A Hiperactividade vista à lupa

Segunda-feira, 13 de Abril de 2015

estão a descredibilizar cada vez mais a grave perturbação de hiperatividade e défice de atenção!!

 

Este é um assunto polémico, porque tudo o que não é consensual levanta polémica. A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é um dos transtornos mais usuais nos dias de hoje. Parece que uma epidemia grassa por aí e pelos vistos é contagiosa (not) uma vez que se espalha a uma velocidade estonteante e atinge crianças cada vez mais novas!! fico siderada com o número cada vez mais alarmante de casos diagnosticados (e medicados).

Eu, que lido com esta patologia há mais de 10 anos, quer em casa, quer por ser a minha ocupação a tempo inteiro enquanto coordenadora dum grupo de apoio a pais (que trabalha essencialmente os dois contextos - família e escola, dando formação, levando informação a quem a solicita, fazendo o acompanhamento de casos e apostando na correta percepção da PHDA) nunca esperei ter cada vez mais dúvidas, em vez de mais respostas...mas a verdade é que cada vez me sinto mais confusa! 

São pais que me chegam com miúdos cujo diagnóstico foi feito pela escola, são crianças com «défice de atenção» que não demonstram outras manifestações a não ser na escola, são cada vez mais casos de crianças que não «reagem bem» à medicação!!! o meu cérebro fica logo em alerta vermelho!!! será que não está na altura dos «especialistas» atenderem a estes sinais? será que não está em risco uma quantidade cada vez maior de crianças por causa dos chamados falsos diagnósticos? uma vez o Dr. Lobo Antunes considerou que era bem mais grave não diagnosticar uma criança com PHDA, do que diagnosticar em «excesso». Eu reconheço no Dr. Lobo Antunes um grande especialista na matéria e não posso deixar de concordar de que uma criança que não é diagnosticada enfrenta uma batalha para a vida...mas sinceramente os miúdos que são diagnosticados erradamente também estão a sofrer (junto com toda a família) e por vezes até a colocar em risco um futuro bem mais promissor!

Que diabo! uma PHDA para ser diagnosticada não se resume a «défice de atenção» na escola! este é um sinal de que alguma coisa está mal sim - mas na escola!! e vamos lá a assentar isto nas bases médicas e científicas - sendo a PHDA uma perturbação neurológica (o que por si só já diz muito sobre a prevalência) com 3 tipos de especificadores (o desatento, o impulsivo e o misto) a taxa de casos de uma PHDA de tipo desatento é muito menos comum do que a de tipo misto!! quer isto dizer que quando se fala em PHDA, o maior número de casos demonstram sem dúvida que o portador desta patologia tem por norma manifestações tanto de desatenção, como de agitação motora/impulsividade! o que tem toda a lógica, uma vez que se trata de uma «deficiência» na regulação dos neurotransmissores cerebrais e portanto o mais comum é que isso afete todas as áreas do individuo (seja na parte da desatenção, não conseguir manter o foco, seja no falar demais, seja na impulsividade, seja na agitação, não conseguir estar parado)

Sim, existem casos em que a manifestação mais notada é a desatenção - e por isso é que os especialistas entenderam este subtipo, no entanto é mais raro, acontece menos vezes, quase sempre nas raparigas, ainda menos nos rapazes! e sim, existem também casos em que se notam muito mais as questões ligadas à agitação, à impulsividade, sem os critérios de diagnóstico da desatenção - mas são casos ainda mais raros (mesmo assim, mais comuns nos rapazes)

Portanto, pais - não é comum uma PHDA afetar «apenas» a atenção!! desconfiem sempre dum primeiro diagnóstico desse tipo, mesmo que achem que foram feitas as avaliações corretas (por norma questionários aos pais e aos professores) e mesmo que achem que não vale a pena uma segunda opinião - desconfiem! mas desconfiem ainda mais se os sinais que recebem após iniciarem a medicação forem - ele/ela não «reage bem» ao concerta ou ao ritalina, vamos experimentar o rubifen! o que é «não reage bem»??? são raros, muito raros os casos em que a criança (ou jovem ou adulto) não tem melhorias com o metilfenidato (o psicoestimulante usado no tratamento da PHDA) pode acontecer sim, mas por norma já na fase da adolescência e isso porque o organismo sofre alterações decorrentes da idade e da própria patologia. Nos mais pequenos, se estiverem bem diagnosticados o metilfenidato atua sim! Acontece que em muitos casos a medicação não é de facto necessária - não é, porque a criança não tem PHDA! é por isso que não funciona com o ritalina ou concerta...ah mas tem melhorias com o Rubifen que tem o mesmo princípio ativo - sim, porque a dose é muito baixa!! aliás uma criança de 7 ou 8 anos com peso adequado à idade e que sofra de PHDA raramente sente efeitos com o rubifen, exatamente porque a atuação é reduzida, por isso introduz-se um medicamento de ação prolongada - Concerta ou Ritalina (atenção que aqui ressalvo os casos em que existem as chamadas comorbilidades, patologias associadas e em que se poderá ter necessidade de outro tipo de medicação, ou de não usar a tal substância e usar outras mais eficazes, mas isso são excepções)

