A Hiperactividade vista à lupa

Terça-feira, 24 de Julho de 2012

 

nem só de praia, campo ou rio se faz o verão

 

mesmo cumprindo os «critérios» destas férias - perto e barato(no nosso caso mesmo gratuito pois somos clientes BPI), podemos ir longe na imaginação (não fosse a imaginação andar em baixa e podiamos ir mesmo muuuito longe!)

Desta vez, aproveitando o último dia de férias com o pai, resolvemos levar os miúdos a Serralves. Local de eleição nos meus tempos de estudante, já hà muito não me passeava pelos seus jardins, nem me deleitava com as suas exposições.

Embora tudo seja vivido na nossa família num modo muito particular (quem tem uma criança com PHDA sabe bem as dificuldades de andar fora de casa, principalmente em sítios onde existem muitas pessoas e muitas regras a cumprir...) quero que as minhas crianças usufruam de várias actividades lúdicas, artisticas, culturais, enfim, tudo o que sejam experiencias que a meu ver enriquecem qualquer vida.

 

Assim, depois de muito benzer (como quem diz, muita concentração nos pormenores para que hajam o mais civilizadamente possível em público) lá nos arriscamos a entrar na fundação.

 

Aos domingos, o programa Famílias em Serralves foi o mote para os levar a ver uma experiência na área das energias renováveis. A entrada permite disfrutar dos jardins, passear ao longo da quinta até ao Lagar, local onde voluntários conduzem as crianças e famílias por diferentes temas. 

A aventura ficou registada em fotos e muito na nossa memória, por entre corridas no parque, a cara de espanto do Quico perante as esculturas, a alegria das suas brincadeiras, a curiosidade e traquinice da experiência que tiveram oportunidade de realizar

 

 

impressionado pela grandiosidade

 


 correram pelos «labirintos» de vegetação

 

 

 

observaram os animais

 

   

 

entusiasmaram-se com os carros fotovoltaicos

 

 

 

 

 

tiveram direito a lanche após a construçao de um mini forno solar

 

 

 

o Quico fartou-se de esperar e comeu a salsicha antes mesmo de ela estar tostadinha pelo sol {#emotions_dlg.lol} 

 

Mesmo sem contar com a terrível provação de os manter na ordem, fazê-los obedecer à mais simples regra, o ter de fazer toda a viagem (ainda que curta) em constante tensão, vale a pena aproveitar! aconselho vivamente a quem estiver no norte uma passagem pela Fundação Serralves para um dia diferente que também pode para muitos, ser bem relaxante 

 

 

 

postado energia-a-mais às 13:46

Quinta-feira, 06 de Outubro de 2011

 

 

fugas à rotina neste outono quente

 

No feriado fomos até á terra de infância da avó...zona agreste, de minas outrora exploradas, há muito abandonadas e que agora permanece numa espécie de limbo - casas da época, totalmente degradadas ainda resistem a par de algumas construções mais recentes, estradas de acesso mas sem condições de atrair turistas, um daqueles lugarejos que ficam escondidos e onde quem lá vive se adaptou à aridez... Rio de Frades já não é o que era, as minas que davam vida e dinheiro a quem por lá se aventurou na epoca do minério, estão desativadas e a avó ficou um tanto desiludida por não ter reconhecido já os sítios da sua meninice que tantas recordações lhe deixaram...Mas a vida continua! e já que dois impancientes pestinhas desesperavam por um lugar mais «apropriado» para uma pausa com lanche, arrancamos pela serra fora e fomos até um dos lugares prediletos da zona - a Freita!

 

 

 

 

 

 

e se houver água por perto, certo é que os miudos a aproveitam logo hehehe

 

 

e esta então, limpa e pura (mesmo que um pouco fria) convidava!

 

embora não seja fácil sair com os miúdos a bordo (5 minutos com eles num carro, é o equivalente a um dia numa casa de tortura) arriscar é palavra de ordem, pelo menos sentimos que o prazer deles compensa o desgaste da viagem...nem que seja só até à próxiam saída....

