A Hiperactividade vista à lupa

Quinta-feira, 02 de Agosto de 2012

 

 

as tais que podem ser mais ou menos drásticas

 

já percebi que isto de educação não é nada linear - e tal como não existe um modo único de educar, também não existe uma forma única de definir um «castigo». Eu aprendi há muito que «castigo» é algo vago e abstrato no entendimento de uma criança portadora de PHDA. E se mesmo para os pais cujos filhos não sofrem deste transtorno, por vezes as regras não são fáceis de implementar, para quem tem miúdos com hiperatividade, a missão pode ser (quase) impossível.

 

Dos comentários que me deixaram ao post da introdução, destaco que algumas mães consideram a «palmada» como drástica - o que é bom, pois significa concerteza que não usam de forma recorrente o método da força (no entanto que me desculpem mas eu não acho nada drástico dar uma palmada - uma apenas, quando sai de cabeça fria e pensada, caso contrário pode virar para o descontrolo, é um corretivo que já se mostrou eficiente em muitos casos!)

Já em relação ao comentário da Pat (mãe de um menino com PHDA) o discurso é bem mais semelhante às situações daqui de casa - aliás duas das descritas já apliquei com o Rafa. Cancelar a festa de aniversário, quando ele esperava ter um grupo de amigos e festejar num recinto desportivo. Foi motivo para gritaria por algumas horas, muita fúria e muita contestação/confronto até...mas durou apenas naquele momento - no dia do aniversário não se lembrou da festa e sempre que eu a mencionava e o motivo porque a tinhamos cancelado ele dizia «e quê? eu nem queria festa...» e continuava na dele...Já o fechar no quarto resultou apenas por duas horas porque para além de ter partido quase tudo o que havia no quarto (digo móveis porque tinhamos tirado o resto, ou seja os brinquedos) teria partido a porta caso o não tivessemos deixado sair entretanto. Acabei por considerar que o gasto com os estragos e o sufoco que passamos naquelas duas horas de terror, seriam bem maiores do que a lição que ele iria retirar....

Para além dessas duas, houve uma vez que tal como a C. também a cena se passou no carro, a diferença é que estava apenas com o Rafa e que depois de ele me ter partido com os pés o tabelier, parei, puxei-o para fora, entrei no carro e arranquei. Sim...ficou na berma, berrando desvairado...sim, travei uns metros à frente, entretanto desperta quando um grupo de mulheres de uma fábrica que viram o sucedido corriam atrás do carro 

 

Ou seja, para mim «drástico» já tem assim uma conotação digamos mais à frente!

Ora se uma coisa eu aprendi é que para o Rafa, não faz sentido retirar algo, ou mesmo usar um «castigo» para mudar um comportaento. Para ele, tal como para outras crianças com PHDA, o reforço positivo e muito mais eficaz. E uso realmente esse sistema muitas vezes para o fazer compreender certas coisas (tal como por exemplo com o método dos pontos) e resulta muitas vezes!

 

Mas em outros momentos sinto que tenho de lhe aplicar uma «sanção» pelo que ele fez. Impulsivamente, se lhe dou uma palmada é óbvio que ele não se fica - nem reconhece a autoridade e a diferença de eu ser a Mãe. Portanto teria de entrar em confronto - ora isso eu tenho de evitar claro! Também nunca se cala a um argumento....já se lhe virar costas, o ignorar e lhe disser que tem de ser ele a tomar as suas decisões básicas) a que horas se deita, trocar a roupa, faer um lanche sozinho....

 

Depois de um alucinante dia em que pareciam dois diabos zaragateando pela casa - a minha cabeça estava qual balão em enchimento. Tinha ameaçado que me iria embora de casa se continuassem noite dentro. Continuavam e não havia maneira de parar - aproveitei e esgueirei-me em silêncio. Quando deram pela minha falta, já estava escondida no atrio. Ouvi os gritos e resisti. Ouvi a aflição de um e de outro, a voz de pânico do Rafa e o choro terrível do mais novo. A tentativa do Rafa de acalmar o Quico foi comovente e acabei por entrar quando o Rafa se dispunha a telefonar aos avós e procurava afoito o seu telemovel por causa do número (já tinha ligada para o meu telemovel mas deixei-o propositadamente no quarto e isso aumentou-lhe a aflição)

Quando entrei o Quico agarrou-me com força e o Rafa transpirava em bica de tanta ansiedade. O meu coração ficou amachucado por ter feito essa «maldade». Avisei-os no entanto que o faria se não conseguisse manter as coisas dentro do limite. O limite são as brincadeiras e o terem de respeitar as regras da mãe quanto a horários, barulho e higiene. A coisa melhorou com eles muito solícitos e até o Rafa pediu desculpa. 