Este post não vai ser bem recebido por muitos pais! eu sei...vai ser do tipo - mas quem é esta que vem agora dizer que devemos desconfiar dos especialistas??!! na verdade, só eu para ser «atrevida» assim  mas digo, isto de ver cada vez mais e mais crianças com medicação assusta-me mesmo! desconheço todos os motivos para este tipo de «falsos diagnósticos» mas posso apontar alguns, fruto da minha vivência e das experiência de todos estes anos, com diferentes intervenientes no processo:

- as escolas estão cada vez menos adequadas às crianças, as metas curriculares são ridículas, o método pedagógico não é o mais indicado, os programas são demasiado extensos e confusos, as turmas demasiado grandes, demasiadas pressões - tudo isto leva a um número cada vez maior de crianças que não acompanham o ritmo, que sentem dificuldades na aprendizagem (tentem fazer as fichas de TPC do 2º e 4º ano e vejam se vocês pais, não sentem dificuldades...), que se distraem facilmente, que não estão motivados/concentrados  

- existem cada vez mais fatores externos que condicionam as aprendizagens - crianças de famílias em ansiedade por não terem rendimentos suficientes, pais desempregados, pais e professores desmotivados, vida louca de correrias e pressões (distúrbios de ansiedade, «saltar» o pequeno almoço, não ter rotina de sono adequado, certos casos de depressão - tudo isto pode ter manifestações semelhantes às da PHDA, o que confunde os diagnósticos)

- as avaliações «apressadas», feitas com base em relatórios da escola, sem avaliação integral dos diferentes contextos, a necessidade de fazer «poupar» recursos, a interpretação errónea dos comportamentos relatados...

Enfim! são motivos mais do que muitos para se chegar a um diagnóstico incorreto!! eu insisto que o critério da idade (ter «diferenças» desde muito cedo, ser notório que antes dos 4-5 anos já as manifestações de agitação, descoordenação motora, dificuldades em articular discurso verbal estão presentes) e o critério das manifestações iguais em diferentes contextos (mostar o mesmo tipo de comportamento na escola, em casa, na rua, no parque, no café...) são as grandes bases dum diagnóstico correto!

 

Este texto é de opinião, como tal não obedece a nenhum tipo de motivação extra, seja de lançar mais confusão ou causar mais preocupações, é um exercício pessoal de reflexão - se alguém achar que pode ser importante repensar o assunto, partilhe! 

 

 

 

postado energia-a-mais às 23:14

Segunda-feira, 02 de Março de 2015

Todos já devem conhecer a história - aquele miúdo que por estar sempre a dizer mentiras, quando falou verdade ninguém se acreditou...

 

Lá vem isto a propósito dum comentário que li aqui e que me fez remeter para o que ouvi dizer na última palestra/debate dinamizada no âmbito do trabalho no Núcleo de Apoio a Pais. A maioria dos professores que me abordou nesse dia,tinha esta ideia «PHDA existe no entanto não existem crianças com PHDA» - o que existem são miúdos preguiçosos, mandriões, mal educados....os pais medicam porque querem, muitos pelos vistos medicam mesmo sem os médicos prescreverem! São esses os mesmos professores que mandam recados para casa, logo no início da escola porque «o aluno não se concentra, está sempre a perturbar a aula, não se consegue trabalhar com ele e prejudica o rendimento da turma»...

 

Não sei o que falha, informação existe, até demais - qualquer pessoa pode consultar na net tudo o que necessita sobre esta perturbação. Pode informar-se ainda através de meios mais pessoais, recorrendo a quem vive essa experiência na pele, falar com profissionais de saúde, etc. Existem cursos para quem precisa de saber lidar mais de perto com a PHDA, seja na qualidade de professor, seja como pai. Existem muitos livros que ajudam a compreender e mostram técnicas e estratégias a utilizar! mas a informação parece estar a passar de forma errada!!

Pergunto, como mãe, sou obrigada a aprender cada vez mais, tenho de ser Mãe - no sentido de educar; tenho de ser professora - porque a escola não sabe ensinar uma criança assim; tenho de ser médica - porque acham que sou eu que decido se dou, quando dou e como dou a medicação; tenho de ser psicóloga - porque afinal ninguém sabe ouvir os miúdos e parece que ninguém se importa com o que eles pensam sobre o que os afeta diretamente! que papel tem então a escola? os médicos? os profissionais de saúde?

