A Hiperactividade vista à lupa

Quinta-feira, 13 de Março de 2014

 

de estudo a uma criança com PHDA é fundamental!

 

 

Para começar, quem lida com miúdos portadores de PHDA sabe perfeitamente que a escola é um dos contextos onde as caraterísticas da perturbação mais se fazem sentir. E onde é mais difícil ajustar comportamentos e estratégias, pois desse ajustamento resulta o sucesso ou insucesso do percurso académico!

Método de estudo é coisa que basicamente não existe num portador de PHDA! aliado a todas as outras dificuldades - como a concentração, a impulsividade, a desorganização - esta falta de método resulta numa ineficácia da maioria das tentativas de estudo. Desde muito cedo se tornou para mim evidente que o Rafa nunca conseguiria sozinho, orientar-se nas tarefas escolares. TPC, testes e fichas de avaliação são temas de muito debate cá em casa, sobretudo agora que já frequenta o 7º ano de escolaridade!

 

Para o meu filho mais velho, os resultados escolares nunca foram maus, na verdade as notas da pauta refletem a sua capacidade a nível de memorização (especialmente a visual e auditiva) e uma inata facilidade para matérias que a outros provocam mais dificuldades e só pecam porque o comportamento dele em sala de aula, sempre muito falador, impulsivo, inquieto, se confunde (na cabeça dos professores) com falta de respeito e indisciplina - em vez de cincos, leva quatros embora os testes sejam de 90% para cima...enfim! não é no entanto o resultado em si que está em causa. Como qualquer mãe preocupa-me que um dia, a falta de disciplina de estudo o deixe ficar para trás. Não me importo particularmente com o que vem nas pautas, o que quero é que entenda que na vida é necessário esforço e que só o seu empenho significa que está realmente a dar o seu melhor...

 

Explicar esse conceito ao meu rapaz é que já é mais complicado. Com a sua habitual impulsividade costuma responder-me torto, observando que não precisa de estudar para tirar mais porque o que tira é suficiente! além disso, nunca está preparado para encontrar um método que lhe seja adequado, simplesmente porque não se sente motivado para nenhuma matéria, ou disciplina. Imaginam o que isto tem sido em períodos de testes? pois...

 

Estratégias nunca me faltaram, desde adaptar o local de estudo às caraterísticas de um miúdo que se distrai ao mínimo estímulo, a ajustar medicação e hora da toma, a utilizar o sistema de reforço positivo, o uso de recompensa em função dos objetivos (coisas que resultam em tarefas de curta duração e em que os objetivos estão bem definidos) e muita, mesmo muita paciência!

 

Agora optei por mais uma área de intervenção. O Rafa é absolutamente obcecado por jogos de computador. Não é qualquer tipo de jogo que lhe prende a atenção. São jogos de estratégia em que a lógica prevalece e ele se sente o rei da cena. Todos os colegas o admiram e pelo que vejo ele está sempre nos lugares cimeiros dos rankings internacionais, cujas disputas são renhidas e obedecem a um critério de excelência. Tanto que já recebeu prémios e convites para fazer parte de equipas que disputam os tais rankings muito a sério. Eu tento não cortar esse tipo de interesse, até incentivo mas sempre vou vigiando e às vezes tenho mesmo de impor a minha autoridade para impedir que ultrapasse os limites de tempo ao pc. Mas ele acaba por passar muito tempo mesmo!!

 

Decidi então utilizar esse interesse para o pôr a estudar. Como nos jogos ele está por norma ligado com os colegas via skype, quase todos colegas da mesma turma, acabei por achar que podia resultar. Assim, expliquei que podiam utilizar essa ferramenta para estudarem em conjunto, cada um deles tem as suas dificuldades e assim acabariam por se ajudar. O Rafa no início não estava muito interessado, porque estudar é uma seca...mas como falei em ter o apoio dos colegas, poderem tirar dúvidas entre eles, lá se decidiu a experimentar. E assim, munidos dos respetivos cadernos, com alguma vigilância da minha parte reuniram-se três colegas e fizeram uma tarefa de grupo que se revelou gratificante. O Rafa por exemplo é bastante rápido nas tecnologias e sempre que tinham dúvidas lá se punha a pesquisar, enquanto os outros preparavam os resumos. Às tantas perceberam que se estavam a ajudar e que estavam realmente a estudar!

