A Hiperactividade vista à lupa

Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

no tratamento do TDAH

 

este é um post mais sério, que poderá ser mais interessante para quem tem filhos diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperactividade. Decidi partilhar aqui este tratamento que conheci em 2005, por ver que existem muitos pais que ainda o desconhecem e por saber que está hoje mais fundamentado do que quando o discuti a primeira vez com o neuropsicólogo que mo apresentou.

 

Em verdade eu não considero que este seja um tratamento alternativo à medicação, mas antes um método que permite obter um reforço dos resultados, principalmente em crianças que tendo já sido medicadas, passam aquela fase da mudança de idades em que se coloca a hipótese de retirar ou manter a medicação.

 

Em que consiste

 

Na aplicação de eléctrodos através do couro cabeludo. É um método natural e não invasivo. O paciente não recebe descargas eléctricas ou magnéticas.

Os eléctrodos captam as ondas magneticas emitidas pelos neurônios. Essas ondas são enviadas a um computador que as descodifica e as transforma em imagens reais do funcionamento do cerebro. Num cerebro afectado pelo TDAH, as ondas em maior quantidade são as lentas (daí usar-mos estimulantes para os acalmar...) e tenta-se por isso reduzir as ondas lentas e aumentar as mais rápidas.

Assim criou-se uma espécie de jogo de vídeo em que o jogador (paciente) tem de começar a dominar a quantidade de ondas emitidas, segundo um processo comportamental chamado reforço condicionado. Ele pode identificar e alterar voluntáriamente o modo como  seu cerebro responde a várias situações, sendo então possível obter maior controlo sob as suas acções.

 

O tratamento requer várias sessões, dependendo do tipo e do grau diagnosticado. Normalmente varia entre as 30-45 até 60 sessões. Parar antes das 30 não garante (pelos estudos existentes) continuidade nos resultados.

Também se verificou que as crianças medicadas e que em simultâneo fizeram este tratamento obtiveram melhores resultados do que as que receberam apenas o tratamento, embora os resultados positivos perdurassem mais tempo após deixarem o medicamento, quando tivessem recebido tratamento por neurofeedback.

 

Na minha opinião é um tratamento que pode ajudar a estabilizar a criança e proporcionar maior capacidade de auto controlo, auto planeamento e auto gestão.

Pode ser uma mais valia quando usado em conjunto com a medicação e eventualmente outros métodos terapêuticos e psicológicos.

 

Gostava de saber a vossa opinião e partilhar experiências nesta área!

 

 

sinto-me: a querer saber mais!
postado energia-a-mais às 23:43

De Anabela a 28 de Julho de 2009 às 10:41
Olá Teresa,
Já tinha também ouvido falar deste método e tentei informar-me sobre o assunto.
Não sei que diga, tenho muitas dúvidas, não me parece que resolva o problema sem a medicação, e além disso é um método muito dispendioso, e requer muita disponibilidade de uma criança, que já tem que ir à escola, fazer trabalhos de casa e não pode deixar de brincar.
Com o avançar da idade, a hiperactividade diminiu e a criança aprende por si a controlar os seus impulsos, ficando apenas o défice de atenção que claro, irá comprometer o seu futuro e condicionar talvez a sua escolha profissional.
Será que vale mesmo à pena ir por essa via e abandonar a medicação, que já tem comprovado ser eficaz, pelo menos para os estudos?
Se mantivermos a medicação e tentarmos este metódo, como iremos perceber se a sua eficácia se deve ao método ou ao medicamento?
Sinceramente, tenho muitas dúvidas e não tenho por hábito confiar muito nos remédios milagrosos.
O meu marido era, em criança, sem dúvida, hiperactivo, pelo que a mãe conta, pela sua forma de estar, hoje me dia, não tenho qualquer dúvida. Hoje, tem uma vida normal, claro que não trabalha num escritório, seria impossível para ele, claro que tenho por vezes dificuldade em acompanhá-lo, mas tem uma vida activa normal e é extremamente popular entre os colegas, pois com ele não falta boa disposição. E ele não teve a sorte de ser acompanhado, medicado, era catalogado de mal educado, de "burro", mas seguiu em frente e venceu sozinho.
Por isso, tento ter muita paciência, muita compreensão, já noto que ao chegar aos 9 anos o Gabriel, já está a modificar um pouco, embora ainda muito impulsivo. Penso que com a medicação, com o apoio no estudo, com reeducação da dislexia, conseguirá ultrapassar esta fase e ser um dia uma pessoa melhor e mais integrada.

