Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

02.Mai.13

algo não bate certo

 

 

quando no último período escolar ainda continuamos a receber recados destes

 

a propósito do Quico

 

«nas últimas semanas o comportamento do seu educando tem vindo a piorar de aula para aula, está contínuamente distraído e sempre a interromper  a lição (...)» o Quico foi diagnosticado com PHDA após testes e despistes a outras patologias e recebe aulas de apoio com uma professora do ensino especial, sendo acompanhado por um psicólogo educacional desde o segundo período

 

«Tem de modificar esta atitude. Agradeço que tenha uma conversa com ele para tentarmos resolver esta situação» a PHDA é uma perturbação crónica, com base neurológica e não se pode confundir com atitudes de comportamento possíveis de mudar com «boa vontade». Exige tratamento com terapias adequadas e acompanhamento em diversos contextos, sobretudo a nível escolar.

 

receber recados destes, nesta fase letiva, duma professora que devia estar a par de todo o processo (e de se informar melhor caso não soubesse como agir) é no mínimo frustrante!

 

a propósito do Rafa

 

desde o início do seu percurso escolar, está diagnosticado e sinalizado através de relatórios médicos. Embora tenha sido referenciado como uma criança «problematica», nunca se passou daí, até porque como os resultados escolares não são maus, os professores optam por fazer constantes chamadas de atenção à atitude desadequada, irrequita e impulsiva, preferindo considerar como «preguiça e malandrice» o não realizar TPC ou a falta de motivação com as tarefas solicitadas. Foi preciso a desmotivação ser demasiado evidente, com faltas a determinadas disciplinas, faltas disciplinares pelo meio e ver os 5 a baixarem para considerarem que deveria ser feita uma avaliação psicológica mais profunda e encaminhado para o ensino especial...

 

no último período do 6º ano - ano de exames nacionais, vai ter agora a sua primeira consulta com a psicóloga do agrupamento! é frustrante ou não?!

 

como seria então, caso eu não andasse constantemente «em cima» das situações? caso eu não pudesse ou não tivesse sequer conhecimentos suficientes para ser eu, na maioria das vezes a fazer o trabalho em casa (de lidar com eles) e completar o trabalho que devia ser feito pelos professores (de os motivar, de os ensinar a organizar o estudo e a ter métodos e regras). Onde está a escola e qual o seu papel no reconhecimento desta patologia?

 

alguma coisa não bate certo e não é só o «sistema» que tem a culpa! a verdade é que são as pessoas que fazem o sistema...



 

01.Mai.13

1º Maio - dia do (des) trabalhador

 

 

existe uma nova classe no país para quem o 1º Maio tem um significado diferente

 

são os (des) empregados - aqueles que estão sem trabalho, continuam desempregados mas foram contratados pelo estado, trabalhando em instituiçoes públicas a preço de chuva, ou seja pagas pelo subsídio de desemprego.

 

São pessoas sem direitos, sem sindicatos, sem regalias sociais, cujo trabalho não é reconhecido mas que fazem maravilhas em termos estatísticos - sempre que a taxa de desemprego dispara, os centros de emprego colocam logo estes programas em atividade, fintando a realidade, mostrando os números que querem mostrar - daí se explica que a taxa de desemprego tenha «estagnado» apesar de todos conhecermos uma realidade bem diferente!

 

E é assim, nessa classe não reconhecida que me encontro este ano - ouvindo muita gente dizer a propósito da minha situação «mas olha, ainda bem, assim estás distraída, se estivesses em casa seria pior...» ou seja parece que para mim, ou outros como eu a distração passou a ser o nosso sustento...

 

Pág. 2/2