 

Fizeram isso por agora para duas disciplinas e a julgar pelo que contam tencionam continuar pois os testes correram bem, embora ainda não tenham os resultados «oficiais»!

 

Ora, tendo em conta que tantas vezes nós temos a ideia de que os estímulos devem ser banidos para que seja possível uma maior concentração (o que é verdade!) e tendo em conta que para terem o pc ligado, estímulos não faltam, evidente que sempre considerei errado utilizar essa ferramenta. No entanto, se orientado, essa pode ser uma aliada, estas crianças que sofrem de hiperatividade conseguem atingir um bom nível de concentração quando estimulados através de jogos, computadores ou consolas.

 

Gostava de saber o que acham os pais de crianças com hiperatividade sobre este assunto. Alguém utiliza este recurso? e o que pensam de se tirar partido desta «queda» para as tecnologias como uma possível área de trabalho no futuro? Há muito que me interesso por estudos ligados a programas e software pensados para intervenções com crianças portadoras de certas perturbações, como o autismo, a dislexia, a hiperatividade, etc. Gostava de partilhar algumas experiências nessa área, não só com outros pais/educadores, como com profissionais que trabalhem ou pensem trabalhar esta temática. Aqui fica o desafio, podem contactar pelo blogue ou através do email ludo-teresa@sapo.pt.

 

postado energia-a-mais às 10:38

Segunda-feira, 03 de Fevereiro de 2014

 

«o Francisco teve um comportamento perturbador, constantemente falando e brincando com os colegas durante a última semana o que impediu o normal funcionamento da aula. Se este comportamento se mantiver será feita uma ocorrência. Mais informo que a segunda ocorrência será levada ao conhecimento do diretor da escola e a terceira ao diretor do agrupamento.»

 

e de modos que é assim...desanimada com isto. Comportamento perturbador é o quê exatamente num miúdo com PHDA? de cada vez que temos um passo para a frente, levamos com dois para trás...o recado veio no fim de semana, poucos dias depois de ter tido uma conversa com a professora, onde me foi dito que «o Francisco melhorou em termos de aprendizagem...» e que «deveria usufruir de maior flexibilidade no modo como se lida com ele na sala de aula e nas exigências que lhe são feitas» nomeadamente a nível de comportamento esperado...

 

Já disse isto várias vezes, um comprimido não é «milagroso» e não significa que de um dia para o outro, tudo vai correr bem. Cada caso é um caso e o organismo de cada um, é único, reagindo por isso de modo diverso. O Quico sofre imenso com os efeitos secundários mais graves deste tipo de medicação. Está constantemente com dores de cabeça e abdominais, tem náuseas matinais, sofre com a perda de apetite total...não tem sido fácil ajustar a medicação - por um lado a necessidade de aumentar a dose, por outro a necessidade de manter controlados os efeitos mais indesejáveis...

 

Fruto com certeza dessa maior instabilidade, o Quico tem andado muito desmotivado em relação à escola e os progressos que se notavam antes (sobretudo o querer fazer os trabalhos na sala, os tpc, o ir para a escola sorridente e confiante) estão rapidamente a esmorecer! e eu também..confesso! isto apanha-me num momento de conjuntura pessoal desfavorável. Estou cada vez menos esperançada quanto ao meu futuro profissional porque as ideias esbarram invariavelmente no único ponto que interessa - o financeiro. Sem investimento não há ideias que avancem...

Junte-se o Rafa com as suas exigências e desgaste psicológico, o marido ausente e um andar dos anos que se fazem notar a cada segundo...

 

Não, decididamente este arranque de um novo ano, não trouxe bons ares para estes lados...e isto é já tão recorrente que descofio que «encalhei»!

 

e por isso o blog está também a «encalhar» de vez... 

