[20:49:56] João Pinho: temos tpcs
[20:50:03] Samuka Neves: mat
[20:50:16] João Pinho: ok o quais sao
[20:50:20] João Pinho: ?
[20:50:31] Samuka Neves: fogo tu nunca aontas??
[20:50:37] João Pinho: no
[20:50:40] Samuka Neves: apontas*
[20:50:44] Samuka Neves: dass
[20:50:46] João Pinho: nao
[20:50:54] João Pinho: diz la mas e
[20:51:56] Samuka Neves: pag 12 cad atividades
[20:52:02] João Pinho: ok
[20:52:08] João Pinho: a 13 tb e?
[20:52:13] Samuka Neves: n
[20:52:18] João Pinho: ok
[21:33:29] Samuka Neves: entao que tas a fazer??
[21:33:57] João Pinho: e o meu irmao que esta no pc
[21:34:06] Samuka Neves: ok

 

aquele intervalo de tempo (20h52 às 21h30) em que não esteve ligado no skype foi o período em que tentou realizar a tal tarefa de matemática...por cá foi dia de feriado municipal - desde a hora de almoço que travamos uma batalha sobre os TPC...durante grande parte do tempo ele garantia que não tinha nada para fazer em casa pois não encontrava nada anotado! Por sorte deixei-o ligar o PC e encontrou este amigo conectado....espero sinceramente que não venha novo recado por falta dos trabalhos de casa, até para o motivar a ter mais responsabilidade pelas suas coisas!

 

postado energia-a-mais às 08:57

Terça-feira, 14 de Agosto de 2012

 

alucinantes...assim se vai passando o mês de agosto cá por casa!


Também com um filho diagnosticado com PHDA e outro que leva todas as caraterísticas, qualquer semelhança com a realidade (dos outros) é pura ficção!

 

 

 

 imagem tirada da net

 

 

 

Embora habituada a viver a mil, os dias de férias são para mim uma tortura. São longos, cansativos e super agitados. Demais!! As manhãs despertam cedo e terrivelmente implicativas - para dar um exemplo:

 

6h45 - o Rafa salta da cama e acorda-me, seguindo logo a acordar o mano...disputam de imediato um lugar no PC para ver quem joga primeiro...brigam para ver quem come os cereais primeiro e para ver quem chega o comando da TV primeiro...e depois seguem-se as tardes! loooongas...e cansativas, em que por mais incentivos que vá dando, as únicas coisas que fazem são brigar entre eles e chatear toda a gente...enfim! As horas que passo a separá-los e a tentar que façam alguma coisa, desgastam-me e deixam-me com pouco tempo para viver este período em família.

Finais de dia são para esquecer, cada vez o ritmo aumenta mais e não abranda antes da noite já bem entrada! embora a medicação do Rafa seja tomada por volta das 21h, o adormecer chega lá para a meia noite!

E as rotinas? é que nem querem saber de coisas tão básicas, como tomar banho (porquê mãe? eu nem vou para a escola...) vestirem-se ou deixarem o ar de selvagens em fúria....para o Quico comer é algo que impede saltos e brincadeiras (nem que seja por um segundo) e portanto prescinde disso...

 

De vez em quando atrevo-me a mudar o palco de tanta agitação. E assim, em vez de ficar-mos por casa, lá nos aventuramos numa praia, numa piscina, parque ou qualquer outro sítio que tenha espaço para correrem e sobretudo água para se banharem! aliás, na água conseguem parecer «quase normais» não fosse o entra e sai constante - tipo: mergulho, areia, toalha, areia, mergulho ininterruptamente por mais de 4 horas....e os desatinos com que brindam quem está com eles ou quem fica de mirone....

 

o linguajar anda do melhor! os meus filhos decididamente estão-se a «marimbar» para códigos e acordos ortográficos. Entre eles e deles para nós (e para outros) prevalece o mais puro e duro calão. Mas do norte, claro! que nisso eles são menifestamente defensores da «língua materna». O Quico usa todos os palavrões sem demonstrar réstia de pudor...o Rafa nem pestaneja. Eu antes corava....agora - tapo os ouvidos (o que não ouço não me atinge!)

 

 

e pronto - querido mês de agosto, vê lá se chegas rápido ao fim, sim?



postado energia-a-mais às 09:03

Quinta-feira, 02 de Agosto de 2012

 

 

as tais que podem ser mais ou menos drásticas

 

já percebi que isto de educação não é nada linear - e tal como não existe um modo único de educar, também não existe uma forma única de definir um «castigo». Eu aprendi há muito que «castigo» é algo vago e abstrato no entendimento de uma criança portadora de PHDA. E se mesmo para os pais cujos filhos não sofrem deste transtorno, por vezes as regras não são fáceis de implementar, para quem tem miúdos com hiperatividade, a missão pode ser (quase) impossível.

