A Hiperactividade vista à lupa

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2015

não há uma idade certa para a mudança de idade...

 

Mas os 13-14 marcam sem dúvida alterações importantes na vida de qualquer (pré)adolescente, não só física mas sobretudo a nível emocional e de atitudes, são alterações a que todos os pais devem estar atentos. E quando são portadores de patologias que afetam o seu desenvolvimento comportamental como a PHDA e/ou o autismo, muitos já com terapêutica iniciada na infância, com percursos escolares nem sempre fáceis, então essas alterações exigem na maioria dos casos, novas adaptações!

 

Com o mais velho, desde mais ou menos os 12 anos que notei alterações importantes - certas caraterísticas da PHDA acentuaram-se (impulsividade, agressividade) outras atenuaram (a agitação motora é menos notória), outras ainda parecem estar iguais (distração, falta de atenção) e claro as comorbilidades variam mas tornaram-se mais evidentes.

 As reações à medicação essas, alteraram-se - eu costumava dizer que tinha dois filhos em um, antes do meltefedinato e depois do meltefedinato! Existia uma linha que definia bem quando ele tomava o comprimido - sentia-se na forma como nos falava, como encarava qualquer tarefa, como se concentrava na escola. Apesar de fazer com frequência ajustes à dosagem para que esta se adequasse ao seu ritmo de crescimento e dos próprios horários escolares, essa linha começou entretanto a ficar cada vez mais esbatida.

Ao fim de um período letivo, já o efeito de meltefedinato se tornava menos evidente e sobressaía cada vez mais os efeitos indesejáveis - maior agressividade, menos apetite, menos sono, maior dificuldade em equilibrar atitudes e comportamentos. Aos poucos foi-se retirando o meltefedinato e iniciando terapêutica para estabilizar as variações de humor e de sono. Claro que não foi fácil esta adaptação. Foi necessário ultrapassar certos obstáculos na escola, o ano letivo passado foi bem duro, com as notas a baixarem drasticamente e muitos recados na caderneta. Iniciou acompanhamento psicológico mais frequente e reforçaram-se as estratégias em casa, tanto com terapia comportamental como com apoio para o estudo.

O seu Asperger está presente no modo como encara as relações sociais e também nos seus interesses particulares, temas de obsessão que condicionam o seu mundo. Está cada vez mais irascível e difícil de lidar, no entanto, alterna com momentos de pura infantilidade. Aumentamos entretanto a dose de risperidona e de momento é o único medicamento que toma.

 

Com 14 anos acabados de fazer, o meu filhote está a procurar ajustar-se ele próprio! é bom sentir alguns «tiques» típicos da adolescência, embora saiba que ele nunca irá passar por certas fases padrão, dado que o seu «padrão» é diferente!

 

Como mãe, estou em aprendizagem, procurando não dramatizar nem desvalorizar essas alterações! espero ter capacidade para discernir o que se vai passando, acreditando com fé que como qualquer mãe, nunca irei compreender a «estupidez típica» destas idades!!!

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 10:58

Quarta-feira, 08 de Outubro de 2014

em estilo montanha russa são um hábito cá em casa

 

A PHDA dos miúdos manifesta-se em muitas das nossas rotinas e mau seria se ainda não me tivesse habituado ao longo dos 13 anos do Rafa, a estes solavancos...

Apesar das diferenças dos meus rapazes, cada um com caraterísticas próprias e a tal mistura genética explosiva, as perturbações que afetam o mais velho são complexas e é com ele que continuo a ter mais dificuldades. A sua instabilidade é grande e tanto estamos a ter um momento feliz e descontraído, como no momento seguinte temos um turbilhão incontrolavel...às vezes noto alguns progressos no seu comportamento, especialmente na questão do autocontrolo e no empenho em terminar tarefas. Mas tanto vejo um passo à frente, como reparo nos passos para trás! sei que isto é mesmo assim e que só com persistência os resultados se tornarão mais consistentes. São perturbações crónicas e irão fazer parte do seu caminho ao longo dos anos, espero que se tornem compatíveis com a sua forma de vida no futuro!!

