A Hiperactividade vista à lupa

Domingo, 06 de Dezembro de 2009

muitos dos comportamentos do Rafa

 

sei o que os pode despoletar, embora ainda esteja longe de os entender a 100% - acho que ninguém o poderá saber dessa forma...mas pelo menos percebo porque tem certas atitudes que para muitas pessoas são sinónimo de indisciplina ou má educação

 

Eu podia dar explicações absolutamente correctas para que «os outros» vissem os porquês e entendessem as razões de certos momentos que parecem de loucos...e muitas vezes até o faço!

Quase sempre em público, quando as crises são graves e não podem ser «ignoradas» eu lá avanço com os conhecimentos de  causa e explico para que não seja olhado severamente, nem julgado pelas aparências...mas outras vezes, seja pelo desgaste, seja pela raiva da altura ou simplesmente por falta de tempo, acabo por deixar de lado as explicações...

 

não levo os meus filhos muitas vezes para locais propícios ao despropósito da implulsividade - sei da dificuldade em os controlar e entendo que os devo preservar da mesquinhez e da insensibilidade de alguns e mesmo da instabilidade desses locais públicos. Por isso, para nós, ir a restaurantes, shopping ou locais de culto (igrejas e festas por exemplo) só em ocasiões bem planeadas e quando acho que o benefício de uma saída compensa o risco...

Quando o faço, ponho os miudos ao corrente algum tempo antes (mas não demasiado para não fazer subir a ansiedade) e digo-lhes o que é esperado acontecer - isso é muito importante porque o enfrentarem algo fora da rotina sem saberem o que esperar, tem um efeito tremendo. Posso dar o exemplo do café - quando quero ir tomar um simples café e tenho de levar o Rafa (e agora o Quico) necessito de lhe dizer claramente o que pode fazer enquanto eu tomo café, tenho de o verbalizar «a mãe vai tomar café, tu podes tomar um pingo - quando chegar-mos sentas e esperas que nos atendam e pedes o teu pingo» Se o não fizer, arrisco a não o conseguir levar ou então, assim que entra no café é certo que fica desatinado e faz o que lhe passar pela cabeça - vê tanta coisa que quer tudo, mexe em tudo e nunca espera pela sua vez...

 

Disse ao Rafa que ía ao shopping - sim, depois de tantos dias em casa e sem alternativa viável por causa do tempo e da dificuldade em levá-los de carro, tinha de sair para arejar as ideias e deixar gastar alguma energia...

Eles iam entusiasmados para experimentarem as máquinas de jogos que estavam junto aos cinemas e claro, comer no shopping

 

E quando as coisas não acontecem como o esperado? as máquinas não estavam em funcionamento, algo que não foi nada fácil de explicar ao Rafa. Completamente frustrado e sem saber gerir essa frustração de outro modo, ele virou-se a mim. Junto à entrada para as salas de cinema e perante os olhares (e os comentários) de quem lá estava, saíram murros e pontapés e muitos gritos à mistura. Palavrões, chutos ao avô e empurrões a toda a gente...Perante o alarmismo do Quico eu quis levá-los para outra zona e tentar distraí-los mas o Rafa estava tão fora de si que demorou imenso tempo para aceitar ouvir...

Finalmente levei-os para a zona da restauração, ele como sempre foi o primeiro a chegar e quis fazer o pedido. Tão agitado que subiu para o balcão e foi alvo de muitos reparos de adultos esfomeados e tensos ou com alguns complexos, pelo menos a julgar pela forma como falavam para ele. Lá dei algumas (poucas) explicações e consegui que o atendessem. Depois de uma troca de menus e com o empregado baralhado o Rafa trouxe o que não queria - não queria queijo, veio com queijo...Já a reacção destemperada levou os seguranças a virem ao local - pão, alface e tomate pelo ar, gritos, pontapés e muita confusão, ele corre até ao balcão e faz novo pedido... e traz novo pão que acaba por fazer companhia ao primeiro pois a essa altura já nada era importante e o Rafa queria mesmo era dar «conta» de toda a energia que lhe consumia o corpo e o espírito...

Pela escada rolante abaixo, com o Quico ao colo e com vários olhos espetados em mim, só me apetecia sair dali para fora sem dar explicações...

