A Hiperactividade vista à lupa

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

 

 

Assunto: A Escola deveria ser de facto para todos! Alunos com NEE - Desabafo de Mãe

 


Olá a todos
Falo na qualidade de Professora de Educação Especial e mãe do Miguel, um garoto de 17 anos maravilhoso e inteligente, que sofreu muito na escola e ainda sofre, devido à incompreensão da sociedade em geral e do sistema, em particular. Embora ele tenha apenas transtorno do defice de atenção por hiperactividade (tipo misto) e dislexia, o seu percurso escolar atribulado permitiu-me "estar do outro lado" e entender o que é ser mãe e professora de uma criança especial. A ele devo o facto de ter deixado o ensino regular e ter voltado à Universidade para me especializar em Deficiência Mental e Motora e começar a trabalhar com estas crianças. Jamais me arrependerei do rumo que dei à minha vida, apesar de todos os dias trabalhar de escola em escola, só me apercebendo de que o tempo passou quando olho para o relógio e vejo que estou a  a trabalhar há 8 ou 10 horas, sem parar.
Em primeiro lugar, gostaria que soubessem que antes do aparecimento do Decreto-lei 3/2008 qualquer professor podia ser professor de Educação Especial. Havia especializados, mas poucos. Havia também equipas concelhias que apoiavam os pais e os professores e que os informavam.Essas equipas tinham gabinete próprio e materiais que disponibilizavam.
Quando começou a politica economicista, estas equipas foram extintas. Os professores que as constituiam regressaram às suas escolas. A formação dentro da escola por pessoal especializado e experiente deixou de existir.Quem passou a ser responsável pelas crianças com NEE foram os Conselhos Executivos.
Grande parte dos professores especializados como eu pagaram um a dois anos de formação em universidades privadas. Quando concluí  minha pós-graduação de 2 anos, a minha turma tinha muita gente habilitada para trabalhar e com sensibilidade para o fazer. Ainda hoje estão sem colocação.
Quando nos pediram para "peneirar" as crianças, de acordo com a CIF-CJ, passámos uma fase muito triste. Muitas crianças com graves dificuldades mas sem deficiências evidentes ficaram sem apoio.
Em segundo lugar, a presença de pessoal especializado prende-se com a regulamentação dos concursos. Nesta altura o caos que se vive nas escolas tem a ver com mudanças no sistema de gestão e alterações no corpo docente. Quando um agrupamento pede pessoal especializado depara com muita indiferença por parte do sistema. Recorre, então, aos professores que tem, sem formação ou "perfil" para trabalhar com estas crianças. Às vezes nem professores tem.
Os alunos com NEE, tal como os professores especializados, são uma minoria e, tal como todas as minorias, têm de se unir aos pais na defesa destas crianças. Frequentemente, como penso que todos sabem, o facto de criticarem o sistema ou de lutarem por melhores condições para os seus alunos, penaliza-os na sua avaliação...
Tenho uma aluna cujos pais lutam sozinhos há anos para que seja proporcionado tudo aquilo a que a filha tem direito. Quando lhes dizemos para se juntarem a outros pais para que todas as crianças com filhos especiais da freguesia possam ter as terapias e os transportes necessários, a resposta é sempre a mesma: " A minha obrigação é fazer tudo pela minha filha. Os outros que façam o mesmo !". Assim se fica em paz com a sua consciência e se vira costas aos outros...
Por isso admiro este grupo, porque é lutador e porque quando encetei as minhas batalhas não havia grupos assim. Bem hajam e tenham paciência com os professores das vossas crianças, na medida do possível. Acreditem que trabalhamos em péssimas condições, sem materiais e muitas vezes sem reconhecimento por parte dos colegas. Para nós, as nossas crianças estão acima de tudo!
Jacinta

 


Chegou-me por e-mail através de uma amiga que também é mãe de um menino especial! é um testemunho que nos obriga a reflectir e que espero tenha para voçês a importância que tem para mim

 

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postado energia-a-mais às 11:06

De Anabela a 23 de Setembro de 2009 às 12:27
É de facto um testemunho importante e que nos obriga a reflectir. Como é evidente, queremos o melhor para os nossos filhos e arranjamos forças para qualquer luta em defesa deles e dos seus direitos.
Sei também que a culpa não é dos professores e que, mesmo quando pouco sensibilizados, fazem o melhor.
A professora do Gabriel pouco sabia sobre o défice de atenção com hiperactividade e no início houve alguma relutância da parte dela, mas informou-se e apoiou o Gabriel do melhor que pôde e, quando chegou o diagnóstico de dislexia teve a humildade de confessar o seu total desconhecimento mas nunca deixou de empenhar-se em procurar ajuda solicitando apoio do ensino especial, apoio este que ainda aguardo apesar de todos os relatórios médicos.
Acredito que não seja fácil aos concelhos executivos conseguir responder a todos os pedidos, mas será justo para essas crianças ficarem sem apoio?
Será justo uma criança com sérias dificuldades de aprendizagem sentir-se diminuída em relação aos colegas, sentir que não é capaz e não ter o devido apoio?
Como mãe, tudo faço para acompanhar o meu filho e dar-lhe o melhor, mas não deveria ser o sistema educativo a dar respostas?

De energia-a-mais a 23 de Setembro de 2009 às 12:48
e é por tudo o que dizes que testemunhos destes são importantes e que os pais não devem cruzar os braços! porque sim, o sistema deve responder a estas situações mas para que o «sistema» o faça correctamente todos se devem envolver!
beijos muitos

De Maria Pereira a 23 de Setembro de 2009 às 15:42
Realmente não é fácil viver neste pais à beira mar plantado quando o mais importante é mesmo dar um Magalhães a todas as crianças... Mas testemunhos como este são importante, para reflectirmos sobre o que está errado no nosso pais

Beijocas grandes

De energia-a-mais a 23 de Setembro de 2009 às 20:08
é mesmo amiga! e beijocas pra ti também

p.s: já encontrei no sapo.videos o programa de ontem da Maria Elisa - outro assunto dos que precisam de muita reflexão não é? Muita força e tudo de bom - és uma mulher forte!!

De mil sorrisos a 23 de Setembro de 2009 às 22:02
Eu sei do que aqui se fala... Já tive de dar aulas a dois alunos surdos profundos, eu que não tenho nenhuma especialização na área... Os alunos NEE existem em todas as turmas e, infelizmente, o trabalho que se faz com eles não é, de forma nenhuma, adequado e individualizado como devia ser. Tenho peffeita noção disso e apenas posso fazer o que sei e tentar, da melhor maneira possível, prestar-lhes toda a ajuda que está ao meu alcance. Há casos complicadíssimos que requerem professores do Ensino Especial devidamente qualificados, mas infelizmente as escolas que têm uma equipa de Ensino Especial devidamente qualificada são muito poucas... É a Educação que temos...
Beijos e Mil Sorrisos
:o))

De energia-a-mais a 24 de Setembro de 2009 às 10:23
Pois é amiga! por vezes só se critica sem se perceber as dificuldades reais de quem dá o melhor de si todos os dias!
beijos muitos


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