Se durante uns dias tive um Rafa mais comprometido com o nosso «contrato anual» e disposto a cumprir a sua parte para levar a bom porto os objetivos definidos, nestas duas últimas semanas acabamos por ter muitos momentos aflitivos. Por coisas banais, quase imperceptíveis para os outros, o Rafa teve crises de explosão nervosa assustadora! Continua a ter muita dificuldade em estar em ambientes com muita gente (daí a crise da aula de EF) como piscinas, balneários ou restaurantes...nas nossas mini-férias tantas vezes o Rafa fugiu literalmente para dentro de casa, sempre que havia mais gente na piscina, ou como insistia em sair para tomar café apenas quando não estava ninguém na sala de cafés (e era já um milagre dispôr-se a acompanhar-nos). Ainda não se expande muito em manifestações de carinho, em casa fazemos «terapia do abraço» e instituímos a rotina do «beijo de boa noite», coisas que já consegue fazer, embora às vezes ainda do seu jeito típico (de raspão...) preocupa-me principalmente a sua relação com o Quico. Não são muito próximos e muitas vezes o Rafa nem se lembra do irmão...mas pode ser surpreendente um gesto como o de me acompanhar num dia destes para ir buscar o mais novo à escola - tão surpreendente que o Quico teve uma reação de puro êxtase quando o viu lá!

Lidar com o Rafa é como nunca saber onde colocar os pés! parece que estamos sempre sobre algo frágil, como os ovos...a qualquer momento racham, partem, sabe-se lá...

 

Vamos aos solavancos, um dia de cada vez!

 

 

 

postado energia-a-mais às 11:19

Domingo, 24 de Agosto de 2014

 

 

as «diferenças» de um filho obrigam-nos principalmente a aceitar

 

 

quando uma criança nasce é sempre um turbilhão de emoções - desde logo porque projetamos. As nossas expetativas como pais, levam-nos a projetar (antes mesmos do nascimento) o que queremos para o nosso filho. E o que queremos que seja, como queremos que corram as coisas, projetamos sonhos, ideais, valores...e quando percebemos que nem sempre as expetativas estão de acordo com a Vida que ali temos, é difícil aceitar.

 

Lido com muitos pais de crianças com PHDA e alguns com outras patologias. Reconheço em todos eles, numa primeira fase, aquilo que eu própria senti. Antes da aceitação vem sempre uma fase de maior dor, revolta, culpa, frustração. Tentamos mudar as regras do jogo, tentamos mudar o diagnóstico, tentamos contrariar as evidências, fazemos de tudo para adaptar as situações. No entanto na fase da aceitação, reconhecemos que a única coisa que realmente importa é saber respeitar.

 

O Rafa não pode ter muita gente à sua volta, entra em stress. Fica agoniado, com vómitos e anda de um lado para o outro sem parar. Sempre que temos visitas em casa ele refugia-se no seu canto. Permito-lhe essa «diferença». Não o pressiono para que se junte aos outros (mesmo que sejam familiares) e antes que cheguem pessoas de fora (muito raramente aparecem sem avisar) planeio com ele o que fazer para que não esteja ansiosamente à espera.

No aniversário do irmão tivemos cá em casa alguns familiares. Ele programou o tempo para estar no quarto, discretamente levamos as suas coisas para lá antes de estar toda a gente. 

Hoje veio um primo brincar com o mais novo. Uma das coisas que mais enerva o Rafa é o barulho (dos outros). Ficou na sala, à vontade de porta fechada para  evitar as correrias dos mais novos. Claro que isto é apenas uma das coisas que faz parte e que nem é a mais complicada para nós de aceitar!

Podia falar da forma como disponho os alimentos no prato (nunca misturar a comida - o arroz não fica a tocar na carne, a salada não toca no arroz....) ou da fronha de almofada que tem de ser sempre colocada de uma certa forma, ou da sua recusa em aparecer nas fotos, mesmo quando pede para ser fotografado

 

 

 

autorizado por ele {#emotions_dlg.smile}

 

temos é de saber respeitar!

 

 

 

postado energia-a-mais às 21:15

Segunda-feira, 02 de Junho de 2014

 

 

Conquistas!

 

São sempre motivo para assinalar, ainda mais com crianças especiais. Um pequeno passo deles e percebemos que vale a pena insistir, que desistir não é opção, mesmo que o tempo nos desgaste 

 

Uma das caraterísticas mais constantes ao longo das etapas de desenvolvimento do Rafa, sempre foi a sua grande resistência às mudanças. Desde as mais simples, como alterar a taça onde come os cereais, à fronha da almofada, passando por mudanças de visual, tipo corte de cabelo...quem o conhece sabe bem a dificuldade de mudar um tapete de casa, mudar a disposição de móvel ou até de mudar os pratos onde se costuma comer! 