E depois de tudo isto ainda tenho de levar com a dúvida «porque a PHDA existe mas como todos agora são hiperativos ninguém sabe quais são os verdadeiros!!!» Ora tenham dó!!! e não se notam diferenças é isso? não é óbvio que só a falta de vontade leva aos comentários deste tipo?

 

postado energia-a-mais às 13:49

Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2015

 

 

para falar da agressividade que tanto assusta!

Este não é um post fácil. Pensei se o deveria editar ou não...acho que o blogue serve principalmente para registar o que mais específico acontece cá em casa, uma forma de manter um certo sentido de tranquilidade, sobretudo quando o caos parece tomar conta de nós! Também não é um blogue que interesse a muita gente, acho que é lido sobretudo por quem é afetado pela PHDA e por isso o pensei como sítio de partilha.

Para mim é óbvio que nem toda a gente gosta de comentar, desde logo porque se expõe...compreendo perfeitamente. Por outro lado, acho mesmo que muitos pais preferem ignorar certas caraterísticas, até mesmo a perturbação em si! Conheço alguns que se recusam mesmo em aceitar que os filhos sofrem de PHDA porque apesar do muito que se tem falado ultimamente, esta continua a ser uma perturbação que não é consensual, nem sequer para a classe médica, nem nas escolas, nem na sociedade (basta ler os inúmeros artigos de opinião sobre o tema que proliferam por aí). 

No entanto, tenho de confessar que uma coisa é aceitar ter uma criança com PHDA que se associa ao lado mais irrequieto, agitado, quando muito, aceitar que tem dificuldades de aprendizagem decorrentes dessa condição, outra coisa bem diferente é aceitar que se tem uma criança (adolescente/jovem) que tem uma PHDA de tipo impulsivo severo, ao qual estão associadas comorbilidades muito mais graves como o transtorno de oposição/desafio, ou mesmo uma agressividade difícil de lidar. 

Eu estou na condição de mãe de uma criança, agora adolescente assim! agressivo ao ponto de pôr em risco a integridade física dele e dos outros. Medicado, é certo, visível para mim a necessitar de nova consulta para que seja feita nova avaliação sobre a medicação e outras estratégias. Eu felizmente tenho retaguarda familiar, por norma não estou muito tempo sozinha com os miúdos (tirando uma parte dos fins de semana e claro a partir do final de cada dia). No entanto, o meu filho não tem comportamento diferente, esteja alguém mais em casa, ou não. Ele simplesmente explode e leva todos à frente. 

Sempre imprevisível! nessas alturas tento manter-me (e aos outros) o mais calma possível. Tento afastar o mais novo e rapidamente separar o mais velho para uma divisão onde não esteja ninguém. Tento que ele olhe para mim e que ele faça por respirar para assentar melhor as ideias. Ele continua a demorar algum tempo até se acalmar e mesmo depois de uma explosão violenta pode ter outros acessos repentinos. Não é fácil para ninguém. E evitar estas situações, sobretudo para que o mais novo não seja o objeto dessa agressividade do irmão, tem sido muito complicado! 

Apesar disto, acredito que falar sem tabus destes temas, pode ser uma ajuda. Acredito que não sou a única a ter um filho com estas patologias e acho que partilhar ideias, saber o que fazer ou pelo menos ter algumas dicas de como lidar com este tipo de situação! Até porque estas explosões, embora ocorram muitas vezes no seio familiar, também podem ocorrer noutros contextos, muitas vezes nas escolas (quem ainda não ouviu histórias de miúdos que «partiram» a sala toda?)

Aqui fica o desafio para pais/educadores comentarem construtivamente!

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:15

Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2015

 

Inspirada pela leitura dum artigo de opinião que li aqui e dos comentários que me enviaram pelo facebook, decidi que este fim de semana iria pertencer ao grupo de pais que decidem simplesmente «não fazer nada o dia todo» a ver se os meus miúdos me seguiam o exemplo...

 

Ora acontece que demorei pouco tempo a constatar de que nada me serviu ser «lesma», a única coisa que consegui foi pôr a roupa um monte mais acima, ter as casas de banho menos limpas e a cozinha com mais louça suja do que o habitual...Os miúdos pouco copiaram de mim, a não ser quando vieram saltar para cima da cama para me fazerem companhia!