 

 

postado energia-a-mais às 13:50

Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

 

 

Que sei eu? afinal sou só uma mãe...que por acaso tem um filho com PHDA, cujo rótulo é suficiente para que na escola haja discriminação...que por outro acaso, coordena um núcleo de apoio a pais com miúdos «rotulados» e que por isso já foi chamada a intervir em várias situações em diferentes escolas

 

Na verdade, encontro muitas vezes situações de conflito entre pares, nos mais diferentes contextos muitos deles com crianças/adolescentes que sofrem por serem «diferentes». O que me desagrada é ver que na maioria dos casos onde a APCH tenta intervir (a pedido, por norma, dos pais das crianças vítimas) nem sequer somos autorizados...porque as escolas insistem em tratar dos assuntos a nível interno - mais, fazem-no às portas fechadas, tão fechadas que pura e simplesmente nem admitem ter um problema.

 

Por que razão isso acontece? Acho que por uma questão de mentalidades! Quando ouço pessoas mais velhas virem dizer que «no meu tempo, isto também existia, não se dava era esse nome» não posso dizer que concordo! Verdade que existiram desde sempre miúdos abusadores e miúdos abusados, só que os tempos são outros e as vítimas de hoje enfrentam muito mais do que um bando de rufias com ar de mandões, rufias que nem sempre levavam a melhor...agora a dimensão é outra! E o problema tem de ser resolvido com outras estratégias. Nas escolas de hoje, não se passa o mesmo que nas escolas de ontem! Basta entrar numa escola atual, num mega agrupamento, numa EB 2/3 para perceber que muita coisa mudou. Que os nomes estrangeiros que por cá se usam não podem ser usados com o significado do antigamente...refletem realidades atuais bem diferentes, onde a simples «postagem» num facebook altera o mundo dos envolvidos para sempre!

 

Numa das situações em que nos solicitaram ajuda para dialogar com a escola, foi-nos recusado o acesso pelo diretor, noutra, apesar de os pais nos terem facultado o acesso ao processo de acompanhamento psicológico, nunca conseguimos marcar encontro com o psicólogo da escola por este alegar sempre falta de disponibilidade...depois quando surgem casos destes, há sempre uma espécie de «camuflagem» e a tentativa de relacionar o suicídio com outros problemas, nunca com o bullying...«Suicídio de aluno afinal pode não ter sido bullying»

 

Acredito que nem todos os casos são exatamente o que parecem, muitos não serão certamente bullying mas a verdade é que a escola tem de encontrar meios para olhar mais de perto para os alunos, perceber o que está por trás de certos comportamentos, das tais dificuldades de aprendizagem (tantas vezes o estômago vazio impede a aprendizagem, o mau comportamento expressa uma realidade que nada tem a ver com indisciplina!). Tantos cortes em coisas tão essenciais como a contratação de profissionais da área da psicologia, agrupamentos de 2000 alunos com apenas um psicólogo a acompanhar...eu posso não perceber nada do assunto mas sei que isto não vai dar a bom porto!

 

 

postado energia-a-mais às 11:30

Terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

 

 

que se vê obrigada a resolver de forma prática as mais variadas «impulsividades»

 

Se às vezes me parece que o Rafa vai dando mostras de alguma maturidade, outras tantas mostram-me o oposto - a infantilidade dele raia muitas vezes o impossível...

Como na manhã de segunda feira em que teimosamente se recusava ir à escola - argumento? o irmão foi autorizado a ficar em casa (dado que se encontrava a recuperar de uma infeção na garganta, facto que para o Rafa era irrelevante!) logo, ele teria de ficar também....e de nada valia contra argumentar porque ele simplesmente nem nos ouve! parece-me nessas alturas absurdo vê-lo tão irredutível na sua teimosia, com quase 13 anos, será que não entende??? mas depois lembro-me que não estamos perante uma questão de vontade...o Rafa não consegue, não porque não queira mas porque não pode. E nem sempre fica fácil aceitar...

 

De qualquer modo, lidar com estas situações é quase o pão-nosso-de-cada-dia! e claro, há coisas que vou aprendendo. Por exemplo, se quiser fazer braço de ferro com o Rafa, tenho de me certificar de que disponho de pelo menos dois recursos inesgotáveis - paciência e tempo! ora nem sempre disponho de ambos, assim, do pé para a mão! então há que encontrar outros recursos...