De energia-a-mais a 28 de Julho de 2009 às 10:51
Olá Anabela! Concordo inteiramente contigo! Para mim também não faz sentido optar apenas por esta via, aliás tem sido demonstrado que estas crianças respondem melhor ao tratamento quando estão medicadas. Eu não poria o Rafa apenas com o método neurofeedback. No entanto acho que cada caso é um caso e por vezes crianças sem hiperactividade genética podem ter bons resultados sem recorrer a químicos.
Obrigada mais uma vez por aqui partilhares os teus pontos de vista, o teu filhote tem uma mãe empenhada e dedicada e por certo vai ser um adulto realizado (e tem o exemplo do pai que como dizes venceu sozinho!)
Beijinhos grandes

De mil sorrisos a 28 de Julho de 2009 às 15:10
Desconhecia por completo. Parece-me bastante interessante, mas não posso "dizer" mais nada por desconhecimento memso...
Beijos e mil Sorrisos
:o)))

De energia-a-mais a 28 de Julho de 2009 às 16:34
Pois, eu sei o conceito e entendo como funciona, porque já vi como se consegue «ver» estas ondas do cerebro em ECG, dado que o Rafa já fez. Claro que apesar de ser um método natural, temos de considerar que em muitos casos pode não resultar tão bem.
Beijinhos grandes

De cilinha a 28 de Julho de 2009 às 23:23
olá Teresa!!!!

ja tinha saudades de ler este teu cantinho , muitas vezes falei em ti com a minha irma , pois ela é seguidora deste blog apesar de nao comentar pois ela nao tem blog....mas ela ja me tinha contado alguns posts teus ... e essa tua surpresa que tens para nos dar...o que será?

e férias , nao tens ?????
bem precisavas para descansar essa tua cabecinha....

beijinhossssssssssss

De energia-a-mais a 28 de Julho de 2009 às 23:31
Olá amiga! Também eu já estava com saudades da sua visita aqui! ainda bem que voltou!
tenho novidades e são boooooas! e vou contar sim pois prometi que falava do assunto quando tudo fosse confirmado! amanhã penso ter um post sobre o assunto!
Férias? bem, para mim são mais um problema a resolver - tenho de combinar férias e regras, o que é difícil!!!
Beijoquinhas muitas e um beijinho à sua irmã e obrigada pelo vosso carinho!

De Jorge Alvoeiro a 13 de Setembro de 2009 às 21:12
Eu faço este tipo de terapia. Sou formado e doutorado na área da Psicofisiologia Clínica, que usa uma metodologia mais antiga para tratamento de problemas comportamentais chamado Biofeedback. O Neurofeedback, é uma técnica segura e faz com que as pessoas, crianças e adultos, melhorem a sua capacidade da atenção sem necessidade de fármacos, como a Ritalina. De facto, a Ritalina faz o que o Neurofeedback faz, que é aumentar a actividade cerebral das pessoas. Só que enquanto que a Ritalina aumenta esta actividade cerebral mesmo quando não é necessário, e daí o problema de algumas crianças terem visões sem as poderem controlar, o Neurofeedback treina a tenção para reagir a situações onde um aumento de atenção é necessário, como durante aulas na escola ou outro tipo de trabalho que envolve o uso da atenção por um período de tempo mais prolongado. Gosta de apontar também que, ao contrário do que muita gente pensa, as pessoas com TDAH, tem uma actividade cerebral mais lenta do que é normal. Assim sendo, estas pessoas têm que se movimentar para "acordarem". É isto que faz com que estas pessoas estejam constantemente a mexerem-se, porque se não o fizerem não conseguem captar os estímulos/informação à sua volta. O Neurofeedback faz este aumento de uma maneira natural e ao fim de 4/5 sessões as pessoas com estes problemas sentem-se mais despertas e com uma maior capacidade para aprender a interagir numa situação. Portanto, o meu conselho é fazer uma sessão com um especialista que tem conhecimento e treino comprovado no neurofeedback, e ver o que se passa. O custo por cada sessão varia, mas é na ordem de 75 euros por 90 minutos de terapia. Espero que isto tenha sido útil. Tudo bom. Prof. Dr. Jorge Alvoeiro, PhD, C.Psychol(UK)

