A Hiperactividade vista à lupa

Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

 

 

ficaram por baixo as expectativas...sou como sempre sincera em relação a tudo, não poderia deixar de o ser neste assunto

 

primeiro porque da mais de hora e meia de entrevista prévia, com muita informação recolhida pela equipa da produção, esperava certamente mais desenvolvimento no programa! o tempo de conversa foi curto e muito direccionado, da história do Rafa apenas foram referidos certos pontos e não tive possibilidade de me alargar sobre o diagnóstico do meu filho, nem sobre o que realmente me levou a ir ao programa

 

segundo, porque como psicólogo, o Dr. Quintino falou essencialmente do geral, não mostrou ter um conhecimento do caso, nem referiu aspectos que teriam mudado em muito a opinião dos espectadores, principalmente não contribuiu muito para a «dismistificação» deste tema

 

E para que não restem dúvidas:

 

o Rafa está diagnosticado há quase 4 anos. Sempre referi neste blog que o relatório médico indicava uma hiperactividade de tipo impulsivo, em grau severo, inserida num comportamento disruptivo (o tal desvio de conduta/comportamento, referido pelo dr. Quintino) caracterizado por um transtorno de oposição/desafio (apontado no programa). Também lhe foram diagnosticadas várias características de outras comorbilidades, ou seja patologias associadas, tais como a bipolaridade, o síndrome de asperger e certas fobias.

Embora o dr. Quintino Aires tenha mencionado várias vezes que hiperactividade nada tem que ver com agressividade (demonstrada no Rafa em muito das suas atitudes) frisando até que muitas crianças estão mal diagnosticadas e tomam medicação sem necessidade (o que reconheço ser verdade em muitos casos), não admitiu que efectivamente, o comportamento de opositor/desafiante (TOD) é uma das comorbilidades mais comuns na hiperactividade deste tipo (impulsivo) surgindo em cerca de 60% dos casos diagnosticados em rapazes (a percentagem diminui um pouco em relação às raparigas) Este aspecto, por exemplo foi focado nos comentários do blog por uma psicóloga, Tânia Silva que tal como uma outra psicóloga assídua a Susana Miranda, reconhecem estes dados e os focaram em outras ocasiões!

Também não referiu nem me deixou referir que a medicação que o Rafa faz para combater as características da hiperactividade, caso esteja a ser tomada sem necessidade, provoca uma reacção ao contrário do esperado, ou seja, numa criança mal diagnosticada, este medicamento, um psicoestimulante, vai provocar alterações comportamentais, tremores, agitação e alterações do sono. Ora, no Rafa, a medicação acalma, estabiliza e torna-o mais receptivo e atento. Devido ao desvio de conduta o Rafa faz medicação combinada.

Na estratégia de tratamento do Rafa, nunca foi posta de parte a ajuda da psicoterapia, pelo contrário! No entanto, sem medicação, seria impossível o meu filho fazer uma vida «normal» tal como - ir à escola, realizar as suas tarefas pessoais, andar mais motivado e menos agressivo!

Por outro lado, quando o dr. Quintino mencionou o «sossego» do Rafa em estúdio, «esqueceu-se» de referir que o meu filhote passou todo o tempo nos bastidores a saltar de bancada em bancada, levou uma psp para jogar mas que passou o tempo a trocar de jogo, ir à janela, voltar e deitar-se no chão, tirar leite e água das máquinas (para os beber tão atabalhoadamente que entornou mais de metade) etc....e que o «sossego» desta criança de nove anos, foi estar a contorcer-se na cadeira...(ha...e tinha tomado um comprimido rubifen, antes da entrada no estúdio porque senão nem o conseguia levar, aliás ele queria ir a milhentos outros sítios que íamos vendo no caminho e por vontade dele, teriamos feito dezenas de desvios...)

 

A imagem que passou foi a de um delinquente em potência que apenas poderá ser salvo pela psicoterapia, algo que não tenho dúvidas ser imprescindível para treino de comportamento e atitudes mas que por experiência própria, sei que nunca terá resultados num caso de hiperactividade genetica como o do Rafa, se aplicada por si só!

 

Por último e porque não quero ser injusta, dou o beneficio da dúvida às motivações do dr. e aguardar o tal telefonema da sua equipa para me darem a conhecer os psicoterapeutas recomendados aqui no norte, bem como o trabalho que propõem fazer com o Rafa.

 

A todos os que viram o programa, ou mesmo não tendo visto, passaram por cá e nos deixaram palavras de encorajamento, o meu OBRIGADA. Se exponho a minha privacidade e sobreudo a dos meus filhos em alguns orgãos de comunicação, é sempre no intuito de conseguir que a divulgação do tema, traga ajuda a muitos pais e crianças mal entendidos. Ajuda essa que procurei durante mais de 4 anos e que não obtive em qualquer organismo ou pessoas, excepção feita à Linda Serrão através da APCH, cujo trabalho válido deveria ser mais apoiado!

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:31

Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

 

já passaram mais de 8 dias com a nova medicação...só aos 15 vou ligar ao médico, no entanto já notei alterações

 

  • a retirada do risperdal (risperidona) acentua-lhe a agressividade, quando toma fica menos agressivo, quer física, quer verbalmente
  • a toma do rubifen a meio da tarde não parece ter qualquer efeito (aliás já tinha feito rubifen antes mas nunca com a combinação com o concerta)
  • da parte da manhã e fazendo o concerta ao pequeno almoço, fica realmente bem mais calmo e concentrado

dos efeitos que tenho a salientar

  • não tem tido tantas náuseas pela manhã
  • durante a manhã e até depois do almoço fica completamente sem apetite (mesmo em casa e com os pratos favoritos não come)
  • faz noites complicadas, sem dormir mais do que 3 horas seguidas e se acorda vai para a minha cama (tal e qual o que fazia antes da medicação - e diz que tem pesadelos)
  • as manhãs continuam a ser difíceis, pois tenho de lutar constantemente para que leve as suas tarefas pessoais (vestir, lavar-se, calçar...) até ao fim
  • conseguiu recuperar os trabalhos mais atrasados da escola (porque os faz na parte da manhã)

em conclusão - penso que a risperidona lhe faz falta, pois permite controlar a agressividade e a alteração do humor. Acho que o rubifen não lhe traz grande benefício. Vamos ver depois o que decide o médico. Neste momento as minhas maiores preocupações são o comportamento disruptivo acentuado e as dificuldades em dormir.

