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Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

16.Out.08

Só queria...

ser um daqueles bichinho microscópicos e entrar no cérebro do meu filhote, para ver o que lhe acontece quando se põe a fazer coisas destas:

 

Ontem tive de os levar comigo a fazer umas compritas. A minha mãe tá a tentar curar uma daquelas gripes (força mamã!) e por isso não tive a habitual ajuda de final do dia. Quando chegaram da escolinha que remédio tive eu, senão arrastá-los até ao Continente (algo que evito a todo o custo...)

Lá foram com a habitual boa disposição, com as correrias, gritarias e outras tropelias a que já me acostumei...de maneira que entrei lá, com aquela minha cara de faz-de-conta-que-isto-não-me-incomoda-nada!!

Eles sempre á frente a discutir pelo carrinho das compras, para ver quem tira os iogurtes da prateleira, quem chega primeiro aos cereais...eu a desviar-me de sítios críticos, a tentar cortar caminho e sair dali rapidamente.

Depois começaram os disparates do costume, o Rafa pendurado no balcão da peixaria para chegar a duas lagostas vivas, o Francisco quase a cair dentro das enormes arcas congeladoras onde estão gelados e sobremesas, os dois a tirarem alegremente bolachas e chocolates das prateleiras, eu a apanhar o que podia!!! Mas tudo dentro do normal, lol!

Entretanto chegamos ás caixas, já com o Rafa em alta voltagem porque queria um carrinho telecomandado de uma qualquer marca de bonecos que eu nem sei o nome mas que custa um balúrdio...pois começamos a argumentação e quando penso que as coisas podem ficar por ali, vejo que ele corre para fora do hiper (passando pela caixa á velocidade do som) com o dito carro nas mãos...aquilo apita, o segurança corre, pessoas ficam pasmadas a olhar e eu, com o Francisco, com as compras, com o saco aberto, nem sei se vou, se fico...Olho para a frente, deixo as compras, grito «com licença» e lá desato a correr a ver se evito que apanhe com algum mais resmungão e tenha de pagar a porcaria do brinquedo...

Pois cá está a bela da diferença, outro miúdo era capaz de fazer uma cena mas não pegaria no carrinho para fujir dali com ele! Prefiro falar com o Rafa na casa de banho e lá consigo entregar o carro ao segurança que olha para mim com ar de quem não tá a ver a coisa (paciência!)

Não, não deixei as compras lá, fui para trás, comprei chupas e rebuçados de menta para a garganta, juntei ao que tinha deixado na caixa e ainda lá estava, paguei com ar de que isto não é nada de anormal e pronto! Vim para casa com os filhotes a cantar «Vamos á praia» do Joka

 

Agora, que eu gostava de saber o que lhe vai na cabecinha nesses momentos, ai isso gostava...

 

14.Out.08

Cópia?

Pois, tenho andado cada vez mais apreensiva com o comportamento do Francisco...sim, eu sei que é ainda muito novinho, sei que a sua personalidade ainda está em formação, sei que muita coisa vai mudar, sei isso tudo. E já passei por muito disto...

Quando comecei a ter vários problemas com o Rafael, tinha sempre muitas dúvidas (normais) e claro, pouca experiência. Digamos que a ideia de transpor para o dia a dia as magníficas explicações que encontrava em revistas e livros sobre educação infantil, depressa caía por terra...e eu lá continuava com a ideia cada vez mais fixa de que o problema era de certeza meu. O primeiro filho é sempre mais difícil de cuidar. Por mais que tenhamos apoio de mães, avós ou mesmo médicos, só a nossa própria experiência nos acalma e nos dá respostas!

Sempre fui firme na intenção de ter mais filhos (eu e o meu marido construímos um projecto a pensar em família). Nunca hesitei, mesmo quando tudo era ainda muito incerto, mesmo quando os médicos apontavam para problemas graves do Rafa eu sentia que o ciclo não estava fechado. Por muito que os mais chegados dissessem «vê lá no que te metes, não tens problemas que chegue?!» eu tinha resolvido e nada me demoveu (será egoísmo, talvez...) O Francisco terá de ser necessariamente diferente, ele não é uma cópia do irmão!