 

Os locais que frequenta também são sempre os mesmos - o primeiro local onde o levei para tentar cortar o cabelo, acabou por se manter até hoje, as tentativas também! desde o saltitar do início dos primeiros tempos, em que nada ficava no lugar depois da sua saída (excepto o cabelo que permanecia praticamente sem alterações, as poucas tesouradas conseguidas serviam apenas para «aparar» as pontas). Resultado de toda a sua impetuosidade e impulsividade, as nossas visistas à M. tornaram-se um ritual, onde alternava vómitos com sérias tentativas de se manter no sítio o tempo suficiente para umas breves espontadelas.

 

Para contrariar esse sua inflexibilidade nas mudanças, muitas vezes o faço ver os nossos exemplos «a mãe muda de corte e até cor de cabelo e continua a ser a mesma! o mano corta e o cabelo volta a crescer! a mudança traz coisas positivas como o refrescar da pele do rosto e um novo look que toda a gente precisa de vez em quando!»

 

E, de repente o meu rapaz acede a um corte de cabelo à séria! daqueles em que o cabelo é mesmo cortado! por decisão sua, sem alaridos, sem imposição, lá vai ele confiante para a cadeira da M. E sai de lá com um corte bem diferente do habitual! Foi tão fixe!

 

E mesmo que isso o tenha afetado ao ponto de se notar o nervosismo dele nos gestos e olhares ao espelho, do acordar cedíssimo para ver se tudo estava bem e do tempo que demorou a olhar para a cabeça, valeu a pena ver o seu contentamento por ter conseguido algo que outros meninos da sua idade conseguem sem dificuldade - a mudança!

 

 

 

postado energia-a-mais às 14:22

Quinta-feira, 13 de Março de 2014

 

de estudo a uma criança com PHDA é fundamental!

 

 

Para começar, quem lida com miúdos portadores de PHDA sabe perfeitamente que a escola é um dos contextos onde as caraterísticas da perturbação mais se fazem sentir. E onde é mais difícil ajustar comportamentos e estratégias, pois desse ajustamento resulta o sucesso ou insucesso do percurso académico!

Método de estudo é coisa que basicamente não existe num portador de PHDA! aliado a todas as outras dificuldades - como a concentração, a impulsividade, a desorganização - esta falta de método resulta numa ineficácia da maioria das tentativas de estudo. Desde muito cedo se tornou para mim evidente que o Rafa nunca conseguiria sozinho, orientar-se nas tarefas escolares. TPC, testes e fichas de avaliação são temas de muito debate cá em casa, sobretudo agora que já frequenta o 7º ano de escolaridade!

 

Para o meu filho mais velho, os resultados escolares nunca foram maus, na verdade as notas da pauta refletem a sua capacidade a nível de memorização (especialmente a visual e auditiva) e uma inata facilidade para matérias que a outros provocam mais dificuldades e só pecam porque o comportamento dele em sala de aula, sempre muito falador, impulsivo, inquieto, se confunde (na cabeça dos professores) com falta de respeito e indisciplina - em vez de cincos, leva quatros embora os testes sejam de 90% para cima...enfim! não é no entanto o resultado em si que está em causa. Como qualquer mãe preocupa-me que um dia, a falta de disciplina de estudo o deixe ficar para trás. Não me importo particularmente com o que vem nas pautas, o que quero é que entenda que na vida é necessário esforço e que só o seu empenho significa que está realmente a dar o seu melhor...

 

Explicar esse conceito ao meu rapaz é que já é mais complicado. Com a sua habitual impulsividade costuma responder-me torto, observando que não precisa de estudar para tirar mais porque o que tira é suficiente! além disso, nunca está preparado para encontrar um método que lhe seja adequado, simplesmente porque não se sente motivado para nenhuma matéria, ou disciplina. Imaginam o que isto tem sido em períodos de testes? pois...

