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Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

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A Hiperactividade vista à lupa

01.Nov.13

não suporto notícias destas

«A escola do 1º Ciclo de Mesquitela, Mangualde, decidiu suspender as aulas em virtude do comportamento agressivo de um aluno com apenas seis anos de idade. O menino constituía um risco para professores, funcionários e colegas, conta a edição desta sexta-feira do Jornal de Notícias, mas a versão da mãe da criança é outra.

“Estão a enterrar o meu filho. Ele é hiperactivo e está a ser medicado. Em casa porta-se bem e só na escola é que se revolta. Não sabem lidar com ele”. É desta forma que a mãe de um aluno de seis anos da do 1º Ciclo de Mesquitela, Mangualde, reage, em declarações ao Jornal de Notícias, ao facto de aquele estabelecimento de ensino acusar o seu filho de comportamentos agressivos, que colocarão em risco a integridade física de professores, funcionários e alunos.

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Os frequentes ataques de fúria do menino já deixaram marcas físicas nos docentes, além dos prejuízos materiais que tem vindo a causar, sendo que as queixas por parte dos encarregados de educação são mais do que muitas.

A psicóloga Paula Fongue, ouvida pelo mesmo jornal, indica que “a criança está em perigo e a sofrer”, pelo que “não deve ser isolada, mesmo que se trate de um caso de indisciplina”.

A escola reportou entretanto o caso à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens e admire suspender o aluno a título temporário»

 

Porque é que não suporto? porque aponta para uma data de incorreções, porque mais uma vez se associa PHDA ou hiperatividade, a situações pouco claras e absurdas.

 

Ponto 1: como é possível uma escola não conseguir encontrar forma de «controlar» um miúdo de seis anos? isto tira-me do sério! o miúdo constitui um perigo?! mas esta gente faz o quê nas escolas? o trabalho destas pessoas é lidar com crianças, se não sabem como fazê-lo então desocupem o lugar. O Rafa tem agora 12 anos, desde os 4 que era claro que seria uma criança bem diferente e que nunca seria possível lidar com ele de modo convencional - existem crianças em que não resulta a abordagem da força bruta, em que não chega dialogar! mas sempre existe uma forma! sempre, mesmo quando essa criança se mostra agressiva, e eu sei bem do que falo!

 

Ponto 2: Hiperatividade parece ser o diagnóstico sempre que não se encontram soluções para estes miúdos. Quase sempre o diagnóstico está errado. A mãe diz que ele em casa se porta bem e só na escola se revolta - isto não é hiperatividade. A criança ou adulto com PHDA é portadora da doença em qualquer contexto - tanto em casa como na escola, tanto na rua como na igreja, tanto num café como numa loja de brinquedos. O distúrbio impede uma vida normal em qualquer sítio, em qualquer situação. Eu que o diga! leiam este blog!

 

Ponto 3: a medicação administrada corretamente altera profundamente o comportamento da criança com PHDA. Se estiver corretamente diagnosticada, esta medicação (que a mãe diz que toma) levaria a que o menino tivesse um comportamento adequado na escola, faria com que ele estivesse mais calmo, mais concentrado e mais colaborante. Mais uma vez sei do que falo! Se ele tem «ataques de fúria» isso não se deve à PHDA, quando muito o menino teria mais do que uma patologia associada! e sim, tambem sei do que falo. O meu filho mais velho faz medicação combinada porque para além da PHDA de tipo impulsivo tem uma perturbação do comportamento chamada TOD (transtorno oposição/desafio) que lhe traz a agressividade e um distúrbio do sono. Se apenas tomasse meltefedinato, o Rafa ficaria mesmo assim, mais calmo e mais atento na escola (e em todos os sítios) mas continuaria a ser agressivo e não conseguiria dormir. Já o meu filho mais novo, diagnosticado com PHDA predominante déficite de atenção faz meltefedinato e o seu comportamento em casa e na escola (assim como em todo o lado) muda radicalmente.

 

Ponto final: portanto estamos aqui perante mais um caso em que se resolve tudo com um rótulo - o miúdo é hiperativo e por isso tem de ficar isolado na escola porque é um risco para os seus pares e professores...triste e revoltante. Sobretudo porque se existem psicólogos, onde está a avaliação aos vários parâmetros, para que a criança seja devidamente encaminhada? não basta dizer que a criança sofre...é preciso apresentar estratégias de intervenção adequadas, onde estão elas? chegar ao ponto de dizer que se fecha uma escola, por causa de um miúdo de seis anos?! por favor!!! e já agora - a escola porque não pede ajuda a quem sabe? existem técnicos da associação portuguesa da criança hiperativa que se disponibilizam para intervir nas escolas e ajudar quem precisa! 

 

 

 

 

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