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Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

07.Nov.11

a euforia dos brinquedos

 

 

cá estamos nós, na epoca dos bombardeamentos publicitários a apelar ao consumismo infantil....

 

Mesmo com a Dª Crise a pairar agoirenta sobre os papás tugas, a verdade é que me parece que ela não os conseguiu afastar das compras de mais esta e aquela «bugiganga» imprescindível ao bem estar dos tuguinhas mais novos...e aos anúncios cada vez mais (im)pressionantes, respondem os papás com mais e mais pressa - que afinal para quê esperar já que o subsídio não vem - atarefadíssimos na procura do tal e único objeto que irá regalar o natal dos miúdos (ainda que o tal seja sempre o que não se tem e portanto a satisfação irá durar pouco...)

 

Este fim de semana - mais um daqueles em que tivemos a visita relâmpago do papá e por isso aproveitamos para dar aos miúdos enérgicos da casa, o tempo e atenção que tanto precisam, notou-se uma azáfama tão grande no ar que até o Quico perguntou se já era natal...Isto porque passamos por casa dos avós e como eles vivem mesmo ao lado duma grande superfície, quase que tinhamos de deixar o carro em nossa casa pois não tinhamos lugar para estacionar, tal era a movimentação ao redor do centro comercial. A Dª Crise? bem, não a vi por lá...pelo menos a julgar pelos sacos cheios e já com embrulhos que muitos dos que de lá saíam levavam nas mãos.

 

talvez os meus miúdos estivessem distraídos com o papá e com as infinitas aventuras que assim podemos viver a quatro, a verdade é que nem sequer colocaram a hipotese de espreitarem o tal cc. Ainda bem, pois a resposta teria sido um redondo não. Passar um domingo a escolher brinquedos e ofertas de natal com os miúdos ao lado é impensável...

 

Mas claro que em casa, os anúncios também se notam - por entre cabriolas e piruetas, conseguem reter coisas como «as pistas da hot weels», o jogo dos «caça fantasmas», os novos jogos para as consolas e milhentos outros que invariavelmente acham incríveis, bué de fxes, muito... tipo, sei lá! fabulosos... desde que de rapazes, embora os de «meninas» tenham alguma piada (não para eles mas para a mãe, dizem eles...)

 

Gerir todo este entusiasmo não é nada fácil. Para os miudos impulsivos como o Rafa que quando quer alguma coisa, não pede, não espera, mas corre porta fora com ela, é um autêntico martírio tentar passar esta fase sem crises...como é que alguém consegue aguentar mais de um mês de intenso bombardeamento sem ficar com cabeça à roda?! porque é que as empresas de brinquedos começam o natal cada vez mais cedo? irra!

E tentar com que eles (principalmente o Rafa) se decidam? sim porque apenas uma prenda poder ser escolhida (outros familiares oferecem sempre alguma coisa, não acho necessário encher os miúdos de prendas). Uma prenda que depois o Pai Natal em conferência com os pais, verifica se podem mesmo receber (esta versão só resulta com o Quico claro...e nem podemos falar disto em conjunto pois o Rafa logicamente estraga toda a magia com um pragmático «dahh! o Pai Natal não existe...se existisse estava tão velho que teria morrido, ninguém tem 2000 anos!!!»)

Este ano mais ainda, já avisei que tem de haver muito juizo nas escolhas, evitar comprar por comprar, não desperdicar. Sempre tive o habito de os levar a um centro de acolhimento para deixarem alguns brinquedos para esses meninos e este ano já lhes disse que temos de ser ainda mais solidários.

 

se bem que juízo foi coisa que não vi este domingo, sobretudo nos adultos...por isso vou arriscar dizer que afinal esta 

 

 

já levou a melhor sobre a Dª Crise!!!

 

imagem tirada da net

 


03.Nov.11

Escola (parte testes)

 

 

O Rafa tem sido daqueles miúdos bafejados pela I.I. - uma espécie de Inteligência Inata que lhe permite tirar boas notas nos testes, sem quase pegar nos livros....

 

Quando começei a ter uma noção mais exata da PHDA no comportamento escolar das crianças, temi pelo futuro do meu filho. Obviamente todos os pais gostam que os seus miúdos façam boa figura nos testes - mas quando a criança é portadora de PHDA, os pais apenas anseiam que o percurso seja o menos atribulado possível e as expectativas são ajustadas, até porque o objectivo principal passa a ser que eles consigam ultrapassar os obstáculos, suficientemente motivados.