Acabei por optar por uma solução mais estratégica e fazer o que realmente deve ser feito quando temos em casa miúdos com hiperatividade - orientar os exercícios e usar técnicas adequadas para que as brincadeiras não descarrilem 

 

 

E aqui ficam algumas dicas sérias para quem as queira pôr em prática (quem quiser pode entrar em contato para ir a uma sessão do núcleo de apoio a pais em são joão da madeira, onde damos exemplos de atividades e jogos para serem postos em prática em casa ou na escola)

 

Exercícios para desenvolver as capacidades físicas condicionais

  • Força
  • Rapidez
  • Resistência

Exercícios para desenvolver as capacidades físicas coordenativas

  • Equilibrio
  • Coordenação
  • Ritmo
  • Orientação espacial

Exercícios para o desenvolvimento da motricidade fina

Exercícios Respiratórios

Exercícios para desenvolver a capacidade de concentração e atenção

Exercícios de relaxamento

Exercícios de agilidade mental

 

E não se preocupem que este aparente «excesso» de exercícios são conduzidos para que a criança «treine» sem sequer se aperceber, tornando-se por isso colaborativa e fazendo destes momentos boas experiências em família! Além de não se cansarem, estas crianças necessitam de atividades estruturadas, detestam a confusão e facilmente entram em rutura quando lhes gritamos uma ordem do tipo «não corras mais à volta da mesa!!!». Portanto, junte-se a eles porque a hiperatividade não se pega e não é por você não se mexer que ela desaparece dos miúdos, garanto!

 

 

postado energia-a-mais às 13:21

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015

não há uma idade certa para a mudança de idade...

 

Mas os 13-14 marcam sem dúvida alterações importantes na vida de qualquer (pré)adolescente, não só física mas sobretudo a nível emocional e de atitudes, são alterações a que todos os pais devem estar atentos. E quando são portadores de patologias que afetam o seu desenvolvimento comportamental como a PHDA e/ou o autismo, muitos já com terapêutica iniciada na infância, com percursos escolares nem sempre fáceis, então essas alterações exigem na maioria dos casos, novas adaptações!

 

Com o mais velho, desde mais ou menos os 12 anos que notei alterações importantes - certas caraterísticas da PHDA acentuaram-se (impulsividade, agressividade) outras atenuaram (a agitação motora é menos notória), outras ainda parecem estar iguais (distração, falta de atenção) e claro as comorbilidades variam mas tornaram-se mais evidentes.

 As reações à medicação essas, alteraram-se - eu costumava dizer que tinha dois filhos em um, antes do meltefedinato e depois do meltefedinato! Existia uma linha que definia bem quando ele tomava o comprimido - sentia-se na forma como nos falava, como encarava qualquer tarefa, como se concentrava na escola. Apesar de fazer com frequência ajustes à dosagem para que esta se adequasse ao seu ritmo de crescimento e dos próprios horários escolares, essa linha começou entretanto a ficar cada vez mais esbatida.

Ao fim de um período letivo, já o efeito de meltefedinato se tornava menos evidente e sobressaía cada vez mais os efeitos indesejáveis - maior agressividade, menos apetite, menos sono, maior dificuldade em equilibrar atitudes e comportamentos. Aos poucos foi-se retirando o meltefedinato e iniciando terapêutica para estabilizar as variações de humor e de sono. Claro que não foi fácil esta adaptação. Foi necessário ultrapassar certos obstáculos na escola, o ano letivo passado foi bem duro, com as notas a baixarem drasticamente e muitos recados na caderneta. Iniciou acompanhamento psicológico mais frequente e reforçaram-se as estratégias em casa, tanto com terapia comportamental como com apoio para o estudo.

O seu Asperger está presente no modo como encara as relações sociais e também nos seus interesses particulares, temas de obsessão que condicionam o seu mundo. Está cada vez mais irascível e difícil de lidar, no entanto, alterna com momentos de pura infantilidade. Aumentamos entretanto a dose de risperidona e de momento é o único medicamento que toma.

 

Com 14 anos acabados de fazer, o meu filhote está a procurar ajustar-se ele próprio! é bom sentir alguns «tiques» típicos da adolescência, embora saiba que ele nunca irá passar por certas fases padrão, dado que o seu «padrão» é diferente!

 

Como mãe, estou em aprendizagem, procurando não dramatizar nem desvalorizar essas alterações! espero ter capacidade para discernir o que se vai passando, acreditando com fé que como qualquer mãe, nunca irei compreender a «estupidez típica» destas idades!!!

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 10:58

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015

 

 

porque é que certos professores acham tão difícil concretizar em sala de aula, o que chamam de «estratégias diferenciadas» para alunos com caraterísticas especiais?

