A Hiperactividade vista à lupa

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015

 

 

porque é que certos professores acham tão difícil concretizar em sala de aula, o que chamam de «estratégias diferenciadas» para alunos com caraterísticas especiais?

 

Ando nesta luta com as escolas há muito tempo para perceber que para muitos, as palavras saem fáceis da boca para fora, mas dificilmente são concretizadas!! Dizer que se utilizam «estratégias adaptadas» não é o mesmo que as utilizar de facto. Sempre que algum encarregado de educação questiona quais, como e de que modo os professores utilizam as tais «estratégias» para trabalhar com um aluno com caraterísticas específicas, é certo que vai receber um «relatório» vago, cheio de boas intenções mas que de real, nada tem! e vem-me à cabeça um certo dia, numa certa reunião, em que questionei frontalmente a então professora do meu mais novo sobre como lidava com ele, para atenuar os tais momentos em que a sua perturbação de hiperatividade, impedia o normal funcionamento da aula e ela só dizia «então, o que acha? uso estratégias diferenciadas» e perante a minha insistência para que me traduzisse as tais estratégias, a resposta já gritada foi «olhe mando-o para fora da sala»

 

Estratégias adequadas não podem ser teoria! devem ser experimentadas (até para verificar se realmente resultam) e devem ser fléxiveis para permitir um trabalho em conjunto quando o aluno tem mais do que um professor (não é por acaso que existem ainda mais problemas, logo a partir do primeiro ciclo)

Existem muitos estudos, muitas dicas, muitos cursos de formação que apontam estratégias eficazes. Os professores só precisam de as aplicar! não é pedir muito pois não?

 

No caso das que funcionam mesmo e das quais posso falar por experiência própria realço: lista de tarefas, relógio de tarefas, sentar o aluno ao lado de um colega mais atento, na fila da frente e longe da janela, utilizar uma parede em branco para colar um papel onde a única coisa que está anotada são as regras da sala - permitir que o aluno com PHDA se levante e as leia várias vezes durante a aula. Diariamente usar um mapa de rotinas, para que saiba o que vai acontecer ao longo do dia (o esquema é o mesmo usado nas salas teacch no trabalho com crianças autistas).

Utilizar o sistema de pontos para o incentivar a cumprir as tarefas. Permitir que se retire para um local mais sossegado e que faça uma tarefa alternativa, sempre que esteja a perder o foco da atenção, utilizar esquemas simples para que siga os passos de uma tarefa até ao fim. 

Nos testes usar uma capa aberta para separar o aluno e impedir que se distraia, separar bem as questões e dividir o tempo que tem para cada uma, se necessário ler o enunciado (individualmente) para ter a certeza que compreendeu o que lhe é pedido. 

Incentivar os trabalhos práticos, valorizar o que o aluno consegue terminar em sala de aula e não colocar o enfase nos TPC (um aluno com PHDA é sempre penalizado por raramente conseguir fazer os TPC quando na realidade, o esforço desse aluno é infinitamente maior do que o esforço dum aluno sem essa perturbação, neurologicamente explicado)

E existem mais, muitas mais, consoante o aluno, o ano em que se encontra, a disciplina ou disciplinas a que tem mais dificuldades, as tarefas que se pretendem trabalhar. Treinar comportamentos em sala de aula começa logo que o aluno inicia o seu percurso escolar - numa criança com PHDA essa necessidade mantém-se ao longo da sua vida académica.  

 

Motivar, adaptar e recompensar - assim se trabalha com um aluno com PHDA!

 

 

postado energia-a-mais às 13:59

Quarta-feira, 09 de Julho de 2014

 

 

 

imagem tirada da net

 

 

Primeiro ponto

 

eu não sou a favor de «retenções»! só existem retenções escolares em sistemas pedagógicos arcaicos e métodos baseados na avaliação do aluno, o que desde logo é injusto. Em sistemas mais avançados as «retenções» foram substituídas por medidas de apoio educativo diversas, promovendo a inserção do aluno em áreas do seu interesse, colmatando as suas dificuldades de aprendizagem (caso dos sistemas nórdico, francês e inglês, por exemplo).