Mesmo sabendo que o meu filhote não pode ter um desenvolvimento calmo, tenho cuidados redobrados com a sua adaptação...

No entanto o mais pequenino convive com o mais velho, tem por ele uma verdadeira adoração (como é normal!) copia muitos dos seus comportamentos. Por mais que me esforce, sei que é difícil fazer com que não siga certos exemplos do irmão.

Agora, há muito no Francisco que não é, em absoluto algo possível de ser cópia...não se pode copiar a energia! Não é uma questão de cópia o facto de aguentar (como hoje) 12 horas de actividade intensa ( o Quico não dormiu no fim de almoço, acordou energicamente ás 06:30H e só parou, literalmente, ás 22:00H) tendo estado entre as 20:45H e as 21:45H, portanto já no final do dia, a saltar na minha cama, com tanta força, dando cambalhotas sozinho, subindo e descendo, cantando, batendo palmas, gritando, puxando o irmão....isto sem contar com o facto de ter passado a hora do jantar a entrar e sair da caixa dos brinquedos (como tem rodas ele anda com ela como um carro) eu tentando equilibrar o prato da comida com uma mão e com outra tentando a custo pôr-lhe alguma na boca!

No infantário as educadoras estavam pasmas porque mais uma vez constataram que é impossível mantê-lo na sala por muito tempo, a ponto de terem optado por levar os miúdos para fora, para o jardim, quando era suposto a actividade de hoje ser na sala, desenhando frutos (por causa da semana da alimentação). A sua energia é tanta que elas garantem parecer um menino de 4 e não de 2 anos (feitos há pouco)

Eu já vi isso tudo no Rafa, poucas horas de sono, muita actividade física, birras estonteantes...

Estou por isso receosa de que tenha de enfrentar tudo de novo...voltar ás dúvidas, voltar ás lutas, aos diagnósticos e intervenções...

Neste caso acho mesmo que quem copiou foi a genética!!

 

14.Out.08

Recados

O meu filhote Rafael tem alguma dificuldade em escutar até ao final o que se lhe diz...muitas vezes quanto tem de me dar recadinhos da escola, por exemplo, saem coisas muito engraçadas.

Eis alguns recadinhos recentes que me trouxe:

 

- Mamã, temos de levar fruta para a escola

- Qualquer tipo de fruta?

- fruta do Outono, pode ser abacaxi, a professora deixa...e maçã, maçã é do outono, não é mamã?

- E para que é a fruta?

- É para comermos no fim do outono...

(não cheguei a entender!...)

 

 

- Mamã a professora disse que tens de mudar o telefone...

- Mudar o telefone, Rafa?!

- Sim, tenho a certeza, deve ser porque tu ás vezes não atendes...o telefone pode estar estragado...

(a professora tinha pedido para «mandar» o número do telefone)

 

- Mãe a Sara vai fazer anos

- E convidou-te para a festinha, foi?

- Não mãe, ela vai ficar em casa...

- Sim mas há festa?

- Não ela não disse, só disse que nesse dia ia ficar em casa...

(A Sara vai festejar em casa o seu aniversário e convidou todos os meninos da sala)

13.Out.08

Saber levar...

o dia sem entrar em grande stress...ás vezes não é fácil, todos temos dias bons e menos bons, muitos de certeza, em que perdemos as estribeiras logo pela manhã.

Hoje o dia nem estava muito mau, falando do tempo, pelo menos não chovia e embora as nuvens estivessem visíveis, o sol parecia ter vontade de dar um ar de sua graça...a noite (ou melhor, a madrugada) nem foi das piores, pois apesar de as minhas pérolas terem acordado por volta das 3:30H, lá os consegui manter cada um na sua cama e adormeceram sozinhos (sendo que a mãe demorou a fechar os olhitos outra vez...)

Após a habitual correria assim que saíram da cama, das inúmeras vezes que tive de colocar a fralda no mais pequeno, da dificuldade em dar um banho ao mais velho, da fita que foi para tomar a medicação, enfim da cena usual, o Rafa resolve fazer uma CUH -uma Crise de Última Hora...

