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Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

16.Ago.10

atitudes

nem sempre compreensíveis para quem está do lado de fora, tomadas consciente ou mesmo inconscientemente

 

servem muitas vezes para que nos julguem desta ou daquela forma...

 

Isto para dizer que estamos constantemente sob avaliação dos outros, nos nossos diversos papéis. No papel de pais/mães, por exemplo, isso é diário...e todas as atitudes que tomamos são escrutinadas pelos outros como se de um «concurso» se tratasse... somos «melhores» ou «piores» pais do que os vizinhos do lado? ou dos pais que vemos no jardim? ou dos que vão buscar os miúdos à escola? e como fazemos essa avaliação - nossa e dos outros?

 

avaliamos as atitudes

 

há uns tempos atrás li um post de um blogue que nem é meu costume visitar mas que me surgiu numa pesquisa que fiz. Dizia a autora do post que não eram as atitudes que mostravam (pelo menos de forma clara) se estávamos perante um caso de hiperactividade ou não, pois se assim fosse julgaríamos apenas pela «aparência» - relatava nesse post uma cena passada num consultório em que uma criança provocava distúrbios graves para todos os presentes perante a atitude passiva da mãe. E que mesmo tendo sido a mãe chamada a atenção por quem lá estava, a mesma não interferiu para acabar com a atitude incomodativa do filho, antes foi agredida verbalmente por ele quando o tentou «intimidar» pela via usual do «queres levar?» sem no entanto ter alterado a sua atitude de completa passividade/desinteresse...

 

nos vários comentários que se seguiram a esse post, muitas pessoas afirmaram que era de facto impossível saber se a criança era ou não hiperactiva, se seria apenas mal educada - as suas atitudes não eram certamente adequadas mas o porquê desse comportamento não era fácil de avaliar. No entanto todos estavam de acordo em que a atitude da mãe era reprovável - era até, na opinião de muitos, essa atitude que teria levado o miúdo a ser um autêntico «selvagem», mal educado, chamando nomes à mãe sem que ela respondesse à letra (ou pelo menos tomasse outra atitude...)

 

E agora vem a parte em que eu mãe de um miúdo hiperactivo a quem já se dá medicação e mesmo assim, já se verificou que não existem milagres, me sinto...digamos - tocada por este post...

 

Porquê? porque me revi naquela mãe (não sei se o filho será hiperactivo ou não e até desconfio que não o seja...explico depois) Mas revi-me num papel que por vezes tenho de desempenhar, em que se confunde passividade com «estratégia» - nem sempre uma atitude de confronto durante um momento de «crise» resulta em algo positivo. Muitas vezes, perante um Rafa desatinado e a fazer o maior disparate do mundo, eu apenas aguardo...e aguardo o quê? o momento certo para a atitude certa - que por vezes até nem é um sermão, uma bofetada ou um «espectáculo» em público!

 

passa por ter uma estratégia - saber lidar com a situação é por vezes saber esperar. Como neste domingo, numa pastelaria onde até não somos clientes habituais e onde por um daqueles acasos, acabamos por parar...e onde o Rafa se portou tão desajustadamente, chamando nomes aos pais que fariam corar o mais empedernido «calão» e onde quase virou uma mesa...mas onde tivemos de esperar (para alguns de forma culposamente passiva) que a crise fosse passando e que depois da possível acalmia, lhe pegamos num braço, o olhamos de frente (ignorando mais uma vez a avaliação da nossa atitude) e o obrigamos a verbalizar, a explicar porque agiu assim, a dizer porque se sentiu incapaz de se conter e só depois (algo que o obrigou a reflectir que afinal nem queria a tal guloseima tanto assim...) o fizemos pedir desculpa ao dono do local, a nós pais e por fim a tomar consciência de que pela sua atitude incorrecta teríamos de sair dali. Embora eu saiba perfeitamente que vai haver mais uma vez igual e mais uma e mais uma e mais uma (porque ao contrário de quem consegue pensar antes, um hiperactivo quando pensa já agiu...) sei que a minha atitude foi mais correcta do que ter simplesmente dado um tabefe ao primeiro palavrão - o que o faria ripostar em força, ou puxá-lo dali - teria feito finca pé e acabaria por provocar mais desacatos (e só sei isso porque também houve uma altura em que essas eram as minhas atitudes - quando achava que pela maior disciplina/força, acabaria por o dominar)

 

Se para os outros pais fui passiva? acredito que tenham achado isso (pouco levantei a voz, falei sempre de modo sereno com o meu filho e não me viram esbracejar, pelo que provavelmente nem se aperceberam do meu papel) Se a minha atitude lhes pareceu incorrecta (porque não o esbofetiei mostrando-lhe quem manda?) - tenho a certeza de que o pensaram... Mas tal como a tal autora do post com que introduzi este relato, também eu acho difícil avaliar as atitudes....

 

Resta dizer que foi um fds alucinante em que o Rafa protagonizou vários episódios dignos de relato, quase sempre envolvendo as brigas com o mano...mas sinto-me cansada, pelo que farei um outro post mais tarde, sobre o que pode acontecer a um irmão de um hiperactivo....ainda por cima mais novo!

 

 

 

este texto não respeita o novo acordo ortográfico, por opção da autora

 

 

 

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