Em portugal, no entanto, continuamos a ter muitas dificuldades em arranjar alternativas ao «chumbo». E o «chumbo» é visto, pasme-se como uma verdadeira «medida educativa»!!! 

Enquanto esta mentalidade não mudar, enquanto ela for defendida pelos próprios docentes, enquanto houver quem diga nas escolas que «reprovar vai ser o melhor para esse aluno» não temos como alterar o sistema! e vamos continuar a ter alunos que são repovados «porque é bom» embora nunca ninguém tenha explicado «bom» para quê (ou para quem)

 

Segundo ponto

 

a escola pública está cada vez mais degradada, fruto de uma política de austeridade que retira meios financeiros e humanos e que provoca sentimentos de revolta e desmotivação! Estão pois criadas as condições para as «boas desculpas»! ou seja - não há condições! não há condições de trabalho, segundo os docentes, para implementar estratégias educativas adequadas, especialmente se falamos em crianças com necessidades de apoio, ou dificuldades de aprendizagens, ou claro, de NEE.

Porque para a maioria dos docentes - estratégias diferenciadas, implicam necessáriamente mais recursos, melhores condições de trabalho nas salas de aula (tais como turmais mais reduzidas, mais professores de apoio e do ensino especial...) e outras condições que sabemos, atualmente não estão asseguradas. Sem isso, dizem, nada feito! portanto se nada podem fazer, o melhor é não fazer nada...logo «reprovam-se» os alunos que não acompanham o ritmo padrão imposto (mesmo que o padrão dê provas de não ser o mais adequado) e nada de mudar o que está decidido no sistema! com as reprovações estes alunos passam a integrar turmas de repetentes, criadas novamente nos últimos tempos (depois de já terem sido uma referência retirada do sistema por não resultarem em nada a não ser na marginalização desses alunos). Essas turmas passam a ter uma caraterística comum - são colocados de lado, são a turma dos «burros»...pois! afinal, digam o que disserem, somos um país de preconceitos! e se alguma dúvida eu tivesse sobre esta visão, ela teria sido desfeita durante um ano de integração num CEI na área administrativa, numa escola sede de agrupamento.

 

Terceiro ponto

 

no nosso país, a escola não distingue os alunos, respeitando as suas diferenças (tal como mencionei no meu post anterior - integrar é diferente de incluir) e temos assim, entre os que repetem o ano, miúdos com diferentes percursos, diferentes necessidades, alguns com dificuldades de aprendizagens provocadas por distúrbios crónicos e persistentes pela vida fora (como a PHDA, dislexia, entre outros) que nem sequer são reconhecidos como tal... 

E por isso, as respostas «eficazes» encontradas pelo sistema público escolar para estas crianças passam pelo fazer repetir o ano! tão eficaz como os testes nacionais que servem para avaliar os alunos, quando o que deveria ser avaliado era o sitema pedagógico e quem o representa!

O que acontece a esses alunos que «reprovam» não interessa a ninguém. Não se mostarm estudos que falam na enorme probabilidade de um aluno «repetente» nos primeiros anos de escola, voltar a ter «chumbos» ao longo do percurso académico. Não interessa abordar a questão emocional e afetiva, do aluno que «reprova». Nem importa discutir a validade da retenção em si! 

 

reter um aluno é bom para quê?

 

artigo do blog Arrastão

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 13:18

Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

 

ou a tal escola «inclusiva»

 

no nosso país o sistema educativo tem muito que se lhe diga - vem do tempo da «outra senhora» e as sucessivas «reformas», têm sido feitas apenas com base em ideologias políticas, ao sabor portanto da dança governativa. Nos últimos tempos, com a entrada em cena do atual governo, voltamos a ter as tais «reformas». Sempre que isto acontece o que muda realmente? e muda-se para melhor?