Estas crises são difíceis de gerir, principalmente porque são...de última hora, tipo - estou eu com todas as trapalhadas do costume, o irmão a entrar no elevador, ele começa a ficar cada vez mais irrequieto, geme, grita e acaba por ficar histérico aos gritos cada vez mais potentes e descontrolados...Como fazer?! Entro novamente em casa, sabendo que os minutos apertam, que o mais novo vai aproveitar para fugir em direcção ás brincadeiras, que vou certamente ter de o deixar espernear, gritar, saltar, até perceber o que se passa?! Ou insisto em continuar viajem, sabendo que vou ter dificuldades em conseguir transpor a porta do elevador, quanto mais sair do prédio e provavelmente não conseguirei entrar no carro?!

Normalmente espero que ele se acalme e explique porque está a ter aquele ataque de histerismo, hoje tinha de estar no infantário do Francisco ás 9 em ponto porque os petizes iam sair para uma visitinha fora de portas. Começo a ter problemas em controlar os dois e opto por voltar para dentro de casa...

O Rafa lá me diz que tem dores de barriga, quer ir á casa de banho (3ª vez) e não quer as calças que lhe vesti porque são muito quentes e está a «assar».

Tento segurar o Francisco e despachar o resto e consigo chegar ao infantário 5 m depois das 9:00H.

Não correu mal de todo....

12.Out.08

MIMINHOS...

O tempo feio é lá fora, dentro de casa tivemos direito a miminhos...

 

 

mimos deles para mim

 

 

Ficaram comigo na cama até ás 8:50H, foi a primeira vez em 5 anos que

saí da cama depois das 7:00H!!!

Fizeram Karaoke do Camp Rock para eu assistir

Desenharam corações vermelhos , com marcador, pelo chão da sala

Pintaram-se de índios em guerra para me raptarem

Deram-me muitos xiiiiiis que terminavam com todos a rebolar na cama

 

 

mimos meus para eles

 

 

Bati muitas palmas, assobiei e pedi bis, aos génios do karoke

Deixei-os comer bolo de chocolate, crepes com chocolate e pão com nutella

eu sei, é muito chocolate, hoje resolvi fazer-lhes as vontades

Ajudei-os a montar a tenda de chapéus de chuva, almofadas e cobertores

esconderijo para onde me levaram como prisioneira, lol!

 

 

mimos para o papá

 

 

Falamos mais de 40 minutos, com direito a sessão de música por telefone

 

10.Out.08

Grrrr.....

Chego de manhã ao infantário para deixar o Francisco e «oh mãe então a bata, mãe?!» opps esqueci-me da dita na tábua de engomar «bem é sexta feira, deixem-no sujar-se á vontade...», a educadora «mas a bata é importante, mãe! E o que é isto, batata frita pela manhã?!» sinto o horror na voz, penso «raios, depois da maratona de 40 minutos só para o conseguir vestir, ter de limpar duas vezes o chão antes de sair de casa, porque ele entornou a medicação do irmão e depois despejou detergente no wc, depois de ter estado 20 minutos a ouvir o Rafa com os vómitos do costume, nem que ele quisesse trazer 1kg de batata, eu teria deixado se isso significasse fazê-lo entrar dentro do carro sem mais birras, para chegar á escola e ter de ouvir isto?» Grrr...mas digo «aposto que ele não come se o distrair com um livrinho ou a música do bom dia...», ela »pois, tá bem mãe mas os outros viram, vão querer também...» eu, só para irritar »então vou ali ao café e compro um pacote para cada um, lol!»

Xiça, ás vezes apetece dizer «coma all bran a ver se fica mais bem disposta»

10.Out.08

A ferver...