Claro que foi uma medida de curta duração - mas aqueles minutos em que julgaram que os tinha deixado (ai!) valeram uma lição mais eficaz do que se lhes tivesse tirado todos os brinquedos ou os proibisse de irem ao cinema. 

 

Se tiraram a devida consequência? bem, a julgar pelo incremento das atividades «radicais» e parvoeiras associadas, a coisa não funcionou tanto assim, embora se eu olho direto nos olhos deles e lhe «relembro» o que aconteceu, acalmem um pouco...bolas, o que precisarei fazer a seguir? 

 

Depois de analisar descobri um dado importante - a última vez que dei um elogio ao Rafa foi no dia 26 de Junho, dia em que fui levantar as notas escolares. Depois disso só repreensões - tenho de inverter rapidamente a minha conduta! Isso sim faz muita diferença e é uma medida bem «drástica»

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 07:52

De Jo_Tex a 2 de Agosto de 2012 às 11:11
Bom, eu não posso comentar quanto ao PHDA, mas quanto às crianças em geral... Cá me parece que esse reforço positivo é sempre preferível.
Cá em casa houve uma altura em que quando o pequeno fazia traquinices o pai lhe dizia que assim nós não gostávamos dele. Resultava, sim, dada a escassa idade. Só que isso deixava-o mesmo muito sentido e triste. Mais do que uma palmada (à qual ele dá meia volta e reage com um não quero saber porque não dói) ou um grito, que no máximo o assusta se ele estiver distraído. Fazia-me sentir a pior pessoa à face da Terra.
Então passei a dizer que o pai estava a brincar, que nós gostamos sempre dele, mas não gostamos que se porte mal e que se ele o fizer nós não fazemos as coisas que ele gosta porque ficamos zangados. E assim que ele faz uma coisa boa vamos fazer algo que ele goste reforçando que como ele foi nosso amigo e fez as coisas como nós queríamos, nós também somos amigos e fazemos o que ele quer (claro que não é tudo).
Isto não dura mais que dois dias, no máximo. Só que me parece que é normal. São crianças, fazem coisas que para nós são parvas ou desagradáveis. O meu adora cantar aos berros quando vê que estamos a prestar mais atenção à TV do que a ele e isso é deveras irritante sobretudo na hora do telejornal. Mas fazer o quê? Por mais castigos que lhe imponha ele vai repetir (como tem feito) não porque não tenha percebido que faz mal, não porque não saiba que pode ter consequências piores que uns minutos sem atenção, mas porque já percebeu que resulta. Que nós largamos a televisão para ralhar com ele... E dá-se por satisfeito com a sua pequena vitória!
É sempre complicado lidar com eles. Não há miúdos perfeitos e pais muito menos. Cada um reage de forma diferente às diversas situações e parece-me que o melhor que temos a fazer é continuamente procurar a forma mais directa de chegarmos aos nossos filhos. Drástico ou não. E rogar aos céus por grandes doses de paciência enquanto eles não chegam a adultos...

De energia-a-mais a 3 de Agosto de 2012 às 00:02
Olá! é verdade, não existem filhos /pais perfeitos. Então com miúdos com PHDA tudo assume outros contornos...Claro que todas as crianças desafiam os limites. A diferença é que as crianças com PHDA não reconhecem os limites. O meu mais velho nunca consegue dominar um impulso...quanto a regras...com 11 anos continua a ter dificuldades enormes em cumprir qualquer que seja! e o mais novo, apanha por tabela - mesmo que não seja portador do distúrbio (ainda não temos certezas) age do mesmo modo do mano!
Sim, já fui testada inúmeras vezes. Reconheço os sinais de uma «crise» do mais velho, sei quando fica descontrolado e evito que chegue a esse ponto. Por vezes (num dia pode ter várias situações de descontrolo) numa ou noutra, passo-me e dou comigo a fazer de parva...
E rogo muito, para que antes da idade adulta eles se consigam auto controlar para que não sofram tanto, num fase da Vida em que a paciência dos outros não será igual à minha!

