A Hiperactividade vista à lupa

Terça-feira, 05 de Junho de 2012

 

 

...onde se esconder {#emotions_dlg.blushed}

 

O Quico está naquela fase maravilhosa da descoberta da personalidade. Ora tanto se «arma» em espevitado e mete conversa com toda a gente mesmo que nunca os tenha visto, ora se «fecha» em ostra agarrado às minhas saias (ou calças). Eu ainda nem sei bem de que lado gosto mais...ninguém gosta de ver um «catraio» assim para o tímido, enrolando a língua e com ar de bicho do buraco (fico sempre com a ideia de que os outros acham que sou eu que o reprimo demais...) ter um miúdo tagarela e bem disposto parece resultar melhor, excepto quando ele abusa e desafia qualquer lei das boas maneiras

 

Neste último fim de semana, o Rafa passou bastante tempo com um amigo que vive na mesma rua e que já conhecemos desde o 1º ano de escola. Muitas vezes o M. vem a nossa casa, depois vai o Rafa até casa dele e passam assim o tempo com o Rafa a liderar as corridas de casa em casa (sem nunca se decidir por qual quer ficar e sem chegar propriamente a brincar...o que parece não incomodar o tal amiguinho). Agora que está mais crescido o Quico acompanha-os algumas vezes (pelo menos enquanto não se chateia com as constantes mudanças de casa...). Numa das vezes, encontraram na casa do M. a mãe dele (os pais são separados e quem vive aqui perto é o pai). O Quico não costuma ver a senhora por isso perguntou «é a tua mãe?» ao que lhe responderam que sim e ele, sem mais nada atira «ui, que mãe!! que cara tão feia...» ó rapaz, podias ter maneiras, não se diz tudo o que se pensa....ainda por cima estavam mesmo todos presentes...deve ter sido lindo!

 

além disso, apesar de terem saído de casa com o lanche tomado, o Quico virou-se para o pai do miúdo e diz «quero comer, estou esfomeado, vai buscar pão com manteiga, vai!» ora, pronto não foi muito exigente no pedido...mas não havia necessidade! principalmente depois de eu ter dito quando os fui lá deixar que tinham acabado de lanchar...

 

Estava eu ainda a digerir o que me tinham contado e numa saída à rua para ir estacionar o carro, vem comigo e encontramos um casal junto ao estacionamento (talvez à espera de alguém) ele aponta diretamente e diz «mãe, são bêbados?» e eu «ora, que ideia filho...então?!» e ele especado a olhar a direito para o tal casal «mas tu tinhas dito que aqui era o lugar dos senhores bêbados, estes devem ser...»

 

e assim que nos aprontavamos para subir no elevador, aparece a sair um dos vizinhos mais «melgas» do prédio e o Quico com o dedo em riste e sem desarmar «olha la ó senhor mal educado, vê por onde andas!!!» e como o homem nem olhou para ele, o Quico seguiu-o durante o tempo em que não o consegui apanhar, debitando preciosidades destas «és muito mal educado, sabias? não falas? humm? o gato comeu-te a língua senhor XXXX?»

 

Digam-me onde? onde me poderei enfiar, havendo uma próxima vez (garantida)? {#emotions_dlg.ninja} {#emotions_dlg.hide} 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:11

Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

 

 

daquele vizinho que sempre nos aparece nos momentos menos oportunos? ou seja, quase sempre quando me faço acompanhar pelos meus pestinhas?

 

pois tivemos mais um encontro de 3º grau...

 

 

entro eu no átrio do prédio, arrastando literalmente o Quico que me tinha feito uma birra monumental para que lhe comprasse mais um dos quinhentos e cinquenta mil figuras Gormiti (arre que aquilo de virem empacotados não tem piada nenhuma {#emotions_dlg.annoyed}) e tentando evitar que o Rafa, tomado pela energia de final de dia, transformasse o que resta da mochila escolar, numa massa disforme, quando dou de caras com o dito, aguardando pelo elevador...ainda tento uma saída airosa, sobrepondo a minha voz aos gritos dos miúdos «esperem que a mãe tem de ver a caixa do correio» mas a coisa não correu bem porque o Quico desatou aos chutos à porta do elevador e eu acabei por ter de ficar para o fazer parar...