 

Com a semana a meio, ansiamos agora pelo papá que nos fará companhia por dois ou três dias! espero que os meus enérgicos rapazes não boicotem no entanto estes dois dias de aulas que ainda restam, só me faltava ter de os levar à força, entre os habituais gritos e pinotes com que fazem questão de «brindar» cada vinda do pai....

postado energia-a-mais às 09:14

Segunda-feira, 08 de Agosto de 2011

 

 

a um dia com sabor a domingo

 

aproveitamos a vinda do Pai a casa e fomos a passeio, o sol veio espreitar e nós não demos tréguas - saímos logo pela manhã (para não dar tempo a grandes birras...)

 

estivemos por aqui

 

 

         

 

 

e para além de apreciar-mos a paisagem, curtir o momento, esticar as pernas, enfim - fazer circular a energia

 

                       

 

 

ainda conseguimos ir fazer uma visita a estes simpáticos bichos (único motivo pelo qual o Rafa acedeu ir...)

 

 

                      

 

 

 

 e os miúdos gozaram por um momento o facto de «vestirem a pele de um paleontólogo»

 

  até ao Rafa ter começado a atirar com areia por todo o lado....

 

 

e no final ainda houve forças para isto

 

      

 

das birras, amuos, picardias, brigas e outras coisas mais que tivemos de «aturar» na viagem...não me apetece falar agora.....

 

 

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postado energia-a-mais às 08:51

Domingo, 12 de Junho de 2011

da viagem de finalista do 1º ciclo

 

absolutamente radiante!!! adorou tudo - desde o local, às actividades (bom mesmo mamã foi que nos deixaram jogar futebol....)

 

a noite que por lá passou ficou-lhe gravada na memória e no corpo....não dormiu - nem deixou o colega de beliche dormir um segundo (sabes mamã, todos adormeceram mas eu não conseguia, então acordei o T. e dei-lhe muitos estalos para ele ficar acordado {#emotions_dlg.blushed}....tambem dei ao M. mas ele não acordou...)

 

de resto também se recusou a tomar banho {#emotions_dlg.sarcastic}- não sei se por cá já mencionei mas ele tem uma resistência feroz ao uso de qualquer casa de banho fora de casa, mesmo que seja para tomar um banho ao fim do dia....valeu que esteve dentro de água grande parte da tarde (a piscina era o máximo mamã!), portanto acredito que tenha andado limpinho....

 

Fotos também as há mas por enquanto ficam aqui apenas os momentos da saída porque as outras só na segunda feira as professoras de cada sala as vão distribuir pelos alunos

 

     

 levavam umas camisolas giras com uma foto da turma

 

 

    aqui estava com ar de autêntico turista lol

 

 

 

 

 antes de sair de casa ainda teve um momento de aflição....

 

 

 

 

 

 

 

 mas tirando o ter vomitado no regresso porque se esqueceu de tomar o comprimido, acho que esta foi a rampa de lançamento para as noitadas fora de casa!

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 11:08

Quarta-feira, 08 de Junho de 2011

 

 

e lá foi...

 

de mala e saco cama, com roupa para uma ida à disco {#emotions_dlg.lol} depois das actividades do dia!

 

com montes de entusiasmo e muita recomendação minha hehehe...

 

 

e vai ficar por aqui www.tempodeaventura.pt até amanhã

 

 

espero que o tempo ajude à diversão pois grande parte da aventura é ao ar livre!

 

o irmão é que não entendeu muito bem «vais levar um saco para ficar a dormir na escola? hiacccc...eu não mano, eu venho para casa logo!»

 

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:39

Terça-feira, 07 de Junho de 2011

 

o Rafa anda a fazer a mala....

 

de tudo o que acha absolutamente necessário levar destaco

 

  • bayblades (porque aquilo pode ser uma seca e ele tem de se entreter...)
  • calculadora (porque quer fazer contas nos intervalos....)
  • perguntou mil vezes pelo saco-cama
  • quer levar a almofada dele e a fronha preferida
  • as bolachas (mesmo que eu lhe tenha já dito que vão ter direito a ceia...)

tem dormido com a mala mesmo ao lado e passeia-se com ela por toda a casa....

vai à net montes de vezes para ver o tempo que irá fazer...

 

mamãs de Tomar, como anda por aí o tempo?

 

 

 

 

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postado energia-a-mais às 11:20

Sexta-feira, 03 de Junho de 2011

 

que partiram a «loiça» toda com as últimas brincadeiras

 

 depois de partirem a «pista» dos bayblades, tiveram de improvisar e lá foram buscar a bacia mais geitosa...que também partiram, na fúria do combate. O dia da criança foi passado entre várias actividades promovidas pelas escolas (desde insufláveis a aulas cívicas sobre poupança de recursos valiosos como a água) e com ofertas que eles adoraram  - o mais novo foi presenteado com um livro e um diploma dos direitos da Criança e o Rafa recebeu uma t'shirt.