É como ainda me sinto, embora não tenha feito este post ontem, para ver se a cabeça esfriava durante a noite! Chego ontem ao final da tarde á escola do Rafa e vejo o porteiro a fazer-me sinais. Vou ter com ele, esperando que me vá dizer que o meu filhote já andaria pendurado nos baloiços do parque. Mas ele, um pouco atrapalhado, começa «sabe, não devia ser eu a dizer, mas...é capaz de ter chatices hoje...», eu »mas porquê, sr. A., o que foi que aconteceu?», ele corado«bom, a prof. R.- directora, veio ter comigo, ontem e disse que a mãe do menino a quem o Rafa bateu no parque vinha cá para falar consigo...» tento tirar isto a limpo! Então a mãe do menino a quem o Rafa impediu de usar o baloiço no dia anterior fez queixa á directora da escola, esta em vez de falar directamente comigo, mandou recadinho pelo porteiro (coitado do homem) e pediu-lhe para ele ficar de olho no meu filhote, durante os intervalos e no final! Então vamos lá a ver, não seria de bom tom, ter-me chamado e á outra mãe para conversarmos um pouco? É que eu não conheço a sra. em questão (o filho tá no 1º ano) e duvido que ela saiba o porquê de certas actuações do Rafa. Espero pela dita senhora, resolvida a colocar um ponto final na contenda. O porteiro avisa quando ela chega mas fico desconfiada com os sinais que me faz!  A tal mãe, vem ter comigo muito ofendida «olhe lá, precisa de ajuda para educar o seu filho?» Eu «penso que a senhora tem de baixar o tom de voz e estar disposta a ouvir, conversar em vez de acusar...», ela »pensa que só o seu é complicado, o meu mais velho deu-me que fazer mas eu consegui sempre ter mão nele, cada palmada, e não morreu por isso!» eu penso, isto não está a acontecer, mas digo «ainda bem que o seu filho não é hiperactivo, talvez a senhora  percebesse um pouco mais sobre educação, se tivesse necessidade disso...» ela «agora são todos super-activos...são é uns malcriadões, acho que ele só diz asneiras, é um mimado...» grrr...calma, tenta falar normalmente Teresa « olhe, este não é o sítio indicado para falarmos mas convido-a para uma sessão de esclarecimento sobre a doença do meu filho na próxima semana, com os médicos dele, até lhe dou boleia para a senhora não ter de ir a pé»

Mas o que mais me irritou foi a complacência dos outros pais que assistiram e não foram capazes de dar uma palavra de apoio, desviam o olhar e ficam ali, embasbacados...Depois percebi os sinais do porteiro, claro que o falatório teria começado antes, todos a comentar, «ela (eu) deixa-o abusar, a canalha é toda igual, tem de levar umas palmadas de vez em quando...» Que coisa, então e a directora não podia mostrar um pouco mais de empenho no assunto?! Eu sempre fui aberta em relação á escola, levei relatórios, desculpei muitas falhas na medicação durante o anos passado, quando o Rafael tinha de tomar medicação na escola e não lha davam! Sempre falei com a directora e professora, para que me alertassem se vissem alterações graves no comportamento ou outras. Sinto-me com vontade de me «engalfinhar» com alguém...

08.Out.08

ATCHIM...

Tamos todos com uma bela constipação. Desde as famosas fungadelas, aos montes de lenços usados e aos litros de vitamina C, temos de tudo! Tou a precisar de cama, só que para isso era preciso que os pimpolhos cedessem e fossem também fazer ó-ó mais cedo e sem interrupções...ora como apesar dos espirros e do ranho, eles continuam com bastante energia, não me parece que vá ter muita sorte!

O Rafa teve de ser arrastado da escola, pois quando cheguei estava «armado» em porteiro dos baloiços, só deixando entrar quem entendia e batendo em todos os outros, diz ele que tava a «repôr a justiça»(!). Quanto ao Francisco, saiu do infantário disposto a não entrar em casa, pelo que fez a vida negra a quem se esforçava por metê-lo dentro de portas. Depois de terem desfeito duas gavetas da sala, de o Rafa ter espalhado pelo chão todo o conteúdo do seu primeiro ano escolar, do Francisco ter partido uma bela peça do meu louçeiro e de terem conseguido, através de uma estranha engenhoca feita pelo mais velho, pintar com riscas azuis o tecto da sala (acho que o Rafa ficou impressionado com as fotos da Capela Sistina que viu num livro da avó) lá consegui fazer com que tomassem o xarope e me deixassem curtir uma boa dor de cabeça no aconchego dos lençois...

