A Hiperactividade vista à lupa

Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Ainda não sei bem como classificar o dia de ontem...digam vocês o que pensam!

De manhã fui a uma entrevista de emprego. Já há algum tempo que procuro um emprego a tempo inteiro...mais precisamente desde há um ano - depois do nascimento do Rafa fui ficando em casa por uma espécie de opção (in) voluntária, uma vez que as dificuldades em acompanhar a evolução do meu filho foi obrigando a isso. Uma vez que me encontro fora do mercado de trabalho (pelo menos na minha área de formação) há cerca de 7 anos, comecei por uma reciclagem, aceitando um estágio não remunerado numa empresa de trabalho temporário fazendo sobretudo entrevistas, selecção e acompanhamento de possíveis candidatos. Ora, nem de propósito entrei no mundo da precariedade laboral que me parece ser cada vez mais a nossa triste realidade! Findo o estágio em Fevereiro deste ano, lá comecei as intermináveis buscas de algo que pudesse ser mais perto de casa, para compensar os tristes salários que nos pagam...fui enviando currículos e entretanto fui chamada á tal entrevista numa empresa de segurança e higiene no trabalho, mesmo aqui ao lado...

Bom começa a entrevista e lá vem a pergunta que detesto - «então quais são as suas expectativas salariais?» e eu evitando o que me vinha á cabeça «expectativas?! há 10 anos atrás eu ganhava 1000 euros líquidos como directora de marketing numa grande empresa de informática», respondo educadamente «bom, obviamente espero ser recompensada de acordo com as minhas funções e o que esperam de mim»; segunda pergunta que detesto «pois então está parada há 7 anos?» mais uma vez escondo o que penso «parada?! bom este nunca deve ter olhado bem a realidade das mães, vou ter azar...» respondo «fui aproveitando para estudar um pouco mais sobre matérias que me interessam e usando a minha experiência de outro modo»; terceira pergunta e que realmente detesto pois é quando nos dão a sentença final «tem dois filhos? pequenos ainda?» abdico totalmente de dizer o que quero e «pois tenho um com 7 e outro com 2 anos, mas estão na escola e infantário durante todo o dia, já os coloquei como prioridade mas agora estão bem entregues!» E para rematar «até que horas poderá trabalhar?» ele estará a falar a sério? Bem, tendo em conta que os meus pais podem ficar com os miúdos entre o final da escola até ás 19:00H (mais seria um massacre pois aturar um Rafael em fase de descompressão e o Francisco cada vez mais arrebitado é dose!) digo «bem, poderei ficar até ás 19:00H...»

Consegui compreender de imediato o «hum,hum...» que ouvi do entrevistador...depois vim embora com a informação que depois de feitas todas as entrevistas, serei contactada...pois sim!! Afinal como é que é?! Não se pode pensar em ter uma justa recompensa por aquilo que trabalhamos? E por ter estado desempregada mas tendo uma casa para orientar temos menos validade para o trabalho? E por ser mãe a tempo inteiro somos penalizadas? Como querem aumentar a natalidade num país que penaliza as mães descaradamente? Serei utópica em achar que é possível conciliar maternidade e dedicação laboral?!  O que dizer então de países em que as empresas são obrigadas a garantir o posto de trabalho da mãe até a criança ter 3 anos, se esse for o desejo dela?! O que dizer das políticas sociais das empresas que garantem creches e infantários ás crianças dentro das suas instalações ou ao lado, para que as mães consigam conciliar o tempo de trabalho e usufruir dos seus direitos (como o direito a amamentar, por ex.) e o facto dos horários serem flexiveis e pensados para a família, colocando a qualidade de vida como principal objectivo? Os pais terminam o seu dia ás 15:00H para poderem ir buscar os filhotes que saem ás 16:00H e têm um dia por semana totalmente livre da parte da tarde para poderem estar mais tempo juntos...são eles  que estão errados? É que o nível produtivo desses países é manifestamente superior ao nosso!!! Como explicar?!

O post vai longo mas o dia não acabou por isso e porque agora vou ter de fazer reposição de géneros na despensa, conto o resto mais logo....

