A Hiperactividade vista à lupa

Quinta-feira, 03 de Julho de 2008

Vou contar um episódio que já ocorreu em Fevereiro mas que por causa de um outro ocorrido agora, me voltou a assolar os pensamentos:

eu vivo num prédio, sempre vivi (mesmo quando vivia com os meus pais) pelo que estou habituada ás regras (por vezes difíceis) da convivência entre vizinhos da porta ao lado. Este prédio onde vivo é um daqueles bonitos prédios centrais, com todas as comodidades, onde os apartamentos são muito espaçosos, de boas construções e onde vive a gente «bem». Porque é que isto é importante? Porque bem podia ter-se passado num outro qualquer bairro, de onde se fala normalmente de problemas entre vizinhos, conflitos sociais e complicações várias. (só para ver que nada disto tem a ver com posição sócio-económica mas sim com boa ou má educação)

Quando vim para cá viver há cerca de três anos, dei a conhecer aos meus vizinhos próximos o problema do Rafael e mais tarde do Francisco. Fi-lo não porque me sentisse obrigada mas porque achei que devia evitar falatórios e colocando todos ao corrente da situação, poderiam entender melhor o porquê de tanta algazarra com os miúdos em casa.

Desde sempre o meu filhote primou por uns belos pulmôes e mesmo sem ser em momentos de crise o nível de voz dele (e do irmão mais novo) é sempre elevado. Além disso expliquei que por vezes poderiam ver o Rafa a subir as caixas do correio, a dar saltos na escada ou a fazer o pino na entrada do prédio. Na altura todos se mostraram compreensivos e até me disseram que teria todo o apoio e que não me preocupasse, afinal era uma criança e havia outras no edifício (mais três no total que nunca se ouvem!)

Claro que quando surgiram as primeiras provas do que eu dissera sobre o meu filho ser um pouco, digamos «diferente», começaram os comentários. Desde as tentativas de ajuda moral, como dicas para ele ser mais bem comportado, até aos recados subtis de que a culpa era de uma educação demasiado permissiva, nada compatível com o local asseado e muito educado onde viviamos, tive de aguentar tudo com um sorriso «amarelo», pensando com os meus botões que seria bem mais fácil se vivesse numa moradia, mas enfim!

No entanto tive de me irritar quando começou a ser demasiado visível o desagrado dos meus vizinhos mais próximos (mesmo piso) zeladores proclamados do prédio, daqueles que anotam horários e rotinas de todos, sabem quem entra e sai e para onde, limpam as dedadas do elevador, tiram o grão de pó das caixas de correio...

Um dia em que o meu filho me fizera sair de casa com as habituais duzentas coisas que precisa em absoluto, entre elas a bicicleta, a bola e meia dúzia de carros, bonecos,etc, tive de voltar atrás para comprar pão (temos padaria mesmo em frente) quando já tinha entrado no átrio. Acabei por deixar a bicicleta encostada a um dos lados da parede e lá fui com o Rafa a reboque ao outro lado da rua. Eis, senão quando volto deparo-me com um bilhete na bicicleta, em letras garrafais - «Isto não é garagem de bicicletas».

Ora, sabendo eu por instinto quem colocara o recadinho, ainda por cima não sendo o primeiro (sempre não assinado) a avisar do lixo no chão, dos dedos marcados na porta da entrada, tudo porque só o meu filho faria tal coisa, quem mais poderia ser?! acabei por ir bater na porta ao lado, para que soubessem que a) não escondo o que faço; b) deixar a bicicleta por 10 minutos na entrada não é fazer do local garagem; c) vivem outras pessoas no prédio que fazem barulho, batem com as portas, deixam marcas nos vidros, etc. Fiquei a saber que a) não há ninguém como o meu filho no prédio; b) que este não é um prédio de bairro (tem qualquer coisa a ver com educação e o facto de o meu filho não ter nenhuma) c) que os vizinhos de baixo, pessoas que passam cá apenas as férias (estiveram no Natal), não conseguiram aguentar o barulho das crianças a toda a hora e por isso foram para casa de familiares para a senhora poder dormir (presumo que os meus filhos não têm essa sorte e não podem sair de casa quando os meninos do lado brincam ás escondidas ás 23:00H).

Sou uma pessoa pacífica e gosto de manter boas relações com pessoas que vejo todos os dias e que entram pela mesma porta que eu, tenho vizinhos prestáveis e amigos. Não posso é aceitar calada que outros atirem para o meu filho, culpas que não são dele. Que o olhem como se tratasse de um marginal só porque chega com as camisolas em desalinho e corre sem controlo ou esbarra contra a porta. Não aceito que reparem na maneira como abro a porta ou coloco a chave na fechadura, se acendo a luz da escada mais do que uma vez ou se uso o elevador três vezes ao dia. Não aceito moradores de primeira ou de segunda (eu sou destes) ou que me digam que hiperactividade é o mesmo que falta de respeito.

Não aceito e não me calo. Obrigada a todos os que convivem connosco e nos olham pelo que somos de verdade. Obrigada aos bons vizinhos que tenho. Os outros que se lixem!

sinto-me: sem comentários
postado energia-a-mais às 14:08

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