O papel da escola tem vindo a mudar ao longo dos anos, no entanto ninguém duvida que é actualmente fundamental, até porque da escola e do seu sucesso depende o futuro dos que amanhã serão a força ativa do país. Ter bons resultados abre muitas portas e por isso são cada vez mais os pais que desde cedo incutem aos miúdos a necessidade de trabalharem para as «notas». Confesso que (seja pela experiência que tenho com o meu filho, seja por personalidade) não sou muito de ligar às avaliações - não quer isto dizer que negue a sua importância, no entanto acredito muito mais no esforço e no empenho do que propriamente na avalição, feita por vezes até sem corresponder à realidade (se calhar é porque sei que para um miúdo com PHDA, o esforço que tem para conseguir uns 50% é muito maior do que um miúdo sem a patologia para tirar 70%). Acho que se houver empenho, se houver esforço, isso se manterá pela vida fora e será sempre uma mais valia...Por isso premeio essencialmente o esforço. E digo-lhe sempre - não importa o resultado desde que tenhas dado o teu melhor, desde que te esforces por fazer bem!

 

Durante o ensino básico o Rafa sempre teve excelentes resultados (na matematica foi mesmo muito bom) sem que tenha tido muito esforço para isso - pelo menos a avaliar pelo que trabalhava em casa, apesar do meu esforço em tentar que entendesse a necessidade de se orientar nos estudos. Sempre lhe fui dizendo no entanto que nem sempre os bons resultados surgiriam com facilidade e que fosse esperando maior trabalho quando entrasse no 2º ciclo.

Ora, ele iniciou este ano o 2º ciclo. A par da maior exigência - desde logo na organização da rotina, dos cadernos, dos TPC - uma maior dificuldade da matéria em si. Mais disciplinas, mais professores, métodos diferentes. Muito para um miúdo cuja capacidade de atenção se dispersa ao fim de cada 5 minutos...e cuja capacidade para se manter quieto se esgota ao fim de uns escassos segundos. Embora medicado (agora até com dose reduzida para uma reavaliação do médico) o Rafa mantém a inquietude e a desatenção - e é em casa (após o efeito da medicação passar) quando deveria estar sem pressão a fazer o trabalho de interiorização da matéria dada na escola, que mais se nota essa agitação. Resumindo: é muuuuuuito difícil conseguir que faça os TPC e conseguir que estude para um teste é uma tarefa de enorme desgaste (para mim e para ele claro).

 

Portanto não é de admirar que as cenas que temos vivido ultimamente sejam em tudo semelhantes a esta que agora descrevo

 

Local: sala com TV desligada (o quarto tem mais brinquedos) e porta fechada

Objetivo: estudar para o teste de inglês

Personagens: miúdo elétrico (saltitante e falador) mãe armada em durona (mas com vontade de esganar o miúdo) ditando regras simples e claras e demonstrando uma paciência que na verdade estava no limite

Adereços: caderno, estojo, manual e livro de atividades da disciplina em questão (mochila por insistência do miúdo, ao lado da mesa)

Acontecimentos: tentativas para que o miúdo se sentasse - várias (pelo menos 5 antes de atingir a fase em que deixei de contar); tentativas para orientar a conversa no sentido do objetivo pretendido - inúmeras (todas eram goradas pela desconcertante conversa do miúdo)

Exemplos reais: Rafa tens de tirar o lápis do estojo, a mãe preparou umas questões, vamos ver se consegues fazer....sim? Rafa?

«Ok! olha mãe esta borracha já está tão gasta...podias comprar outra? olha tás a ver esta afia? o G. tem uma mas a dele é amarela e tem uma que parece uma ratinho do PC....sabes que estive a jogar com os meninos da outra turma e eles queriam ver se conseguiam marcar mais golos mas o F. joga muito bem e eu e ele conseguimos marcar muitos golos até um menino do 9º ano esteve a jogar e nem conseguiu marcar...»

Rafa...o lápis! Vamos começar porque temos que terminar quando forem estas horas (e mostro o relógio...)

«Sim, tá bem! Sabes que....olha vou só ali dizer uma coisa ao Quico e já venho...»

Rafa...agora não!

«venho já, é depressa...Quicooooo» (já a chegar à porta e correndo ao encontro do irmão)

Nova tentativa: Rafa, pega já no livro para rever-mos a matéria e ver em que é que tens mais dificuldade...