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postado energia-a-mais às 14:29

De s.a. a 24 de Setembro de 2008 às 22:50
Teresa:

O dia de ontem p si não foi lá grande coisa:(

Cada vez me convenço mais que é difícil conciliar o papel de mãe e profissional, isto quando não se tem apoio familiar.

Quando não existem avós para cuidar e no seu caso ainda mais agravado, porque tem o marido ausente.

Eu quando tive a minha bébé, ainda trabalhei cerca de 1 ano, mas já não dava conta do recado.
O meu marido chegava tds os dias a casa pelas 21h.
Eu trabalhava das 9 às 18/19h.
A menina ficava todo o dia c uma ama.
A minha falecida mãe na altura, estava já bastante doente.
A minha sogra trabalhava.

Eu depois de um longo dia de trabalho, tinha tudo por fazer em casa, mal tinha tempo de dar colo à minha bébé.

Desisti.

Optei por ela.

Até hoje.

Continuo sem apoio familiar p me ficar c os meninos.
Para trabalhar tenho de os entregar a alguém e depois tenho q estar a horas de os recolher, porque o pai tb tem uma vida laboral mt intensa, não pode.


Por isso, faço parte do seu "clube".

Por outro lado também acho dificil conciliar as duas vertentes, porque o nosso país não apoia as mães-trabalhadoras. Os direitos das mesmas são praticamente nulos. Enfim, uma VERGONHA.

Beijinhos e não desanime.

Vai ver que surgirá outra oportunidade, tem é q ter em conta q o apoio familiar tb não é muito e vai ter q se desdobrar.


Sandra

De Coisinhas da Mamã Lili a 25 de Setembro de 2008 às 11:49
Ola teresa

Infelizmente vivemos num país em que as mulheres e de uma forma mais intensa as que ja sao mais, sao vistas com maus olhos para as entidades patronais...eu estou a pensar engravidar, mas sei que corro o risco de ficar sem trabalho, porque trabalho num contrato a termo, e findo o contrato posso nao ser readmitida precisamente se engravidar, a minha patroa nao sabe da minha intençao de engravidar a curto prazo, mas esta sempre com a conversa que as mulheres aos 30 anos ainda vao muito a tempo de ter filhos, mas possa quem sabe se e a altura certa ou nao sou eu e o meu marido, entristesse-me que ela fale assim, ja que ela sofre de infertilidade, e ja por varias vezes tentou engravidar atraves da FIV e nunca conseguiu, agora que esta separada desistiu de vez da ideia, mas nao devia ela ficar feliz por ver as outras mulheres felizes??? Enfim o nosso pais esta a anos luz de outros da comunidade europeia e nao so....
Um beijinho grande e nao desistas

De MamãdaDiana a 25 de Setembro de 2008 às 21:11
Pois é amiga! Esse hum hum... "depois contactamos" conheço bem!

é triste vivermos num país, que pede o aumento da natalidade, e depois é o que se vê! Eu nem quero pensar no próximo ano escolar! è melhor nem pensar!

Enfim... Se pudesse emigrava


De Vanamamy a 25 de Setembro de 2008 às 23:10
Olá mamã!

Antes de mais não desanimes com tempo algo melhor irá aparecer. O ideal para ti seria mesmo algo que ocupasse apenas meio dia, para puderes cuidar do teu super filhote com mais calma. Mas nem sempre encontramos aquilo que realmente queremos. Por isso tenta agarrar todas as oportunidades.

Olha, eu estou óptima, tenho passado bem, apesar de o Miguel estar numa posição tal que os pés estão ao pé do meu rim doente, e de vez em quando ele dá-me uns pontapés valentes que até vejo estrelas

Estive ausente estes dias todos, precisamente por causa de trabalho. Apesar de estar com baixa, continuo a ser responsável por muita coisa na empresa que trabalho, e por todos os motivos que tu comentas no teu post , não me posso dar ao luxo de estar de baixa 3 meses antes do parto e mais 5 meses depois do parto, por isso, tenho que ir adiantando trabalhos importantes a partir de casa.

Ontem terminei tudo o que tinha pendente e acho que é agora que vou dedicar os meus pensamentos a 100% ao Miguelinho e ao parto

Beijocas grandes para ti e para os teus dois filhotes


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