A Hiperactividade vista à lupa

Quinta-feira, 15 de Novembro de 2012

 

 

é a mais indigna das condições

 

Em dia de greve geral veio-me isto à cabeça - muitos não fizeram greve porque não quiseram perder um dia de salário, outros porque não se podem dar a  esse «luxo», outros porque não concordam com a ideia de greve, política ou ideologicamente, mas muitos não aderiram pura e simplesmente por subserviência...porque isto de mentalidades custa a mudar, muitos viveram com medo e continuam a tê-lo, muitos nunca se libertaram da condição de subserviência em qe aprenderam a viver durante mais de 40 anos de ditadura e são os que encolhem os ombros e resignadamente dizem que «não vale a pena». Subservientes ao «sistema». Mas depois há outras coisas...

 

Eu cá acho que os portugueses têm um grande defeito. Confundem, na sua larga maioria, humildade com subserviência. Para os portugueses nunca vale a pena fazer «barulho», estamos habituados a «comer e calar» (aliás frase que muitos pais ainda hoje repetem à mesa e em muitas ocasiões). Daí que para muitos, sempre que se diz que este governo nos está a afundar, todos concordam, no entanto dizem logo «mas os outros são iguais» e quando se vai a votos «fica tudo na mesma». Será por isso que «fado» nem sequer tem tradução fiel noutra língua? fado nosso, destino que não se muda...afinal é o nosso fado!

 

Há uns dias, nessa típica mania de achar que estamos a ser humildes, quando afinal estamos a ser servis, um casal de ex-emigrantes na alemanha dizia com muita convicção que para «portugueses trabalhadores e honestos há trabalho lá. Quem for humilde e trabalhador não tem problemas com os alemães. Eles não distinguem, dão trabalho igual!» terão percebido esses nossos conterrâneos que os alemães dão trabalho igual mas salários diferentes? terão entendido que ser «humilde» é diferente de aceitar tudo com ar de quem está muito agradecido, tão agradecido que faz, sem questionar, tudo o que lhe mandam, sempre com muito boa disposição e sem «respingar» ou exigir seja o que for? É que disso realmente os alemães gostam! na verdade, gostam todos!

 

Ser humilde é saber reconhecer as suas fraquezas mas também as suas capacidades. É ter respeito pelos outros para ser respeitado. E saber exigir quando sabe que dá o seu melhor. Já a subserviência é bem diferente...e os portugueses são assim

 

De notar que considero que existem diferentes tipos de subserviência. A que alguns praticam conscientemente por motivos mesquinhos e interesseiros é para mim, degradante.

 

A subserviência de Passos Coelho, enoja-me. A de Cavaco, revolta-me. A do povo, essa...entristece-me {#emotions_dlg.tired}

 

postado energia-a-mais às 09:07

Segunda-feira, 01 de Outubro de 2012

 

 

e desta vez não vou falar dos meus putos 

 

este país está cada vez menos compreensível ou serei eu que ando a ficar com o motor «gripado»....estas cenas dão cabo de mim

 

um ministro da (des) educação que vai «inaugurar» uma obra - nova escola toda catita - projectada e iniciada pelo governo anterior, muito criticada pelo actual que aliás desinvestiu na educação como se o amanhã não fosse para todos....no meio das cantilenas de boas vindas, uma professora aparentemente alheia ao vendaval de desemprego que assola vários dos seus colegas de profissão, não só elogia o governo como atira um surreal «vocês têm um super ministro, a mim cá chamam-me a super professora» e sorridente afirma «orgulhosa» que tem uma sala com 26 (?) meninos do primeiro ano, que naquela escola não existem problemas de nenhuma espécie, que não há falta de professores...será que vive em marte?! acha normal ter 26 miúdos numa sala?! não questiona?! não sabe ela que o tal super ministro está a mostrar cada vez mais a sua super incompetência, conduzindo o país ao abismo?! acha ela normal fazer festas de «inauguração» num ministério dos que mais cortes vai fazer, precisamente ao contrário do que deveria ser feito para bem de todos os que ainda sonham em tornar Portugal um país onde hajam oportunidades iguais?

 

depois há aquela cena dum clínico responsável pela chamada «comissão de ética» que vem alertar para a necessidade do estado racionar a medicação dos que mais precisam, ou seja dos que pelo tipo de doença de que padecem e que só podem recorrer ao SNS, mais precisam de ser medicados e que lhes sejam dadas todas as condições de modo a manterem a sua dignidade pelo tempo que viverem. «Comissão de ética?» qual ética? então e o exemplo que o homem dá frente às câmaras de TV? «...ai e tal se uma pessoa tem 2 ou 3 dias de vida (?) deve-se pensar muito bem se aquele medicamento (caro) valerá a pena ser administrado...discutindo o assunto com o paciente, médico, cientistas, familiares....» a sério?! quando se chegasse a uma decisão já o paciente tinha morrido...ou não! saberá este sr doutor o quanto são falíveis os prognósticos mesmo em casos considerados irreversíveis (tantos a quem dão dias de vida superam essa sentença e abraçam a vida por anos...) acho isto surreal!

