A Hiperactividade vista à lupa

Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

 

 

esta minha mania de não conseguir permanecer em estado de fúria por muito tempo.....mas sou assim

 

a lembrar que não há milagre que sempre dure, o dia de terça feira foi um tormento

 

 

Logo de manhã fiquei ciente de que teria de aplicar as minhas doses «industriais» de paciência para lidar com os dois ou teria uma brutal dor de cabeça e possivelmente um atraso considerável no emprego, caso permitisse que os nervos saíssem vencedores. Assim, tentei dominá-los (aos nervos, claro, porque aos putos não há quem...) e estabelecendo prioridades, lá ignorei as terríveis birras e queixas de ambos, mostrando-me irredutível quanto ao facto de terem de ir à escola.

O Rafa, embora gemendo e contorcendo-se com a habitual parafernália de dores que se apoderam dele naquela hora de sair de casa lá se deixou empurrar até ao carro, ao que o meu pai se encarregou de o levar. O que não correu tão bem foi a saída do Quico, como de repente me vi com os minutos esgotados a opção de o deixar em casa até o avô chegar de levar o irmão foi, como até previ, catastrófica....diz o meu pai que desatina por completo e que já não tem idade para aquele «braço de ferro» mental, acabando portanto por desistir, coisa que ao avô eu tenho de admitir - já ele faz mais do que pode e a mais não é obrigado!!!

 

Na minha hora de almoço fui a casa e deparei-me com as milhentas asneiras que entretanto tinham sido consumadas....Sei que o avô fez o melhor que conseguiu mas também sei que tenho um pequeno homem relâmpago em casa, capaz de fazer e desfazer qualquer coisa em menos de um minuto...pois que numa distracção, o Quico alcançou a minha maleta de pinturas e afins, onde os afins são sobretudo vernizes de unhas, digamos que tenho uma bela colecção pois gosto de mudar de cores e tons...

a intenção (soube-o mais tarde) era apenas ver os frasquinhos coloridos da mamã...e talvez pintar uma unha ou outra...pronto, vá curiosidade típica...o resultado, sem nenhum adulto por perto para impedir...foi:

 

verniz e mais verniz e mais verniz....muito verniz de várias cores, espalhado pelo chão de madeira do quarto ....disse-me o culpado que ainda tentou limpar (dai o esborratado em alguns sítios...) mas a tinta não saiu...

 

 

Agora digam-me - quem não teria um ataque de fúria? eu tive...e bati-lhe e gritei, puxei o meu próprio cabelo e nem almocei...de tão furiosa! ficou a chorar com a mão vermelha, muito compenetrado no raspanete que lhe dei....

 

e lá fui trabalhar com o coração mais apertado, ainda entre a fúria e algo que talvez fosse uma espécie de remorso...não por lhe ter batido...o remorso de não ter sido mais intransigente de manhã, delegando  no meu pai a tarefa de o levar à escola...Isso pelo menos teve o efeito de me mentalizar para aconteça o que acontecer....nunca mais o avô fica encarregue - tarefa minha, nem que me tenha de levantar ás 06h

 

Mas, ao longo da tarde a fúria acabou por se desvanecer...apagou-se lentamente...até extinguir por completo. Meto a chave na porta de casa, depois do trabalho e já nem penso no verniz...(talvez o consiga remover...) mas sim no que farei até às 23h. Posso escolher entre ficar de cara amarrada e de modos frios para continuar o tormento, ou seguir a estratégia de tirar o melhor proveito daquilo que tenho, dos filhos que tenho...

 

defeito meu, opto invariavelmente pela segunda

 

e depois das mil peripécias habituais para seguir a rotina diária com a possível normalidade, lá acabamos a noite com 40 minutos de pura risota, contagiados os quatro pelo entusiasmo do momento, divertindo-nos à brava com a Wii que veio no natal...

 

e garanto-vos que ver a bisa a jogar basquete virtual, ou a lançar de arco e flecha, ou a tentar manter-se em cima de uma prancha de surf, é não só uma surpresa, como nos tira qualquer possibilidade de permanecer em estado de fúria...

 

 

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postado energia-a-mais às 09:22

De susana miranda a 12 de Janeiro de 2011 às 16:48
Amiga,

A minha cara de pau neste momento…. Fase ao mail de ontem!!!

Saber dizer “não” é importante, a criança tem perceber os limites e regras aplicados pelas figuras parentais. Por mais entristecido que uma mãe ou um pai fique face ao castigo, a criança tem compreender, nem sempre a sua vontade pode prevalecer.


A questão de consentirem, uma vez a benesse “ TPC” serem efectuados mais tarde, posteriormente a criança vai solicitar novamente.
Acima de tudo o diálogo é fundamental, explicar a existência do tempo (brincar, trabalhos académicos a família).

Compreendo que não seja fácil…é uma casa com vida, alegria e acima de tudo os teus filhos têm Muito Carinho e Amor.

Beijinhos com carinho

Susana Miranda

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