Cá em casa também foram mimados - os avós deram-lhes bolas novas porque as outras estavam já muito gastas, a bisa ofereceu mais um bayblade a cada um e eu ainda perdi a cabeça com um relógio do Ben 10 (novinho Omnitrix) há muito cobiçado pelo Quico e para o Rafa um lançador para os seus novos «amigos». 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lambuzaram-se com o meu bolo de iogurte ao qual juntei cobertura de chocolate enfeitado com pintarolas e repetiram com entusiasmo que «este dia foi mesmo fixe!» 

Mesmo no terminar dos festejos mais um copo partido, depois de uma corrida do Quico ter apanhado a bisa em contra-mão...

 

 

 

E agora entramos num frenesim por causa de uma viagem programada para celebrar o último ano do Rafa no primeiro ciclo! o meu rapagão vai dormir fora de casa sozinho com os amigos, está uma excitação que só visto...novas «sagas» se aproximam...e é já na próxima semana  

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:04

Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

 

na Terra dos Sonhos!

 

 

Lugar mágico povoado pelas figuras típicas da época natalícia e que o Quico vai conhecer em passeio da escola!

 

Expectativas? muitas!


«vou conhecer o pai natal mamã? o a sério? e as renas, posso andar de trenó? eu quero andar nas renas! lá em cima a tocar no céu! e os duendes, tem duendes? eu gosto!»

 

por isso acredito que tenha algumas desilusões! mas faz parte de crescer não é?

 

não deixa de ser um belo passeio e porque também vibro com estas coisas só espero que se divirta com os amiguinhos na Terra dos Sonhos que até fica bem perto de casa

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:14

Terça-feira, 07 de Setembro de 2010

 

 

ser sucinta! mas se de repente aparecer um post assim para o extenso....

 

não se assustem!

 

para contar o que se passou connosco no fds passado, mesmo com boa vontade, tenho de fazer um texto longo!

 

Conhecem o conceito da tragi-comédia?

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A tragicomédiaé um subgênero teatral que alterna ou mistura comédia, tragédia, farsa, melodrama, etc...

 

Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), no primeiro capítulo da Poética (1,6), faz uma aproximação entre a tragédia e a comédia, mostrando que ambas se servem dos mesmos meios - mesmos ritmos, cantos e metros. Mas é provável que Plauto (254 a.C.-184 a.C.) tenha sido o primeiro a empregar a palavra "tragicomédia" definindo-a como um gênero híbrido de comédia e tragédia, conforme explica através do personagem Mercúrio, no prólogo, de sua peça Amphitryon:

"O que é isso? Vocês franziram a testa porque eu disse que ia ser uma tragédia? Sou um deus, e posso mudá-la; se vocês quiserem farei da tragédia uma comédia, com os mesmos versos, todos eles. Querem que seja assim ou não? Mas que bobo que eu sou! Como se eu não soubesse o que vocês querem, eu que sou um deus! Sei o que existe na cabeça de vocês a respeito disso. Vou fazer com que seja uma peça mista: com que seja uma tragicomédia porque não acho certo que seja uma comédia uma peça em que aparecem reis e deuses. O que vou fazer, então? Como também um escravo toma parte nela farei que seja, como já disse, uma trágico-comédia." (PLAUTO, Amphitryon, 52-63).[1]

Essa mistura ou alternância de estilos ocorre em várias peças gregas e romanas, como o Alceste [2] de Eurípides (c. 485 a.C.-406 a.C.), que, em razão do seu "final feliz" e pelo tom levemente humorístico de algumas passagens, é vista por alguns eruditos como um drama satírico ou uma tragicomédia - mais do que como uma tragédia.

 

 

Esta é a minha visão do fim de semana, depois do relato deixem a vossa...

 

Durante todo o dia de sábado, tive de aturar um Rafa cada vez mais saltitante, diria euforicamente saltitante, com a perspectiva do novo ano escolar. Ele por norma é sempre «saltitante»  mas desta vez, ele juntou todo o novo material escolar para companhia! passou a andar de mochila às costas para todo o lado e mesmo com ela cheia, dava saltos, fazia piruetas, jogava psp, salti-comeu, salti-lavou cara e dentes, etc...