 

Dos comentários que me deixaram ao post da introdução, destaco que algumas mães consideram a «palmada» como drástica - o que é bom, pois significa concerteza que não usam de forma recorrente o método da força (no entanto que me desculpem mas eu não acho nada drástico dar uma palmada - uma apenas, quando sai de cabeça fria e pensada, caso contrário pode virar para o descontrolo, é um corretivo que já se mostrou eficiente em muitos casos!)

Já em relação ao comentário da Pat (mãe de um menino com PHDA) o discurso é bem mais semelhante às situações daqui de casa - aliás duas das descritas já apliquei com o Rafa. Cancelar a festa de aniversário, quando ele esperava ter um grupo de amigos e festejar num recinto desportivo. Foi motivo para gritaria por algumas horas, muita fúria e muita contestação/confronto até...mas durou apenas naquele momento - no dia do aniversário não se lembrou da festa e sempre que eu a mencionava e o motivo porque a tinhamos cancelado ele dizia «e quê? eu nem queria festa...» e continuava na dele...Já o fechar no quarto resultou apenas por duas horas porque para além de ter partido quase tudo o que havia no quarto (digo móveis porque tinhamos tirado o resto, ou seja os brinquedos) teria partido a porta caso o não tivessemos deixado sair entretanto. Acabei por considerar que o gasto com os estragos e o sufoco que passamos naquelas duas horas de terror, seriam bem maiores do que a lição que ele iria retirar....

Para além dessas duas, houve uma vez que tal como a C. também a cena se passou no carro, a diferença é que estava apenas com o Rafa e que depois de ele me ter partido com os pés o tabelier, parei, puxei-o para fora, entrei no carro e arranquei. Sim...ficou na berma, berrando desvairado...sim, travei uns metros à frente, entretanto desperta quando um grupo de mulheres de uma fábrica que viram o sucedido corriam atrás do carro 

 

Ou seja, para mim «drástico» já tem assim uma conotação digamos mais à frente!

Ora se uma coisa eu aprendi é que para o Rafa, não faz sentido retirar algo, ou mesmo usar um «castigo» para mudar um comportaento. Para ele, tal como para outras crianças com PHDA, o reforço positivo e muito mais eficaz. E uso realmente esse sistema muitas vezes para o fazer compreender certas coisas (tal como por exemplo com o método dos pontos) e resulta muitas vezes!

 

Mas em outros momentos sinto que tenho de lhe aplicar uma «sanção» pelo que ele fez. Impulsivamente, se lhe dou uma palmada é óbvio que ele não se fica - nem reconhece a autoridade e a diferença de eu ser a Mãe. Portanto teria de entrar em confronto - ora isso eu tenho de evitar claro! Também nunca se cala a um argumento....já se lhe virar costas, o ignorar e lhe disser que tem de ser ele a tomar as suas decisões básicas) a que horas se deita, trocar a roupa, faer um lanche sozinho....

 

Depois de um alucinante dia em que pareciam dois diabos zaragateando pela casa - a minha cabeça estava qual balão em enchimento. Tinha ameaçado que me iria embora de casa se continuassem noite dentro. Continuavam e não havia maneira de parar - aproveitei e esgueirei-me em silêncio. Quando deram pela minha falta, já estava escondida no atrio. Ouvi os gritos e resisti. Ouvi a aflição de um e de outro, a voz de pânico do Rafa e o choro terrível do mais novo. A tentativa do Rafa de acalmar o Quico foi comovente e acabei por entrar quando o Rafa se dispunha a telefonar aos avós e procurava afoito o seu telemovel por causa do número (já tinha ligada para o meu telemovel mas deixei-o propositadamente no quarto e isso aumentou-lhe a aflição)

Quando entrei o Quico agarrou-me com força e o Rafa transpirava em bica de tanta ansiedade. O meu coração ficou amachucado por ter feito essa «maldade». Avisei-os no entanto que o faria se não conseguisse manter as coisas dentro do limite. O limite são as brincadeiras e o terem de respeitar as regras da mãe quanto a horários, barulho e higiene. A coisa melhorou com eles muito solícitos e até o Rafa pediu desculpa. 