 

Ando nesta luta com as escolas há muito tempo para perceber que para muitos, as palavras saem fáceis da boca para fora, mas dificilmente são concretizadas!! Dizer que se utilizam «estratégias adaptadas» não é o mesmo que as utilizar de facto. Sempre que algum encarregado de educação questiona quais, como e de que modo os professores utilizam as tais «estratégias» para trabalhar com um aluno com caraterísticas específicas, é certo que vai receber um «relatório» vago, cheio de boas intenções mas que de real, nada tem! e vem-me à cabeça um certo dia, numa certa reunião, em que questionei frontalmente a então professora do meu mais novo sobre como lidava com ele, para atenuar os tais momentos em que a sua perturbação de hiperatividade, impedia o normal funcionamento da aula e ela só dizia «então, o que acha? uso estratégias diferenciadas» e perante a minha insistência para que me traduzisse as tais estratégias, a resposta já gritada foi «olhe mando-o para fora da sala»

 

Estratégias adequadas não podem ser teoria! devem ser experimentadas (até para verificar se realmente resultam) e devem ser fléxiveis para permitir um trabalho em conjunto quando o aluno tem mais do que um professor (não é por acaso que existem ainda mais problemas, logo a partir do primeiro ciclo)

Existem muitos estudos, muitas dicas, muitos cursos de formação que apontam estratégias eficazes. Os professores só precisam de as aplicar! não é pedir muito pois não?

 

No caso das que funcionam mesmo e das quais posso falar por experiência própria realço: lista de tarefas, relógio de tarefas, sentar o aluno ao lado de um colega mais atento, na fila da frente e longe da janela, utilizar uma parede em branco para colar um papel onde a única coisa que está anotada são as regras da sala - permitir que o aluno com PHDA se levante e as leia várias vezes durante a aula. Diariamente usar um mapa de rotinas, para que saiba o que vai acontecer ao longo do dia (o esquema é o mesmo usado nas salas teacch no trabalho com crianças autistas).

Utilizar o sistema de pontos para o incentivar a cumprir as tarefas. Permitir que se retire para um local mais sossegado e que faça uma tarefa alternativa, sempre que esteja a perder o foco da atenção, utilizar esquemas simples para que siga os passos de uma tarefa até ao fim. 

Nos testes usar uma capa aberta para separar o aluno e impedir que se distraia, separar bem as questões e dividir o tempo que tem para cada uma, se necessário ler o enunciado (individualmente) para ter a certeza que compreendeu o que lhe é pedido. 

Incentivar os trabalhos práticos, valorizar o que o aluno consegue terminar em sala de aula e não colocar o enfase nos TPC (um aluno com PHDA é sempre penalizado por raramente conseguir fazer os TPC quando na realidade, o esforço desse aluno é infinitamente maior do que o esforço dum aluno sem essa perturbação, neurologicamente explicado)

E existem mais, muitas mais, consoante o aluno, o ano em que se encontra, a disciplina ou disciplinas a que tem mais dificuldades, as tarefas que se pretendem trabalhar. Treinar comportamentos em sala de aula começa logo que o aluno inicia o seu percurso escolar - numa criança com PHDA essa necessidade mantém-se ao longo da sua vida académica.  

 

Motivar, adaptar e recompensar - assim se trabalha com um aluno com PHDA!

 

 

postado energia-a-mais às 13:59

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

 

 

em miúdos com PHDA, tranquilidade no regresso às aulas é algo que demora tempo e muita paciência (de pais e educadores)

 

Se para todos as outras crianças ditas «normais» já é complicado por vezes lidar com este retorno depois de tantas férias, imagine-se o que se passará numa cabecinha sempre a mil! o grau de ansiedade, o aumento das instabiliadde de humor, a dificuldade em regressar às rotinas e tudo o que faz parte desta época!

 

Para pais como eu, que tenho de lidar com este acréscimo de atenção e stress, algumas dicas (e por favor, quem tiver outras para partilhar, agradeço que as deixem por cá também {#emotions_dlg.smile})

 

 

Se a criança está a fazer medicação mas interrompeu no período de férias, não esquecer de introduzir novamente antes uma semana do início das aulas para que o organismo se habitue gradualmente. 

Insisto na ajuda preciosa das listas e de como a preparação diária das tarefas simplificam e evitam muitas das crises (birras) comuns a estes dias. Faça listas com a ajuda da criança e seja persistente na sua utilização!

A regulação do sono é fundamental, o horário de dormir deve ser cumprido rigorosamente! muitos pais acham que deitar cedo é ir para a cama à meia noite (!).  Em tempo de escola cá em casa nunca ultrapassamos as 22h30, mesmo com dois miúdos com PHDA e um deles com perturbação do sono diagnosticada aos 4 anos - esse é ajudado com medicação mas as rotinas de deitar são sempre a principal ajuda! Ter rotinas definidas e mesmo certos rituais a cumprir faz com que a hora de ir para a cama seja encarada com mais naturalidade - demora tempo a implementar (garanto) mas consegue-se! e a saúde de todos agradece!