 

Também gostava que me explicassem o conceito de escola «inclusiva». Incluir crianças com «diferenças» numa escola cujo sistema de ensino assenta no comportamento padrão, significa o quê? que essas crianças são tratadas tendo em conta as suas especificidades ou que simplesmente são incluídas numa padronização que não quebre rotas/metas pré-estabelecidas?

 

supostamente: 


«Uma escola inclusiva é aquela onde todos os alunos são aceites e educados em
salas regulares e recebem oportunidades adequadas às suas habilidades e necessidades.
O princípio orientador da declaração de Salamanca de 1994 é de que todas as escolas
deveriam receber todas as crianças independentemente das suas condições físicas, sociais,
emocionais ou intelectuais (Carvalho, 1998).
Segundo Ainscow e Wang (1997), a escola inclusiva não exclui aqueles que
possuem dificuldades severas, mas mostra-se aberta à diversidade e apresenta propostas
curriculares adaptadas às necessidades dos alunos.»

 

assim o diz o Tratado de Salamanca

 

Ora transpondo esta teoria para a realidade das nossas escolas é isto de facto que encontramos? para que as alterações tenham impacto, as leis devem regular e no nosso caso a lei é omissa. E quando falamos de crianças com PHDA nem lei temos...nesse caso como vamos garantir que a estrutura funcione? É por isso que continuamos a ouvir coisas como «o meu filho tem hiperatividade e por acaso tivemos sorte com o professor mas...» sorte? temos de esperar ter «sorte»?

 

Nos EUA as crianças com PHDA podem estar num espaço próprio que os acolhe em momentos de tensão (por exemplo antes de testes, quando o comportamento é mais instável) e onde podem simplesmente relaxar. Um espaço pensado para proporcionar a estes miúdos maior conforto através de métodos e técnicas simples como musicoterapia ou yoga com exercícios de relaxamento que os ajudam a descontrair, eliminar a tensão e regressar à sala de aula com a atenção mais focada para os trabalhos escolares. Na Finlândia, os alunos com PHDA são ajudados com terapia comportamental, em salas próprias, estudadas para que seja trabalhado com estas crianças as suas dificuldades em gerir por exemplo, o local de arrumação dos materiais, a gerir o tempo das tarefas, a eliminar estímulos indesejáveis, etc. É possível por exemplo dividir as tarefas mais complexas em tarefas mais pequenas, intercalando com uma atividade lúdica orientada para o trabalho de memorização/concentração, ou que a criança esteja mais tempo de pé, trabalhando e reforçando rotinas e comportamentos.

 

Por cá a realidade é bem diferente. Ninguém diz que não concorda com a tal ideia de escola «inclusiva». No entanto, os docentes mencionam sempre o facto de terem alunos com comportamentos «perturbadores» como motivo para turmas com menor rentabilidade, garantindo que assim prejudicam o ritmo de aprendizagem dos alunos ditos «normais». E muito frequentemente marginalizam, consciente ou inconscientemente os alunos que demonstram certas dificuldades de aprendizagens, ou melhor dizendo, ritmos diferentes de percurso! Sobretudo, minimizam e rebaixam os problemas desses alunos e com frequência ostracizam as crianças, quer com comentários, quer com atitudes que revelam total falta de competência para o desempenho de funções tão delicadas como as de docente! Frente à turma, e falo por experiência própria fazem coisas como rasgar os desenhos dessas crianças porque não correspondem aos padrões, chamam o aluno de «preguiçoso», «burro», «incapaz» ou simplesmente ignoram o esforço maior que esses alunos fazem só para terem chegado ao fim de uma tarefa ou dos tpc...abundam os recados para os encarregados de educação sobre os comportamentos desadequados como «falar com os colegas, levantar-se constantemente, não terminar os trabalhos» mas nunca um único recado a anunciar «o seu educando conseguiu ler um texto sem ajuda, fez um desenho que está exposto na parede da sala, foi escolhido para tomar conta do animal de estimação da turma...»