 

 Glossário

 

  • risperdal (risperidona) - é um medicamento usado no tratamento de psicoses. Pode também ser usado no caso de distúrbios de comportamento, nomeadamente do comportamento disruptivo para controlar a instabilidade e excesso de humor e a agressividade
  • rubifen e concerta - são psicoestimulantes (tal como a ritalina)usados no tratamento da PHDA, cuja substância activa é o metilfenidato. A principal diferença entre eles é a dose da substância e a sua libertação ao longo das horas de toma. O rubifen é doseado para mais tomas diárias e a sua acção é rápida mas mais curta, enquanto que o concerta permite uma toma diária com libertação mais prolongada, normalmente entre 10 a 12h

Atenção: qualquer medicamento só deve ser usado mediante prescrição médica e com total rigor na sua utilização. A venda de psicoestimulantes (estimulantes do sistema nervoso central) é proíbida, a não ser nas condições de receita médica especial.

 

 

sinto-me: atenta!
postado energia-a-mais às 07:48

Segunda-feira, 07 de Julho de 2008

quando me decidi a escrever este blog, fi-lo por duas razões principais, ou melhor, para obter dele dois objectivos. O primeiro tem a ver comigo própria, o blog é uma espécie de terapia de choque. Ao escrever sobre os acontecimentos mais marcantes na minha relação com o meu filho e o seu problema de hiperactividade, acabo por relembrar as situações já de cabeça fria, desdramatizando o que por vezes são momentos quase absurdos. É de certo modo um exorcismo dos meus medos e angústias, escrever liberta-me e dá-me energia.

O outro objectivo é mais para fora, para os que leêm, uma forma de alerta. Alerta para os pais que têm filhos hiperactivos e que os escondem (por vergonha, por desconhecimento ou por opção - não querer ver o problema) e um alerta para os pais que não têm filhos hiperactivos mas que pensam que os têm. Existem muitos assim, veêm problemas em tudo o que os filhos fazem, confundem hiperactividade com falta de regras e encontram nela uma desculpa para o pouco que investem na verdadeira educação das crianças.

Muitas vezes, no entanto, percebo que os que me visitam encaram este blog como um desabafo de uma mãe angustiada, deprimida, quase que me imaginam toda descabelada, sem tempo para nada, absorvida pelas duas pestes que destroem a casa, o carro e tudo por onde passam! Alguns que efectivamente entram em contacto comigo, manifestam o seu pesar por um filho tão difícil, dizem-me com astuta sabedoria que melhores dias virão, que o tempo ajuda e que tenha muita paciência. E claro que sentem pena de mim.

Talvez não tenham entendido bem. Eu não me sinto angustiada, muito menos deprimida. Tenho como todas as pessoas, dias melhores e outros menos bons. Sou por norma bem disposta e sorridente. Mantenho um óptimo casamento há 10 anos (será menos tempo devido á profissão dele mas a chama está viva e isso é o que importa).  Faço voluntariado numa associação local, trabalho as horas que o tempo me permite e consigo  manter uma rotina salutar em casa. Os meninos tomam banho a horas e jantam cedo, a casa não é nenhum monte de destroços. Sou prática o suficiente para manter as coisas limpas e arrumadas. Dou passeios com os dois e não os privo do acesso á cultura e ao lazer. Visitamos museus, vemos teatro, fazemos praia e picnik's. Eles são vivos e inteligentes. O Rafa tem um QI superior á média e o Francisco é adorável!  Temos momentos hilariantes e sou tão criança como eles.

Tenho é certo uma dose de paciência e resistência muito para além do normal. Reconheço que para manter tudo a funcionar,  o meu esforço tem de ser maior do que o necessário para a maioria das pessoas. Talvez existam poucas capazes de abdicarem de saídas á noite, dos jantares com amigos, de um sofá italiano e um plasma na parede. Talvez  poucas mães encarem como normal ter um colchão na entrada da sala, ou terem uma mesa de esplanada que serve como mesa de refeição para o filho poder sujar sem estragar a mobília. Talvez poucas mães entendam uma birra de duas horas porque o tal filho não consegue vestir uns boxers e insiste em sair de casa sem a dita peça interior. Ou porque apesar de gostar muito de andar no futebol e a inscrição ser paga, ele resolve desistir duas semanas depois. Talvez poucas estejam na disposição de aguentar os olhares inquisidores das outras pessoas, quando num local público ele resolve atirar comida pelo ar ou chama nomes ás empregadas dos restaurantes. Talvez poucos entendam!

Mas eu entendo, eu aceito. Aprendi a lidar com as coisas sem me preocupar com o que dizem os outros. Sem deixar de fazer ou de mostrar.

Porque é possível lidar com a hiperactividade.  Sem ficarmos desgastados.

O que me desgasta são os que não entendem!

 

Desculpem, não sou mal agradecida. Adoro que me ajudem com dicas e estratégias. Que partilhem experiências ou que mostrem outros pontos de vista. Simplesmente detesto que tenham pena de mim.

 

sinto-me: com vontade de escrever
postado energia-a-mais às 23:34

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