A Hiperactividade vista à lupa

Quinta-feira, 27 de Maio de 2010
se eu escrevesse assim lol! mas não vou plagiar, o seu a seu dono e este é bem conhecido. Eu no entanto subscrevo inteiramente o que diz Eduardo Sá sobre o tema...
 
Acrescento que tenho tentado fazer ver este ponto de vez, muitas e muitas vezes, embora às vezes num diálogo de «surdos», quer na escola do rafa, em debates em que tenho participado, em petições que assinei, em projectos internacionais através da APCH....talvez se existissem muitos mais Eduardos Sás, a coisa fosse diferente
A vossa opinião é bem vinda!
 

Educar para o invisível

Escrito por Eduardo Sá Terça, 16 Março 2010 | Visto - 147

 

A escola nunca devia ser inclusiva! Incluir não é integrar. Incluir é, muitas vezes, amalgamar o que nos distingue numa ideia - totalitária - de pessoas normais. Integrar é acarinhar as diferenças: só as escolas plurais são… universidades. E só quando casam aprender e brincar são… jardins-de-infância.

 

1.


As crianças transformam-se de dentro para fora da família, e o mundo «pula e avança» de dentro da escola para fora dela. Mas só quando a família e a escola se emparelham nos mesmos objectivos, as revoluções acontecem. Infelizmente, quase nunca escola e família esperam o mesmo das crianças (e, talvez por isso, as coloquem no meio de birras rezingonas, mais ou menos sem fim). As famílias desejam que as crianças se tornem pessoas sempre melhores. A escola aspira a que tenham mais conhecimentos (e, sobretudo, que os dominem com precocidade e eficácia). Mas quando passa, simplesmente, pela periferia do coração, o conhecimento pode transformar-se no maior inimigo da sabedoria.
Dominar o conhecimento é tudo aquilo que quem não tolera o invisível mais procura. Ora, a luz (a dos olhos de quem nos põe «aberturas fáceis» no coração, como aquela que, de surpresa, nos coloca planaltos no olhar), não é um jeito de afrontar o escuro, mas a forma (amena) de não o tornar persecutório. Sendo assim, gostava muito que um dia, num mundo amigo da sabedoria a escola educasse para o invisível e desse a entender que nos transcendemos sempre um pouco mais quando quem nos ensina só deseja que aprendamos a namorar os motivos que o tenham levado a apaixonar-se por tudo o que aprendeu.

 

2.
Aprender será, sempre, reconhecer. Reconhecer no sentido de reaprender as pequenas diferenças que nunca se tinham vislumbrado em tudo o que sabemos (tornando cada conhecimento mais simples, mais útil e mais humano). E reconhecer como sinónimo de gratidão para com aqueles que tenham percebido que a tarefa preponderante de um educador não é fornecer conhecimentos mas não deixar que se apague o nosso desejo de aprender.
Infelizmente, a escola recebe pessoas com magia e não descansa enquanto não as transforma em crianças normais. Pessoas com magia são, por exemplo, os que «andam nas nuvens», as «cabeças de vento», ou as «línguas de perguntador». Ligam família e escola, imaginação e fantasia, amor ao conhecimento com paixão pelo desconhecido. Já as crianças normais aprendem pela periferia do coração. Dominam os conhecimentos (com que fazem frente ao invisível) e privilegiam os resultados ao caminho que se tenha calcorreado até os conquistar. (É por isso – suponho eu – que os maus alunos tiram, imperativamente, boas notas e os bons aprendem com os erros).
Será a escola inclusiva para todos? Não! Como não o é para os que «andam nas nuvens», os «cabeças de vento», ou para as «línguas de perguntador». Nem para os pais. Menos, ainda, para os recreios. Aliás, a escola nunca devia ser inclusiva! Incluir não é integrar. Incluir é, muitas vezes, amalgamar o que nos distingue numa ideia – totalitária – de pessoas normais. Integrar é acarinhar as diferenças: só as escolas plurais são… universidades. E só quando casam aprender e brincar são… jardins-de-infância. Na verdade, uma escola amiga da sabedoria será, ao mesmo tempo, universidade e jardim-de-infância.