E o espaço escolar? Nada de adaptações, o espaço físico das salas de aula não contemplam diferenças (não falo de rampas de acesso a deficientes motores ou casas de banho preparadas para cadeiras de rodas), quanto mais espaços individualizados, salas de auto-relaxamento ou materiais e recursos específicos...espaços que permitam uma atividade alternativa para a criança com PHDA quando está incapaz de acompanhar a turma, materiais que tenham em conta as suas dificuldades de motricidade fina, um local que sirva de refúgio para o relaxamento. Gostava por exemplo que alguém me dissesse qual o espaço utilizado para que a criança, perante um comportamento perturbador, possa efetivamente ser colocada, sem que para isso seja simplesmente expulsa da sala...é que não conheço nenhum caso concreto. Já casos em que a criança é colocada fora da sala (não sendo intervalo, fica simplesmente no corredor sem funcionária a supervisionar), fechada numa casa de banho ou até numa arrecadação (e sim, são casos verídicos, conheço os detalhes, nomes e locais e são muitos, não um ou dois...) isso conheço. Nem sequer vou falar dos espaços de recreio. Negligenciado tão somente é o que tenho a dizer. Como local onde melhor se fazem as aprendizagens a nível das competências sociais - o respeito pelos outros, o espaço social - e tendo as crianças com PHDA mais dificuldades nas relações inter pessoais, cumprimento de regras de conduta em grupo, este é um local onde maior quantidade de «problemas» surgem. Porque não existem estratégias, simplesmente. Não há um plano a ser seguido, ninguém que o implemente e que o monitorize...não se tem em conta sequer!

 

Isto é o que chamam de escola «inclusiva» no nosso país. Bem sei que esta situação de crise, com profundas alterações sociais que se vive em portugal, tem implicações. Que se fala em retrocesso com menos técnicos nas escolas, menos meios e menos recursos. Mas sejamos honestos, a crise não pode servir como desculpa para tudo o que vai mal. Nem o dinheiro é fator único na elaboração de estratégias de intervenção.

Se, ao invés de estarem absorvidos pelos seus problemas pessoais, os docentes se unissem em torno da chamada «escola pública», exigindo uma mudança sim mas na base - no que realmente importa, se lutassem por um sistema mais equilibrado, mais justo, mais virado para a cidadania, exigindo a revisão das tão proclamadas «metas curriculares» (cujos planos são elaborados por mentes seguramente elitistas e viradas para uma ideologia partidária) e questionassem os programas a que hoje em dia estão sujeitas as nossas crianças do ensino básico (para não falar da idiotice que grassa nos graus de ensino seguintes) então diria que pelo menso alguma coisa estaria a ser feita na defesa do ensino para todos. Infelizmente isso não acontece, mesmo!

 

Isto é apenas a minha reflexão pessoal sobre esta assunto, como mãe de duas crianças portadoras de PHDA e com mais de 10 anos a lidar de perto com casos de falta de acompanhamento nas escolas, como coordenadora de um grupo de apoio a pais da APDCH. Com todas as ressalvas e todas as exceções - que também as há felizmente! 

 

 

postado energia-a-mais às 12:53

Terça-feira, 19 de Novembro de 2013

 

 

não é novidade para mim...o Rafa ando no 7º ano e continuo a ter de repetir a história a cada novo DT

 

A situação tem sempre os mesmos contornos - em cada novo ano letivo, os DT mudam, os dossiers dos alunos parecem ficar algures na terra de ninguém, ou não passam de mãos, ou se passam não contêm a informação toda, ou pura e simplesmente quem pega na turma não está para ter trabalho extra de ler toda a informação. Conclusão: sempre que as «diferenças» do Rafa interferam na sala de aula de aula, chama-se o encarregado de educação (eu, mãe me apresento!)

