A Hiperactividade vista à lupa

Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

 

 

...ao grave!

 

levar o Rafa a uma consulta qualquer é um caso sério! desde logo, só para o convencer, depois para o fazer lavar-se, vestir-se, entrar no carro, enfim, tudo que é normal para nos deslocar-mos a um médico...e mantê-lo lá o tempo necessário para a consulta

 

este sábado, os preparativos começaram cedo, apesar da hora marcada para as 19h30, como já sei o que a «casa» gasta, liguei antes a fim de confirmar se as consultas estavam dentro do horário e por me terem dito que sim, lá saímos de casa, eu, Rafa, mano e avó, chegando à clínica com apenas uns providenciais 5 minutos para a marcação. Primeiro caso sério - afinal, entre as marcações o médico vai «metendo» umas vagas, sendo que acabava de chamar nesse horário outro paciente, ora nós ficamos afinal, plantados na sala de espera....por mais de uma hora!

 

segundo caso sério - o que fizeram então os meus pimpolhos durante esse período de tempo? bem, o que eu esperava - «armaram» confusão da boa...Sempre que entramos num sítio onde estão pessoas desconhecidas e onde lhe é exigido um comportamento mais regrado, o Rafa desatina, ou seja, exagera ainda mais nas suas reacções e atitudes, falando mais alto, gritando ainda mais, saltando mais, correndo mais, implicando mais com o irmão...secundado obviamente pelo Quico que aproveita o exagero do mano, para exagerar também! Por isso, pese embora a avó e eu tivéssemos feito de tudo para os manter na ordem, rapidamente o local se transformou numa espécie de «manicómio». Depois de inúmeros avisos da recepcionista sobre o barulho infernal e da loucura na sala, acabei por ter de lhe dizer que tinha isdo ela a responsável, pois que eu, sabendo o que significava uma espera daquelas, tinha tido o cuidado de perguntar antes de me dirigir à clínica, qual o horário exacto da consulta...estava eu há já dez minutos no corredor, ameaçando os miúdos de que iria embora e os deixava «internados» na clínica, caso continuassem com aquela atitude desobediente (isso para que se mantivessem fora da sala) quando finalmente nos chamaram.

 

Desta vez e devido ao adiantado da hora a psicóloga levou para o Quico se entreter, alguns jogos e eu entrei com o Rafa para a consulta com o neuropediatra. Claro que no início e como sempre faz, o Rafa estava numa de «chatear»...não respondia às questões, mexia em tudo, andava pelo peitoril da janela, não colaborava. Após o dr. com a sua calma habitual, ir «puxando» por ele, lá se dispôs a deixar-se consultar. Leu e escreveu um texto a mando do médico e respondeu a algumas questões sobre o mesmo, embora não até ao fim...

Mais uma vez, confirmando o diagnóstico anterior, o médico diz que o Rafa não tem qualquer deficit cognitivo. É uma criança com uma perturbação de tipo impulsivo, com a agravante de ter um severo transtorno de oposição/desafio. Usou uma expressão que registei - o Rafa é uma espécie de «topo de gama» das crianças difíceis.

Além disso, nota-se cada vez mais as características das várias comorbilidades associadas, daí nós notar-mos coisas como, gritos altos e sem razão, imitação de sons de animais, um som do tipo assobio que faz com muita frequência e um riso histérico que aparece (e apareceu lá dentro)  em momentos de ansiedade. O transtorno do sono também se confirma, daí as noites super agitadas, poucas horas de sono e muita dificuldade em adormecer.

 

Conclusão - medicação para manter! tentar controlar a agressividade e o dormir sem medicação é totalmente impossível. Também a concentração precisa de ajuda.

No fundo, mantemos a prescrição anterior - apenas vamos substituir por algum tempo, a risperidona (substância mais agressiva) por outro comprimido o catrapesan, devido à necessidade de «resguardar» o estômago do Rafa. Mas apenas por algum tempo, dado a agressividade dele. Será a toma da noite.

Concerta 36mg para manter de manhã, juntando o rubifen 1,5mg a meio da tarde. Com esta medicação, devemos também conseguir reduzir o apetite devorador do meu filhote que neste momento tem claramente peso a mais (não se nota muito, por ser bastante alto, mas tem!).

 

Entretanto o Rafa saiu do consultório antes do final, começando um festival de entra e sai, pois ele descobriu que o Quico estava na sala de espera e queria por força reiniciar a balbúrdia! mais um caso sério para resolver, pois ainda se encontrava na sala um casal, o que depressa originou «bate boca», o homem muito indignado com o barulho e querendo bater no Rafa quando este se lembrou de jogar à bola com a garrafa da água...a minha mãe indignada com o tal homem por este não entender que num consultório daquela especialidade, sendo o paciente uma criança e com o relógio sobre as 22h, seria de esperar alguma agitação!

 

Do sério ao grave é um passo! e grave foi o que o Rafa fez, do que dou conta a seguir

 

Pois que o meu filhote, sorrateiramente se apropriou do meu cartão de crédito, introduziu os dados, vai de fazer compras pela net (comprou uns animais virtuais para juntar ao pacote de um jogo on-line em que está registado). Eu estou normalmente a consultar o meu email e vejo uma notificação d pagamento. Fico siderada...pensei em mil coisas diferentes, só depois é que verifiquei o nome do jogo e associei as coisas.

Confrontei o Rafa com o sucedido...mas mesmo com provas do que acontecera, ele demorou muuuuuuito a admitir. Pois foi um «furróbodó» cá em casa, muito choro, muito ranho, muitos gritos, muitas lamúrias (e tu não gostas de mim, não fiz nada de mal...)

Foi grave o que fez, tanto mais que a net é um verdadeiro perigo e eu, tão atenta e sempre com alertas para que tenha o máximo de cuidado, verifiquei que afinal, para que uma coisa destas aconteça basta...uns segundos de distracção!

Isto aconteceu na sexta feira e à noite (como costuma ser de há uns tempos para cá, com a ajuda dos avós) estava previsto uma saída ao cinema, ver o «karaté kid», o que me serviu logo para poder aplicar um castigo no imediato - não ir ao cinema. Duas horas  de luta, duas horas de muita agitação, no entanto, sempre o mais serenamente que me foi possível, horas cruciais para que entendesse o mal que tinha feito e a gravidade da situação.

Quem tem um miúdo hiperactivo sabe bem a importância de manter regras definidas, o problema maior é ver essas regras cumpridas. O Rafa também tem alguma dificuldade em entender que um cartão representa o mesmo que o dinheiro em si...daí que tive de lhe explicar tudo com rigor.

 

Espero que tenha aprendido algo com a lição! eu já tirei também a minha própria lição, claro!

 

De resto, hoje dia 1 de escola para o Rafa, excitadíssimo e para o Quico, primeiro dia em horário completo! adivinham-se novidades!

 

 

postado energia-a-mais às 10:37

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