 

Recuar nem sempre significa perder...por vezes tenho de recuar para ganhar em estratégia! e foi o que fiz, recorrendo a outro recurso de que as mães são peritas - a determinação! Assim, em vez de perder tempo a discutir com ele, simplesmente desisti e parti para o contra golpe. Ignorei a sua teimosia e marquei no relógio o tempo que tinha para se acabar de arranjar de modo a sair de casa, se não estivesse pronto na hora determinda eu, entretanto já pronta, saíria naquele instante e iria ter à comissão de proteção de menores para que alguém ficasse responsável pela sua ida à escola. Como a determinação está escrita no meu olhar, o Rafa começou a dar sinais de ceder. Acabou por, embora relutantemente e sob protesto, terminar a tarefa de se vestir e arranjar. E saiu quase empurrado para o carro onde o avô já o esperava. O problema foi que o Rafa continuou a protestar, desta feita, decidindo que não levava o saco de desporto, argumentando que não iria fazer essa aula...

 

Eu podia deixar a coisa assim e depois tentar resolver com a escola mais esta falta...podia - mas estava determinada a não o deixar levar a dele avante! aliás a lição teria de ser no imediato pois de nada me valeria deixá-lo faltar e só depois o castigar por isso! Montei então o esquema (e daí a figurinha que me sujeitei...)

Ora, confirmada a hora da aula, controlei o tempo e antes da aula anterior terminar, pedi na portaria que me fossem entregar (na sala) um bilhetinho ao Rafa. No bilhete escrevi «Estou na portaria. Vens buscar o saco para fazer a aula de educação física ou queres que peça para falar com a professora? Mãe!). Como o bilhete foi entregue na sala, a professora que estava com ele na altura também o leu...e posso imaginar o que terá passado na cabeça do meu filhote, fervilhando com certeza! a verdade é que logo a seguir no intervalo anterior à dita aula de EF, ele veio buscar o saco...não me deu uma única palavra, nem eu lhe falei.

 

Em casa, foi como se nada de anormal se tivesse passado, coisa a que já me habituei. Apenas após a toma da medicação da noite resolvi voltar ao assunto e sinceramente espero que não me faça nada parecido por uns tempos! 

 

 

postado energia-a-mais às 11:05

Segunda-feira, 14 de Outubro de 2013

 

Os pais de crianças com PHDA sabem que os progressos devem sempre ser registados!

 

O Quico terminou o ano letivo passado, sem ter conseguido atingir os objetivos em algumas áreas de aprendizagem - nomeadamente a língua portuguesa, além de se notar ter dificuldades em acompanhar o ritmo dos colegas na sala de aula.

Após o diagnóstico de PHDA com predominância de déficit de atenção, o Quico iniciou um programa de ajustamento e tratamento que inclui medicação com meltefedinato (faz 10mg diários), apoio de ensino especial a língua portuguesa, apoio psicopedagógico e terá testes diferenciados nas avaliações curriculares. Os problemas comportamentais decorrentes desta perturbação estão a ser corrigidos com terapias comportamentais em casa e com seguimento na escola, sobretudo na forma como os «castigos» são aplicados, baseando-se agora muito mais a intervenção pelo reforço positivo.

 

Apesar do diagnóstico ter sido feito ainda no decorrer do ano anterior, só este ano letivo estas medidas foram postas em prática. O Quico iniciou a medicação em setembro e embora continue a ter os tais efeitos indesejáveis de que já aqui dei conta - perda de apetite, dores de barriga e dores de cabeça ao final do dia (muitas vezes estes efeitos são transitórios mas algumas crianças sentem-nos mais tempo e mais intensamente do que outras) notam-se melhorias substanciais em relação ao essencial - capacidade de atenção e concentração, comportamento mais ajustado e rendimento mais elevado na escola.

Agora os trabalhos escolares decorrem num bom ritmo, a sua capacidade de concentração aumentou e isso reflete-se nos resultados obtidos. Tanto que ainda não acabou o 1º período mas as diferenças são óbvias o que aumenta os elogios e por consequência a sua auto estima e a sua vontade em demonstrar que consegue - aliás posso registar com orgulho que o Quico sabe oficialmente «ler sozinho» algo com que nem sonhava há uns meses atrás!

