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Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

05.Jul.09

FÁCIL

muito fácil julgar, tecer juízos de valor, sentenciar, se

 

não vivemos a realidade do outro, se apenas conhecemos o assunto pelo lado de fora!

 

É fácil chegar a um blog público e apontar o dedo «os seus filhos são uns mal educados e a senhora é conivente com essa má educação» até porque o pode fazer anonimamente....

 

essa pessoa anónima que tem de cuidar das netas que «não são hiperactivas (obviamente, caso contrário a postura e compreensão em relação ao assunto seriam outras) nem mal educadas (o que irá depender do número de horas que passar com elas)», pode ter a sua opinião, não tendo no entanto legitimidade para JULGAR!

 

Essa pessoa anónima dá-se porém ao luxo de julgar! mas quando sai do blog, depois de cá deixar as suas sentenças, essa pessoa anónima vai viver uma realidade que nada tem a ver com a que acabou de julgar...e sobre a qual NADA entende.

 

Não é essa pessoa anónima que começa os seus dias por volta das seis e trinta da manhã, com duas crianças que se levantam tão eléctricas que parecem nem ter dormido...

Não é essa pessoa anónima que tem de arranjar mil e uma estratégias para conseguir preparar essas crianças para saírem de casa, para que as tarefas básicas e rotineiras não se transformem num caos, pois entre a impulsividade física, a baixa autonomia, a desconcentração e a dificuldade em terminar uma tarefa, existem contratos escritos, listas de tarefas, muitas horas a treinar rotinas, muitos acertos de métodos, todos os dias desde há seis anos para cá...

Não é essa pessoa anónima que enfrenta mais de meia hora de luta para a toma da medicação e que tem de controlar os difíceis momentos de náuseas e vómitos, enquanto esta não faz efeito e se aproxima a hora da saída

Não é essa pessoa anónima que vai trabalhar as oito horas diárias, onde o nível de competência é avaliado a cada instante, tendo já passado por horas de stress e sabendo que os dias serão SEMPRE assim

Não é essa pessoa anónima que tem de concertar métodos de trabalho escolar com a professora, de modo a garantir que para além da permanência na escola, ele obtenha bons resultados escolares

Não é essa pessoa anónima que chega a casa e abdica do jantar, para que os avós (estes que cuidam de netos hiperactivos) possam ir para casa e cuidar deles próprios por umas horas

Não é essa pessoa anónima que realiza as tarefas domésticas depois das 23h00, com cuidado para não pertubar ninguém, porque só a essa hora as duas crianças estão calmas o suficiente para adormeçer

Não é essa pessoa anónima que  segura na mão de um menino de oito anos e o conforta até às quatro da manhã, sempre que no dia seguinte haja por exemplo uma ida à praia, à piscina, um teste na escola ou apenas a visita de alguém, porque o sono fica longe e a ansiedade dispara

Não é essa pessoa anónima que tem de estudar e perceber (com a ajuda dos médicos) as diferentes patologias associadas à hiperactividade - as comorbilidades, para entender o porquê do histerismo quando ele entra num espaço fechado (como carros ou elevadores); o porquê dos gritos sem sentido quando vê um pássaro, ou o porquê de não usar roupa interior e rejeitar vários dos tecidos normais...

Não é essa pessoa anónima que deixa de frequentar certos sítios públicos, ir a esplanadas, gozar férias fora de casa, fazer viagens, não por recear incomodar os anónimos mas porque  a quebra de rotina provoca desiquilibrios e  tudo tem de ser bem pensado e orientado

Não é essa pessoa anónima que tem de refazer valores morais, familiares e educacionais porque afinal as certezas não existem e a «normalidade» assume muitos rostos!

 

No entanto EU que não sou anónima, que dou o nome e a cara por uma batalha tão simples quanto a de ver os meus filhos respeitados tal como são e sobretudo felizes com eles próprios, sou muito mas muito GRATA por não ser como essa pessoa anónima

 

Porque ao contrário dessa pessoa anónima, eu levanto-me com um sorriso e deito-me com gratidão por saber que fiz o melhor nesse dia

Tenho o privilégio de conhecer pessoas não anónimas que me dão apoio, esperança, amor e me fazem ver outras realidades (seja no blog, seja pessoalmente - o Dr. Luís, as Doutoras Isabel, Vanessa, Patrícia, a prof. Fernanda, a Linda, a Carla, a Paula, o Vítor, todos acompanham, entendem, orientam, ajudam-me)

Tenho uma família que, longe de ser perfeita, é um suporte de estabilidade nos bons e nos maus momentos

Vejo com emoção cada vitória alcançada, seja um trabalho de escola com nota elevada, seja porque se lembrou de lavar os dentes ou porque vestiu sozinho o pijama

Saboreio cada beijo, cada abraço, cada carinho!

Amo e sou amada, aprendi a não julgar, a não ser amarga a Viver com alegria e por isso essa pessoa anónima não encontra neste blog queixumes, mesquenhices, relatos deprimentes...

É a minha maneira de ser, brinco com as contrariedades, adapto-me com vivacidade, nunca baixo os braços, vejo as coisas pelo lado positivo e esforço-me por evoluir com cada lição que a Vida me dá! E essa pessoa anónima, não me vai fazer mudar

 

Para terminar um recadinho para essa pessoa anónima

 

Psst, psst!

 

Sim, é mesmo para si caro anónimo (que já deve andar a cuscar)

Este é um blog público mas tem DONA! Vir até cá e discordar é uma coisa, trazer opiniões diferentes sobre a hiperactividade (desde que fundamentadas) até pode ser útil...mas JULGAR, não lhe reconheço esse direito!

Ofender outros leitores e comentar com má educação, não lhe permito! O blog é meu, a gestão só a mim me compete e para que não hajam dúvidas AVISO que qualquer comentário seu, no mesmo tom e conteúdo dos anteriores irá enfeitar o balde da reciclagem que por enquanto está vazio!

Não o elimino por mim, pois por certo acabarei por ler uma das suas «bacoradas» mas por respeito aos outros frequentadores deste espaço.

 

A  todos os que tiveram a paciência (e alguns tiveram mesmo muita!) de comentar o post anterior, o meu OBRIGADA pela coêrencia, pelo altruísmo e pela atitude!

 

PONTO FINAL