 

e depois de mais uma manif à portuguesa, o país vive ouve mais uma «boca» do surreal António Borges....o mesmo que diz que os portugueses ganham muito e que se lhes deve baixar os salários. O mesmo que passou por instituições como o FMI, cuja competência é tão discutível e que ao que parece ninguém sabe que funções desempenhou no banco por onde passou...ora acha o homem que os empresários portugueses que discordaram da alteração na TSU são ignorantes...pois! e vai dizer isso em público perante uma plateia de empresários de outros países, acham isto normal de um consultor do governo?!

 

e eu a pensar que só cá por casa existiam cenas maradas!



postado energia-a-mais às 09:05

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012

 

à qual se juntou com grande entusiasmo, gritando a palavra que mais lhe ficou no ouvido «gatunos»

 

diz hoje o Quico ao ver as imagens na TV

 

«então mãe, conseguimos? o Jesus já mandou o Passos para o Inferno?» {#emotions_dlg.lol} disse-lhe eu «não meu filho mas está quase!» {#emotions_dlg.evil}

 

 

 

(este post faz mais sentido após a leitura deste outro http://energia-a-mais.blogs.sapo.pt/204756.html)

 

 

postado energia-a-mais às 09:18

Sexta-feira, 11 de Março de 2011

 

O Rafa tem trazido como tpc de fim de semana, escrever um texto a comentar uma notícia da actualidade - cada menino faz a sua escolha e durante a semana, vai-se discutindo os temas. Acho interessante pois incentiva os miúdos a prestarem mais atenção ao mundo que os rodeia, melhora a sua compreensão oral e escrita e permite discussões novas a cada nova notícia.

 

Ora, esta semana alguém da escola do Rafa falou na manif da geração «à rasca», de como se convocam pessoas pelo facebook e de que actualmente toda a gente anda à rasca com qualquer coisa...coisa essa que o Rafa não entendeu muito bem o que seria...

 

Assim sendo o meu filhote veio com a sacramental pergunta «mas ó mãe a gente anda à rasca também?»

 

 confesso que tive de fazer um grande exercício mental para lhe responder...e saiu isto «bem, quer dizer à rasca, é um expressão muito triste filho! estar à rasca pode não significar grande coisa...olha é assim - as pessoas dizem isso para mostrarem que não têm o que querem e porque queriam ter mais e não conseguem, por exemplo terem mais dinheiro ou melhor emprego...entendes? mas na verdade, só não têm porque se calhar não se esforçam o suficiente, certo? como tu, quando não fazes os tpc e ficas à rasca com medo da reacção da prof...mas se te esforçares e tiveres feito os tpc, estás à vontade, não à rasca...» ora o Rafa pensou um segundo e disse «bem, nós não estamos à rasca então, porque o papá e tu fazem muito esforço não é?»

 

E a nossa conversa terminou ali...até porque ele entretanto já estava «noutra»! Mas eu fiquei a remoer naquilo...e pensei que se um dia o Rafa viesse a ler este blog, até gostava que ele percebesse porque é que sou contra a tal manifestação...

 

Ora então, eu vivi naquilo a que a célebre frase de um então ministro de Cavaco Silva, o mesmo que já foi primeiro ministro e agora é presidente (esquecendo certamente que já impôs aos jovens de ontem um rótulo que os persegue até hoje, apelando aos jovens de agora para que não se conformem) designou por geração rasca. Eu que tenho boa memória, ao contrário do que parece ser comum a outras pessoas, lembro-me muito bem do meu período de estudante, marcado por esse repto do tal ministro.

Lembro-me das salas de aula lotadas, do estado miseravel dos equipamentos, do facto de ter aulas aos sábados, mesmo tendo uma carga horária semanal sem descanso, do método enfadonho como eram dadas as matérias. Lembro-me de que tinha professores (a maioria) que nem se incomodavam a fazer o que era suposto fazerem - dar aulas...e passavam o tempo a ler revistas da moda enquanto faziamos os exercícios, copiando as soluções e levando cábulas para os testes...ou pior, vinham para as salas de aula curtir bebedeiras e dormir até ao tocar da campainha, creio eu porque como não havia avaliação nos moldes que hoje se pensou, isso os tornava imunes e continuavam alegremente a sua «progressão» na carreira, objctivo único a que se agarravam...

Lembro-me das famosas (ou talvez não) PGA as provas que supostamente eram sobre cultura mas que para mim não passaram de uma aberração, do facto de chegar ao 12º ano sem saber o que seguir porque não havia orientação vocacional e porque do modo como estruturavam as áreas, não podiamos ter grandes opções...Lembro-me de ter um 18,2% como média final e não ter acesso a uma Universidade pública, porque naquele tempo, quem não tivesse uma «bruta» cunha não entrava no ensino oficial...aliás, logo de início lembro-me das turmas serem feitas de acordo com a lógica da separação de classes - de um lado os que eram filhos de pais assalariados, sindicalistas ou membros das associações de pais, do outro, os filhos do senhores da política, dos membros da burguesia endinheirada e dos novos ricos que nessa altura muito souberam aproveitar os fundos do governo, dados a troco da côr política...