 

E de modo que é assim - o meu educando tem certas atitudes na sala de aula que demonstram um comportamento desadequado. Além de ser brusco nos modos de falar e de ter saídas dignas de um comentário menos apropriado, parece muitas vezes andar completamente «despistado» e chega constantemente atrasado às aulas. Este «constantemente» vai já na fase em que os encarregados de educação têm de ser avisados formalmente pela escola (daí a urgência da chamada do DT) porque ultrapassa a metade das faltas possíveis para todo o ano letivo!

 

O problema do Rafa é que se atrasa por tudo! a lentidão matinal esconde muitas das caraterísticas da PHDA. Explicar tudo ao novo DT foi assunto para mais de hora e meia de conversa...e depois de me ter dado uma visão sobre a Lei e Regulamento Interno da Escola e de todas as consequências em que aluno e encarregado de educação incorrem, acabamos por ter uma conversa em que me pareceu estar interessado e sobretudo já ter notado várias das caraterísticas do meu filho.

Este ano a nível de notas dos primeiros testes não há nada a apontar, o Rafa (sem ter feito esforço algum de estudo organizado) tirou notas bem razoáveis (em muitas disciplinas acima dos 90%) nunca inferiores a 70%. De qualquer modo e apesar destes resultados, a sua incontornável impulsividade a par da inconstância dos humores já revelaram aos professores mais atentos um alerta de preocupação.

 

Embora sinalizado para apoio psicopedagógico no ano passado, este ano ainda não foi chamado, ficando o DT de verificar a situação. 

 

Claro que tive uma conversa com o meu rapaz, mais uma! Como o susto vale sempre para o Rafa como uma «alfinetada», hoje ele saiu de casa decidido a chegar o mais cedo possível e penso que por uns dias vai ser assim...depois - bem, depois tenho de pensar em estratégias para que este entusiasmo cumpridor não esmoreça!

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:19

Terça-feira, 17 de Setembro de 2013

 

o início do ano escolar foi normal - ora vejamos:

 

o Quico está no 2º ano do ensino básico

 

no agrupamento a que pertence, as atividades letivas tiveram início no dia 16 como era previsto. Tem uma carga horária de 25 horas letivas semanais distribuídas tão corretamente que dois dias por semana começa o dia às 9h00 e termina às 17h30 (falamos de crianças com 6/7 anos) só com atividade letiva - as AEC's este ano limitam-se a três (Expressões plásticas, ingles e educação física, sendo que apenas estão distribuidas em dois dias por semana). Nos dias em que as atividades letivas se prolongam até às 17h30, fazem uma interrupção de meia hora entre as 15h30 e as 16h00 - espera-se uma grande «normalidade» depois das crianças terem ficado na escola durante mais de 5h, terem de voltar a entrar para mais uma hora e meia de aula.

Espera-se que os professores consigam dominar a «normalidade» que certamente se irá instalar....o aproveitamento desta carga horária será o «normal» portanto, refletido em resultados «normais» de notas de exames nacionais demonstrativos das dificuldades nas áreas fundamentais da aprendizagem. Tão «normal» que ninguém parece dar já grande importância, prevalecendo a ideia de quanto maior for o número de horas passadas nas salas, mais se aprende....Daí que não encontrei pais indignados com esta sobrecarga nos primeiros anos de ensino, nem vi professores preocupados com este sistema. Tudo normal afinal - tal como o ministro frisou...

 

 

o Rafa está no 7º ano do 3º ciclo

 

os alunos foram chamados a 16, tal como previsto - todos os professores este ano são novos, a mudança ainda não acabou pois tem professores colocados que estão de licença e portanto não se apresentaram, outros que ainda não estão colocados - de resto uma situação «normal»

no ano em que vai estrear um novo programa de ensino da matemática, a carga horária da disciplina diminuiu em relação ao ano anterior, o que parece ser também «normal» dado que nem os professores sabem exatamente como aplicar o novo programa....

 

e pronto - a normalidade está seguramente nos olhos de quem a vê, assim vai o nosso país, onde não apenas no ensino mas em tudo o resto, já nada  surpreende o português «normal»!