De energia-a-mais a 14 de Setembro de 2009 às 10:29
Muito obrigada Dr. As suas informações foram muito importantes e úteis sem dúvida. Gostaria apenas de saber onde (zona do país) se encontra a trabalhar e se quiser deixar um contacto, dado que muitos pais procuram informação!
Cumprimentos

De Ana Sousa a 14 de Novembro de 2009 às 18:13
Vai abrir uma "extensão" da clinica do norte em Janeiro de 2010 no concelho de oeiras

De maria cardoso a 30 de Junho de 2010 às 19:43
Boa tarde

Gostaria que o Dr Jorge me informasse se tem conhecimento de alguém que use o neurofeedback, no tratamento do deficit de atenção, na zona de Oeiras ou próximo.

Desde já agradecendo
Com os melhores cumprimentos

Maria cardoso

De Mario Calado a 11 de Março de 2015 às 14:09
Bom dia,

Em lisboa tem esta clinica que faz neurofeedback e qeeg's. informe-se, eu andei lá com o meu filho e está sem medicação de momento (há 4 meses)

https://www.facebook.com/neurofeedbackpsicodinamica

De Rosaria Cabrita a 11 de Novembro de 2011 às 11:17
Bom dia.
Tenho uma filha que é hiperactiva e toma Ritalina.
Gostaria de saber onde poderei tratar a minha filha com esta terapia.
Resido no Algarve.
Cumprimentos.

De Jorge Alvoeiro a 15 de Setembro de 2009 às 14:10
Em resposta à sua pergunta, trabalho numa clínica em Almada, Clínica Vera Cruz, mas parece-me que também existe uma outra pessoa a fazer este tipo de intervenção na zona do Porto, para todos aqueles que vivem no norte.
Tudo bom,
Prof. Dr. Jorge Alvoeiro, PhD(Hull,UK),C.Psychol(BPS,UK)

De energia-a-mais a 15 de Setembro de 2009 às 23:14
Obrigada Doutor. Em breve passarei esta informação no blog, actualizando este post. Penso que no norte o Dr. se refere a uma clínica de nome Leroy e Brandão....pelo menos é a única de que tenho conhecimento a usar esta terapia...de qualquer modo o mais importante penso eu é divulgar para que mais pais conheçam e possam optar por outros tipos de intervenção como esta!
Meus cumprimentos e esteja à vontade para sugerir ou intervir neste blog sempre que considere pertinente

De luiz henrique a 17 de Setembro de 2009 às 19:23
olaa!!! gostaria de saber se esse tratamento tem em SP tanto na capital quanto no interior e quanto custa as sessoes, pois tenho um filho q com 3 anos ainda não fala e está sendo disgnosticado com algum transtorno. me respondão por favor desde já obrigado mandem email. luizeranervosa@hotmail.com

De energia-a-mais a 17 de Setembro de 2009 às 21:05
Olá Luiz, estou em Portugal mas já encaminhei a sua questão para quem de direito...fui informada que existe quem esteja a trabalhar com esta terapia aí no brasil! Em breve receberá um email com informação
Fique bem!

De Margarida Silva a 6 de Outubro de 2009 às 23:03
A terapia utilizada pelo prof doutor Jorge Alvoeiro ,é eficaz ,não so nesta patologia como em outras, sei do que falo pois tive a honra de trabalhar com ele , e espero continuar a aprender muito com ele.
Sou educadora de infância e realizei o mestrado em reabilitação cognitiva com este senhor do "CEREBRO"

De energia-a-mais a 6 de Outubro de 2009 às 23:20
Olá, em breve voltarei a referir este tratamento, destacando novamente este post!
Obrigada pelo contributo