Fazer um curso deixava muita coisa em aberto mas...depois descobria-se que as portas se fechavam. Porque naquele tempo, estágios eram uma miragem ao alcance apenas de alguns priviligiados...e empregos a sério, só mesmo para quem podia pedir ao papá!

 

Eu, filha da geração rasca, nunca me conformei. Fiz um curso de marketing, fui pedir um estágio a uma multinacional, fui para espanha (onde aprendi que doutores só os medicos) fiz uma licenciatura em publicidade, cursei psicologia, trabalhei como diretora de marketing de uma empresa informática, abracei a área da psicologia infantil, fui estudando conforme os meus interesses, aplicando os meus conhecimentos, escolhendo as minhas batalhas, definindo as minhas prioridades e nunca me senti «à rasca» com nada!

 

Ao longo do tempo, muita coisa mudou, é verdade! mas os jovens de hoje não se podem queixar a não ser da sua própria inércia! sou dura? talvez...mas digam se acham que faz sentido que esses jovens que se julgam no direito de se manifestarem porque vivem «à rasca», aguentem horas, dias até, numa fila ao relento para conseguirem um bilhete que lhes dê acesso a um concerto de qualquer banda da sua preferência, tenham dinheiro para encherem as discotecas da moda e gozarem viagens de finalistas em grande estilo mas não tenham nem metade do afinco para meterem mãos e pés a caminho na procura de um emprego?  reclamam porque querem ensino de qualidade mas nem sabem aproveitar os recursos ao seu dispôr? eu para fazer a minha tese de mestrado, passei horas na biblioteca municipal onde podia consultar manuais e ter acesso a pc...actualmente eles têem pc's com net a partir da pré escola... o meu filho mais novo que anda no ensino oficial, pré escola de uma cidade pequena, tem uma sala equipada com um quadro de nova tecnologia, interactivo, já tem como actividades extra o inglês e as ciências, a música, a dança e a ginástica! ao mais velho são-lhe passadas noções cívicas sobre preservação do meio ambiente, proporcionadas actividades adequadas aos seus gostos e idades e incentiva-se o empreendorismo e inovação (o concurso shoe parede foi uma prova disso mesmo). Assim se constroi o futuro, apostando na educação. E fazia bem ao povo português aderir à cultura do elogio - reconhecer o que está bem e melhorar o que deve ser melhorado. Saber dar valor ao que se tem, coisa que eu aprendi a fazer, talvez porque sempre tenha tido de lutar e nunca nada me foi dado de bandeja...e do mote para a tal manif? não posso estar mais em desacordo - não conformismo não é ir à rua gritar por um par de horas que «isto vai tudo mal» e depois esquecer isso tudo para se sentar à frente de um plasma a assistir a uma série de um canal pago numa tv por cabo (sim porque podem andar à rasca mas nem pensar em abdicar de um belo plasma...nem que tenha de ser pago a prestações com o dinheiro do subsídio de desemprego...). Não ficar conformado com a situação do país e da vida em particular é agir, é acreditar que cada acção pessoal faz a diferença num todo. Não ficar conformado é saber aproveitar as oportunidades, tirar partido do que temos de melhor.

Querem um exemplo? quando recebi o diagnóstico de PHDA do Rafa, não me conformei. Não me conformei com a falta de respostas, com as poucas ajudas que me deram, com as soluções que não faziam sentido. Não me conformei e reorganizei a minha vida. Contornei obstáculos e tomei iniciativas. Criar um espaço dedicado a estas crianças e suas famílias, mobilizar vontades, mostrar que muita coisa pode ser feita. Não foram coisas de dias, tudo leva o seu tempo mas nunca me conformei e o resultado - vou abrir em breve, um espaço que espero venha a ser uma mais valia. Um espaço pensado por quem passou no concreto pelos problemas e os sabe enfrentar, um espaço de partilha e apoio. Um nucleo da associação portuguesa da criança hiperativa a funcionar a partir do norte, coisa de que não se julgaria ser possível se optassemos todos pelo conformismo!

Como também não me conformei com o facto de ter sido despedida porque uma criança hiperactiva é tão exigente e imprevisivel que uma mãe não consegue conciliar carreira e família e não descansei enquanto não voltei ao mercado de trabalho, agora com muito mais «pulso» com muito mais organização e com a certeza de que é possível, basta agir! 

 

Portanto e para finalizar que isto vai longo...quero que o Rafa e o Quico saibam que para a mãe ficar «à rasca» é preciso muito mais que uma crise! e embora ainda pouco tenha feito, tudo o que faço é para que um dia mais tarde eles saibam dar valor e ficarem gratos, respeitarem e exigirem respeito, para contribuir com o meu pouco para um muito que deve ser de todos, para um país melhor, para uma geração que não se deixe (en)rascar! 

 

 

 

 

 

postado energia-a-mais às 09:10

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