Claro que foi uma medida de curta duração - mas aqueles minutos em que julgaram que os tinha deixado (ai!) valeram uma lição mais eficaz do que se lhes tivesse tirado todos os brinquedos ou os proibisse de irem ao cinema. 

 

Se tiraram a devida consequência? bem, a julgar pelo incremento das atividades «radicais» e parvoeiras associadas, a coisa não funcionou tanto assim, embora se eu olho direto nos olhos deles e lhe «relembro» o que aconteceu, acalmem um pouco...bolas, o que precisarei fazer a seguir? 

 

Depois de analisar descobri um dado importante - a última vez que dei um elogio ao Rafa foi no dia 26 de Junho, dia em que fui levantar as notas escolares. Depois disso só repreensões - tenho de inverter rapidamente a minha conduta! Isso sim faz muita diferença e é uma medida bem «drástica»

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 07:52

Terça-feira, 10 de Julho de 2012

 

 

ou o retrato possível do verão possível...

 

podia falar de muita coisa. Tanto que tem acontecido nesta sucessão de dias em que tenho andado menos assídua por cá. Podia descrever muitas cenas desde as mais doidas às mais originais. Retratos de uma vida tocada pela PHDA. Qualquer que seja o cenário, a perturbação do Rafa continua a ser a principal tela onde se misturam as mais variadas cores, os mais diferentes tons, os traços mais vincados.

 

Mencionei por alto no post anterior que o pai está por cá estes dias. Um acidente (não grave do ponto de vista físico) acabou por «obrigar» a férias antecipadas - só as esperávamos a quatro lá para finais de julho. Aliás esperava colocar o Rafa num campo de férias (tanto para o ocupar como para me desocupar a mim por um par de horas por dia) e esperava fazer o Quico participar nas idas à praia com o CAF da pré. Mas as voltas da vida trocaram-me os planos (como se isso já não fosse algo habitual puff...). Portanto mais cedo que o previsto vi-me com os três homens da minha vida ao mesmo tempo no mesmo espaço. Sem actividades planeadas e sobretudo sem a minha preparação mental. Garanto que isso faz toda a diferença para o retrato final.

 

Deixei-me guiar ao sabor dos dias (e guio-me como os antigos, olhando pela janela de manhãzinha - se o sol espreita ou se está envergonhado, para assim decidir se saímos ou ficamos dentro de portas) que tanto podem começar com uma birra monumental como com um vendaval de vozes, correrias e gritos por entre espadas, escudos e pistolas de brincar. Quase sempre seguimos o ritmo alucinante dos miúdos e acabamos por fazer mais num único dia, que muita gente fará em todo o verão - exemplo? podemos fazer os 2800 km de parque biológico de Gaia, ver todas as criaturinhas que por lá circulam em semi liberdade, visitar as exposições patentes, fazer o percurso das quintas, olhar pelos binóculos até o mais pequeno insecto

 

 

e mesmo assim, chegar a casa, fazer o jantar enquanto eles montam um cenário de índios, dar banhos como se estivéssemos a assistir a competições olímpicas de mergulho (com apetrechos apropriados e tudo) e ainda dar uma volta pela cidade em bicicleta, terminando a noite com o verdadeiro espírito guerreiro em alta - sendo que eles nos declaram guerra sem tréguas porque simplesmente não querem ir para a cama...

 

E o que dizer do retrato de um típico dia em casa - depois de decidir-mos por entre muita discussão entre irmãos qual o filme que vamos ver, as pipocas divididas até ao último grão de milho, as bebidas religiosamente verificadas (não vá um copo estar mais cheio de chá gelado que o outro), os lugares ganhos quase em batalha campal - o melhor é sempre o lugar que pertence ao outro (mesmo que o sofá enorme possa levar com mais três pessoas) lá começa o fadário de ver e rever as cenas, na guerra por quem tem o comando, quem decide o volume do som, quem orienta a imagem (agora em versão LCD mini, pois que ainda não se prevê nova aquisição que reponha a que destruíram). Fatalmente o filme será interrompido mil vezes antes do fim, recomeçando sempre tudo de novo, enquanto o Quico assobia, grita estridentemente, salta por cima do sofá ou se posiciona em frente à TV e o Rafa grita histericamente, belisca o irmão, pontapeia tudo, manda calar aos berros, solta uns palavrões...Findo o período de histeria colectiva, pais e filhos olham uns para os outros, decidem que o filme já não interessa nada, calma relativa enquanto o mais velho muda o rumo do assunto arrastando o pai para o pc e o mais novo insiste em jogar às lutas ou brincar aos cães...

