A Hiperactividade vista à lupa

Domingo, 28 de Setembro de 2008

Todas as Vidas são feitas de avanços e recuos, até as vidas (aparentemente) perfeitas. Todos temos momentos em que não esitamos em dizer que somos felizes e outros em que nos achamos os maiores azarados do mundo. A maioria de nós tende a valorizar os momentos menos bons, talvez porque eles nos incomodam mais, ou então porque achamos que só nos acontece desgraças. No entanto, como depressa aprendi, tudo é relativo. Há vidas tão complicadas que acabamos por nos sentir priviligiados, por difíceis que sejam os nossos problemas. Pelo menos eu penso assim!

Esta semana dei comigo a pensar nos avanços e recuos...é que ao longo dos 7 anos e pico do Rafael, nós pais, já nos habituamos a sentir cada avanço como uma vitória e aprendemos a relativizar os recuos. Desde que iniciou a medicação, há cerca de ano e meio, o Rafa teve alterações importantes. No início do tratamento, entusiasmados com as diferenças que o comprimido provocava, logo no imediato, quase entramos em euforia. Depois começavam os retrocessos e nós desanimavamos... Tivemos de ir aprendendo e fomos construindo expectativas bem mais realistas! O comprimido não é mágico, não é a solução eterna, e muito menos uma cura... é uma via necessária, uma intervenção a longo prazo e, por enquanto a única que nós pais podemos e devemos controlar, para bem da estabilidade do Rafael.

Acredito que ele está em boas mãos, sei que tenho de ir devagar, prefiro por isso concentrar-me nos avanços permitidos pela medicação - ser positiva ajuda-me a dar segurança ao meu pequenino, a fazê-lo acreditar em si próprio e motiva-me quando aparece um momento menos bom.

 

Com medicação o Rafa consegue:

 

  • aceitar melhor as idas á escola
  • permanecer mais tempo concentrado com as tarefas escolares
  • entender melhor as idas/vindas do pai
  • aceitar as ordens que lhe damos
  • discutir menos comigo, com o pai e com o irmão
  • brincar mais com os avós
  • deixar de usar palavrões quando está irritado (não diz nenhum durante a manhã)
  • deixar de usar palavras feias quando fala (gosto muito deste)
  • gritar menos quando está sozinho
  • controlar melhor o seu humor
  • compreender melhor as caracteristicas da sua doença e por isso entender melhor a sua personalidade

No caso dele, esta semana foi complicada, parece que o seu organismo se «adapta» muito rapidamente e por isso constatei que o efeito da medicação é muito curto (devia durar até ás 20:00H mas termina por volta das 17:00H). Assim, tivemos uma espécie de retrocesso, o Rafa entra em casa muito enérgico e dorme mal. Fez crises semelhantes ás que faz sem medicação e teve um recuo em relação á agressividade...também está menos autónomo, voltou a não conseguir vestir-se sozinho (tenta mas distrai-se e nunca mais termina, por isso grita) e regressaram medos e  fobias que pensavamos estarem afastadas! Depois de um telefonema urgente ao médico, combinamos que seria melhor o Rafa ter nova consulta o mais rápido possível, depois conto o que se passou...

 

postado energia-a-mais às 23:03

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