 

Porque às vezes por mais que tente mudar o rumo dos acontecimentos acredito que o facto de os viver, serve para manter intacta a minha capacidade de luta interior. Se tiver de os explicar a todo o instante, perco a expontaneidade que tanto me ajuda...ou, se quiser ser ainda mais sincera comigo própria às vezes estou-me nas tintas para os outros e não explico porque

 

não me apetece!

 

 

 

sinto-me: pouco explicadora!
postado energia-a-mais às 23:46

De a 7 de Dezembro de 2009 às 10:18
Bom dia Teresa. Ao ler este post dou-me conta do quanto podemos ser maus juizes. E também da fortaleza de mãe que tu és.
E fazes muito bem. Vai onde te apetecer com eles. Não são nenhuns criminosos (mesmo esses andam por aí à vontade). Então desde que tu consigas lidar com isso, vai sim. E não te apetece explicar. Mas explicar o quê?
Beijinhos grandes

De energia-a-mais a 7 de Dezembro de 2009 às 10:56
Obrigada querida! é que às vezes sinto que não tenho mesmo nada a dizer a ninguém - são meus filhos!
beijos muitos e boa semana

De mother_24 a 7 de Dezembro de 2009 às 10:37
Nem mais... quem quiser perceber que perceba quem não quiser que mude-se!
Realmente passar a vida a ateceder o que se irá passar não é viver de todo!

jocas

De energia-a-mais a 7 de Dezembro de 2009 às 11:01
ai amiga...se não tiver que explicar é bem melhor...
ainda bem que cada vez mais gente entende!
jocas grandes

De Antes assim... a 7 de Dezembro de 2009 às 16:37
É uma pena que nem toda a gente aqui chegue e e leia as tuas palavras, e veja os teus exemplos na primeira pessoa... Pergunto-me a mim mesma, quantas vezes terei eu própria julgado mal alguma atitude menos incompreensiva por parte de alguma criança e/ou respectivos pais? Quando não se sabe, não se comenta... e eu aprendi isso, depois de ser mãe, e muito com o teu exemplo de vida com os teus meninos!!
E sinceramente, com o meu feitio, acho que se estivesse na tua situação, a maior parte das vezes não teria mesmo a mínima paciência de explicar. Quando a expressão que se vê na cara das pessoas é de desprezo, discordância ou recriminação e não de apenas surpresa ou vontade de se ser solidário - o que pode começar apenas por deixar de ficar a olhar - não vale mesmo a pena!
Beijinhos

De energia-a-mais a 7 de Dezembro de 2009 às 23:19
Olá amiga! obrigada pelo teu carinho...infelizmente nem todos aprendem a ser mais tolerantes e, mesmo tendo filhos e não conheçam o futuro só sabem apontar o dedo aos outros...
beijocas e bom feriado!

De cilinha a 7 de Dezembro de 2009 às 20:39
olá Teresa ... olha eu pergunto ...mas que tens tu que dar explicações por aquilo que os teus filhos fazem ?????
eu penso que não tens que dar explicações a ninguem, e acho que tens de ir a todos os sitios que te apetecer com eles , os teus filhos tem esses problemas ...e aqueles que não tem e portam-se tão mal ????

desculpa mas é o que eu penso ...ñão vais fechar-te em casa com eles ...e quem nao gostar que nao olhe ..tu és superior a isso tudo ...

um bom feriado para ti amiga ...

beijokasgrandes

De energia-a-mais a 7 de Dezembro de 2009 às 23:23
bem Cilinha, espero nunca chegar ao ponto de uma mãe que conheci que para «evitar» que o filho criasse problemas, nunca o levava a lado nenhum e nem deixava o miúdo participar nas actividades da escola como festas ou saídas...isso sim é criar cada vez mais diferenças na criança!
beijos muitos e bom feriado

De Antonio a 7 de Dezembro de 2009 às 21:58
Olá, Teresa

Eu passo também por isso tudo com o meu filho. Até já de psicólogos levámos repreensões por não o sabermos "disciplinar", quanto mais... O pior não é quando as pessoas olham, isso é natural e humano, o pior é quando as pessoas acham que devem comentar e até, por vezes, repreender-nos em publico. Já não nos basta o stress de lidar com as crianças, arranjar esquemas para as distrair, acalmar, ainda se tem de lidar com adultos que, eles sim, são mal educados. É fazer como os ingleses: não se dá explicações e mais nada.