Teresa

De Jo_Tex a 3 de Agosto de 2012 às 10:44
De facto não tinha pensado nisso, Teresa. Llá de vez em quando se fala sobre o distúrbio, mas sempre associado às crianças. Não me lembro de alguma vez ter visto nada sobre o assunto quando chegam à idade adulta...
Conheci um homem no meu último emprego que era bastante irrequieto e dizia que em criança sofria disso. Nunca chegámos a perceber se seria mesmo ou não. Mas uma coisa é certa, por simpático que fosse (e era bastante), nós nem sempre tínhamos paciência para o aturar. Há situações que só mesmo os pais e mesmo enquanto pais acredito que nem todos tenham estômago.

Bom, no fundo espero que o Rafa venha a conseguir ultrapassar isto da melhor maneira e que tenha um grande futuro pela frente!
Beijinhos, Teresa. Pelo que descreve creio que é uma boa mãe e que no que depender de si correrá tudo bem.

De mil sorrisos a 2 de Agosto de 2012 às 11:45
Nestas coisas, como em quase tudo o que se relaciona com as crianças, não há receitas, cada caso é um caso e o que resulta aqui não resulta ali. Nas descrições que fizeste diria que são mesmo atitudes drásticas a que eu ainda não tive de recorrer porque a Laura acaba por ser uma menina que nunca nos leva ao limite, por assim dizer. De qualquer maneira, e a ter de tomar atitudes desse calibre um dia destes, não hesitarei...
beijos e mil sorrisos
:o)

De energia-a-mais a 3 de Agosto de 2012 às 00:07
Tens razão! não há receitas únicas e não acredito que funcionem de igual modo para todos, no caso de um miúdo com PHDA, por norma com baixa auto estima, fazê-lo recear a perda do pai/mãe é realmente drástico. Mas acho que no caso do Rafa, o reforço que dou pelas coisas que faz bem, compensam o tal «susto» - afinal não passa disso. E tenho sempre o cuidado de dizer que o amo, não gosto é do comportamento que tem!
beijocas doces

Teresa

De Fii a 2 de Agosto de 2012 às 12:25
Blog muito interessante!

De energia-a-mais a 3 de Agosto de 2012 às 00:08
Obrigada!

Teresa

De susana miranda a 2 de Agosto de 2012 às 23:31
(Os nomes dos autores estão mencionados)

Desde os primórdios que a problemática da PHDA suscita controvérsia na comunidade científica e ainda hoje se debate este tema. Desde cientistas, estudiosos, filósofos, médicos e psicólogos, têm trabalhado no sentido de ter uma explicação plausível para clarificar o diagnóstico da PHDA.


Em programas de recompensas, o professor prescreve para casa uma avaliação sobre como a criança portadora de um diagnóstico de PHDA se comportou na escola. Pelo facto de envolver os professores e os pais, é geralmente uma das primeiras intervenções. Vários estudos demonstram que o reforço positivo fortalecer a “performance” das crianças com PHDA.


Quando as condutas aplicadas se começam a solidificar as fichas deverão ser substituídas, progressivamente, por reforços sociais, como por exemplo, atenção, gestos de aprovação, sorrisos, de tal modo que ao finalizar a terapia, as condutas apropriadas se mantenham simplesmente com este tipo de recompensas naturais, próprias do contexto das interacções sociais (García, 2001).

Cartão de Relatório de Comportamento Escolar Diário (Barkley, 1997)
Nome da criança _______________________________________________ Data ___
Professores:
Avaliar o comportamento da criança nas áreas abaixo. Usando as seguintes avaliações 1=excelente, 2=bom, 3= regular, 4= fraco e 5= muito fraco.
________________________________________________________
Comportamentos Avaliados: 1 2 3 4 5 6 7
________________________________________________________
Participação na aula
Desempenho no trabalho classe

Seguimento das regras sala aula

Interacção adequada a outras crianças

Qualidade lição de casa, se dada

Iniciais professor
______________________________________________________
Comentários devem ser feitos na parte posterior do cartão. Cartão de relatório escolar diário para administração de problemas de comportamento da PHDA durante o tempo de aula, usado em conjunto com o sistema de recompensas de fichas de casa (Barkley, 2002 p.261).


Espero ter ajudado um pouco.

Beijos com carinho

Susana Miranda

De energia-a-mais a 3 de Agosto de 2012 às 00:11
Ola querida amiga!
Sim, obrigada pelo teu cuidado. Muitos pais e professores devem ter este empenho e sabemos que nem sempre acontece...

beijos muitos

Teresa

P.S: já vi mail, pode ser que consiga responder breve lol - se afastar o Rafa do pc...

De Fii a 3 de Agosto de 2012 às 01:08
Obrigada! :)


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