 

Entre a azáfama de tentar manter a casa funcional e os bruscos modos do Rafa para com o mano, andei num rodopio, atenta contudo ao mais novo que consegue cada vez mais proezas em menos tempo. Deixo exemplos - minutos: não mais de 3; local: casa de banho; estragos: vários cremes e pinturas abertos e espalhados pelo corpo, chão e espelho, sabonete na sanita, papel higiénico desenrolado...

 

Estive muitas vezes em exercício de respiração a fim de acalmar o meu estado de nervos, alternando com inúmeros «ataques» de limpeza frenética a tudo o que eles iam sujando...a meio da tarde reparei que cada vez que o Rafa ia à janela da sala, fazia caras de horror, ao que aliava gritos estridentes, muitos gestos e uma série de corridas pela casa, seguido pelo Quico que não sabendo o que se passava, também gritava, gesticulava e corria mas sempre perguntando «que é mano? que é?»

 

Ora quando dei conta de que a coisa estava descontrolada e o Rafa ameaçava vomitar no chão da sala, resolvi investigar. Olhei para baixo, para o terraço e deparei-me com uma visão macabra...

Já vos falei aqui de uns vizinhos do terraço que mantinham dois cães negligentemente, sem qualquer assistência...pois o alvoroço do Rafa era porque viu duas enormes poças de sangue, no chão junto a um dos cães...Verificamos que o cãozinho mais novo estava em agonia, deixando sair sangue em vez de fezes...um terror! Ora segurar os meus rapazes foi um suplício, o Quico porque queria ir salvar o cãozinho, o Rafa porque tem tanto pavor de sangue que não parava de gritar histericamente!

 

Ainda fui a casa da vizinha de cima para que fosse comigo ver o que se passava, cada vez havia mais sangue...por onde o cão se arrastava. Tocamos imensas vezes à porta mas ninguém nos atendeu, fiz umas chamadas para contactos da protecção animal aqui da zona mas pelos vistos, ao fds não funciona... Assistimos à agonia do pobre bichinho sem poder fazer mais nada a não se deixar uma nota escrita por baixo da porta, avisando os donos que tinhamos conhecimento e ou tomavam medidas ou tomávamos nós (isto ainda não acabou, o cão foi retirado pelo senhor da limpeza na segunda feira de manhã, o chão foi limpo também nessa altura, dos donos nem sinal, nem esclarecimentos alguns...)

 

Claro que foi um martírio acalmar os miúdos e a hora do jantar e do deitar, por norma sempre agitadas, foram ainda mais «doidas». O Rafa quando está muito nervoso, tem hábitos característicos de algumas patologias de que sofre e costuma bater com a cabeça nas paredes, arranhar-se ou mandar murros na barriga, assobiar, correr e tem ataques de riso descontrolado, prolongados. Ora estão a ver o filme? O Quico acaba quase sempre por imitar o irmão na maior parte das coisas...portanto! casa «caotica», noite daquelas!

 

Domingo, tinha jurado a mim própria (depois do alucinante domingo anterior) que jamais ficaria em casa. Mas sabem quando o instinto nos diz uma coisa e nós teimamos em fazer outra?

Combinei com os meus pais sair no fim de almoço e pensei num local, não muito longe, onde existem uns museus abertos ao domingo - Arouca. Onde também se comem unsdoces maravilhosos! Mas de manhã o meu instinto dizia-me para me deixar ficar por ali mesmo, talvez apenas almoçar no shopping, antes do horário de «enchente», evitando confusões, optando por voltar a casa depois e tentar levar os dois até aos escorregas. E porque é que não segui o meu «sexto sentido?»...poisssss! devia...mas acabamos por fazer como estava programado.