Um abraço

De energia-a-mais a 7 de Dezembro de 2009 às 23:30
lol! sim, nisso os ingleses são bem mais pragmáticos! mas o que me preocupa António, é que se nós sentimos essa necessidade de explicar, é porque ainda carregamos o tal «fardo» da culpa interior...e isso é que nós devemos combater!
tal como diz se já o stress da situação nos deixa desgastados ainda temos de levar com a repreensão dos outros? nós tambem temos de manter uma vida social activa, até para bem dos miúdos!
um forte abraço e que tenham um feriado agradável

De mil sorrisos a 7 de Dezembro de 2009 às 22:13
A forma como lidas com os teus meninos nas alturas de crise - e nas outras - é exemplar. Que os outros pensem, digam, imaginem o que entenderem - nunca duvides que a razão está contigo. Tu sabes, tu ages em conformidade... O resto que se dane...
Beijos e mil Sorrisos
:o)))

De energia-a-mais a 7 de Dezembro de 2009 às 23:33
amiga, o teu apoio é uma boa arma para mim! deixas-me sempre mais fortalecida nas minhas posições...afinal se resolvi manter um blogue com discussão aberta foi porque o feedback me importa!
beijos grandes e um feriado bem passado!

De Mónica a 7 de Dezembro de 2009 às 22:25
... e eu? estou contigo! Nas tintas para o pessoal que olha e faz comentários! força aí!! beijinhos Mónica

De energia-a-mais a 7 de Dezembro de 2009 às 23:49
ainda se fosse para ajudar...ás vezes até o saco tenho de deixar para correr atrás dele e achas que alguém se levanta para mo trazer?
olha beijos muitos e bom feriado

De Pacotinhos de pipocas a 8 de Dezembro de 2009 às 12:45
Olá Teresa,

as situações que relatas são complicadas e a forma consciente e sábia como lidas com elas, é de tirar o chapéu.


E olha que por vezes os adultos conseguem portar-se mt pior que as crianças ...

Explicações?! A quem as mereça, só.

Beijo grande
BOM FERIADO

De energia-a-mais a 8 de Dezembro de 2009 às 18:23
Olá amiga! frase sábia a tua - a quem merece de facto, não tenho qualquer problema em explicar
de todos nós uma beijoca grande

De trocalinhas a 8 de Dezembro de 2009 às 21:21
Estive a ler com atenção tudo o que aqui foi dito e é bem verdade tudo tem de ser planeado antes mas e dps como é? os nossos meninos vão saber resolver algum dia aquela situação inesperadas ?a minha filha sempre foi posta de parte em tudo, nunca a deixavam sozinha sempre com os olhos nela, ela era somente a burra das laranjas, tudo o que aparecia mal feito era a Ana, deixou de querer ir aos passeios da escola pq ia sempre sentada ao pé da professora e nas visitas ia de mão dada com ela, nas peças de teatro era sempre os papeis piores, uma vez na peça "Ali Baba e os 40 ladroes", as amiguinhas iam todas pintadas e de barriguinha á mostra a minha filha foi fazer de porta, eles diziam abre-te sésamo e ela abria tadinha eu tentava sempre desvalorizar a situação para ela não ficar triste, por isso Teresa deixe os seus meninos irem a todos os lugares que queiram e não dê explicações a ninguém bjos

De energia-a-mais a 9 de Dezembro de 2009 às 10:16
isso assusta-me Leonor! o Rafa não passou ainda nada parecido porque eu não o permito - sempre participo em tudo e faço de tudo para que não seja excluído. Claro que há pequenas coisas que mostram atitudes menos correctas para com ele mas pelo menos na escola eu exijo que seja tratado em igualdade!
a Leonor também deixa aqui outra reflexão importante - será que quando tiverem de enfrentar a realidade sem a ajuda da mãe/pai, os nossos meninos o conseguem fazer? só espero que a sociedade mude o suficiente para que isso seja possível!
beijos muitos

De C. a 8 de Dezembro de 2009 às 21:49
Sei que é mais fácil falar do que fazer mas...QUE SE LIXEM OS OUTROS!!!! Vive a tua vida como podes e fazes. Se não entendem e não querem entender, problema deles. O importante é seres feliz, os teus filhos serem felizes, todos serem felizes na família.
Boa semana ;)

De energia-a-mais a 9 de Dezembro de 2009 às 10:19
olha, tens toda a razão! tudo tem a ver com ser feliz - se eles estiverem bem, nós também estamos e a família feliz faz toda a diferença!
beijos grandes


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