A Hiperactividade vista à lupa

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

as coisas não têm andado nada pacíficas cá em casa. Na verdade já não sentia este descontrole desde que o Rafa foi confirmado como hiperactivo aos cinco anos. Nessa altura pode dizer-se que senti um certo alívio, pois ao aceitá-lo tal como é, pude libertar-me daquela sensação de culpa que tantas vezes nos acompanha, principalmente por achar-mos que falhamos a nossa missão. Assim e sobretudo no último ano, fiz as pazes comigo própria e tenho reagido ás suas crises com uma mistura de bom humor e optimismo que sempre fizeram parte do meu carácter (dizem que é por ser sagitariana, não sei, pelo menos tento ver sempre o lado positivo das coisas e descomplico tudo o que posso).

Dói por isso muito mais, constatar novamente, quão fràgil é na verdade a relação com o meu filho mais velho. Apesar da sua exigência em me ter por perto, apesar de eu saber que me respeita e me obedece (á sua maneira) mais do que a qualquer outra pessoa e da certeza da sua confiança em mim, sinto que tenho de me esforçar sempre mais, de me empenhar e de nunca dar como garantido o fio que nos une.

Desde o dia 14 que o Rafa está a adaptar-se á nova medicação - fiquei em ligar ao médico passados 8 dias, para verificar a eficàcia desta toma e se há necessidade de ajustes. Penso que o que o está a alterar (na verdade a regressar ao que mais me assusta - a agressividade) não será tanto a mudança do Ritalina para o Concerta mas sim, a falta que lhe faz o medicamento que lhe controla a instabilidade de humor e e o tal comportamento disruptivo - a agressividade (hoje até fiz uma experiência, pois como o médico me aconselhou a dar-lho em SOS, eu que vivi estes três últimos dias em perfeita alucinação dei-lho pela manhã e o resultado foi logo outro - o seu comportamento melhorou de modo significativo).

O meu receio é que toda esta situação afecte de forma irremediável o irmão mais novo. Pois se ele assiste a tantas cenas de gritaria e de agressão, claro que não fica indiferente. Tanto mais que já noto no Francisco sintomas desta tensão, quando se irrita ele morde-se ás vezes até fazer sangue e arranca literalmente os cabelos (os dele!), também grita imenso quando se apercebe de que o irmão está a virar-se a mim. É muito frustrante tentar manter a calma quando tenho de atender aos dois ao mesmo tempo. O pior é que nos últimos dias (talvez por ser aquela altura do mês) não tenho sequer conseguido manter o meu sangue frio e acabo por gritar cada vez mais alto e responder aos seus pontapés, socos e encontrões com ruidosas e dolorosas estaladonas. Espero que o meu telefonema de amanhã para o Dr. Luís me dê mais tranquilidade e que o meu Rafa consiga adaptar-se a esta nova fase rapidamente (mesmo que tenha de regressar a mais um comprimido por dia), de outro modo não sei quantos mais dias poderei aguentar.

Bom, o que vale é que tão depressa como me vou a baixo, encontro maneira de voltar a pôr-me de pé, por isso espero que o meu discurso dos próximos dias volte a mostrar toda a minha esperança e boa energia...

postado energia-a-mais às 00:54

De Filipa a 23 de Junho de 2008 às 14:44
Oh Teresa, vim aqui ao teu cantinho para " me meter contigo" cantando-te uma cantiga alusiva ao S. João e dou com um post tão "tenso". Nem sei muito bem o que te diga ... eu compreendo tão bem essa situação, pois vivenciei-a largos anos, assistindo impotente ao descambar da situação. Como sabes, o meu filho nunca chegou a tomar a medicação,pois sempre a recusou. A unica medicação que lhe prescreveram foi o Risperdal, para depois dar inicio à Ritalina, mas nunca chegámos a essa fase. A impulsividade e a agressividade sem medicação ou com medicação desajustada torna-se uma constante ....e é muito dificil lidar com ela, principalmente quando temos outros filhos que assistem à desordem, instabilidade, confusão, stress e não poucas vezes à falta de respeito levada ao limite. Se a família é um espelho para os filhos, como é que serão os nossos filhos mais novos assistindo a estes episódios. O mais certo é termos mais um longo caminho a percorrer ... a caminho do psicologo, ou seja acaba por ser uma bola de neve de desespero e de impotencia. Gostava de te deixar umas palavras de ânimo ... mas seria hipócrita se o fizesse ... a verdadade é que embora utilizando várias técnicas, nunca fui capaz de resolver o problema, e este foi sempre aumentando tornando-se um grande "monstro" na minha vida e na criação da minha instabilidade como pessoa, e na instabilidade do meu lar. Acho que aquilo que nos pedem é desumano ... eu sou uma verdadeira força da natureza (como me dizem, e eu acredito que sim) mas senti-me sempre esgotada, fora de controlo e essencialmente ... impotente ... e não poucas vezes incompreendida, pois estes queridos meninos que nós muito amamos, aos poucos acabam connosco. Não te vou dizer para teres calma, que tudo se resolverá ... pois se o fizesse, acabaria por te dizer o que te dizem as pessoas que nunca passaram por este "calvário". Não é legítimo que se exija calma, paciencia, tolerância .... enquanto estivermos com o nosso juízo perfeito ... não é possível .... não há como não reagir. Quando estivermos nas lonas já nos podem pedir tudo .... começamos a achar que já estamos por tudo ... e afinal de contas qual é o problema de termos o nosso filho pendurado no candeeiro? O maximo que pode acontecer é o candeeiro partir-se e ele cortar-se .... mas será que isso interessa alguma coisa? nessa altura já não!!!!
Minha querida Teresa, no meio do teu desespero tenta arranjar a solução mais racional, se é que isso é possível ..... pensa no teu Francisco!!! Aqui te deixo um grande beijinho e um abraço muito apertadinho de carinho e de compreensão. Pede ajuda à tua mãe ... passeia um bocadinho para te acalmares e recarregares baterias!!! Infelizmente não podemos baixar os braços, não há como desistir ... só nos resta encarar o touro (doença) de frente!!!

Beijos

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