 

Assim que a porta abre, o Rafa precipita-se para dentro, o que leva ao reparo do vizinho «então, que educação é essa? tem lá calma...» e eu, assim entre o tom rigoroso e diplomático «então Rafa, o senhor estava primeiro, esperamos pelo outro elevador, está bem?» e o Rafa, já sem me escutar e a tirar os livros que me queria mostrar «olha mãe, olha, os livros que trouxe da biblioteca da escola, olha, são dois...» e no meio da confusão toca o telemóvel e o Rafa grita logo «deve ser o papá, vê se é o papá, mãe, eu quero falar com ele...quando é que ele vem?» e o Quico a aproveitar a barafunda impede com o dedo no botão que a porta do elevador feche enquanto grita «quero outro gormiti mamã, não quero saber, tens de comprar outro...». Eu acho que entrei no elevador sem me aperceber porque dei comigo lá enfiada, esmagada contra o raio do homem cada vez mais carrancudo, segurando numa mão uma saca do pingo doce e na outra o telemóvel que continuava a ter sinal...ora como só tenho duas, não consegui encontrar outra maneira de segurar na mão do Quico que de dedo espetado escarafunchava o nariz e de lá tirava o habitual «macaco» que queria aplicar no espelho do elevador....fogo, se há dias em que se comportam como selvagens, este foi um deles {#emotions_dlg.mad}

 

mas não pensem que baixei a cabeça. Virei-me para o Rafa, antes do elevador parar no piso do homem e em tom firme disse-lhe «mostra os livros em casa, agora seguras a mochila porque está aberta e podem cair» e ao Quico disse «vamos ter de ir limpar este espelho, deixo-te seres tu a pôr o líquido limpa vidros» e rematei quando o homem já estava para sair «depois vamos ligar ao papá porque ele gosta de saber do vosso dia» ao que os dois muito aprumadinhos responderam em coro «está bem mamã!» 

 

 

{#emotions_dlg.lol}

 

eu sei, sou totalmente maléfica! que querem? se não fossemos nós o prédio pareceria um museu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 08:35

Quarta-feira, 02 de Março de 2011

 

 

nem sempre a convivência é fácil! e nem sempre a política da boa vizinhança é cumprida na perfeição....

 

 

é ponto assente que viver num prédio obriga a certas «regras» de sociedade para que haja um ponto de equilibrio entre a independência de cada morador e a natural vida comum de quem partilha a mesma entrada.

Viver num prédio com crianças hiperativas não pode ser «camuflado». Nunca omiti ou deliberadamente escondi de qualquer pessoa a hiperatividade do Rafa. E quando mudamos de apartamento uma das condições que me exigi a mim própria foi a de colocar desde logo os vizinhos mais proximos a par da situação. Não quer isso dizer que tenha dado longas explicações ou feito uma apresentação formal - apenas me limitei, numa reunião de condomínio a informar os presentes de que a minha vida familiar é tocada por uma patologia que afeta o meu filho mais velho e que isso implica ter alguns períodos menos bons que condicionam certas regras de «boa vizinhança».

Se o meu filho tem um acesso de típica impulsividade e dominado pela eletrizante energia que o caracteriza, dispara a correr pela escadaria, saltando degraus e batendo com os pés na parede, eu não quero ser «acusada» de má educadora...Também não quero que se ponham a fazer cara feia se o vêem chegar da escola aos saltos e a falar tão alto que se consegue ouvir desde a entrada até ao sexto andar! 

Na dita reunião todos se mostraram equilibrados e compreensivos, garantindo que entendiam a situação...mas claro, alguns «entendem» mais do que outros...

E já vivi de tudo entre vizinhos - desde meterem papelinhos «anónimos» com recadinhos (que terminaram depois do «anónimo» ter sido confrontado comigo frontalmente) a tecerem comentários de que eu era demasido permissiva e por isso os miúdos se portavam assim, até conselhos de palmadas e castigos e muitas histórias de alguém que «era igualzinho» ao Rafa e que depois de uma certa idade, mudou para uma criança super «bem comportada»!

 

Quase sempre limito-me a ouvir e não ficar a pensar muito no que dizem, desde que respeitem o meu espaço e não se intrometam em demasia. E embora por vezes se note as grandes «diferenças» de comportamento do Rafa em relação a outras crianças, consigo minimizar estragos eventuais com uma dose de bom senso, muita prudência e regras definidas - afinal cá em casa a rotina é bem mais rigorosa do que na casa dos vizinhos, isso posso garantir!

 

e isto vem a propósito do quê? pois...

 

isto é porque de vez em quando há coisas que só mesmo a nós podem acontecer...Como por exemplo, ter a «pontaria» certeira de conseguir fazer papel de «parva» sempre com determinado vizinho...