 

Estratégias nunca me faltaram, desde adaptar o local de estudo às caraterísticas de um miúdo que se distrai ao mínimo estímulo, a ajustar medicação e hora da toma, a utilizar o sistema de reforço positivo, o uso de recompensa em função dos objetivos (coisas que resultam em tarefas de curta duração e em que os objetivos estão bem definidos) e muita, mesmo muita paciência!

 

Agora optei por mais uma área de intervenção. O Rafa é absolutamente obcecado por jogos de computador. Não é qualquer tipo de jogo que lhe prende a atenção. São jogos de estratégia em que a lógica prevalece e ele se sente o rei da cena. Todos os colegas o admiram e pelo que vejo ele está sempre nos lugares cimeiros dos rankings internacionais, cujas disputas são renhidas e obedecem a um critério de excelência. Tanto que já recebeu prémios e convites para fazer parte de equipas que disputam os tais rankings muito a sério. Eu tento não cortar esse tipo de interesse, até incentivo mas sempre vou vigiando e às vezes tenho mesmo de impor a minha autoridade para impedir que ultrapasse os limites de tempo ao pc. Mas ele acaba por passar muito tempo mesmo!!

 

Decidi então utilizar esse interesse para o pôr a estudar. Como nos jogos ele está por norma ligado com os colegas via skype, quase todos colegas da mesma turma, acabei por achar que podia resultar. Assim, expliquei que podiam utilizar essa ferramenta para estudarem em conjunto, cada um deles tem as suas dificuldades e assim acabariam por se ajudar. O Rafa no início não estava muito interessado, porque estudar é uma seca...mas como falei em ter o apoio dos colegas, poderem tirar dúvidas entre eles, lá se decidiu a experimentar. E assim, munidos dos respetivos cadernos, com alguma vigilância da minha parte reuniram-se três colegas e fizeram uma tarefa de grupo que se revelou gratificante. O Rafa por exemplo é bastante rápido nas tecnologias e sempre que tinham dúvidas lá se punha a pesquisar, enquanto os outros preparavam os resumos. Às tantas perceberam que se estavam a ajudar e que estavam realmente a estudar!

 

Fizeram isso por agora para duas disciplinas e a julgar pelo que contam tencionam continuar pois os testes correram bem, embora ainda não tenham os resultados «oficiais»!

 

Ora, tendo em conta que tantas vezes nós temos a ideia de que os estímulos devem ser banidos para que seja possível uma maior concentração (o que é verdade!) e tendo em conta que para terem o pc ligado, estímulos não faltam, evidente que sempre considerei errado utilizar essa ferramenta. No entanto, se orientado, essa pode ser uma aliada, estas crianças que sofrem de hiperatividade conseguem atingir um bom nível de concentração quando estimulados através de jogos, computadores ou consolas.

 

Gostava de saber o que acham os pais de crianças com hiperatividade sobre este assunto. Alguém utiliza este recurso? e o que pensam de se tirar partido desta «queda» para as tecnologias como uma possível área de trabalho no futuro? Há muito que me interesso por estudos ligados a programas e software pensados para intervenções com crianças portadoras de certas perturbações, como o autismo, a dislexia, a hiperatividade, etc. Gostava de partilhar algumas experiências nessa área, não só com outros pais/educadores, como com profissionais que trabalhem ou pensem trabalhar esta temática. Aqui fica o desafio, podem contactar pelo blogue ou através do email ludo-teresa@sapo.pt.

 

postado energia-a-mais às 10:38

Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014

 

 

13 anos de amor incondicional....

 

 

 

 

 

FELICIDADES RAFA!!!

 

 

postado energia-a-mais às 15:20

Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014

 

do Rafa e da PHDA, já tive muitas opiniões

 

Nem sempre se manifestaram corretas ou muitos assentes em princípios científicos válidos. Também já escutei outras mais fundamentadas, sobretudo de médicos especialistas que concordam que a sua prevalência na vida adulta é muito significativa! conheço casos concretos que acompanhei ao longo dos anos e que mostram realmente a continuação na vida adulta, das caraterísticas de instabilidade conhecidas desde a infância nos portadores de PHDA.

 

Tendo em conta que cada caso é único e que depende de variáveis distintas (a própria PHDA tem diferentes níveis e subgrupos de tipo) sinto que muitas vezes, só porque a manifestação mais visível em criança (a agitação, irrequietude tantas vezes confundida com traquinice) e que mais «queixas» provoca dos outros, deixa de ser tão visível - não é provável que em adulto continuem a subir móveis, paredes, que empurrem para chegar primeiro - se deixa de dar atenção a outras caraterísticas! e isso faz com que em adulto o próprio descure a sua situação e só procure ajuda médica em casos limite...