 

Que outros pais não pensem no entanto que apenas o comprimidinho fez o «milagre»! nem por sombras - se não fosse o empenho nas atitudes que rodeiam todo o contexto em que a criança se desenvolve, o esforço por parte de quem lida com estes meninos(as) e o comprimido faria apenas parte da rotina mas não da mudança. Essa acontece cá em casa especialmente porque consigo também eu, dar mais de mim, estar mais disponível para o ajudar com os tpc, manter a calma quando a coisa de descontrola, dar-lhe no fundo, a estabilidade que necessita sem lhe cortar a liberdade e sem lhe negar a sua «diferença».

 

e nunca deixem de registar esses progressos dos vossos filhos com PHDA, sejam eles deste ou de outro tipo, às vezes até o progresso de terem conseguido sozinhos levar uma simples tarefa até ao fim - e quando digo «registar» digo demonstrar que esse feito foi atingido e por isso lhe devem dar valor - significa que muitos outros objetivos ao longo da vida podem ser conseguidos se não se desistir, se não se ignorar a PHDA!

 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 11:40

Segunda-feira, 15 de Julho de 2013

 

 

Estudo: das birras infantis ao álcool na adolescência

Nova pesquisa mostra relação entre problemas de comportamento na infância e a propensão para o consumo de álcool na adolescência.

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Segundo um estudo de longo prazo feito por pesquisadores da Virginia Commonwealth University, nos EUA, citada pelo Daily Mail, é possível prever se o seu filho pequeno vai ou não consumir álcool durante a adolescência... baseando-se na quantidade de birras que faz.

Este estudo envolveu 12.647 participantes que foram avaliados duas vezes – dos 6 meses até aos 5 anos e outra vez aos 15 anos.

Para o estudo, a equipa da Dra. Danielle Dick, psicóloga e pesquisadora-chefe, usaram informações do Estudo Longitudinal Avon do Reino Unido.

Através dos resultados do estudo, os investigadores descobriram que os adolescentes que consomem álcool foram, muitas vezes, crianças com problemas de comportamento, exibindo características como hiperatividade, agressividade e imaturidade.

Mas não foram apenas as crianças problemáticas que demonstraram maior propensão para o consumo do álcool. Quando as crianças altamente sociáveis crescem também apresentam um 'risco elevado' de consumo de bebidas alcoólicas.

Danielle Dick, a responsável pelo estudo, alerta para a urgência em criar estratégias de prevenção ao 'binge drinking' - beber esporadicamente, nas saídas de fim de semana, por exemplo, mas de forma abusiva –, que pode levar a comportamentos sexuais de risco, problemas de estômago e danos cerebrais.

O estudo completo será publicado em dezembro de 2013.



Ler mais: http://activa.sapo.pt/criancas/adolescentes/2013/07/12/estudo-das-birras-infantis-ao-alcool-na-adolescencia#ixzz2Z73ByHYU




postado energia-a-mais às 12:26

Quarta-feira, 10 de Julho de 2013

 

do Rafa

 

para quem acompanha (mesmo que não de forma assídua) este blog, este tema já não é propriamente novo. Já por cá falei algumas vezes de uma das facetas mais difíceis de gerir com o meu filho mais velho, desde que foi diagnosticado como tendo uma grave perturbação do comportamento, conhecida clinicamente como TOD (transtorno de oposição/desafio), uma das comorbilidades associadas ao seu tipo de PHDA.

Neste post faço um resumo de como lidar com este distúrbio e das dificuldades que enfrentam todos os educadores que são obrigados a testar estratégias para alcançar bons resultados com crianças desafiantes.

Claro que o mais complicado continua a ser a imprevisibilidade de reações explosivas que nem sempre são detetadas a olhos menos treinados ( mesmo para quem está habituado, por vezes surgem tão efervescentes e tão subitamente que nem nos apercebemos). No Rafa surgem como do nada, ou por motivos para nós tão subtis que nunca nos passaria pela cabeça, olhar para eles em pormenor.

