A Hiperactividade vista à lupa

Terça-feira, 05 de Julho de 2011

 

 

se há tema que me preocupe quando se fala do estado das coisas no país, esse tema é a educação...

 

ou melhor, o que me preocupa é ver que em Portugal ainda se colocam outros assuntos como prioridade, quando no fundo, é a educação que está a hipotecar o futuro - só com uma melhor educação, mais rica, mais produtiva e mais qualitativa, se pode realmente começar a pensar num futuro menos cinzento. Os miúdos de hoje são peças fundamentais na construção do amanhã e se não lhes dermos as ferramentas necessárias, essa construção ficará irremediavelmente comprometida!

 

Mas a verdade é que a pretexto de um qualquer orçamento, ou da falta de rigor que vem de trás se continua a comprometer esse amanhã (não tão longe assim...afinal!). Isto para dizer que no início da semana veio a público uma ordem do Governo para se suspender o encerramento de mais de 600 escolas que seriam, neste próximo ano lectivo, fechadas, por ordem do anterior executivo.

 

Fico pasma (ou talvez já nem isso...). Então isto é uma notícia boa?! para quem? por mais voltas que dê, não vejo em como isto se traduza em «transformar a educação em Portugal» coisa que o recente ministro, homem sábio das matemáticas, prometeu com grande ênfase no parlamento. Será que Pedro Crato fez bem as contas? a julgar pelo currículo estaria mais que habilitado...mas...

 

portanto são mais de 650 escolas que se irão manter em terreolas com reduzido número de miúdos por escola (menos de 20 - critério que terá entrado nas contas anteriores). Traduzindo - mais de 650 estruturas, muitas delas utrapassadas, que teremos de manter, em contas de luz, água, aquecimento, dependendo da zona do país (ou talvez prefiram que as crianças levem os cobertores no inverno). Mais de 650 professores que terão todos os argumentos para se atirarem às greves (isto se acreditarmos que os professores estão realmente interessados no aspecto qualitativo do ensino) por falta de condições de trabalho - a começar pelo facto das menos de 20 crianças que lhes couberem em sorte, não terem necessariamente todas a mesma idade, nem frequentarem todas o mesmo ano lectivo - ou seja, um professor terá que leccionar mais do que uma matéria, em mais do que um ano (ou mesmo os quatro anos) de ensino, ao mesmo tempo, na mesma sala (ou estarei enganada?)

 

E depois, o que me preocupa ainda mais, foi ouvir as pessoas daquelas localidades dizerem que «sim senhor, foi uma coisa boa, porque assim, até pode ser que para o ano haja mais crianças na escola»...opá! a sério?! acham mesmo?! a ver se entendo - os pais querem que os miúdos fiquem em escolas antigas, em vez de se mudarem para escolas mais modernas, com mais e melhor equipamento e com mais e melhor gestão dos recursos humanos?! e preferem que eles não saiam e não abram horizontes, conseguindo uma melhor integração futura, em estruturas pensadas para acompanharem a evolução normal do percurso escolar?!

A sério que não entendo...eu posso ser muito tacanha, viver numa localidade pequena, ter de madrugar para pôr os putos na escola a horas, andar numa azáfama ao fim do dia para os ir buscar mas vejo além do óbvio, caramba! as escolas projectadas para agruparem várias faixas etárias em diferentes graus de ensino, estão bem equipadas, são eficientes, os miúdos ficam mais apoiados por diferentes suportes (ATL, bibliotecas, ludotecas, actividades extra curriculares). Não será isso melhor do que a tacanhez? E não me venham dizer que fecharem as escolas é promover a desertificação de certas localidades. Não dar alternativas, sim, promove o fracasso - sem alternativas de futuro, quererão os adultos do amanhã, permanecer nessas localidades?

 

...e o que dizer então da pergunta do jornalista a uma das crianças? tipo «então ficas contente por ficares cá? por não ires para a escola grande da cidade?» e a miúda «sim, assim fico aqui com os meus amigos...é melhor» bhaaa! se perguntarem ao Rafa ele dirá que quer a aula dentro de casa, melhor, no quarto para poder estar mais perto das suas coisas preferidas! será isto um bom motivo para fecharem a escola para onde ele vai? ele ficaria super contente!

 

triste mesmo é ver este (des) investimento na educação, ver que mais e mais uma vez vamos, como em muitos outros campos, ficando para trás do nosso tempo, no marasmo típico de um povo a quem só é permitido ver o óbvio!

 

atenção: este post é apenas uma breve reflexão sobre o assunto, não aprofundei, pois muito haverá para dizer...claro que não é apenas porque se abrem ou fecham escolas, que se muda o estado do ensino, ou  a sua qualidade, limitei-me a comentar uma notícia recente...Mas acho que nos faz falta discutir este assunto, mais claramente, mais aprofundadamente.  

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:14

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