 

A minha grande preocupação são as possíveis evoluções desta patologia, desde algumas comorbilidades associadas e que se manifestam cedo (o Rafa tem várias que o acompanham e que agora se acentuam), até outras que só aparecem mais tarde e que muitas vezes ficam escondidas. A chegada da adolescência é uma fase de viragem muito importante, mesmo que sem qualquer «problema» a não ser a típica fase da idade. Juntar a isso toda a instabilidade de uma patologia comportamental, faz uma diferença enorme.

 

Vivo com um menino que está a deixar de o ser em idade - 13 aninhos a fazer já amanhã! a adolescência já não vai bater à porta, vai entrar sem licença. E agora? 

 

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:44

Terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

 

 

que se vê obrigada a resolver de forma prática as mais variadas «impulsividades»

 

Se às vezes me parece que o Rafa vai dando mostras de alguma maturidade, outras tantas mostram-me o oposto - a infantilidade dele raia muitas vezes o impossível...

Como na manhã de segunda feira em que teimosamente se recusava ir à escola - argumento? o irmão foi autorizado a ficar em casa (dado que se encontrava a recuperar de uma infeção na garganta, facto que para o Rafa era irrelevante!) logo, ele teria de ficar também....e de nada valia contra argumentar porque ele simplesmente nem nos ouve! parece-me nessas alturas absurdo vê-lo tão irredutível na sua teimosia, com quase 13 anos, será que não entende??? mas depois lembro-me que não estamos perante uma questão de vontade...o Rafa não consegue, não porque não queira mas porque não pode. E nem sempre fica fácil aceitar...

 

De qualquer modo, lidar com estas situações é quase o pão-nosso-de-cada-dia! e claro, há coisas que vou aprendendo. Por exemplo, se quiser fazer braço de ferro com o Rafa, tenho de me certificar de que disponho de pelo menos dois recursos inesgotáveis - paciência e tempo! ora nem sempre disponho de ambos, assim, do pé para a mão! então há que encontrar outros recursos...

 

Recuar nem sempre significa perder...por vezes tenho de recuar para ganhar em estratégia! e foi o que fiz, recorrendo a outro recurso de que as mães são peritas - a determinação! Assim, em vez de perder tempo a discutir com ele, simplesmente desisti e parti para o contra golpe. Ignorei a sua teimosia e marquei no relógio o tempo que tinha para se acabar de arranjar de modo a sair de casa, se não estivesse pronto na hora determinda eu, entretanto já pronta, saíria naquele instante e iria ter à comissão de proteção de menores para que alguém ficasse responsável pela sua ida à escola. Como a determinação está escrita no meu olhar, o Rafa começou a dar sinais de ceder. Acabou por, embora relutantemente e sob protesto, terminar a tarefa de se vestir e arranjar. E saiu quase empurrado para o carro onde o avô já o esperava. O problema foi que o Rafa continuou a protestar, desta feita, decidindo que não levava o saco de desporto, argumentando que não iria fazer essa aula...

 

Eu podia deixar a coisa assim e depois tentar resolver com a escola mais esta falta...podia - mas estava determinada a não o deixar levar a dele avante! aliás a lição teria de ser no imediato pois de nada me valeria deixá-lo faltar e só depois o castigar por isso! Montei então o esquema (e daí a figurinha que me sujeitei...)

Ora, confirmada a hora da aula, controlei o tempo e antes da aula anterior terminar, pedi na portaria que me fossem entregar (na sala) um bilhetinho ao Rafa. No bilhete escrevi «Estou na portaria. Vens buscar o saco para fazer a aula de educação física ou queres que peça para falar com a professora? Mãe!). Como o bilhete foi entregue na sala, a professora que estava com ele na altura também o leu...e posso imaginar o que terá passado na cabeça do meu filhote, fervilhando com certeza! a verdade é que logo a seguir no intervalo anterior à dita aula de EF, ele veio buscar o saco...não me deu uma única palavra, nem eu lhe falei.

