A Hiperactividade vista à lupa

Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Recentemente respondi a um inquérito, enviado pela APDCH, com a finalidade de contribuir para um estudo internacional, do qual fazem parte países como Portugal, Roménia, Turquia, Reino Unido e Itália e que visa promover acções específicas para educadores e pais de crianças com distúrbio de Hiperactividade e Déficit de Atenção.

Este estudo insere-se num projecto mais amplo cujo objectivo é desenvolver a Unidade de Apoio á Escola Inclusiva.

 

Sempre que participo nestes projectos/estudos ou iniciativas, fico um pouco «frustrada» por verificar que, apesar da promoção de certos mecanismos teóricos, na prática estas (e outras crianças com necessidades educativas especiais) acabam por não beneficiarem de qualquer tipo de apoio verdadeiramente estruturado.

Dou alguns exemplos:

 

  • no passado ano lectivo ( e ao abrigo de um artigo, entretanto extinto...) era suposto o meu filho ter recebido apoio psicológico, garantido pela escola. Não criei grandes expectativas, na medida em que reconheço os parcos recursos (materiais e humanos) nesta matéria. Mas foi essa a informação dada pelo agrupamento e assim fui esperando até meados do 1º período. Nessa altura foi-me dito que não existindo a possibilidade de contratar um(a) psicólogo(a) educacional, iriam passar o caso á psicóloga contratada pela autarquia e que já dava apoio noutras escolas do agrupamento. O tempo foi passando e, mesmo fazendo várias tentativas para perceber a razão da demora, acabamos o ano lectivo sem uma única sessão de apoio!
  • quando percebemos as dificuldades do Rafael e procuramos ajuda, recorremos ao pediatra e depois de algumas consultas no privado, acabamos por concluir que a ajuda necessária, obrigava a recursos de que não dispunhamos. Fomos então informados pelo médico de família sobre as consultas de desenvolvimento. Estas consultas são garantidas nos hospitais públicos (alguns) da nossa área de residência. Pedimos para ser encaminhados e ficamos a saber que a lista de espera para estas crianças pode chegar a um ano (ou mesmo dois!). Ora como só aceitam crianças em idade escolar, presume-se que tenhamos de aguardar por um diagnóstico e acompanhamento, durante uma fase crucial para a rápida integração da criança. Por outro lado, este tipo de consulta deixa muito a desejar na maioria dos hospitais - muitos não fazem o diagnóstico tendo em conta o tal estudo «multicritérios» supostamente usado para despiste de outras patologias. Alguns nem sequer têm  as valências necessárias, a criança pode ser diagnosticada por um pediatra (quando o deveria ser por um pediatra do desenvolvimento, um neuropediatra ou pedopsiquiatra), a observação da criança ocorre sempre em meio hospitalar (quando deveria ser feita em diferentes contextos, como casa, escola e consultório) e a ligação com a escola resume-se a um papel que os pais levam para a/o  professora/o que serve apenas para resumir o ponto de vista daquele profissional, na maioria das vezes sem preparação...resta o privado, onde uma consulta da especialidade ronda os 100 euros para diagnóstico e, sendo necessário acompanhamento terapêutico (o que acontece sempre que se confirma a hiperactividade) ronda os 90 euros por consulta...
  • a medicação, apesar de ser tomada por um longo período de tempo não é comparticipada na totalidade, custando uma caixa de Ritalina com 30 comprimidos (que dá para um mês) uns 25 euros (o Concerta é muito mais caro). Muitos meninos tomam ainda medicação combinada o que pode oscilar a uma média de 40/50 euros mensais...
  • apesar de estar cientificamente comprovado que a hiperactividade prevalece na vida adulta, esta não é considerada uma «doença crónica» não estando por isso contemplada com alguns benefícios

Por isso e embora apoie cada esforço no sentido de melhorar as condições de trabalho, de resposta e de conhecimento sobre este distúrbio, tenho sempre uma sensação de vazio no final. Vamos ver se será mesmo desta que se começa a pensar a sério no problema destas crianças e suas famílias...

É que na minha (modesta) opinião não vejo um esforço concreto de mudança que me permita visualizar a tal Escola Inclusiva...é que o modelo até já existe mas isso fica para outro post!

postado energia-a-mais às 23:21

De maebabada a 19 de Novembro de 2008 às 10:10
olha, eu diria que, infelizmente, o assunto seria tratado de outra forma se o Pm ou a ministra da educação ou pessoas com muita influencia tivessem filhos com esses problemas, aí estariam alertas para o problema e tentariam encontrar soluções...assim, não sei, mas existe alguma associação de famílias ? esse tipo de associações com pessoas à frente com disponibilidade mental e também de tempo podem ajudar porque tanto insistem, tanto insistem que eventualmente serão ouvidos...

beijocas

De energia-a-mais a 19 de Novembro de 2008 às 22:49
Bom tens razão amiga! Se o problema tocasse directamente pessoas com influência, as coisas levariam outro rumo...Quanto á associação existe a Associação Portuguesa da Criança Hiperactiva (APDCH) que nasceu e vive do esforço de uma Mãe - Linda Serrão, apesar de tudo consegue mobilizar alguns recursos no sentido de apoiar quem necessita. Mas a APDCH trabalha sobretudo em Lisboa ( a sede é em Mafra) e arredores. Não pode chegar a todo o lado sem ajuda! Creio mesmo que o mais importante é a par da motivação e empenho, muita mas muita divulgação
Beijinhos


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