A Hiperactividade vista à lupa

Sexta-feira, 12 de Abril de 2013

 

 

Há uns tempos atrás conheci mais três mulheres de garra. Três mães lutadoras que sofrem na pele o estigma que ainda existe em relação às crianças com PHDA. Tivemos uma conversa muito interessante. E fiquei mais uma vez com a sensação de que o caminho a percorrer para ver a PHDA reconhecida (de facto) é ainda longo e arduo.

Este post é para elas e para muitas outras cujas vidas são tão semelhantes, por motivos tão idênticos!

 

A minha vida tem sido muito atípica e nada comum. A PHDA muda realmente as prioridades parentais e torna-nos pessoas diferentes - nem sempre melhores é certo. Muitos pais nao conseguem lidar com toda a tensão que se impõe na educação de um filho com caraterísticas tão diferentes. Os pais são quase sempre incapazes de mudar atitudes. As mães, adaptam-se muito mais rapido e com maior segurança. Os exemplos que conheço, a começar por dentro de casa, mostram-me como na maioria dos casos, são as mães as primeiras a aceitarem as diferenças, as primeiras a sentirem que precisam de ajuda, as primeiras a conseguirem tomar a atitude correta para ajudar a criança e manter o ritmo da casa a funcionar.

Os pais na maioria das vezes, apenas «acatam»....ou no outro extremo - simplesmente não aceitam. Nem sei dizer qual dos extremos é pior. Se um pai não consegue aceitar, nem entende que o filho sofre de uma perturbação que precisa de cuidados diferenciados, desde fármacos a terapias comportamentais, tende a encontrar «motivos» para as atitudes carateristicas da criança, inventando pretextos e criando soluções que nunca dão em nada - exemplo? «Culpabilizam» a mãe pela conduta da criança, consideram que é a permissividade dela que faz com que os seus filhos não sejam «como os outros». Colocam como solução milagrosa uma disciplina férria que ignora os preceitos da perturbação e impõe um sofrimento à familia que muitas vezes leva ao seu desmembramento...

No outro extremo, os pais que «acatam» mas não se envolvem, tendem a «sacudir a água do capote». Colocam sempre um «mas...» quando referem a PHDA e continuam a ter um desprendimento em relação ao problema, preferindo ignorar todos os sinais - exemplo? «o miúdo tem um problema mas se calhar é porque nunca nos impusemos de verdade...»ou a frase «se a mãe não lhe desse tanto mimo...»

 

Por isso, tantas e tantas vezes, vejo mães sozinhas nas consultas, são mães que me procuram, são as mães que me aparecem nas reuniões de grupo...e nas escolas dos miúdos. São também as mães que geram força, empenho, que estão presentes quando é preciso.

Mesmo que não saiba o título perfeito para este post, terá sempre como motor a palavra Mãe.

 

 

  

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postado energia-a-mais às 09:17

De Maria Pereira a 12 de Abril de 2013 às 16:32
Estas ditas "novas" doenças não são fácil de divulgar e consciencializar que dela não parece. Eu não tenho a tua experiência mas em relação à infertilidade senti isso. O que vale são pessoas como tu, como nós, que ajudamos a que tudo seja mais fácil para os outros, nem que seja com uma simples partilha de experiências

Um beijinho e bom fim de semana

De mil sorrisos a 12 de Abril de 2013 às 18:01
Eu acho que, na generalidade, são as mulheres/mães que chamam a si o protagonismo na educação das crianças. Nas escolas são as mães que comparecem em maior número, são elas as encarregadas de educação e por aí adiante. Relativamente ao caso especial das mulheres/mães de crianças portadoras de PHDA, acredito que seja ainda mais assim. As mulheres acabam por assimilar melhor a situação por uma razão simples - é delas que as crianças dependem mais nas diferentes fases das suas vidas e acabam por interiorizar mais facilmente as diferenças que caracterizam estas crianças porque lidam com elas de forma mais "íntima", digamos, que os pais. No fundo, as mães têm uma visão mais realista da situação, enfim...
beijos e mil sorrisos
:o)


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