 

08.Out.08

Iniciei

algumas estratégias cá em casa para normalizar um pouco as rotinas do Rafael (a minha e a do Francisco). Assim , embora sempre tenha existido o hábito de manter horários, para dormir, para banhos, para comer, etc...agora uso técnicas práticas (algumas já as tinha usado quando ele foi medicado pela primeira vez) para desenvolver o seu sentido de autonomia - uso uma tabela de pontos, sistemas de recompensa, marcação de tempo e métodos para auxilio de memória:

  • para que seja responsável pela mochila - admito que depois vou supervisionar, pois sei que deixa lá dentro toda a espécie de coisas, no entanto o Rafa tem de colocar tudo dentro da mochila antes de dormir (ele quando chega da escola tira tudo para fora, apesar de nunca fazer TPC's), ficando com a pontuação máxima (5 pontos) quando coloca tudo nos respectivos lugares (lápis no estojo, trabalhos nas capas, etc)
  • para que seja responsável pela sua higiene - vestir-se, escovar dentes, lavar a cara, limpar-se quando vai á casa de banho e puxar a água - uso post-its de cores diferentes para o lembrar do que tem de fazer e colo-os nos vários locais onde deve ir (muitas vezes ele tem intenção de ir realmente fazer algo, como escovar os dentes, mas acaba por se esquecer e sai da casa de banho para ir fazer outra coisa...) Marco o tempo que considero razoavel e depois ajudo a verificar se fez tudo antes de sairmos (deixei de usar a expressão - «vamos lá Rafael, tamos atrasados» porque sei que o faz cada vez mais nervoso) Optei por dar a medicação um pouco antes das 08:00H para dar tempo de actuar mais cedo
  • Deixo que faça as refeições sem chamar a atenção para o constante cair de comida á volta da mesa, mas usamos a tabela para que sempre que deixe o sítio limpo, tenha pontos de recompensa
  • Tendo em conta a hora a que o Francisco vai dormir (e como tenho de ficar algum tempo com ele), marcamos um período de tempo para que possa ver TV ou jogar sem barulho e não indo ao quarto onde adormeço o mano, o que também lhe dá direito a pontos de recompensa

Como estas crianças não conseguem esperar, tenho de o aguentar pouco tempo antes da recompensa, por isso uso uma tabela semanal que lhe dá direito a uma recompensa de 3 a 5 euros, dependendo do número de pontos. O dinheiro pode ser usado no que quiser mas incentivo-o a que o poupe para mensalmente ter direito a um jogo novo

Não há penalizações porque o que se pretende é um reforço positivo daquilo que faz bem (a sua auto estima fica abalada porque está sempre a ser chamado a atenção pelo que faz mal)

Marcar o tempo é muito importante porque o Rafa tem pouco a noção a não ser que veja realmente no relógio até onde pode contar para estar á vontade.

Os papelinhos com as tarefas ajudam a que não se distraia do que vai fazer e qual a ordem pelo que deve ser feito (quando era mais pequenino usava um boneco para ele ver o que vestir primeiro, pois frequentemente veste a camisola por cima do pijama, ou calça pares de meias diferentes)

Ontem já usamos estas regras, desde que chegou da escola - conseguiu ficar sozinho mais tempo do que nos últimos dias e deixou pôr o volume da TV bastante mais baixo.  Hoje de manhã correu melhor do que pensava - só tive de lhe vestir algumas peças de roupa, pentear e ajudar a terminar de colocar as coisas na lancheira.

Além disso, ontem pediu-me para voltarmos a fazer Reiki o que penso tem a ver com o querer agradar-me pois sabe que tenho insistido (sem o obrigar) na esperança de que a técnica o ajude a relaxar e dormir melhor

06.Out.08

Mas será mesmo assim?...