 

Imaginem um professor solteirão na casa dos entas...muito senhor de si, com certos tiques efeminados e sem qualquer pachorra para miúdos (ossos do ofício provavelmente!) e os meus dois putos, dentro do mesmo elevador. Imaginem um Rafa afoito com mochila às costas a querer mostrar os cadernos todos naquele instante para me mostrar um recado da escola que anotara num deles. Imaginem um Quico a pendurar-se na barra de apoio que tem dentro do elevador...imaginem eu toda coradinha  a fingir que não se passa nada...nunca o terceiro andar me pareceu tão alto....o tal vizinho encolhia-se todo e eu só via a mochila do Rafa a bater-lhe em todo o lado, especialmente no peito e cara...

 

Imaginem uns dias depois apanhar com o mesmo vizinho...e enquanto o Rafa se senta no elevador e tenta desapertar-lhe (sim, ao homem) os atacadores dos sapatos, o Quico gritava algo como «hei tu senhor, queres ver o meu rabinho? não? não...».  Eu não sabia se devia travar o elevador de modo a sair antes ou se fingia um total alheamento...optei por tentar tapar a boca do Quico enquanto puxava pelo Rafa...lindo!

 

e o último encontro nosso com este vizinho?! calhou o homem estar a entrar no prédio, quando nós estavamos a chegar no carro. Mal parei, o Quico saiu disparado e quando se apercebeu de que a porta da entrada estava prestes a ser fechada gritou um estridente NÃO ao mesmo tempo que se lançava em estilo ninja para cima do homem...  pensei que desta é que o vizinho se «passava» e até receei pelo Quico mas nem tive tempo para me aproximar antes de novo incidente...é que entretanto muito mais rápido do que eu, já o Rafa se precipitava também para a entrada, segurando euforicamente  a sua mascara de carnaval, quase o deitando ao chão na sua passagem...se vissem a cara de horror com que nos olhava...acreditem que nem o meu mais doce sorriso terá para aquele homem qualquer significado - somos os abomináveis vizinhos dele...

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:12

Terça-feira, 22 de Junho de 2010

 

 

 

e sim, também se fala de futebol neste post !

 

Em primeiro lugar, fazer um jogo de  na hora de almoço pode ter consequências pouco saudáveis...então ninguém se lembrou que nos podia dar uma indigestão? mas o pior é conseguir dar uma refeição a dois miúdos eléctricos (que por norma já não comem tranquilamente) tarefa que se revelou completamente impossível! de nada valeram os ralhetes, as palmadas, os puxões...a gritaria instalou-se, as correrias eram mais que muitas e a todo o momento tinhamos de escolher entre uma garfada certeira, ou desviarmo-nos de alguma  bola em voo rasante...sim porque nós sentimos este jogo em versão 4D - em 3D nós apenas parecemos estar no meio da acção, nesta versão, nós estamos de facto no meio da acção!

 

E enquanto o resultado do jogo ganhava uma dimensão histórica, também os meus filhos faziam em cima da minha cama, uma histórica batalha que começou por ser de almofadas, depois passou a ser de bandeiras de portugal, depois apenas de pauzinhos das bandeiras, depois de objectos mais pesados do que pauzinhos e quando eu já ameaçava sair porta fora e desaparecer para sempre, eles largaram os objectos e arremessaram-se um ao outro...

 

Foi um sufoco dos diabos para os separar e conseguir estabelecer um pouco de calma...mas claro que a calma é relativa - cá em casa dou-me por satisfeita se eles conseguirem gritar cada um no seu lado!

 

Estava eu ainda a zunir com os 7 a 0, quando levo com um episódio daqueles caricatos, guiados pela impulsividade do Rafa - com a habitual efusividade, o meu filho já tinha ido às janelas gritar por Portugal, numa das idas, da parte de trás da casa onde a vista dá para o terraço do primeiro andar, o Rafa viu um dos cães dos meus vizinhos a correr de língua de fora. Ora o que o miúdo pensou foi que devia dar água ao cão, pois ele próprio (Rafa) sentia-se cheio de sede de tanto gritar, achou que o cão estava arquejante com o esforço de puxar pela equipa....vai daí despejou uma garrafinha de água para baixo «pra ver se o caozinho conseguia beber», disse-me mais tarde...Só que os filhos dos vizinhos, juntamente com uma dezena de amigos, estavam lá em casa....e depois de um dos miúdos mais novos se ter colocado a olhar para cima, de eu me ter apercebido que alguma coisa se passava e ter ido questionar o Rafa, ouço, vindo de um megafone um chorrilho de palavrões a insultar-me a mim, a minha mãe e aos meus filhos!!!! a sério passei-me...então eles deixam os cães passarem fome (sim, porque os cães metem dó, até as fezes comem!) largam cócózada por todo o terraço porque nunca os trazem à rua, deixam-nos sem água durante todo o dia e hoje porque viram cair um pouco de água no terraço chamam-nos nomes pelo megafone???