 

e lá vamos compondo este retrato que apesar de todas as nuances, tentaremos que tenha sempre bem delineadas as figuras principais!

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:12

Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

 

 

e já agora «erase and rewind» para ver se apago este fim de semana e o substituo assim por um, digamos...mais normal!

 

eu até tinha planos normais - qualquer coisa como «neste fds vou cumprir com a minha acção de solidariedade e doar alguma coisa para o banco alimentar...» e juro que não entendo porque é que isto correu tão mal....

 

 

os miúdos tiveram no sábado uma agenda social do mais preenchido - estas solicitações obrigaram-me a um verdadeiro corropio. O Quico teve uma festinha de um colega, mais um aniversário no tal sítio da diversão. Só que foi durante a manhã. Como ele dormiu (desde o acidente da minha mãe foi a primeira vez) em casa dos meus pais, eu tive de ir mais cedo para o arranjar e levar então à festa que tinha início às 10H. Eram dez e vinte quando cheguei a casa e só tive tempo para apressar o Rafa que entretanto claro, continuava de pijama e sem pequeno almoço apesar das minhas recomendações, visto ter às 11H o curso no centro de competências. Lá fui levá-lo, vim a casa, coloquei o almoço a fazer e depois de fazer as camas e estender roupa, ala buscar o Quico ao meio dia. Voltei a casa, dei o almoço ao miúdo, aprontei tudo o resto e fui buscar o mais velho que saía à uma. Entretanto depois das normais tarefas domésticas, voltei a ter de levar o mais velho, desta vez a casa de um amigo para fazerem um trabalho em grupo para a escola.

Aproveitei para trocar posições com o meu pai e enquanto ele tomava conta do Quico, fui a casa da minha mãe para ajudar nalgumas coisas básicas.

Com isto eram horas de aprontar a janta, ir recolher o Rafa e dar as voltas rotineiras até os conseguir meter na cama...até aqui (tirando o entra e sai) tudo rolando!

 

No domingo coisa bem mais difícil - gerir os dois no mesmo espaço por mais tempo seguido. Até à hora do almoço, separei-os o mais que pude....mas eles embirravam um com o outro a cada segundo...Quando o Rafa atinge o ponto de ebulição a tampa salta logo. Ele tem andado muito mais agitado (a prova está também nos 5 recados na caderneta da escola que trouxe nos ultimos dias). Qualquer coisa e a sua impulsividade surge num apice (como aliás é a impulsividade). Estava eu a tirar o almoço, os dois embirravam por causa do comando da TV da sala, o mais novo queria escondê-lo para negar o acesso do irmão a um canal «dos chatos» (Discovery) e o Rafa gritava, esbracejava e tentava a todo o custo levar a dele a avante. Ora, como mais velho por norma consegue sempre o que quer, pela força bruta. Tentei separá-los mas parece ter a força de Golias nestas alturas! Tirou o comando da mão do Quico e fez um movimento com o joelho que lhe acertou na barriga. O Quico sentiu-se duplamente frustrado e quando vi o que ia acontecer corri mas não fui a tempo - vi a faca a voar pelo ar (a mesa estava posta, as facas eram as do talher) e senti o embate como em mim...no ecrã da TV. E pronto - lá se foi o nosso belo LCD...

 

 

 

imagem retirada da net

 

 

Obviamente não é pelo televisor em si (embora isto agora vá ser outro berbicacho) mas toda a cena, principalmente o final e as consequências arruinaram por completo todos os meus planos. Depois de ter feito um esforço sobre humano para não desatar a espancar os putos, depois de ter de me acalmar a mim e a eles (entretanto o Rafa histérico tinha dificuldade em acreditar que já não tinha TV e mexia-lhe por todo o lado, enquanto o Quico desatou num pranto profundo) lá tive uma conversa com os dois onde impus os castigos comuns (não vão ter direito a prenda do dia da criança) e avisei que não iria tolerar qualquer comportamento que desrespeitasse as regras de - falar baixo, não discutirem, correrem pela casa, desarrumarem sem voltarem a arrumar. Muito previsivelmente, passei o resto do dia a relembrá-los (em especial ao Rafa) dos castigos e regras...

 

A minha cabeça continua em água, até porque dominar a frustração que entretanto se apoderou do mais velho, acabou por ser mais desgastante do que o incidente propriamente dito. Nada me saberia melhor do que apagar isto tudo e voltar a sexta à noite...caramba!

 

 ...

 

postado energia-a-mais às 09:04

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