De Sonia a 21 de Outubro de 2010 às 08:53
Bom dia Dr. Jorge,
Tenho um filho com 10 anos com sindrome de Asperger (nivel leve) que por consequência tem também défice de atenção, estou muito inclinada a tentar fazer o neurofeedback com ele, já tenho um contacto de uma psicoterapeuta aqui na Madeira, o meu filho tomou ritalina L.A . no ano passado e funcionou muito mal, primeiro começou com 10mg depois passou 20 e por fim 30mg , nunca funcionou, e quando tomou 30mg , ficou tão lento, que a professora até referiu que parecia zoombie, portanto fiquei com muito medo da medicação, apesar de não querer privá-lo de um tratamento, fiquei muito apreensiva neste momento tenho uma receita do neuropediatra para comprar concerta, mas ainda não o fiz. Só gostaria de saber a sua opnião quanto ao neurofeedback no caso de uma criança com sindrome asperger , com défice de atenção sem hiperactividade.
Obrigada.

De Paulo Rodrigues a 22 de Janeiro de 2012 às 12:48
Boa tarde,

Venho por este meio solicitar a informação de qual o terapeuta que pratica o neurofeedback cá na Madeira. E já agora, os resultados têm sido positivos?

Atentamente,

Sancho Rodrigues

De Fabio Pereira a 14 de Outubro de 2013 às 17:25
No Centermind fazem neurofeedback aqui na Madeira, basta ir ao site deles para mais informação

De sonia a 8 de Fevereiro de 2011 às 21:58
boa noite,
tenho um filho com quase 10 anos que tem apoios desde os 3. até hoje tem tido um desenvolvimento muito lento. mal identifica as cores, só alguns números e em determinados dias (por vezes penso que é quando lhe apetece ). Toma o rubifen 10 mg 3 vezes ao dia. Não é hiperactivo, nem tem qualquer diagnostico predefinido. No inicio foi asperger , deficit cognitivo, Dump , pel , sei lá mais o quê. Fizemos todos os exames possíveis e imaginários para tentar identificar o problema, pode ser uma dislexia fonominica , mas tb sem certezas. Somos de Gaia e gostava de pedir a sua ajuda. Será que este tratamento pode ajudar o meu pequeno? estamos numa fase de não saber o que fazer mais. O pequeno tem 3 horas de terapias particulares por semana , e 5 horas de ensino especial, numa escola publica, onde está integrado numa turma do 3º ano. todos tentamos tudo e não temos conseguido grandes passos.

De energia-a-mais a 10 de Fevereiro de 2011 às 23:29
Boa noite Sónia. Primeiro devo dizer-lhe que considero fundamental que o seu filho seja correctamente diagnosticado, antes de fazer qualquer tipo de medicação. Pelo que percebi (desculpe se me engano) não foi feito ainda um diagnóstico compatível com as características apresentadas. A toma de um psicoestimulante pode causar reacções adversas graves, caso não seja usado acertadamente.
No entanto e parece-me que já o terá feito, existem métodos de diagnóstico fiáveis, por norma através de equipas multidisciplinares por exemplo em consultas de desenvolvimento. Se optou pelo privado, quais as especialidades médicas que a aconselharam? Uma vez que é do Norte, já foi alguma vez ao Centro Diferenças? (existem pólos na zona norte)
O método aqui apresentado pode ser uma ajuda no entanto é reconhecidamente uma terapia que necessita ser aplicada por um especialista na matéria, o que pode dificultar a escolha.
Se quiser pode enviar-me um mail e trocaremos algumas opiniões: ludo-teresa@sapo.pt
Tudo de bom e força para continuar a lutar pelo futuro do seu filho

De Jarbas correa a 15 de Outubro de 2011 às 02:55
Boa noite Dr. Temos um filho de oito anos que tem um diagnostico de transtorno de conduta, e faz terapia alem da meleca psiquiatra que lhe passa a medicação, já fizemos de tudo mais sao muitos altos e baixo ao longo destes quatro anos detratamento, encontramos um proffissional que faz tratamento de neurofeedback em sp , mais como já fizemos de tudo estamos confusos em iniciar o treinamento, vc acha q para este tipo de transtorno teremo resultdo, hoje ele toma ritalina e consera. Obrigado



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