 

 

postado energia-a-mais às 10:49

Domingo, 16 de Junho de 2013

 

 

serão os alunos que estão à espera do exame, marcado para uma data incerta....

 

serão os pais que não sabem explicar aos filhos o porquê desta incerteza...

 

serão os professores que andam com a incerteza no horizonte...

 

 

eu diria que a ansiedade está do lado do governo

 

o mais ridículo é que os exames são o menor dos problemas

 

os alunos deveriam estar ansiosos com o pós exame e a incerteza que é o futuro - quer seja para ingresso ou não no ensino superior...

 

os pais andam ansiosos mas é com o dia a dia cada vez mais difícil, com a falta de trabalho transversal a tantas gerações, com políticas cada vez mais patéticas e com a agonia de chegar ao fim do mês sobrevivendo com salários cada vez mais apertados - os professores também são pais! e esta ansiedade faz parte das suas vidas, tal como de todos os portugueses!

 

A ansiedade do governo tem um nome - cobardia! cada vez mais me parece visível que um bando de ministros atarantados quer a todo o custo manter as rédeas do que já não domina...

 

postado energia-a-mais às 19:51

Quarta-feira, 12 de Junho de 2013

 

mais uma vez Nuno Crato mostra como se investe na DESeducação de um país

 

Apesar do Colégio Arbitral ter contrariado a requisição dos serviços mínimos para o dia 17, o governo insiste na realização do exame nesse dia, não desistindo do braço de ferro com os professores. O ministro, numa clara provocação ao estipulado por Lei, elabora um discurso- aliás em linha com o que vem sendo habitual noutras situações - de vitimização, sendo que o Governo é a vítima e os orgãos que protegem os direitos cívicos (como o direito à greve)  são os maus da fita.

 

Ao martelar sempre na mesma tecla, o governo arrisca-se a virar o feitiço contra o feiticeiro. Ninguém é tão parvo assim que considere que um exame não possa ser marcado para uns dias mais tarde, sem haver prejuízo para qualquer das partes. De resto, estando todos na mesma situação por se tratarem de exames nacionais, o argumento de as notas serem conhecidas mais tarde, vai influenciar o quê? será que os pais estão assim tão preocupados com a marcação de férias como insinuou Crato? com a alteração da rotina familiar, devido à alteração da data de um exame?!

 

Angustiante é ver como este governo passa a mensagem do «quero, posso e mando» não respeitando as decisões dos orgãos de soberania. Basta pensar no que se passa com o desrespeito pelo TC e o não cumprimento dos pagamentos dos subsídios de férias.

 

Sobretudo numa área fulcral como a do ensino, este desrespeito é uma falta para com o país e para com todos os cidadãos. Mas já começa a ser um lugar comum ver o governo falhar em áreas fulcrais, certo?



postado energia-a-mais às 09:35

Quarta-feira, 29 de Maio de 2013

 

 

mas no pior sentido

 

 

é o que me apraz dizer da atitude de uma professora que para exemplificar o que não se deve fazer, recorreu ao exemplo prático

 


«Uma professora é acusada de morder o braço de um aluno, de 7 anos, para o castigar depois de o menor ter feito o mesmo a um colega, na Escola Básica de Vinhais, distrito de Bragança. O pai do menor apresentou queixa na GNR. O caso está no Ministério Público.

«A professora mordeu-me para eu sentir a dor da mordidela», contou o aluno ao pai.»


Já um dia destes a professora do meu mais novo, atirou ao chão e calcou a mochila dele para exemplificar que ele não deveria ter calcado um trabalho de um colega...


...eu pergunto: os adultos já não se lembram do tempo em que foram crianças? é preciso dramatizar tanto? 


e pergunto ainda: pode um profissional da educação, um docente (um modelo de comportamento) atuar desta forma? 


mas que raio, estamos todos de cabeça perdida?

eu não acho isto normal!