 

O que dizer da viagem? hummmm, bem pois, sabem aqueles anúncios tipo «alucinante viagem pelo mundo de...»? Foi uma alucinante viagem, pelo mundo da hiperactividade...O Rafa estava tão eléctrico que não consigo descrever a quantidade e tipo dos disparates. Para além de ir em acrobacias impressionantes dentro do carro...Quando começou a fazer da avó uma vítima, puxando-lhe os cabelos, beliscando, empurrando o banco com os pés, já não havia condições para seguir viagem. Entramos então na espiral «ele diz, nós dizemos o contrário, ele diz novamente o contrário de nós, nós dizemos o mesmo que ele, ele contraria-nos...» Assim: ele «vamos embora!» nós «agora não, prometemos ao Quico ir passear, vamos até Arouca!» ele «não quero, quero ir embora, para casa!» nós «está bem, então vamos virar» e viramos mesmo, ao que ele grita «não, vamos até Arouca!». Percebem?A coisa resulta, o problema é que fizemos isso quatro vezes....até Arouca! De uma das vezes tive de usar a táctica de recurso, quando digo «ou páras de mudar de ideias, ou eu saio do carro...» ao que tive de juntar ao discurso, a prática! e sim, demoramos uma «eternidade» a chegar ao local...

 

depois lá veio o instinto avisar - não entres aí com eles! Ora não sei explicar porque me lembrei de visitar o Museu de Arte Sacra de Arouca! Pois, Arte Sacra...

que dizer da visita? bem, foi uma visita guiada, com «guia» mesmo - uma senhora já não muito nova, daquelas com discurso decorado e treinado por muitas visitas a guiar turistas de alguma idade, estudantes interessados ou profissionais da matéria...A senhora não estava preparada para dois putos como os meus...nem ela, nem ninguém!

Enquanto ela enumerava os valiosos objectos expostos (alguns peças únicas dos séc. XVI, XVII ...) eu só pedia a Santa Mafalda, padroeira lá do sítio que não me fizesse cair em desgraça...

Ora eles é que não queriam saber de preces! num grupo pequeno (além de nós, três casais e uma senhora, todos acima dos 50...) não havia maneira de não serem notados. Ainda mais porque durante o percurso guiado e enquanto a senhora, parando e apontado, debitava «este é um valioso tapete, peça única da Índia, datado do séc. XV, oferta ao rei tal, tal....»o Rafa ia gritando «dás-me este tapete?»enquanto saltava à frente dela...e o Quico ora gatinhava aos pés da senhora, imitando gatos e cães, ora corria esbaforido para se lançar para cima de uma cadeira do séc. XVII, gritando «vou dormir uma sesta!».

Foram várias as vezes em que tentamos desviá-los das atenções mas as emendas eram sempre piores...tipo «olha Quico, vês esta estátua, é um santinho, o S.Tiago» ele«é um bombeiro mãe?» porque achou semelhança entre uma lança do santo e uma mangueira (!) além de que avistou um quadro que retratava o incêndio que destruiu o antigo mosteiro...e embora eu lhe diga «não é bombeiro mas ajudou a apagar fogos...» ele continua a gritar por cima da voz da mulher «é bombeiro, sim! é um bombeiro, sua vaca!» Ou quando a minha mãe dizia ao Rafa «olha querido, vês a santa Mafalda? pede-lhe uma coisa boa...» e ele «olha pede tu, isto não presta para nada...»

 

para cúmulo, a certa altura, os dois começaram a empurrar a senhora, com frases do tipo «ai...isto não acaba?» e «vá, lá despacha-te, não precisas explicar tudo!»

Penso eu que a visita terá demorado menos do que o normal, pois quase corríamos atrás da senhora, enquanto ela só apontava, já sem parar  «ali eram os claustros, onde as noviças....»

 

Quando a visita acabou, eu só me imaginava sentada numa esplanada, bebendo algo fresco para arrefecer as ideias, só que o Rafa iniciou o «round» dois! Quando fiz a pesquisa na net, tentando pormenores do dito museu, ele, em cima de mim, apercebeu-se de outro museu na zona. Segundo a descrição, um museu de trilobites, animais pré-históricos do tempo dos dinossauros, descobertos naquela área e que acolhe os fósseis dos ditos...E o que é que o Rafa reteve desta informação? Fosséis, dinossauros...bem lá no meio, andava a tal trilobite...que ele julgava ser assim um nome, técnico! e a possibilidade de escavar...

 

Ora, trata de perguntar  à senhora da bilheteira da Arte Sacra, o local, trata de «birrar» que temos de ir e nem o instinto me valeu! Dez quilómetros e muita curva depois, lá estávamos a parar no Museu das Trilobites de Canelas (Arouca).

Primeira desilusão - era uma minúscula casa de ardósia, no meio de uma escarpa de ardósia, algures nas ardósias da serra...Segunda desilusão, não era permitido ver as escavações...

