A Hiperactividade vista à lupa

Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

 

 

sabemos nós que são bem difíceis de traduzir em palavras - por isso, o ser humano tenta expressá-los de outra forma

 

muitas vezes um beijo, um abraço, o pegar numa mão são mais simples do que falar...o Rafa sempre teve muita dificuldade em mostrar o que sente, tanto na fúria como com os afetos, por isso sempre tive e tenho muito cuidado em fazer eu própria demonstração do que sinto, mostrando-lhe que se ele também o fizer isso nos ajuda a entendê-lo.

Enquanto o meu Quico é capaz de abraçar, beijar, dizer obrigado e por favor, o Rafa nunca o faz espontaneamente. Enquanto o Quico brinca aos pais e filhos, marido e mulher, demonstrando todo um mundo de afetos, carinho e ternura, o meu Rafa nunca brincou e fica absolutamente sem jeito quando o mano lhe pede para o fazer. O Quico é capaz de correr a apanhar uma flor para me entregar, o Rafa nunca o fez, o Quico é efusivo com os avós, leva prendas como rebuçados à avó, dá beijos ao avó e diz frases como «és o meu amorzinho; adoro-te mamã» o Rafa é incapaz de o dizer, mesmo que eu o repita sempre todos os dias, lhe dê um beijo de boa noite e de bom dia (a que ele se tenta esquivar mas que sei, bem no fundo, que aprecia o gesto) e lhe diga vezes sem conta que o adoro...

 

Não estranhei portanto a diferente forma que tiveram de encarar o acidente da avó e a sua ausência. No próprio dia em que aconteceu, enquanto eu, ansiosa aguardava notícias do hospital, o Rafa andava atarefado com uploads e downloads de músicas de e para o tablet. De vez em quando vinha chamar-me (como habitualmente faz) para que eu admirasse as suas habilidades, ou para o ver fazer o pino, treinando para o sarau de ginástica da escola...cantarolava o sexta feira do Boss Ac e ensinava o irmão a dançar «cool». Falava pelos cotovelos, assobiava, pegava na flauta ou na guitarra, tocava/arranhava as cordas, punha um jogo na consola, dava mais umas cambalhotas....nunca mencionou a avó (apesar de ter sido ele o outro protagonista da queda) e até me perguntou umas três vezes porque é que eu estava sempre ao telemovel com o avô...

O Quico dava-me beijinhos e de de vez em quando vinha ter comigo e dizia «tadinha da vóvó». Quando acendi a vela disse-lhe que queria rezar um pouco e por isso não queria barulho, ele disse «eu vou pedir ao Jesus pela vóvó» e eu perguntei «queres fazer uma oração com a mamã?» ao que ele respondeu «não, eu sei uma - anjinho da guarda/ minha companhia/ guarda a vóvó / de noite e de dia...esta é boa pois é mamã?»

O Quico quis ir ver a avó e já me pediu para lhe levar uma flor...o Rafa nunca fala na avó, no dia em que os levei a casa da minha mãe depois da vinda dela do hospital, ele correu primeiro para o andarilho (objeto que achou maravilhoso) do que para ver a avó

 

no entanto, também neste campo, tal como em muitos outros, continuo a acreditar que tudo é uma questão de tempo - também aqui o exemplo que lhe damos em casa será crucial para que consiga aos pouco, aprender a expressar e demonstrar o que sente. Um dia, uma mãe falou comigo sobre a filha de 14 anos, dizendo que esta nunca lhe dava um beijo, desde bébé que detestava abraços e mimos...por isso, a mãe também deixou aos poucos de insistir...até que perderam esse elo. Acho que isso é um erro, estas crianças não são fáceis mas não podemos desistir delas sob pretexto algum! 

 

A minha teoria é sempre a mesma - paciência, persistência, tempo...os afetos compensam tudo!

 

 

P.S: a minha mãe já fez o primeiro curativo, está, segundo as enfermeiras, a correr bem...tem muitas dores e precisa de apoio constante. Vai sozinha ao wc graças ao andarilho que nos arranjou a S. (linda!) e fica toda contente por saber que as minhas ex-colegas de trabalho ligam quase diariamente a perguntar como estamos - obrigada a todas (beijos M.) O meu pai tem andado super atarefado com as obrigações domésticas mas como sempre está bem disposto e animado, evitando pedir muitas ajudas...eu corro entre as duas casas porque há coisas que sei que tenho de ser eu a fazer mas por enquanto vou aguentando.

Obrigada pelo carinho que vem desse lado

 

postado energia-a-mais às 09:07

Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Cá em casa as crianças são encorajadas a exprimir pela arte as suas emoções. Por arte, entenda-se um conjunto muito vasto de meios e ferramentas que deixam transparecer o que vai na alma! A arte é subjectiva porque pode ser interpretada de muitas formas e reinterpretada sempre que se queira.

Quando o Rafa está contente gosta de música: pode cantar , ouvir ou mesmo tocar um instrumento. Gosta da flauta mas quando só assobia de forma estridente está apenas a deixar sair a energia em excesso. Quando se irrita, ouvimos gritos e muito barulho, feito normalmente com tachos e batendo na parede com vários objectos. Também adora encher vários copos com água em diferentes níveis e diverte-se a fazer sons. O Francisco gosta de dançar até cair, gosta de saltar ao som da música de verão «vamos á praia» e tocar na viola do irmão.

Os dois adoram pintar, usando sobretudo aguarelas, guaches e tudo o que possam para usar o pincel. Gostam muito de marcadores para pintarem as paredes e almofadas. O Francisco gosta de se pintar a si próprio. Usa muitas cores diferentes e parece um índio quando chega ao infantário.

Adoram teatro de fantoches e representam as histórias dos três porquinhos muito bem, sendo que o Rafa quer ser o Lobo Mau mas só na hora de soprar, o pior é que esse é também o papel do Quico!

Agora têm estado a fazer recortes e colagens pelo que a sala se encontra literalmente coberta de papéis que o Rafa me fez prometer não retirar antes de ele regressar da escola!

Pronto, tenho dois filhotes artistas o que é sempre bom para animar as coisas!

postado energia-a-mais às 11:50

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