 

postado energia-a-mais às 12:42

Quinta-feira, 18 de Outubro de 2012

 

 

nem sei o que pensar...será o deficit dos meus rapazes a causa dos «problemas» na escola ou será o excesso de «zelo» dos professores o verdadeiro motivo de tanto recado?

 

Já aqui falei de como está a ser penoso este ano letivo. Não há um dia em que não cheguem queixas da escola, ora de um, ora de outro, frequentemente dos dois...já deixei de contabilizar os recados do Rafa e as tabelas do comportamento do Quico andam a vermelho mais vezes que o desejável. E o dia de ontem então fica para o registo «oficial».

 

Os dois estiveram na «mira» dos professores e o resultado foi catastrófico - o Rafa trouxe um dos recados mais duros de sempre (que me faz responder através da mesma via) e o Quico trouxe vários itens a vermelho, o item do comportamento a preto (cor que a professora dizia no início do ano ser quase impossível algum menino vir a ter) e recado escrito para explicar as razões de tal avaliação....

 

Ora confesso que me sinto angustiada, desmotivada e sobretudo preocupada com o futuro. Mas também tenho algum sentido crítico sobre os «tais motivos» e admito que por vezes os acho um «exagero». Eu andei na escola, fiz todos os ciclos escolares até à licenciatura. Não fui das mais irrequietas é verdade mas tive vários colegas que o eram. No entanto não havia tanto dramatismo assim quado alguém se virava para trás ou falava para o do lado. Também não me lembro de nenhum professor que tivesse aconselhado os pais a levaram um miúdo ao psicólogo porque este corria demais, nos intervalos fazia pinos ou era agitado na cadeira....

A professora do Quico diz que ele é imaturo, demasiado brincalhão e não dá importância à escola. Justifica a tal bola «preta» com o facto de ele ter passado o dia a fazer palhaçadas, não ter feito os trabalhos e apesar de o ter chamado à atenção ele ter continuado a ignorá-la. Eu sei que dentro de uma sala de aula é suposto as crianças colaborarem mas será que num primeiro ano, ainda no primeiro período, miúdos que acabaram de sair de uma pré, mesmo que já tenham feito 6 anos, terão maturidade suficiente para o entenderem? e mesmo que alguns o tenham, será que todos se desenvolvem ao mesmo tempo? todos revelam a mesma maturidade?! Se eu, em casa, apesar de muito esforço e de ter de o fazer usando certas estratégias (como ter o mínimo de estímulos à volta, falar com calma, levá-lo a fazer por ele, dar-lhe os parabéns efusivamente quando o atinge o objetivo) consigo que faça os trabalhos, não terei legitimidade para questionar porque é que na escola ele não os faz? ok, a professora tem muitos alunos...mas tem preparação para isso, certo? 

 

Quanto ao Rafa, mandarem recados porque ele se vira para trás???? apetece perguntar - e então????? será que todos temos a mesma atenção durante todo o tempo de uma tarefa? nunca viram a pessoa com quem conversam, olhar para o lado durante a conversa?  nesse caso existe muita gente com déficit de atenção! depois, dizer que ele «não sabe estar numa sala de aula», que os seus trabalhos de EV/ET revelam pouco empenho, significa o quê? um miúdo com PHDA tem dificuldades em trabalhos que impliquem maior concentração e destreza manual. Isso não revela pouco empenho, revela antes de mais uma necessidade específica decorrente de uma perturbação que lhe afecta comportamento, atitudes e capacidades. Mas que se pode colmatar e trabalhar de modo distinto que lhe permitam ultrapassar obstáculos. Não saber estar numa aula é faltar ao respeito, não é no meu entender levantar-se da cadeira para afiar os lápis ...ou olhar para o lado, rir para o colega e comentar uma imagem que estava a ser tratada na aula - aliás o Rafa nunca teve confrontos na sala, até porque a medicação o faz ter mais controlo, os recados são sempre pelo facto de ele se distrair facilmente ou elevar a voz na conversa com os colegas...coisa que os professores deviam saber orientar, pois são caraterísticas da patologia dele.