Sempre foi assim, com o passar do tempo começaram a ser mais ou menos entendidas por nós adultos, como tal, começamos a ter meios de combater essa situação mais tranquilamente. No entanto, são sempre motivo de grande tensão, muita incerteza em relação ao desfecho e muito complexas para serem compreendidas pelo irmão mais novo...

 

Ultimamente e dado que estou «presa» sem férias num CEI, os meus pais são o pronto-socorro de plantão, com enorme desgaste para ambos e com cada vez mais pressão familiar. Reconheço que me sinto impotente pois fazer a minha casa funcionar sem eu estar presente fisicamente é, para os que ficam lá a comandar, uma autêntica batalha. E os meus pais, embora sejam os únicos (para além de mim própria) que conhecem intimamente todas as caraterísticas dos meus meninos e tiveram desde sempre grandes doses de informação e técnicas para lidarem com eles, estão exaustos, sobretudo pela necessidade física de uma grande preparação a par da elevada resistência psicológica!

 

Uma das últimas explosões do Rafa aconteceu por causa de uma...ventoinha! e acredito que os avós tenham vivido um turbilhão de emoções enquanto sentiam a fúria dele, preservando ao mesmo tempo a integridade física de cada um dos presentes, e em especial a integridade emocional que sobrevive depois de cada luta.

Sou portanto eternamente agradecida aos meus pais por tudo o que fazem e por tudo o que somam na já longa guerra da hiperatividade. Uma gratidão que um dia gostaria de homenagear de modo mais prático, através de ações concretas como dar-lhes oportunidade de verem nos netos adultos, pessoas felizes e equilibradas - porque graças a eles, a PHDA é tratada com o devido respeito.

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:02

Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

 

 

o Rafa tem destas coisas

 

nunca percebe uma segunda intenção, mesmo quando é obvia ou quando se trata de um provérbio conhecido, por exemplo

 

Para ele tudo tem um significado literal - desde muito criança e até hoje, com ele não se pode simplesmente «mandar uma boca» do tipo «o gato comeu-te a língua?» - ele olha para nós e responde entre o incrédulo e o abismado «claro que não, ela está aqui ó... e nem sequer temos gatos...»

 

É uma caraterística dele. Faz parte dum rol de caraterísticas do tal gene que lhe provoca a PHDA e uma série de comorbilidades de que ainda não temos total conhecimento...mas a que já nos habituamos.

 

Só que nem toda a gente entende. E por isso admito que outros se admirem quando um miúdo de doze anos responde ingenuamente à comum pergunta «...não sabes o que é bom para tosse?» assim: 

 

«sei, é um xarope que a minha mãe compra na farmácia, agora não me lembro o nome mas é mesmo bom...»


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postado energia-a-mais às 09:05

Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

 

 

do que o medo de perder um filho...tenho a certeza de que a maioria dos pais pensa assim. A vida dos filhos é sempre algo de valioso e eterno, pois acreditamos que não os veremos «partir» antes de nós

 

Claro que felizmente para a maioria de nós, os dias sucedem-se sem que os pensamentos de tal medo nos invada a mente, pelo menos não a tempo inteiro. Sabemos que estão ocupados nos seus afazeres diários, escola, atividades, regressar a casa...afinal, a não ser em condições de exceção (doenças, acidentes) não tememos por eles, mais do que o «normal» temor

Mas quando temos em casa um pequeno «furacão» que desafia o perigo com a maior das naturalidades, começamos a perceber melhor aquela velha máxima de que a vida muda «num segundo».

 

O Quico sempre me deu muito que fazer, no que diz respeito à atenção que tenho de manter para que não se meta em apuros. Já por cá comentei da sua aparente ausência de receios e do fascínio que sente por janelas, equilibrismos e performances várias que incluem sempre muita energia e total falta de cuidado. Para ele não há que temer as alturas e nunca se sente incapaz de saltar por mais longa que seja a distância ou por mais alto que seja o obstáculo. Muitas outras vezes, decide-se a avançar estrada fora, tentando inverter o sentido dos automóveis que passam...