Uma coisa que deve tentar sempre é antecipar as escolhas de roupas e lanches para a noite anterior. Deixar tudo pronto para na manhã seguinte ser mais fácil e mais cómodo para todos. No meu caso, foi preciso ajuda extra para que a hora de vestir não fosse um tormento sem fim (e posso garantir que quando digo tormento, é porque não encontro melhor palavra....durante muito tempo!). Fazer o Rafa obedecer à simples regra de vestir as peças de roupa ordenadamente obrigou-me a procurar estratégias mais originais. Os bonecos de feltro com roupa que se pode colar com velcro ajudaram imenso! são uma espécie de treino para estas crianças - saber que peça de roupa vestir, por que ordem e não esquecer nenhuma parte fundamental! garanto que funcionam.

Outra ajuda são os relógios de tarefas como este que desenhei para o Quico (obrigada Mafalda Queiroz pela dica e pela ajuda na construção). Uso imagens porque para ele é muito mais simples de entender (dado as suas dificuldades na leitura - aqui o importante é simplificar!). Um relógio que tem como função mostrar as mais importantes tarefas do dia (em casa) e cujos ponteiros é ele que vai mudando

 

  

 

Para crianças mais velhas (como no caso do Rafa) podem usar-se chek lists que se podem atualizar sempre que necessário (por exemplo para introduzir tarefas de responsabilidades - caso de arrumar o quarto, limpar a mesa, levar o lixo lá fora, etc.)

Não se esqueça também de reorganizar o espaço para estudo (se necessário) limpando tudo o que se foi acumulando em férias e proporcionando um ambiente acolhedor e mais favorável aos trabalhos de escola. Coloque um quadro de cortiça para anotar recados, datas de exames (testes) TPC, tarefas e recompensas. Ajuda a criança com PHDA a manter o foco!

E não abdique do tempo de brincadeiras com o seu filho! o tempo que passa com ele quando está em casa é precioso e pode mudar a atitude com a escola para melhor! seja proativo e tome a iniciativa de participar nas brincadeiras. Não massacre com perguntas de «como foi a escola» mas guie as conversas de forma a saber o que por lá se passou sem ser estilo interrogatório! e se os primeiros dias não correrem assim tão bem, não desista! vai ter um ano inteiro para implementar estratégias diferentes, lembre-se que a persistência é a chave do sucesso com estes miúdos!

 

Bom regresso à escola!

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:06

Segunda-feira, 19 de Maio de 2014

 

 

 

imagem da net

 

 

O tempo voa! quando damos por ele, constatamos que o deixamos escapar de repente e muita coisa se passou sem que o tenhamos feito parar!

 

A nossa vida cá por casa, tem sido um carrocel por vezes desgovernado. A falta de tempo para o essencial (tempo para apreciar as pequenas coisas que fazem a diferença) tem sido o maior obstáculo. Bem sei que ser mãe de dois miúdos já é para muitas mulheres, sinónimo de pouco tempo para tudo o resto...ser mãe de dois, cada um com patologia de PHDA, com necessidades específicas e diferentes dos outros miúdos, não ter o pai a dividir as tarefas básicas, manter tudo o resto dentro do funcional, é tarefa mais do que exigente, sendo evidente que fico cada vez mais com o tempo contado! Já não me lembro de quando foi a última vez que tirei um pouco de tempo para simplesmente «não fazer nada»....as migalhas que aproveito são para espreitar o blog, tentar manter um registo que me dê, anos mais tarde uma perspectiva das coisas.

 

Coincidência, ou não, este é um período em que revivo com grande intensidade, através do meu filho mais novo, o ciclo mais difícil que vivi com o mais velho! nada me preparou, com o Rafa, para a imprevisibilidade de ter um verdadeiro «furacão» em casa. Desenganem-se os pais que acham que os seus filhos são «traquinas», «agitados» ou mesmo os que usam o termo «hiperativo» para os descrever. Na sua grande maioria, esses pais estão equivocados! De todos os casos que conheço, pouco, mesmo poucos, se podem comparar ao trajecto tempestuoso do meu filho mais velho! acreditem que se tivessem de viver os momentos que eu vivi, teriam muita dificuldade em descrever as crianças usando os adjectivos que atrás mencionei....aliás, ainda hoje, quando olho para certas cenas, tenho dificuldade em encontrar as palavras certas para o descrever! 

Felizmente demorei algum tempo a perceber, até por não ter comparação possível, que esses momentos alucinados, não eram o comum entre as crianças...nem todas eram assim! digo felizmente porque assim consegui separar as águas e quando o Quico nasceu a minha visão era já bem diferente!

 

Ao longo dos anos fui contornando as dificuldades, mantendo a minha atenção nos detalhes e não me deixando influenciar por pré-conceitos. Quase que por instinto separei os comportamentos do mais novo em «cópia do ambiente em que nasceu» e «aquilo que lhe pertençe pelos genes». Nem sempre a linha foi fácil de delimitar porque é impossível dissociar o que se vive do que faz parte de nós à nascença! mas acabei por entender que muito do que vivo com o meu mais novo, já antes o vivi (com diferença de faixa etária em que ocorre) com o mais velho.