«Tá bem, que chata! eu sei isto...olha está aqui um bocado de pão (tira um pedaço de pão ainda embrulhado, da mochila) já sei era do lanche de sexta...»

Rafa, agora! ou pegas no livro ou saio e não te ajudo. 1, 2, 3...

«Pronto, já está, vamos ver os pronomes? ok? ena...tinha um jogo partido na psp e o Quico queria jogar...se calhar vai pegar e o jogo tá partido...»

Depois vês, agora trabalhas

«mas eu vou lá rápido, ok? muito rápido...Quicoooooo»

(mãe ferve, respira fundo, mentaliza uma cena de estudo...ele já está outar vez a sair da sala...)

«Ufa ele não pegou...olha tava a ver uma coisa no Panda...queria tar a ver também, o Quico é mesmo sortudo...»

Não...o Quico é apenas mais novo. Tu agora tens uma responsabilidade maior...Anda vá, está a terminar o tempo...

«Opá, és mesmo chata. Ok! (pega no primeiro exercício...) ó mãe, eu queria era uma prancha de street surfing para o Natal...podes comprar?»

Rafa, o teste - rever a matéria...agora!

«Fogo! isto é fácil - olha não me apetece estudar mais, estou cansado!»

(mãe a explodir) Se não fazes isto não sais da sala....

«Pronto, já tou a fazer...»

Mais umas tentativas e acaba por fazer metade do que estava previsto com muita insistência pela manhã (dando-lhe o comprimido um pouco mais cedo)

Epílogo: o Rafa foi o melhor da turma no inglês com quase todo o teste certo....

 

a cena repetiu-se estes dias para outras matérias - ciências da natureza, ainda não recebeu o teste (não sei a nota) mas como sempre terminou-o muito antes dos outros e diz que esteve a olhar para o ar, a fazer equilibrio na cadeira e outras acrobacias para ocupar o tempo....LP - revisão da matéria em 5 minutos...a ver vamos...

 

02.Nov.11

bruxas, aranhas

 

 

morcegos...

 

cabeças de abóbora acesas! vamos meter medo ao susto huuuuuuuuu!!!! hahahaha!

 

assim cantarolaram os meus rapazes, enquanto me esfalvava para pendurar os adereços e preparava a mesa com os tradicionais doces - mesmo que não tenha afastado as travessuras lol! foi uma correria depois do trabalho para que a noite fosse festejada tal como eles já se habituaram - talvez por ser a única vez no ano em que se regalam com gomas, rebuçados, chocolates e uma parafernália de engenhocas assustadoras, o nosso halloween é uma festa que eles realmente apreciam. O Quico andava eufórico e o Rafa, claro sempre a «abrir». Muito saltaram e cantaram e o meu truque para conseguir um balanço positivo ao fim da noite (sem estragos de maior) foi mantê-los ocupados, repartindo tarefas - sempre com supervisão minha ou dos avós...

 

ora o Rafa e o avô lá se encarregaram de finalizar isto:

 

 

 

e o Quico ajudou a fazer a cobertura dos bolinhos em estilo «vómito verde»

 

 

garanto que apesar do aspeto, estavam deliciosos - o «vómito» tinha sabor a goma e o bolinho era de chocolate!!

 

a nossa mesa estava repleta de gomas, algumas bem sugestivas

 

 

os dentinhos de vampiro foram um sucesso!

 

também não faltou um bolinho do tradicional tom laranja - esta torta de cenoura é das preferidas dos miúdos

 

 

 

e obviamente não podiamos terminar a noite sem o belo do cacau quente - este decorado com marschmallows, bem docinho e quentinho

 

 

e pronto! no próximo ano há mais, seja ou não um costume nacional - para nós é um costume caseiro, simples e familiar!

 

De resto, as tropelias habituais, dores de cabeça mais que acentuadas pois o feriado do dia de Todos os Santos foi passado a três, com eles os dois sempre em constantes brigas, ora porque o Quico anda em fase de agitação, ora porque o Rafa, com testes marcados para estes dias, anda em fase de ebulição. Com o tempo ameno, até se podia libertado alguma energia mas a nossa saída ao parque em frente a casa, terminou com uma grande birra do mais novo que acabou por chutar a bola intecionalmente para a estrada e com o mais velho a querer regressar a casa mal pôs os pés do outro lado do passeio...

 

Consolo meu - consegui desgastar certamente os «kilos» de doçaria que ingeri antes, graças ao corropio sem pausas

 

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