 

Sempre imitado pelo irmão, o Rafa desata a disparatar sob o olhar recriminador da senhora na entrada que só dizia «haaaa, não podes falar alto, então isso são maneiras? olha, tens de ficar quieto!»

Finalmente quando saiu o grupo (família) que estava a fazer a visita antes de nós, iniciamos por uma salinha onde era suposto ver-mos um filme para perceber quem eram as Trilobites, como foram encontradas e a importância da recolha dos seus fósseis...Completamente descontrolado pela frustração de nada daquilo ter a ver com dinossauros, o Rafa limitou-se a estragar qualquer possibilidade de visualizar o filme, pelo que passamos rapidamente pela mini exposição dos bichos fossilizados (onde se inclui a maior espécie do mundo encontrada até agora...) e saímos em passo de corrida,perante o olhar agora de absoluto espanto da tal senhora que referi...tempo total da visita - 10 minutos...

 

A parte pior ainda estava para vir...totalmente inconsolável e caindo na típica agressividade pela qual descarrega a energia-a-mais, o Rafa insistia que tínhamos de ir lanchar, o que se tornava difícil dado que só na povoação principal existiam sítios para isso...como não conseguia satisfazer essa necessidade no imediato vingava-se, rasgando o tecido do banco do carro com um pedaço de ardósia que trouxera, batendo com os pés em toda a gente, gritando e berrando tanto que nem era possível ouvir-mos os próprios pensamentos...

 

Cansado de o mandar parar com aquilo e por causa dos estragos no carro, o meu pai às tantas, parou bruscamente, abriu a porta traseira, agarrando-lhe as pedras para as jogar fora. A cena é indescritível - avô e neto em total momento de pancadaria, a minha mãe aflita com os dois, eu tentando parar os três e o Quico coitado assistindo a tudo...Valeu que estas situações não são desconhecidas para nós e por isso, em vez de continuar até uma qualquer tragédia, resolvemos fazer como no reiki...Deixar a energia fluir, respirar lentamente, manter a cabeça no lugar, fiz o Rafa entrar no carro, pedi desculpa aos meus pais, perguntei ao Quico se estava bem e obrigamo-nos a seguir viagem... 

 

Chegamos mais mortos do que vivos, até porque ainda nos vimos em apuros quando, numa localidade aqui perto a polícia nos apareceu pela frente (o que daria por certo um outro post, caso nos tivessem mandado parar).

Depois de tudo o que se passou e quando a noite já ía «entradota», o meu filhote, por entre lágrimas de arrependido (sinceras mas infelizmente de curta duração) lá me dizia «sabes mamã, eu até me quero portar bem! mas não consigo...não sei porquê...»Pois....mas eu sei, filho, um dia também vais entender e conseguir sozinho dar a volta...e só por isso, a mãe acaba a noite a rir com as aventuras do hilariante «madagascar», entre voçês, mãos entrelaçadas, momentos tão fugazes que temos de aproveitar ao segundo...

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:08

Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

 

Cidade da Maia - Sábado, 17 Outubro

 

Epicentro - Jardim Zoológico

Réplicas - sentidas no Parque Central da Maia, junto ao shopping

 

Motivo - passagem pela zona de duas autênticas forças da Natureza!

 

 

Já na noite anterior se tinha notado muita turbulência um pouco mais a sul - foi uma noite agitada e de pouco sono! era de prever que um terramoto seguisse para aquela zona...

 

Os dois estavam numa excitação enorme para visitarem o zoo! deixei que o pai tomasse a iniciativa de lhes contar pois queriamos sair cedo e se o Rafa não soubesse tinhamos por certo uma loooonga demora até se acalmar o suficiente para se vestir e preparar para sair!

O Quico fica também hiper excitado, é difícil conseguir que tenha um ambiente sossegado...

Assim, estiveram até cair para o lado o que aconteceu perta da uma e meia da noite...mesmo assim estavam a pé por volta das sete e trinta o que nos deu tempo para sair de casa eram 10h. Tentamos fazer uma viagem calma mas claro que tivemos de fazer frente a várias peripécias...

 

Sempre que é o pai a conduzir, os nervos saltam ainda mais rápido! uma das suas batalhas são os cintos de segurança - coisa que é tão penosa de colocar que parece demorar séculos....como só arranca quando os dois estão presos, passamos cerca de 40 minutos desta vez até a primeira «arrancada».