 

O autêntico «el niño» que o Rafa era aos 4 anos, vibra agora em toda a força nos 7 anos do Quico! a turbulência é a mesma. O Quico não para um segundo, está sempre ligado à corrente, não deixa nada quieto no sítio, nunca percebe quando o dia acaba, não consegue comer sem estar a mexer-se (ou a saltar, ou a correr, ou a mexer noutra coisa qualquer), fala sem parar, nunca consegue ouvir nada até final, não olha para a TV mais de 5 minutos sem saltar ou dar pinotes, não consegue acertar o traço de um desenho, pintar sem borratar tudo, escrever é um conceito que continua a ser um desafio....imaginem o que é na escola! mesmo com a ajuda da medicação (que se faz notar na sala de aula, sobretudo durante a manhã e início da tarde) em casa tenho um autêntico ciclone!

 

A minha esperança é que este padrão se mantenha - ou seja, aguentando mais uns 3 anos de turbulência física com todas as suas consequências para o funcionamento de uma casa, terei depois uma fase de desgaste psicológico cerrado (que acontece entretanto com o Rafa) mas poderei dedicar-me a esse período sem andar de gatas pelo chão...não digo que o grau de exigência não seja ainda maior, simplesmente esta fase em que nada fica no sítio onde deixo por mais de dois segundos desde que o mais novo chega da escola, bule com os meus nervos! opá na verdade, bom mesmo era ter tempo para tudo!

 

 

postado energia-a-mais às 10:34

Segunda-feira, 05 de Maio de 2014

 

 

Não seria a mesma coisa sem elas!

 

Os meus filhos tentaram fazer deste dia da Mãe, um dia único! e claro, conseguiram {#emotions_dlg.sarcastic} 

 

cá em casa não há como evitar as loucuras de dois miúdos portadores de uma PHDA, nem eu esperaria qualquer outra coisa. As minhas expectativas perante um dia de festa, é sempre muito contida! sei que vamos viver esse dia com muita emoção, sendo no entanto uma emoção muitas vezes «escondida» por entre as aventuras físicas e psicológicas que sempre vivemos!

 

O dia anterior tinha terminado de forma «carregada» por uma atribulada briga entre os meus dois rapazes, com o Rafa bastante mal humorado, naquela inconstância característica das suas patologias, agora ainda mais evidentes por força da sua entrada na idade conturbada da adolescência. Foi portanto com agrado que recebi, ainda deitada, um beijo dele - um beijo à sua maneira, fugidio, quase de raspão, um tanto desajeitado mas que sabe a mel!

 

Já na sexta feira, logo depois de chegar da escola o Quico me tinha oferecido as suas «prendas», orgulhosamente feitas (com ajuda) por ele e com a euforia que lhe é típica. Por isso não me esqueci de as colocar em destaque na mesa, logo na manhã de domingo. O pequeno almoço deveria ser para desfrutar em conjunto mas eles, sempre saltitantes acabaram por andar às voltas e por entre fatias de pão que iam sendo atiradas ao ar, facas que já andavam por muitas mãos, fruta, iogurtes e muita confusão, achei melhor optar pelo mais prático e não permitir que fizessem coisas como panquecas com mel, papas de aveia ou sumos energéticos...ou teria a cozinha desfeita!

 

Ao almoço já tinham acalmado o suficiente mas a ideia de não quererem que fosse a mãe a cozinhar nesse dia implicou necessariamente comer fora de casa. Como não se entenderam quanto ao sítio ou mesmo ao tipo de comida, a alternativa que ambos aprovaram passou pelo fast-food daqueles que de vez em quando até sabe bem e que para eles sabe sempre a dia de festa! não quiseram ir lá almoçar, fui eu buscar...

 

A tarde, como já é habitual mete sempre muito mais confusão, quer seja porque ambos se aborrecem, quer seja porque a chegada dos avós traz sempre mais agitação, até mesmo porque começam a olhar para o dia que passa e sentem a ansiedade do dia de escola que se aproxima...tentamos fazer algumas brincadeiras mais calmas, como jogos, mímicas, coisas assim mas acabamos por entre saltos e correrias com hemorragia nasal do mais novo à mistura.

 

O lanche teve de ser em ritmo de corrida, sem tempo para saborear por muito tempo as «iguarias», desta vez sem bolo caseiro (porque acabei por me esquecer que o forno falhou e nem tive tempo de o mandar arranjar) mas com uma mesa que tinha em atenção os gostos de cada um. Nessa altura já o Rafa dava mostras de mudança de humor e o Quico estava mais interessado em chamar a atenção de uma vizinha que via pela janela...

