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Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

13.Jul.09

Faz de conta

 

O Quico adora brincar ao faz de conta, o Rafa nem sabe o que isso é....

 

Esta é uma daquelas diferenças entre eles que eu mais procuro confirmar.  Cada etapa do desenvolvimento de uma criança revela a sua capacidade para «brincar» - é algo natural e que pode dar a conhecer muito sobre o modo como esta se relaciona com o mundo! Através do brincar, a criança aprende, explora, testa, reage. Demonstra sentimentos, conhecimentos, dúvidas e medos!

 

Não é por acaso que nas consultas para a despistagem do transtorno de hiperactividade, os profissionais observam as crianças a brincar. Muitas das características que apresentam afectam o modo como brincam....

 

Pais de crianças hiperactivas cedo compreendem que os seus filhos não brincam como os outros...nada parece prender a atenção deles por muito tempo, poucos conseguem ter a destreza e paciência para certos jogos ou actividades como legos, puzzels ou montagens.  Bonecos e carrinhos não fazem muito o seu gênero e não se entusiasmam o suficiente com as novidades para levar alguma coisa até ao fim...

O Rafa nunca soube brincar, não conseguia por exemplo, ficar sozinho e brincar com algum boneco, estava constantemente a chamar por mim...quase sempre se esquecia do que estava a fazer, com o que é que estava a brincar, por isso eu tnha de o lembrar daquele carrinho muito giro, daquela pista que ele tanto tinha pedido e por aí fora....

 

Em cada fase do seu crescimento, as brincadeiras nunca eram as «normais»! Em pequenino, quando as crianças de um ano começavam a estar mais atentas aos objectos, a conseguir equilibrar as torres ou a encaixar formas várias, o Rafa subia os escorregas a grande velocidade, queria andar de trotinete e patins (andava de bicicleta sem rodas de apoio aos dois anos...)

E esta foi uma cena típica por cá por muuuuuuito tempo:

«mãe a N. pode vir cá a casa? pode? pode? pode mãe? para brincar comigo...» a N. vinha para ter um companheiro de brincadeiras e isto passava-se assim:

«olha, vamos brincar com isto?» a N. dizia «siiiim» o Rafa saltando dizia «mas isto é mais fixe, brincamos antes com isto...» a N. «tá bem...» ele saltando «olha, olha isto, isto é fixe...» ela «tá mas brinca então....» o Rafa saltando «queres brincar com este?» ela já chateada «ou brincas ou vou embora...» ele continuava a saltar e nunca se decidia, ao fim de uma hora ela estava cansada, ele continuava indeciso, ela queria ir embora, ele tentava impedir, ela forçava a saída, ele fazia uma cena monumental, eu com cara de «tacho» lá ia levar a miúda a casa, pedir desculpa à mãe e aguentar a birra dele....

A única coisa que o Rafa consegue fazer é, claro, usar o físico - correr, saltar, jogar à bola, tudo o que implica esforço físico e não ficar parado...

é assim que brinca, a saltar em cima de uma cama, a fazer pinos, a andar de brincadeira em brincadeira e....com jogos de play station! Tem uma maneira própria de jogar, sempre aos saltos, ou de pernas para cima  e cabeça para baixo, querendo ter sempre ao lado alguém (até a bisa serve...) e mudando de jogo assim que o nível obriga a maior concentração...

 

O Quico brinca, sabe fingir conversas com amiguinhos, com bonecos, com os seus adorados animais! Gosta do faz de conta de ser vôvô e de me ter como Quico, o filho ou o sr. polícia! Inventa histórias com princípio, meio e fim e chama-nos para entrar nas brincadeiras!

 

por isso disfruto desta etapa com emoção, até porque não tive o prazer de a viver com o mais velho! não deixo de ficar triste quando vejo que o Rafa não consegue ainda integrar-se numa brincadeira com o irmão (ou entre todos, quando o tentamos fazer) mas sei que com ajuda e compreensão ele também será capaz de aproveitar a sua infância!