 

3.
Sempre que, entre duas pessoas, se pressente magia nasce uma escola. Logo que não entendam o invisível fecham-se para a sabedoria. Daí que o insucesso escolar aclare a dificuldade de família e escola aprenderem, sobre o invisível, uma com a outra. Se o insucesso escolar representa o desamparo com que uma criança vê a família não se assumir como provedora da escola, o abandono escolar diz-nos quanto a escola pode ir do desamparo ao descuido. É por isso que acredito que, quando uma criança abandona a escola, já foi, inúmeras vezes, abandonada por ela. Sendo assim, sempre que uma criança a abandona, a escola não será, seguramente, amiga da sabedoria e, por isso (no formato que adopta e nas rotinas que alimenta) devia fechar.
Afinal, logo que todos os alunos puderem ter necessidades educativas especiais, sempre que a magia for amiga da sabedoria, e os professores forem, unicamente, aqueles para quem a luz não é um jeito de afrontar o escuro, todas as escolas serão universidade e jardim-de-infância. E só aí o primeiro dia de escola será, ao mesmo tempo, um regresso a casa.

 

 

Texto retirado da Revista Pais & Filhos on-line

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:16

De a 27 de Maio de 2010 às 09:33
Saber ler, principalmente entender também é uma virtude.
Beijinhos

De energia-a-mais a 27 de Maio de 2010 às 10:39
é verdade querida Fá! e ler Eduardo Sá é para mim sempre uma descoberta de afinidades.
Beijinhos

De Abigai a 27 de Maio de 2010 às 11:18
Teresa, se por um lado a inclusão não integra e pretende "apagar" as diferenças e desvalorizar a magia que existe em cada criança "diferente" não procurando desenvolver nem aprender com o dom destas crianças que «andam nas nuvens», as «cabeças de vento», ou as «línguas de perguntador», por outro lado a exclusão pode levar à discriminação.
A escola inclusiva poderia funcionar e ser uma mais valia se houvesse vontade de aprender e desenvolver em conjunto, pais, professores e escola, valorizando o que de bom têm todas as crianças, sem tentar apagar a diferença nem tentar transformá-las todas num rebanho descaracterizado.
Beijinhos,
Anabela

De energia-a-mais a 27 de Maio de 2010 às 11:43
Olá Anabela! o conceito de escola inclusiva, tal como entendido por Eduardo Sá, não é o mesmo que o entendido por quem quis, numa perspectiva de inclusão de crianças ditas «diferentes», trazer essa diferença para a escola. No entanto, tal como dizes, só seria possível se escola, pais e professores caminhassem no mesmo sentido, se vissem para além do visível, «educando para o invisível». A verdade é que a escola muitas vezes, abandona, renega e marginaliza quem não se incluí, a verdade é que tantas crianças «diferentes», deveriam obrigar-nos a todos a mudar esse conceito!
beijos muitos

De susana miranda a 27 de Maio de 2010 às 20:52
Boa Noite Teresa,

Subscrevo, cabalmente as palavras do Psicólogo Eduardo Sá.

A escola tem um papel preponderante na vida da criança e do adolescente.

Sendo as figuras parentais, as bases do desenvolvimento de cada criança, os próprios serão os modelos para os filhos.

Como sabemos cada vez mais cedo as crianças iniciam o seu percurso de aprendizagem, supostamente a escola deveria ser a linha de continuação dessa trajectória.

Teresa:

Um dos livros do mesmo autor Titulo: Chega-te a mim e deixa-te estar – Eduardo Sá- Recomendo a sua leitura.

Beijinhos

susana miranda

De energia-a-mais a 27 de Maio de 2010 às 21:33
Olá Susana! é por demais evidente que a escola tem de rever o seu papel - não basta ser o «transmissor» de conhecimentos, tem de haver um papel mais global para a educação da criança, um caminhar em conjunto, pais e professores, escola para a Vida!
Do livro - obrigada pela sugestão, não conheço mas vou tentar arranjar e ler!
Beijinhos


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