 

Distribuídos mais uns miminhos pela bisa e pela avó, as outras Mães da casa, foi tempo de os preparar para a fase mais difícil, a hora de arrumar mochilas, roupas para o dia seguinte e iniciar a rotina de fim de dia!

 

Estava passado mais um Dia da Mãe que afinal é todos os dias, sem excepção

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:08

Segunda-feira, 17 de Março de 2014

 

 

ao reler o blogue dei comigo a pensar que até pode parecer que os meus miúdos entraram numa outra fase, menos atribulada, de certo modo mais calma...«mea culpa» por falta de tempo e confesso, de menos ânimo, tenho deixado de escrever muitas das peripécias cá de casa

 

Até admito que no caso do Rafa, as explosões de raiva, impulsividade, difíceis de controlar, de tão habituais se tornaram para mim tão vulgares que até lhes tirei importância! não no peso das coisas, claro! só acabei por sentir que estaria a descrever sempre as mesmas cenas e que isso seria algo monótono para a estrutura do blogue. Mas agora que penso melhor, este é uma espécie de registo e deveria servir também para relatar esse nosso dia a dia.  

 

Quanto ao Quico, as peripécias são tantas e sucedem-se a tal ritmo que o meu rapaz é talvez o maior responsável pela tal falta de tempo. O que me sobra é para organizar as prioridades de casa, especialmente porque o final de dia não me deixa respirar! Ele é os TPC, ele é as brincadeiras sempre em correria, os banhos alucinantes, as conversas sem fim, as exigências da minha presença, enfim! 

 

Este fim de semana por exemplo, foram vários os episódios, daqueles que alteram por completo a vida de qualquer lar! O almoço de sábado foi um completo desastre pois o Rafa teve uma daquelas crises que surgem do nada, assim sem aviso, crises que sobem tão rapidamente e que se tornam imparáveis! O meu rapaz mais velho é absolutamente incapaz de se auto controlar! sozinho ainda não consegue ter aquele travão, tornando-se por isso demasiado difícil lidar com as situações. Até pode ter esse repentismo por um período relativamente curto no tempo mas aquele momento em que está fora dele, é suficiente para nos pôr a todos a mil! e se tiver «audiência» mesmo que seja o avô, então parece que o descontrolo é ainda maior. Acho que tem a ver com o facto de todos começarem a dar palpites, todos terem reacções diferentes....ele fica simplesmente incontrolável. E responde mal, manda cadeiras pelo ar, berra com todos, diz os maiores disparates sem nexo...quanto mais o forçamos a parar pela via normal, mais ele se descontrola! dado que já «apanhei» o jeito e sei que o melhor é manter a calma até o conseguir acalmar, cortando o foco das atenções, ignorando deliberadamente o motivo pelo qual aquilo começou, consigo por norma dar a volta às coisas. E foi o que aconteceu, no entanto o Quico acaba por ficar também muito alterado e não é fácil ver o alvoroço que se segue a cada crise!

 

Tanto os nervos mexeram com o mais novo que às tantas, aos saltos pela casa, pelo sofá, pelos móveis, acabou por embater no computador e lá se vai um daqueles monitores grandes touchsystem da HP ao chão...Revi mentalmente a cena da TV nova que partiram no calor duma birra...desta vez felizmente as consequências materiais não foram tão más e o pc lá se safou com algumas mossas mas sem danos que impeçam o seu funcionamento. Claro que o mais importante são as consequências a nível de atitudes dos meus miúdos. Isso, a par da tensão que se instala sempre que isto acontece...acabei por ter de passar muito tempo depois a assegurar que o Quico entendeu o que aconteceu mas sem o culpabilizar. 

 

Estas alterações são o pão nosso de cada dia! Assim como as brincadeiras antes das 8h00 para aproveitarem melhor o fim de semana, as diversas habilidades do Quico que insiste em praticar todos os desportos conhecidos, dentro de portas! E as milhentas perguntas sobre os mais variados temas que levantam as mais sérias questões aos sete anos do Quico! coisas como «mãe, onde é que o Passos Coelho guarda o dinheiro que rouba às pessoas?» tal e qual...ou «mãe achas que devo ser militar? os militares são mais importantes que os futebolistas, pois é?». Para além das mais sérias dúvidas existenciais pois ainda não entende muito bem a hierarquia dos nascimentos, pelo que continua a querer pormenores sobre quem nasceu primeiro, mesmo, mesmo primeiro, antes mesmo do mundo, ou seja quem nasceu antes e conseguiu construir o mundo? (claro que, diz ele, foram os trabalhadores, melhor dizendo, os construtores, mas ele gostaria de entender quem foi o primeiro construtor).

 

Ora digam com tanta e tão mirabolante actividade à minha volta, que tempo me sobra para outras coisas? como blogar, por exemplo? 

 

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 14:21

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