 

 

 

Ainda tentei dialogar com calma com o miúdo (graúdo já) que empunhava o dito megafone mas parece que a juventude actual tem as hormonas aos saltos, o moço gesticulava  e gritava que «ninguém pode mandar água para o meu terraço»....ainda lhe perguntei se a água o assustava mas como teimava em desconversar, achei que o melhor era cortar o «folklore» instalado. Apenas lhe disse que se a mãe dele quisesse vir falar comigo, estava à vontade (coisa que até à hora em que escrevo o post não aconteceu) e abstive-me de fazer um comentário que me ficou atravessado, do tipo «devias estar mais preocupado com a porcaria que te rodeia do que com a água que é limpinha, aliás bem podias usá-la!»....

 

Eu até entendo que não tenham gostado de ver cair água de uma janela acima, mas por amor de deus, era água, inofensiva, atirada com uma intenção que não era maldosa (antes pelo contrário) e quando muito o rapazola que já tem idade para ter algum juízo e educação poderia ter vindo falar comigo, perguntando «então atiraram água lá para baixo, como é?» - uma coisa assim mais proporcional ao sucedido...eu tiraria a limpo o que se tinha passado e teria uma conversa com o Rafa (que acabei por ter) para que não voltasse a acontecer (pois se eu nem a toalha sacudo da janela). Foi uma cena que me enervou, vamos ver se não tem sequelas ou se ainda terei de me chatear de verdade, até porque independentemente do que se passou, eu nunca pensei ver no prédio, algo tão asqueroso no que diz respeito ao tratamento que dão aos animais...eles nãos lhe batem mas de resto não lhes ligam, de todo! incomoda-me muito olhar para baixo e ver tudo sujo (só é lavado quando vem uns senhores de uma empresa de limpezas) e nunca os levarem a passear, nunca ver a tigela com comida (ou ração) e nunca ver água...e se alguém tem animais em casa que me diga se é normal eles comerem as fezes....

 

Ai que o post já vai longo e isto era para ser o relato dos festejos....ele há cada coisa!

 

Gooooooooooooooooooooooooooolo

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:26

Domingo, 29 de Março de 2009

 

vizinhança

 

aceitei o desafio lançado pela Sandra e aqui deixo as minhas opiniões sobre os meus vizinhos, respeitando as regras do desafio:

 

  • colocar o nome de quem desafiou
  • dizer 3 coisas boas e 3 coisas más sobre o local onde vivo
  • passar o desafio a 6 blogues

A primeira regra já cumpri! Obrigada amiga, lol!

A segunda cá vai: primeiro as boas

  1. vivo perto de tudo, a minha cidade não é grande mas temos iniciativas que nos fazem ser um dos melhores concelhos do país em qualidade de vida. Temos tudo aqui, sem perder aquele aconchego de viver em harmonia com a natureza
  2. Tenho vizinhos prestáveis que me deixam á vontade para pedir ajuda a qualquer hora do dia ou da noite
  3. os meus pais são meus vizinhos e a principal razão para gostar de viver aqui, lol!

agora as más

  1. o facto de haver um espírito de cusquice maldosa, daquela que irrita! quem não conhece inventa!
  2. ter mesmo ao lado da porta um dos vizinhos armados em guardião da moral e bons costumes (um péssimo exemplo a seguir claro!)
  3. ter de pagar «couro e cabelo» para aqui morar, desde a água, ás rendas, até á roupa e sapatos (e somos nós a terra do calçado!) tudo é muito caro...

e por fim a última regra ( a ver se ninguém repara!) passo não a 6 mas a quem quiser contar algo sobre o sítio onde vive!

 

sinto-me: em boa companhia
tags:
postado energia-a-mais às 21:56

Quinta-feira, 03 de Julho de 2008

Vou contar um episódio que já ocorreu em Fevereiro mas que por causa de um outro ocorrido agora, me voltou a assolar os pensamentos:

eu vivo num prédio, sempre vivi (mesmo quando vivia com os meus pais) pelo que estou habituada ás regras (por vezes difíceis) da convivência entre vizinhos da porta ao lado. Este prédio onde vivo é um daqueles bonitos prédios centrais, com todas as comodidades, onde os apartamentos são muito espaçosos, de boas construções e onde vive a gente «bem». Porque é que isto é importante? Porque bem podia ter-se passado num outro qualquer bairro, de onde se fala normalmente de problemas entre vizinhos, conflitos sociais e complicações várias. (só para ver que nada disto tem a ver com posição sócio-económica mas sim com boa ou má educação)

Quando vim para cá viver há cerca de três anos, dei a conhecer aos meus vizinhos próximos o problema do Rafael e mais tarde do Francisco. Fi-lo não porque me sentisse obrigada mas porque achei que devia evitar falatórios e colocando todos ao corrente da situação, poderiam entender melhor o porquê de tanta algazarra com os miúdos em casa.