No entanto assim que se apanharam a circular, rapidamente se libertaram dos cintos - por isso paramos novamente e demoramos mais 20 minutos

Nova «arrancada» - circular mais 15 e parar mais 20...lol! Foi uma viagem de pára-arranca (literal) e quando chegamos cerca das 11h45 os dois.....estavam sem cinto....um na parte que dá acesso à bagageira e o outro entre os bancos...

Foi por certo numa dessas vezes em que paramos e eu peremptoriamente saí do carro, dizendo que só entrava novamente quando estivessem sentados direitos que da minha bolsa deve ter saltado o meu telemóvel...um dos primeiros «incidentes» do terramoto foi o seu desaparecimento!

 

Entramos no zoo e logo o comportamento animal se alterou - e estou mesmo a falar dos animais. Os macacos saltavam, os pássaros entraram em grande algazarra e na jaula dos felinos estava tudo em pé de guerra...isso só prova que o instinto animal é apuradíssimo - eles sabem quando algo está para acontecer!

 

Felizmente não havia muita gente a passear no zoo...talvez por já ser Outubro, a lojinha já está fechada, o comboio não circula (o que provocou um ataque de fúria aos dois visitantes turbulentos!) e mesmo no bar não devem estar à espera de atender turistas em época baixa pois demoraram quase 45 minutos para nos dar de comer...ora isso foi do mais complicado do dia - fazer com que os dois impacientes  parassem de perguntar a cada 5 segundos «então???» e tentassem a todo o custo apressar os empregados...

Como circulam em passo de ciclone, deram duas voltas ao zoo enquanto esperavam (era impossível ficar nas cadeiras da esplanada) chegando com novidades impressionantes como «mãe a zebra fez um grande cocó» ou «a boca do hipopótamo é nojenta» e ainda «os macacos estão a tirar os piolhos uns aos outros»

 

Depois de verem o reptilário duas vezes e das duas vezes terem feito exactamente o que não deviam - bater com as mãos nos vidros e gritarem alto para assustarem os pobres dos bichos - por mais que os tentássemos parar só conseguimos minimizar e não eliminar as asneirolas - o Rafa impancientou-se de vez e quis vir embora...

Ainda os tentamos entreter no parque infantil mas foi inútil! Já se engalfinhavam tanto, faziam tantas piruetas, subiam os escorregas «ao contrário» e faziam tanto barulho que nós, pais embaraçados e pouco babados, resolvemos assentar noutras paragens...

 

O Rafa queria um parque para jogar a bola e o porteiro do zoo indicou um, perto do shopping Central. É bonito, moderno, com equipamentos novos e bem ao geito dos meus endiabrados garotos! Eles lançaram-se com entusiasmo para os escorregas com desníveis e ferros para deslizar, com cordas para testar a resistência e cavalinhos...o Quico delirou a fazer de macaco - o pior é que lhe falhou a mão numa das «viagens» entre cordas e apanhou um valente trambolhão...como amorteceu o impacto com as mãos acabou por não ser grave - mas não se livrou de muito sangue (bateu com o nariz e trincou os lábios) e de ficar com o narizinho arranhado e pisado...

 

Embora combalido o meu furacãozinho ainda fez das suas pois para se vingar do seu descuido tentou arruinar as brincadeiras dos outros miúdos...claro que estivemos sempre atentos e prontos a entrar em acção, não permitindo nada de exageradamente «estúpido»...

 

O Rafa ainda fez o tal joguinho com uns miúdos que por lá andavam e viemos embora a tempo de ver o nosso benfica jogar...

 

Foi uma experiência à nossa maneira - como de costume podia ser bem mais tranquilo mas já sabemos que as condições cá em casa são mais propícias a altas pressões do que a ambientes temperados....

 

No entanto a Maia sobreviveu    nenhum animal sofreu danos e tirando o narizinho do Quico, as sapatilhas do Rafa que ficaram inutilizadas e o meu telemóvel desaparecido, este foi um sábado agradável!

 

Domingo o papá saiu logo de manhã e nós passamos o dia entre casa e parque a jogar com bolas, brincar com dinossauros e trepar às árvores mais acessíveis!

 

 

 

 

sinto-me: viva e de regresso
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postado energia-a-mais às 07:30

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