A Hiperactividade vista à lupa

Sexta-feira, 03 de Setembro de 2010

 

 

o que dizer a uma mãe que já tentou o suicídio duas vezes no último mês por causa do comportamento de uma filha?

 

è que eu não sei como encarar isto.... a não ser com uma grande tristeza!

 

Não vou aqui tornar esta história pública (não tenho esse direito!) mas menciono o assunto pela pertinência para este blog! Existem muitos pais (mães) que entram em desespero total porque não aceitam, não entendem ou simplesmente não sabem lidar com este distúrbio...(ainda ontem troquei um mail com uma pessoa em que abordamos isso mesmo...)

 

Vieram ter directamente comigo e pediram-me para falar com esta mãe, a filha tem 15 anos, está diagnosticada mas nunca fez medicação (apenas uma vez, ao que entendi e através do psiquiatra e nem sei se foi ou não para a hiperactividade). O casamento destes pais está em fase de ruptura, atribuída à jovem - imaginem o que isso faz à cabeça dela!!

 

Pediram-me para dar à mãe alguns conselhos e também indicar médicos, especialistas para obter outra opinião sobre o problema da filha...

 

Fico perturbada com estas situações - considero todas as partes antes de tecer qualquer comentário, cada caso é um caso, isso assusta!

 

Enfim! Quando se fala em números, estatísticas sobre quantas crianças com PHDA frequentam as escolas portuguesas, era bom que se falassem das histórias, se olhassem os rostos, se ouvissem os familiares...

 

 

postado energia-a-mais às 08:56

Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

 

esta é a históia....

 

a original, a verdadeira e a mais bela história do Natal e do nascimento de Jesus!

 

Tá bem que tem algumas personagens saidas do imaginário do Quico que misturou as suas preferências com o conto do Natal, mas isso não importa nada lol! vale pelo final

 

«jesús nasceu e pois a mãe dele num tinha rupinha....e tava lá a mãe dele e o pai dele e o vôvô dele e a avó dele e o mano joão rafael dele e a velhinha dele....e também tava a vaca muuuuu e o galo cocoró e a ovelhinha méeeee pra ele num ter frio....

puké? ele tinha uma mãe e num tinha rupinha...

pois jesús cresceu e pois caiu da janela, pukê? a mãe dele num tava na varanda! e pois veio os bombeiros e ele foi ao hopistal pukê? partiu uma perna....

pois veio o pai natal e pois ficou feliz

 

FELIZ NATAL»

 

 

Hoje estão os dois em casa...o ATL onde o Rafa costuma ir fechou porque os meninos foram visitar o sea life (o Rafa não quis ir porque já conhece...ai!) e o Quico fez tamanha birra por ver o irmão que acabou por ficar também....com o tempo que se faz sentir (ainda) eu facilitei....mas não vai ser fácil! agora andam os dois aos pinos na sala....

 

percebem se eu não andar muito pelos blogues hoje, certo?

 

 

 

sinto-me: contadora de históias
postado energia-a-mais às 09:13

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

 

...Grandes loucuras!

 

ou as aventuras dos meus dois pestinhas nos últimos dias

 

 

Já aqui disse algumas vezes que as aventuras quotidianas dos meus filhotes, ganham, graças ao toque inconfundível da hiperactividade genética, proporções alarmantes! Uma birra, não é uma «birra» - é uma crise incontrolável; um pedido não é um «pedido» é uma exigência sem limites; qualquer acto de repreensão com os meus filhos tem um efeito de dimensões assustadoras!

Também já aqui disse que são os avós que actualmente asseguram o final dos dias com as crianças. Tarefa de esforço imenso, que eu, eternamente grata, não consigo deixar de louvar. louvo a dedicação, o empenho e sobretudo a persistência dos meus pais que apesar do cansaço, tentam organizar da melhor maneira um dos periodos mais difíceis do dia ( o outro é ao levantar e as refeições!)

