A Hiperactividade vista à lupa

Sexta-feira, 04 de Junho de 2010

 

 

a atravessar um deserto de ideias...

 

Desde que as dificuldades de lidar com o Rafa provocaram alterações no nosso dia a dia, habituei-me a pensar sempre em alternativas para qualquer situação.

Se pensavamos sair e as birras dele nos provocavam atrasos de horas, ao ponto de inviabilizar a ideia inicial, se tinhamos de o vestir e a sua resistência era tão forte que nem com a força bruta o demovíamos, se queriamos dar-lhe um banho ou limpar-lhe uma ferida, se queriamos ter a certeza de que ficava na escola....então tinhamos de ter um plano B, para que de facto as coisas resultassem - o plano óbvio era sempre impossível!

 

Fui por isso, desenvolvendo uma espécie de sétimo sentido (dado que o sexto todas as mães têm ) para arranjar estratégias múltiplas, uma reserva de ideias, para poder levar a «água ao meu moinho» - um plano B escondido na manga!

 

Mas o desgaste vai tomando conta, a vida vai dando voltas e as condicionantes mudam....e agora, com mais de 6 anos de experiência (em 9 de vida do Rafa), fiquei sem alternativas - não tenho nenhum «coelho» na cartola, não encontrei nenhum génio da lâmpada que me mostrasse como dar a volta a isto:

 

ele não quer tomar a medicação - eu não a consigo fazer engolir, ele não toma, portanto ao fim de três dias nota-se um crescendo de agitação. Ele decide que não vai à escola, eu não o consigo levar, o irmão faz par com ele - ficam em casa, vejo-me sem alternativas, deixo-me arrastar e fico em casa também...sem plano que resulte, acabamos o dia a discutir pois sei que quebrando o ritmo, vai demorar muito a entrar nos eixos outra vez.

Sei que o pretexto que ele encontrou (o pé magoado na terça feira) foi apenas isso mesmo - o pretexto que conseguiu arranjar, na verdade, o pé não está assim tão mal e mesmo de chinelos, ele podia (e devia) ir à escola...

Acontece que também sei o porquê desta resistência (claro que o facto de ter deixado a medicação ajuda) - a professora do Rafa está doente desde o mês passado, tendo sido substituída - ora, como já aqui revelei em várias ocasiões, ele é extremamente resistente à mudança, gosta muito da professora (por tudo o que ela já deu provas!) e não encara bem esta questão da substituta...

 

Se isto vai continuar por muito tempo? não sei...espero que não, pela minha (pela nossa) sanidade mental - os dois estão a mil, conseguem furar todas as proibições, mostrar todas as «habilidades» físicas, vocais e usar todo o palavreado calão que possam imaginar....é uma casa de doidos, perto do colapso (sim eu já vivi isto várias vezes, sim é normal termos recaídas, mas se isso torna mais fácil cada nova vez? não...)

 

Se vou aguentar? não sei...espero que sim! espero que mesmo no escuro, algo me ilumine e eu saia para um novo dia com o tão desejado plano B (de preferência a tempo de ter uma segunda feira mais tranquila)

 

 

 

postado energia-a-mais às 22:55

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