Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

Energia a Mais

A Hiperactividade vista à lupa

01.Mar.10

Com os amigos


podemos sentir certos constrangimentos ao darmos uma opinião que sabemos ir colidir com aquilo que pensam e com aquilo que são as suas expectativas

 

nem sempre é fácil abordar um tema que sabemos ser mais sensível e que pode até ferir a relação de amizade (se bem que acredite que numa verdadeira amizade, a aceitação e o respeito são a palavra chave)

 

Encontro-me numa situação destas e não sei bem como agir...se deixo o assunto e não sou totalmente sincera, se digo o que penso realmente e espero que a reacção seja honesta

 

tenho desde alguns anos uma amizade com uma que foi minha colega de trabalho e partilhamos desde então,muitos anseios normais de quem é mãe.

Essa amiga descobriu  a questão da hiperactividade nas conversas que temos tido, pois como ela própria é mãe de uma criança da mesma idade do meu Rafa, naturalmente abordamos essa questão.

Nos primeiros tempos de escola a filha da minha amiga não teve grandes sinais de alerta - a mãe trabalha fora, a menina sempre ficou no infantário, depois a pré e passou para o ensino básico sem referências de algum tipo de problemas a não ser o típico ajuste a uma nova realidade.

Ora foi aí que começaram os «avisos». Nessa altura morreu a avó da minha amiga, com quem a menina sempre passara muito tempo e era muito ligada, isso a par com a entrada numa escola nova, uma nova realidade e com a mãe a passar por um período menos bom (superar a morte da avó e ultrapassar um estado de desemprego do marido) acabaram por fazer com que o comportamento dela reflectisse um estado de muita ansiedade e talvez uma imagem desadequada aos olhos da professora.

Ora a professora achou melhor pedir um relatório de avaliação psicológica, dado que considerava a menina muito irrequieta dentro da sala de aula, uma vez que ela nem se sentava direita na cadeira e levantava-se muitas vezes para conversar...eu sei que posso estar a exagerar mas a mim parece-me que se pedem relatórios com muita ligeireza (talvez haja uma necessidade de «sacudir» a água do capote, como quem diz, desresponsabilizar logo no início...)

Baseados nesse relatório, foram aconselhados a levarem a criança a uma consulta, tendo sido logo na primeira e sem alguns dos testes que deveriam fazer parte da despistagem, prescritos medicamentos para a hiperactividade da menina!

Logo que iniciou a medicação, o comportamento da menina nunca mais foi o mesmo - já tenho refrido os sinais de que a medicação pode não estar a actuar correctamente, significando isso, por norma, que a criança está mal diagnosticada...

Pois acho muito sinceramente que foi isso que aconteceu - ela mostrou-se muito mais agitada depois de tomar os psicoestimulantes (ritalina e depois ritalina + rubifen) e começou a ter dificuldades em adormeçer - coisa que não acontecia antes, mostra-se muito mais irritada e passa por períodos diagnosticados como depressivos (tudo sintomas ou consequências de uma desasjutada reacção do organismo a uma substância que não necessita).

Penso que teria um resultado muito positivo se a criança estivesse a ser seguida em psicologia e muito provavelmente sem recorrer a fármacos para a hiperactividade!

 

Devo eu, já que a minha amiga me pede orientação (dado que a R. está cada vez mais difícil de se manter estável e tem andado sucessivamente em depressões) dar-lhe esta minha opinião de que ela deveria levar a filha a uma nova consulta para obter um novo diagnóstico? dizer-lhe que para os pais certamente é um alívio quando se confirma um veredicto, pois nasce a esperança de um correcto acompanhamento, mas que infelizmente nem sempre o que ouvimos primeiro está certo? e que ela deveria pedir mais testes e até exames como TAC ou electro?

 

Estou angustiada com esta situação pois tenho tantas experiências com crianças realmente hiperactivas (não só o Rafa) e não reconheço as características básicas na R.! Ela é uma criança que sabe comportar-se em público, vai a restaurantes, padarias, igrejas, escuteiros, etc e não tem qualquer reacção desajustada (mesmo sem medicação...) Consegue bons resultados na escola e apenas tem momentos complicados pela pressão a que a sujeitam precisamente na escola! Isto é, em casa e em público está normal, na escola mostra desagrado - isso não é hiperactividade!

 

No entanto a minha amiga não se mostra nada receptiva a ter de procurar uma segunda opinião médica! ela acha que é uma questão de dose da medicação ou dar-lhe mais medicamentos para a depressão....

 

O que fariam voçês?

 

 

 

20 comentários

Comentar post

Pág. 1/2