 

Em casa, foi como se nada de anormal se tivesse passado, coisa a que já me habituei. Apenas após a toma da medicação da noite resolvi voltar ao assunto e sinceramente espero que não me faça nada parecido por uns tempos! 

 

 

postado energia-a-mais às 11:05

Terça-feira, 19 de Novembro de 2013

 

 

não é novidade para mim...o Rafa ando no 7º ano e continuo a ter de repetir a história a cada novo DT

 

A situação tem sempre os mesmos contornos - em cada novo ano letivo, os DT mudam, os dossiers dos alunos parecem ficar algures na terra de ninguém, ou não passam de mãos, ou se passam não contêm a informação toda, ou pura e simplesmente quem pega na turma não está para ter trabalho extra de ler toda a informação. Conclusão: sempre que as «diferenças» do Rafa interferam na sala de aula de aula, chama-se o encarregado de educação (eu, mãe me apresento!)

 

E de modo que é assim - o meu educando tem certas atitudes na sala de aula que demonstram um comportamento desadequado. Além de ser brusco nos modos de falar e de ter saídas dignas de um comentário menos apropriado, parece muitas vezes andar completamente «despistado» e chega constantemente atrasado às aulas. Este «constantemente» vai já na fase em que os encarregados de educação têm de ser avisados formalmente pela escola (daí a urgência da chamada do DT) porque ultrapassa a metade das faltas possíveis para todo o ano letivo!

 

O problema do Rafa é que se atrasa por tudo! a lentidão matinal esconde muitas das caraterísticas da PHDA. Explicar tudo ao novo DT foi assunto para mais de hora e meia de conversa...e depois de me ter dado uma visão sobre a Lei e Regulamento Interno da Escola e de todas as consequências em que aluno e encarregado de educação incorrem, acabamos por ter uma conversa em que me pareceu estar interessado e sobretudo já ter notado várias das caraterísticas do meu filho.

Este ano a nível de notas dos primeiros testes não há nada a apontar, o Rafa (sem ter feito esforço algum de estudo organizado) tirou notas bem razoáveis (em muitas disciplinas acima dos 90%) nunca inferiores a 70%. De qualquer modo e apesar destes resultados, a sua incontornável impulsividade a par da inconstância dos humores já revelaram aos professores mais atentos um alerta de preocupação.

 

Embora sinalizado para apoio psicopedagógico no ano passado, este ano ainda não foi chamado, ficando o DT de verificar a situação. 

 

Claro que tive uma conversa com o meu rapaz, mais uma! Como o susto vale sempre para o Rafa como uma «alfinetada», hoje ele saiu de casa decidido a chegar o mais cedo possível e penso que por uns dias vai ser assim...depois - bem, depois tenho de pensar em estratégias para que este entusiasmo cumpridor não esmoreça!

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 12:19

Quarta-feira, 02 de Outubro de 2013

 

 

sabem o que é acordar com um hiperativo aos berros às 3h00 da matina? não? eu digo

 

Primeiro ponto - um portador da hiperatividade não tem um acordar como os vulgares demais...não! um hiperativo acorda com as pilhas todas ligadas, como se a corrente já estivesse a funcionar à horas!

Assim, quando o Rafa me chama em altos berros «Oh mãe! MÃE! MÃAEEEE!» eu já sei que vão passar loooooongos minutos (horas até) sem voltar a pregar olho...

 

E se aos berros, saltos, pinotes o Rafa garante que ouviu uma melga a zumbir no seu ouvido, mesmo que o meu cerebro ainda esteja a tentar arrancar-me às profundezas do meu sono, o meu corpo tem de reagir! e lá andei até às 4h e tal, chinelo na mão, ora acende ora apaga a luz, tentando manter a conversa do Rafa em tom controlado e orando com fervor para que a maldita da melga se resolvesse a aparecer....

 

 

ai! escusado será dizer que entretanto o Rafa continuou a falar como se os assuntos mais urgentes fossem as aplicações do novo jogo que descarregou para o PC ou a vontade inadiável de ter um telemovel porque afinal é o único miúdo que não tem nenhum...

Nunca mais a minha pestana voltou a fechar como devia...juro que não vi nada parecido com uma melga mas acabei por «matar» qualquer coisa...ou pelo menos consegui fazer o Rafa acreditar que sim...

 

Tou que nem posso, nada de invulgar afinal!

 

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postado energia-a-mais às 10:48

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