Desde sempre o meu filhote primou por uns belos pulmôes e mesmo sem ser em momentos de crise o nível de voz dele (e do irmão mais novo) é sempre elevado. Além disso expliquei que por vezes poderiam ver o Rafa a subir as caixas do correio, a dar saltos na escada ou a fazer o pino na entrada do prédio. Na altura todos se mostraram compreensivos e até me disseram que teria todo o apoio e que não me preocupasse, afinal era uma criança e havia outras no edifício (mais três no total que nunca se ouvem!)

Claro que quando surgiram as primeiras provas do que eu dissera sobre o meu filho ser um pouco, digamos «diferente», começaram os comentários. Desde as tentativas de ajuda moral, como dicas para ele ser mais bem comportado, até aos recados subtis de que a culpa era de uma educação demasiado permissiva, nada compatível com o local asseado e muito educado onde viviamos, tive de aguentar tudo com um sorriso «amarelo», pensando com os meus botões que seria bem mais fácil se vivesse numa moradia, mas enfim!

No entanto tive de me irritar quando começou a ser demasiado visível o desagrado dos meus vizinhos mais próximos (mesmo piso) zeladores proclamados do prédio, daqueles que anotam horários e rotinas de todos, sabem quem entra e sai e para onde, limpam as dedadas do elevador, tiram o grão de pó das caixas de correio...

Um dia em que o meu filho me fizera sair de casa com as habituais duzentas coisas que precisa em absoluto, entre elas a bicicleta, a bola e meia dúzia de carros, bonecos,etc, tive de voltar atrás para comprar pão (temos padaria mesmo em frente) quando já tinha entrado no átrio. Acabei por deixar a bicicleta encostada a um dos lados da parede e lá fui com o Rafa a reboque ao outro lado da rua. Eis, senão quando volto deparo-me com um bilhete na bicicleta, em letras garrafais - «Isto não é garagem de bicicletas».

Ora, sabendo eu por instinto quem colocara o recadinho, ainda por cima não sendo o primeiro (sempre não assinado) a avisar do lixo no chão, dos dedos marcados na porta da entrada, tudo porque só o meu filho faria tal coisa, quem mais poderia ser?! acabei por ir bater na porta ao lado, para que soubessem que a) não escondo o que faço; b) deixar a bicicleta por 10 minutos na entrada não é fazer do local garagem; c) vivem outras pessoas no prédio que fazem barulho, batem com as portas, deixam marcas nos vidros, etc. Fiquei a saber que a) não há ninguém como o meu filho no prédio; b) que este não é um prédio de bairro (tem qualquer coisa a ver com educação e o facto de o meu filho não ter nenhuma) c) que os vizinhos de baixo, pessoas que passam cá apenas as férias (estiveram no Natal), não conseguiram aguentar o barulho das crianças a toda a hora e por isso foram para casa de familiares para a senhora poder dormir (presumo que os meus filhos não têm essa sorte e não podem sair de casa quando os meninos do lado brincam ás escondidas ás 23:00H).

Sou uma pessoa pacífica e gosto de manter boas relações com pessoas que vejo todos os dias e que entram pela mesma porta que eu, tenho vizinhos prestáveis e amigos. Não posso é aceitar calada que outros atirem para o meu filho, culpas que não são dele. Que o olhem como se tratasse de um marginal só porque chega com as camisolas em desalinho e corre sem controlo ou esbarra contra a porta. Não aceito que reparem na maneira como abro a porta ou coloco a chave na fechadura, se acendo a luz da escada mais do que uma vez ou se uso o elevador três vezes ao dia. Não aceito moradores de primeira ou de segunda (eu sou destes) ou que me digam que hiperactividade é o mesmo que falta de respeito.

Não aceito e não me calo. Obrigada a todos os que convivem connosco e nos olham pelo que somos de verdade. Obrigada aos bons vizinhos que tenho. Os outros que se lixem!

sinto-me: sem comentários
postado energia-a-mais às 14:08

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