É a pergunta que mais tenho ouvido nos últimos dias... quando o Rafa era bébé, nunca estava bem, mexia-se muito, mesmo a dormir, pouco tempo permanecia sem chorar (que era a forma obvia de me chamar...) era tão exigente que acabava por fazer as minhas tarefas domésticas ou até mesmo as mais pessoais, com ele a tiracolo! Fazia o almoço ou jantar com ele colado a mim, as camas com ele ao colo e tomava banho, dando abanões na cadeirinha enquanto fazia  a minha higiene...Com dois ou três anos, era completamente impossível fugir ás suas solicitações constantes. Quando todos os outros meninos já entendiam o conceito de «depois a mamã vem buscar» o Rafa continuava a fazer birras extremas para não ficar no infantário (algo que só se alterou com a medicação) em casa de alguém, mesmo os mais próximos ou até ficar sem mim durante um período de tempo estupidamente pequeno como a hora do (meu) banho...

Nunca brincou sozinho (ainda não o consegue fazer, aliás não consegue brincar, de todo...) e mesmo para ver um filme ou estar apenas a saltar, ele chama-me continuamente. Nesse período difícil, antes de saber o que se passava realmente com o meu filho, estranhava imenso que uma criança que sempre tivera contacto com os avós maternos (diariamente) nunca conseguisse ficar com eles sem mim (quantas vezes tentamos um jantar a dois, eu e o pai, sem nunca conseguir chegar ao restaurante, pese embora os meus pais me ligassem apenas porque a situação ficava incontrolável); estranhava que apesar de ser muito precoce até aos dois anos, querendo vestir-se sozinho, comer sozinho, lavar-se sozinho, fosse aos poucos, ficando cada vez menos autónomo até que aos cinco anos já não conseguia completar uma tarefa pessoal sem ajuda...Nessa altura não sabia, agora sei! Sei que grande parte do problema de uma hiperactividade orgânica reside no facto de o cérebro não conseguir controlar os impulsos que actuam sobre a vontade...embora queiram fazer uma coisa, a impulsividade e a desatenção, levam a melhor e geralmente a tal coisa, fica inacabada sem que se apercebam. Também sei que uma criança destas nunca corta o vínculo simbólico que tem com a figura materna. O Rafael fica realmente em pânico se não tiver contacto visual comigo, tal como aconteçe aos bébés muito pequenos. Não é um capricho, é mesmo assim....

Estes dias têm sido extenuantes porque a medicação não está a actuar como devia. Embora o médico tenha aumentado a dose do Risperidona, o que faz o Rafael menos agressivo, muito mais receptivo e mais bem disposto, o meu filhote passou a ter uma necessidade incontrolável de me ter sempre perto...sempre, mesmo. Não consigo fazer qualquer tarefa pois de imediato ele vem ter comigo, colando-se aos meus calcanhares! Não é apenas uma figura de expressão, é mesmo assim...Se deixa de me ver, fica tão histérico que o seu tom de voz denota medo, procura-me em toda a casa o que faz com que o Francisco se aperceba e tenha reacção idêntica...claro que não tenho tempo de fazer o que necessito a não ser quando adormeçem! Agora o Rafa tem dormido menos e quando acorda de madrugada não fica sozinho...é um vai-e-vem entre os dois quartos pois neste aspecto sou particularmente rigorosa, sei que tenho de escolher com cuidado o que deve dizer não e o que posso dizer sim!

A psicóloga acabou por acertar comigo algumas estratégias para tentarmos repôr uma certa normalidade nas rotinas de um menino que já tem 7 aninhos (a caminho dos oito) pois se é normal numa primeira infância (até aos 3 anitos) as crianças procurarem imitar tudo o que fazemos e por isso nos seguem para todo o lado,  numa fase posterior é normal que tenham ganho independência e consigam realizar as suas actividades sem ajuda.

É mesmo assim, tou cansada mas consciente que tenho de dar um passo de cada vez, não posso esperar que a medicação altere tudo. Vamos, no entanto a Coimbra na próxima semana e tenho conversado muito com o dr. Luís para me sentir optimista quanto ao caminho a seguir. Com a minha esperança renovada por um café com limão e mel, lá vou agora tentar pôr um pouco de ordem na casa, pois não há nada mais desagradavel do que ter a pia cheia de louça ou as roupas espalhadas pelo chão, quando acordamos.