 

Por causa deste desgaste constante é difícil manter-me animada. Sobretudo porque acabo por ter de passar muito mais tempo com eles para que façam algum trabalho em casa. E isso é outra luta... Para além de estar sozinha e ter de dividir o apoio pelos dois, sendo que alguns dos conhecimentos a aplicar exigem já um puxar pela memória (e isso porque os estudei de facto, coisa que para muitos pais se torna ainda mais complicado) tenho todo o trabalho doméstico a meu cargo e obviamente tenho de fazer jantar, dar banhos e manter a casa a funcionar - para dar um exemplo, estive ontem duas horas com o Rafa para que acabasse os trabalhos em falta (8 exercícios de matemática todos com várias alíneas) e conseguisse fazer um trabalho de português de três páginas de exercícios o que para uma criança com PHDA é um autêntico massacre. E uma hora com o Quico para que emendasse o trabalhos das fichas da escola mais o trabalho marcado para casa... ou seja entre as 20h00 e as 23h00 não fizemos mais nada...numa fase em que eles precisavam de acalmar, ter tempo para conversar, ter a minha atenção, para se deitarem a horas aceitáveis, estivemos a barafustar porque um não se calava enquanto o outro estava comigo, ou a ter de deixar um no PC para haver mais sossego! isso não será motivo para um recado aos professores?

 

APOIEM OS ALUNOS NA ESCOLA - REDUZAM OS TPC!

 

postado energia-a-mais às 09:13

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

A Geração Ritalina é constituída por indivíduos de ambos os sexos, com idade actual entre os 7 e os 14 anos.

A principal característica desta geração é andarem sempre ligados à corrente, pelo que podemos vê-los em constante movimento, saltando, trepando móveis, derrubando obst à culos (inclui pessoas), etc. Muitos deles também parecem estar sempre «ausentes», não escutando as ordens que lhes são dadas, não atentando em pormenores importantes, ou mesmo ignorando por completo o mundo à sua volta.

Os pais (e principalmente as mães) destes seres também apresentam características físicas que os distingue, nomeadamente, olheiras profundas, cabelos desalinhados, unhas roídas ou «descascadas» e uma irritabilidade constante. Parecem também conseguir a habilidade de «corarem» com muita facilidade, especialmente em público .

Quando nasce alguém desta geração, é fácil identificá-la  : são os que choram mais alto (e com som mais estridente) ainda na maternidade; não respeitam os horários das mamadas e provocam um aumento do normal cansaço entre o pessoal técnico e auxiliar do hospital.

Ao chegarem a casa, absorvem por completo os recursos disponíveis, manipulando desde logo todos os esforços, obrigando a turnos suplementares de familiares e mesmo vizinhos prestàveis, para a execução das tarefas básicas -  trocar fraldas, dar banhos, alimentar e pôr a dormir.  

Á medida que vão crescendo, outras características sobressaem: nunca estão cansados, pois vêm dotados de um sistema biológico de recarga energética; emitem sons cada vez mais agudos e á s vezes desarticulados (os chamados berros) com que conseguem captar as atenções de todos (conhecidos ou não). Não compreendem o sentido da palavra «espera» e para eles não existem noções espaciais e temporais, excepto o «aqui» e «agora».

Quando chegam á idade escolar já estão bem preparados para integrarem a Geração Ritalina .

Tal como os pais, os professores destes espécimes dão sinais de cansaço por proximidade e emitem alertas que vão parar aos ouvidos de especialistas, cuja função é proteger a sociedade e catalogar os novos seres. Para isso foi encontrada uma solução que passa pela toma de uma substância chamada Ritalina .

Assim a Geração Ritalina passa a estar sob controle e é também por isso que a Hiperactiviade não existe.

sinto-me:
postado energia-a-mais às 23:01

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