Quando se sente bem, faz «habilidades» que nem os mais destemidos fariam sem muito treino, quando quer chamar a atenção de alguém, é às sua aptidões físicas que recorre...quando está zangado ou frustrado, faz questão de demonstrar todo o seu potencial. Nesta última semana andou particularmente enérgico, elétrico tanto em casa como na escola. Escusado será dizer que trouxe as habituais «bolinhas» do comportamento a vermelho...aliás todos os itens a vermelho, pois quando anda mais eufórico, a sua concentração e motivação para o trabalho na escola é ainda menor.

 

Num dos dias ficou de castigo por ter estado a fazer asneira na hora de almoço na cantina, jogando comida com outros dois miúdos e acabando por sujar até o teto com massa. Ora é evidente que o castigo foi merecido e o ter de limpar as mesas foi entendido como algo que serviu para mostrar que a escola é um espaço para ser respeitado e quem não cumpre as regras deve sofrer consequências. Neste caso, sujou -teve de limpar. Mas este castigo, aliado à pressão de não conseguir terminar as tarefas diárias na sala de aula, o não conseguir manter-se mais sossegado, foi acumulando e ao final de quinta feira explodiu de forma violenta...

 

O regresso da escola foi super atribulado. Como às quintas ele sai da AEC às 17h30, coincide com o meu horário de saída, pelo que o regresso a casa é feito comigo. Pois no carro, revivi cenas que passei com o mais velho, como o andar aos pontapés a tudo, virar a cadeirinha, ter de o segurar para que não se atirasse para a frente, tapando a visão do avô que conduzia.

Quando entramos no prédio, ele vinha exaltado e com vontade de fazer estragos. Num repente passou a perna para fora do corrimão da escadaria, ficando praticamente suspenso do lado do fosso que dá para a garagem, a dois pisos de altura...foi arrepiante. Num impulso tentei tirá-lo de lá agarrando-lhe a mão mas perante a minha aflição ele ficava cada vez mais histérico e puxava a mão com toda a força fazendo com que se afastasse da zona onde ainda lhe podia chegar. A imagem que tenho é a de pensar naqueles segundos que me pareceram uma eternidade, que a manga da camisola que eu tentava a todo o custo prender, acabaria por solta-se e a queda dele seria fatal. Um medo maior apoderou-se de mim...a ponto que nem me lembro de como de repente, ele passou para o lado de dentro do patamar!

 

A crise de choro que ele teve já na hora de deitar, depois de muito braço de ferro contínuo, foi para ele, a expulsão final dos nervos acumulados e da tensão que viveu nesse dia...eu, tremi por mais duas horas debaixo do edredon e não era o frio que me fazia tremer...

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:08

Segunda-feira, 08 de Outubro de 2012

 

Podia começar como um qualquer diário, registo das aventuras dos rapazes desta casa

 

mas ao ritmo que as coisas se sucedem por cá, eu passaria mais horas ao pc do que a fazer as tarefas que me competem...por isso fica o resumo possível a marcar a (r)evolução dos meus filhotes nos últimos tempos

 

do mais novo

 

 

está cada vez mais tagarela, fala pelos «cotovelos» e debita tudo o que pensa. Tanto que na escola tem sido várias vezes chamado pela professora que a mim me vai dizendo «ele trabalha mas NUNCA está calado!». Continua super enérgico e nem as atividades da escola o fazem cansar mais cedo, mesmo com os extras...

As manhãs podem ser bem diferentes consoante o seu humor - ou maravilhosamente cooperante, ora terrívelmente avesso. Continua a querer vestir apenas roupa de verão e recusa-se a acreditar que entramos no outono (bem vistas as coisas o tempo anda meio estranho). Faz do avó o compincha de eleição mas na escola é eleito pelos coleguinhas como o «engraçado» de serviço. Come na cantina mas a partir da hora de almoço, não percebe porque tem de continuar na escola...

Falando da escola, as rotinas dos TPC estão a surtir algum efeito - coisa nova para mim que fico embevecida enquanto ele, língua de fora (ólha a concentração!) se esforça para copiar a letra i das maneiras e formas corretas....claro que de vez em quando, entende que está a ser muito demorado e acaba com o trabalho de uma vez só. Mas sabe que as «bolinhas» que a professora marca no caderninho da tabela da semana, devem ser verdes, ou pelo menos amarelas e que isso depende do trabalho bem feito e do comportamento dentro da sala de aula.