Ontem o meu pai foi buscar o Francisco á escola e preparava-se para o deixar com a minha mãe, para poder ir buscar o Rafa (andam em escolas ao lado uma da outra, mas é impossível traze-los juntos para casa). Começa então a cena que aqui conto, presenciada por muitos mirones com quem me cruzei hoje (desde o infantário até aos vizinhos) e que suscitou imensos comentários

 

 

Braço de Ferro

Pode parecer que uma criança de dois anos, é facilmente dominada, senão pela persuasão dos argumentos, então pela força! Mas uma criança de dois anos com hiperactividade genética é raticamente impossível de dominar. Sei isto, não porque seja possível determinar desde já a hiperactividade do Francisco, mas pela experiência que tenho do irmão mais velho. O Rafa sempre teve uma força desproporcional á sua idade, ao ponto de vencer fisicamente o avô e o Pai, sendo que por volta dos dois anos, deram-se momentos que parecem tirados de um filme de tão absurdos (por exemplo, não conseguirmos pô-lo dentro do carro, durante uma crise, ou não conseguir levá-lo para casa, acabando o pai por ficar com as calças do Rafa na mão de tanto puxar por ele que estava agarrado á barra da porta da entrada...e ele continuar lá!) São crianças com uma grande força física e muita resistência ao cansaço. 

 

  • A cena começa na rua. O Quico não quer ficar com a Avó - começa por gritar «num qué vóvó, num qué..», passa ao espernear, passa á tentativa de se soltar. Escorrega do colo para o chão. A minha mãe começa a sentir que o deixa escapar-se, tenta prendê-lo, ele grita mais alto, espernea com mais força, ela dá uma palmada, ele grita mais, tenta tirar os óculos da Avó, passa aos puxões de cabelo, ela dá palmadas nas mãos, ele solta-se. Deita-se no chão, espernea mais, grita mais, começam a chegar conhecidos (e não só) que tentam ajudar. O Quico usa então os nomes feios que sabe tanto irritarem os adultos! O saco da minha mãe vai parar ao chão, jogado pelo Francisco. Uma vizinha tenta segurá-lo, leva um puxão e acaba por soltá-lo. Ele solta-se e corre pela galeria que tem por baixo do prédio e vai parar ao café. A Avó tenta segurá-lo mas não chega a tempo. Balde do lixo virado, cadeiras derrubadas, os donos do café (obrigada por tudo!) tentam dar uma ajuda. Para o distrair dão-lhe um chocolate, ele grita mais alto...entretanto chega o irmão, começa o disparate maior!!! Pega no chocolate, puxa um pouco as calças para baixo com o rabiosque virado para o irmão e grita «lá, lá vem tirar o chocolate ao mano...» (lembram-se?! Ele não usa roupa interior e adora andar nú...) O irmão acha piada corre atrás dele, gritam e parecem índios em pé de guerra...ainda consegue agarrar dois pacotes de batata frita que abre e começa a comer descontroladamente
  • Quem assitiu sabe que não, não é normal! este comportamento  tem muito que se lhe diga! O café parecia ter sido atingido por um tufão, os Avós ficaram de rastos. Os miúdos vieram gritando, como se nada se tivesse passado e foram espalhando pela casa as habituais montanhas de brinquedos, objectos, papéis, etc, etc

A registar, na confusão a Avó perdeu o telemóvel, o Francisco e o Rafa adormeceram num sono agitado e ainda mais tarde do que o habitual, os vizinhos hoje fartaram-se de comentar, alguns para darem algum apoio, outros porque acham que devo tentar métodos disciplinares mais rígidos

 

Delírios

 

Por vezes é impossível não achar que estão a delirar! Foram os dois para a casa de banho. Deixo de os ouvir...e de repente «mãeeee!! vem cá! Há cócó pelo chão....» Mau!! Devo ter percebido mal...«Quê??» e vou mas a medo...Pois, não ouvi mal...o Francisco aproveitou o facto do irmão estar na sanita e conseguiu lá enfiar um boneco dos que vão ao banho com ele! Na tentativa de o tirar o Rafa puxa-o com a escova de limpeza, sem puxar a água...e o resultado lá estava, no chão...

 

Estão a brincar na sala enquanto eu tiro o balde e esfregona para limpar o chão da casa de banho. Deixo de os ouvir...e de repente, vidros a partirem e gritinhos do Quico, vou a correr e noto a sala mais escura. Olho melhor e percebo que partiram uma das lâmpadas do tecto!! O Rafa estava a brincar ao apanha e como o Quico não estava a conseguir apanhá-lo resolveu atirar com um comando da TV pelo ar, na tentativa de acertar no irmão...e que acabou por acertar na lâmpada...

 

Estou a abrir as camas deles, deixo de os ouvir -  tinham ficado no computador, vou o mais depressa que posso e descubro que conseguiram cortar o fio da impressora... acharam que podiam ligar a máquina digital mas como se esqueceram do que estavam a fazer e tinham muitos fios por ali, foram puxando até arrancarem os da impressora

 

sinto-me: desnorteada
postado energia-a-mais às 22:32

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