Isso do comportamento precisa ainda de muita afinação. Na primeira semana disse-me a professora que não iria marcar bola vermelha para não o desmotivar. Após dois castigos e alguns «avisos», ao final da segunda semana lá apareceram as primeiras bolinhas de cor vermelha que significa «mau» comportamento. Apesar de ter «verde» na responsabilidade, autonomia, participação e trabalho.  Também os professores das AEC consideram o Quico muito agitado e já ficou de castigo para não perturbar o funcionamento da aula.

 

do mais velho

 

 

 

 

 

dizer que iniciou o ano com mais uma coleção de «recados» escolares - seis na caderneta e mais três nos cadernos é elucidativo. Continua a ser uma dor de cabeça manter o Rafa motivado, concentrado e colaborante. Desde falar durante as aulas, não anotar matéria dada, não anotar (portanto não fazer) os TPC, não levar o material necessário apesar de o ter em casa, enfim, de tudo o que já conheço este vai ser uma ano letivo muito trabalhoso...

As manhãs continuam a ser um pesadelo, fazê-lo sair de casa é tarefa de hércules, a dispersão dele é notória, nota-se no mais básico como continuar a não ser capaz de se orientar sem «empurrões». Para se vestir por exemplo demora tanto, mas tanto tempo que chego a ficar agoniada. Isto porque ele pega numa peça de roupa e é capaz de andar por todas as divisões da casa, de um lado para o outro com ela na mão, sem se chegar a vestir. Demoro mais tempo com ele do que comigo, com o Quico e com a casa em conjunto. 

Por outro lado existe a sua obsessão do momento que está a demorar a passar. E quando digo obsessão, digo-o nesse sentido mesmo. Com o Rafa, um interesse passa a obsessão com facilidade. Sempre foi assim, desde muito pequenino. Recordo que com meses apenas, o Rafa ficou obcecado em conseguir levantar-se sozinho. Fazia-o horas a fio - deixava-se cair para se poder levantar sem ajuda. E de modo obsessivo nada mais o interessava, até conseguir a proeza de forma ágil (na altura o pediatra falava-me de autismo porque nesse gesto rotineiro o Rafa ficava alheado).

Sempre que ganha uma nova obsessão, o rafa esquece as anteriores e tudo o que o rodeia. Foi assim com os dinossauros, com os puzzles, com a play sation, com os pinos e acrobacias físicas, com a bola, com o hóquei e por aí fora, Agora é com o pc. Nem sei como se chama exactamente o jogo mas sei que o joga todos os segundos possíveis. Tanto que nem come, nem se veste, nem nos ouve, nem nos fala...a não ser que sejamos nós a invadir esse seu mundo, muito a custo lá nos grita uns impropérios que nos levam a discussões enormes. Não fosse a minha persistência (e a medicação) acredito que nem iria à escola, sem que para ele isso fosse «anormal».

Como já experimentei tudo - tirá-lo à força, recorrer a argumentação, mostrar-lhe provas de que o PC pode ser um vício letal, deixá-lo ficar sem o chamar para nada (esteve 12 horas) entretanto lancei um ultimato - mais um recado que seja (por falta de TPc ou de mau comportamento) e vou arrancar o PC dele, uma vez que não consigo arrancá-lo a ele do PC.

Vamos ver como se vai sair nesta semana. Pelo menos uma coisa positiva existe no facto de eu estar «colocada» na escola dele, tenho acesso direto aos professores e isso torna mais fácil o chegar à fala com eles. Aliás já estive na semana passada com a professora de inglês que me disse estar a ter muita dificuldade em o controlar na sala de aula, ele passa o tempo a falar com colegas e foi por essa razão que um dos «castigos» foi o ter de fazer 15 vezes a frase «não me vou virar para trás e falar com os meus colegas»

 

Toda esta agitação leva-me a andar exausta e a querer mais do que nunca que seja sempre «sexta-feira»! e logo numa segunda feira ter este espírito não é fácil!

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:08

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